segunda-feira, 9 de março de 2015

AMOR PRÓPRIO VERSUS LEALDADE





Hoje pela manhã, lancei o repto ( algo que passarei a fazer com mais frequência) sobre uma ou várias ideias a colocar aqui no Blog\Facebook. De entre algumas ideias sobre as quais poderia escrever ( e assim também o farei!) Amor Próprio versus Lealdade (Ideia dada por Lu Ferreira) é por certo um tópico que abrange uma panóplia de sentimentos\valores que muitos já passaram e concerteza já se debateram com isso. Eu inclusive!

Era algo que estava nos meus planos escrever, mas que até agora a minha disposição não me tinha ainda permitido. Nem sempre é fácil conceber, idealizar ou até debater a própria complexidade inerente a este tema. Supostamente nada seria mais fácil e nada seria mais prazeroso com tamanha facilidade de denominar Amor Próprio versus Lealdade se não fossemos todos nós tão humanamente complexos.

Existem uma série de filósofos da nossa história, escritores, dramaturgos, blogger s, artistas, médicos, advogados, engenheiros,psiquiatras, psicólogos, mecânicos, vendedores, pessoas vulgares e não vulgares, poetas e poetisas, marinheiros, soldados, vendedores de sonhos, destruidores de esperança, padres, padrecos, pastores e tantos outros prontos a denominar: Amor Próprio versus Lealdade, bem como variantes do mesmo. De tudo já li, de várias formas também as vivi.

De perto senti como tantos, o desejo, a vontade, o fogo, a paixão, o amor, a fidelidade, a lealdade, a mentira e a verdade, o jogo de sedução, a solidão e a alegria, o desprezo e  a anarquia. Um olhar, um momento, uma lágrima e um sorriso, um "Olá" e um "Adeus", um ver partir  e um ver chegar. De toda a constante inconstância, geradora tanto de cores e sabores, como de cores e dissabores, assim se vai delineando frases, ideias, pressupostos francos ou incoerentes, deduções mentirosas ou reveladoras do significado que para tantos é inatingível e para tantos outros assenta que nem uma luva.

A falácia e a incoerência disto tudo resume-se ao fato de,  homens e mulheres, sejam lá quais forem os vossos credos e denominações terem ou vislumbrarem a necessidade que que o outro e sempre o outro nos pode fornecer, tapar, personificar a própria deficiência do vazio tantas vezes desmedido que trazemos connosco. Vamos por partes....

AMOR PRÓPRIO

Nada melhor do que definir amor próprio do que dar como exemplo eu mesmo. Sempre tive uma estrutura óssea que de define e resume por "Magra". Não só isso mas como um nariz grande ou como diria um companheiro de infância sistematicamente á saídas dos intervalos: "Parece que o Pinóquio ganhou vida e resolveu vir ás aulas" ou ainda chegar ao absurdo de dizer: "Tu na praia com esse nariz assustas as pessoas todas, porque o teu nariz parece uma barbatana de tubarão". Sempre que chegava a casa, triste e cabisbaixo, a minha mãe perguntava o que tinha acontecido. Eu contava tudo e ela perguntava: E  o que respondes te filho? e eu dizia: " Nada Mãe...eu sou magro...tenho o nariz comprido, as miúdas nem olham para mim, os rapazes gozam comigo e estou farto!"- Só me respondeu: " Precisa mais de amor aquele que ofende do que aquele que é ofendido...percebes?"

Ao longo dos anos sempre fui o tipico rapaz que numa discoteca ou bar, é o gajo que está ali ao fundo do balcão a ver os outros dançarem, as melhores mulheres, as mais bonitas, as mais gostosas,  as mais audazes não era comigo que vinham ter. Havia sempre um, dois três rapazes que eram os mais estilosos, os mais gingões, os que tinham mais paleio, sabiam levar pela certa. Havia os mais riquinhos, inteligentes, capacitados para levar uma conversa a bom porto. E como sempre fui tímido, de certa forma era colocado de parte. Algumas vinham ter comigo, mas como não tinha a segurança devida para contextualizar da melhor forma uma conversa acabava por ficar tudo muito inócuo....e lá se iam elas com um sorriso amarelo. E sempre mas sempre teve tudo a ver com a insegurança e inseguranças desde criança. O fato prendia-se sempre com traumas, com deduções de que eu não era perdido e nem achado ou melhor dizendo suficientemente bom...para poder chegar  perto de alguma e toda a segurança própria de um homem que se quer forte e destemido manter ou contextualizar uma conversa. O meu tipo de conversa baseava-se em:

-Olá....sou a Suzana (nome fictico)
-Bruno...
-Costumas vir aqui?
-Diz?? A música está alta...
-COSTUMAS VIR AQUI?
-Ahhh....nem por isso...
-............
-............
-...........
-Bom....vou dançar. Prazer Bruno.

Vejam bem...o amor próprio depende muito de variadas situações inerentes a nós mesmos e a todo um meio que nos está adjacente. Há medida que vamos crescendo, que nos vamos enchendo de mais segurança , que nos vamos tornando mais firmes nas nossas convicções e nos vamos sustentabilizando á custa de um amor por nós mesmo, que é necessário ter. O preencher dos vazios inerentes a nós não pertence ao outro, porque o outro (a) é tão complexo e necessitado como nós. A tendência vigente na maioria dos casos é que o outro preenche ou preencherá sempre um determinado vazio que possamos ter. Quando na verdade esse mesmo vazio não é mais do que insuficiências pessoais que queremos a todo custo preencher. Procura-se segurança, procura-se amores que nunca se tiveram, procura-se fidelidade, lealdade, carinho,atenção, cuidado, respeito, desejo intenso, viver o que nunca se viveu. Procura-se dinheiro, status, resolver a vida não resolvida, procura-se de tudo um pouco que minimize o preconceito contra nós mesmos. A pobreza interior, o espirito fraco, a insegurança do amanhã, leva muitas vezes que o amor próprio se renegue a si mesmo e se deixe apaixonar pelo que não temos como certeza. O outro, a outra....é uma incerteza constante, do que é....será ou poderá ser.

Como uma incerteza poderá ser considerada certeza, se tudo o que necessitamos não existe como prova dada daquilo que poderemos ter? Que uso faço do outro se o outro não complementariza em mim as verdadeiras necessidades que não consigo nem eu mesma (o)reter de mim para mim? Como ter total amor de outro, se nem eu consigo dar total amor? Como me completar com o outro...se nem nós mesmos nos conseguimos completar sozinhos? O amor próprio vai se descobrindo, mantendo, percebendo, crescendo com ele. às vezes existem situações que vamos passando que nos retira o brilho, que nos deixa parecendo incapazes de subir os degraus e de variadas formas arrumamos todo o tipo de panóplias e enredos para que esse amor próprio venha ao de cima.Pensamos inúmeras vezes que a culpa da falta desse mesmo amor é do outro ou situações da vida. Enquanto permanecer a tristeza, a falha, o apontar do dedo, a critica, o riso sobre como cada um é ou supostamente deveria ser aos olhos de outro alguém,  residirá sempre em nós a falha constante de modificação a favor de alguém em desfavor nosso. E quem é mais importante senão mesmo nós primeiramente? Poderei eu dizer que tu és mais importante do que eu, se eu não tiver em mim a importância do que posso dar sem que necessite que me possas dar em troca?

LEALDADE

Lealdade está interligado com a fidelidade, dedicação ao próximo, honestidade e capacidade de dar e receber confiança. Quantas vezes somos desleais?Quantas vezes não somos honestos na totalidade? Quantas vezes traímos? E quantas não somos traídos? Que conceito, valor, acentuação válida damos realmente a este conceito de sermos leais? Não existe meio termo para a lealdade. Como não existe meio termo para o amor. Quantas vezes não perdemos amores, amigos, conhecidos pela deslealdade? E quantas vezes não são as vezes que o amor, fidelidade, amizade, companheirismo, cumplicidade é atacado, miseravelmente subjugado aos ideais do desejo, ás forças da paixão, ás luxurias, companhias, fanatismos, obsessões? Tenho para mim que a importância da lealdade como uma verdade suprema de dignificar a própria fidelidade a uma companheira, amiga, amor, é sem dúvida o calcanhar de aquiles de muita gente. Os receios, os medos, as necessidades, os esconderijos, os medos de magoar, o medo de ser magoado, leva a valores invertidos e revertidos de acção e reação. Uns feitos de forma inadvertida outros de forma cínica e cruel, são tantos os actos de deslealdades e lealdade que fica na cabeça do perpetrador e perpetrado as acções com as quais os mesmos se fazem valer perante as necessidades que cada um tem para si. A lealdade bem como amor próprio, são conjuntos tanto de sentimentos, como de valores éticos e morais que tanto fazem de uma pessoa verdadeiramente grande....ou incomensuravelmente pequena...e o grito...é o grito da revolta do que poderíamos ter sido e nunca o fomos...do que poderíamos ter feito e nunca fizemos. Aprenda-se e viva-se....mas acima de tudo que se ame verdadeiramente, porque fazer feliz alguém é fazer-se feliz a si mesmo (a). A dificuldade reside em manter a pureza. Tudo o resto são necessidades desnecessárias para o verdadeiro conceito de amar.

Revenge diria: "Sempre questione onde sua lealdade está. As pessoas que você confia irão esperar por isso, seus maiores inimigos vão desejar isso,
e aqueles que você mais estima, vão, sem falhar, abusar disso."

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