domingo, 12 de abril de 2015

FALA DO QUE SABES...NÃO DO QUE PENSAS SABER!




Concerteza que já ouviram expressões do tipo: "Então....estavas com dores de cabeça e foste sair ontem?" ou " Estavas mal psicologicamente e foste-te divertir?" ou ainda " O João disse-me que que o António lhe tinha dito, que tu andavas a sair com uma outra?" e ainda...dentro do diz que disse e não disse, vão surgindo criticas seja ao que postamos, vestimos, dizemos, formas de ser ou estar. Não sei quanto a vocês, mas no que me toca irrita-me profundamente pessoas que preocupam-se mais com o que se passa com o outro, do que com elas mesmas.

Todos nós nos regemos por caminhos, valores e afins. Torna-se praticamente genético, hereditário o que de gerações para gerações se vai passando. O falar da vida dos outros, bem como as criticas é tão somente a linha de pensamento que tenho no que toca ao que eu acho por bem seguir e desejo que o outro siga. Não se trata de uma ajuda, solidarização para com o outro. Sim antes e porém uma imposição do que eu tenho para mim como o meu valor, ideia, lógica, do que deve ser o comportamento do outro.

Ora, tenho para mim que o outro não sou eu. E eu não sou o outro. E partindo dessa mesma perspectiva de que ninguém é igual a ninguém, não me curvo em sinal de subserviência, perante o que o outro "acha" que pode ser o correto para mim. 

Estamos nós abertos a opiniões sobre o que poderemos deduzir por lógico como certo e errado? Com toda a certeza que sim! Poderei ser teimosamente cego, mas não sou teimosamente burro. 

Dois factores essenciais fazem e particularizam o nosso ser ( pelo menos o meu). A liberdade e o amor. Estão fortemente interligados. Eu visto-me de uma forma, ando de uma forma, entrego-me de uma forma, falo, observo e deduzo de uma forma que provavelmente não é a mesma que a dos outros. Mas acima de tudo vivo a minha vida e tudo o que a envolve com a particularidade de ser eu a vivenciar e não o outro. 

Desde que a minha vida não tenha nenhum impacto negativo nos sentimentos, na dor, na explanação do que o faço, não existe e nunca poderá existir ninguém que possa vir dizer-me que a minha própria vida aos olhos daqueles que se acham teimosamente certos e correctos sempre, se dignifiquem numa preocupação com a vida alheia deduzindo tantas vezes vidas que não lhes pertencem e que nada sabem.

Durante anos sofri várias criticas sobre o que escrevo, a forma que escrevo, o que coloco e o cuidado necessário a ter. "Cuidado...ninguém tem nada a ver com a tua vida, não coloque isto ou aquilo"

"Cuidado porque o que vestes, comes, falas, deduzes...amanhã alguém vai falar, criticar, apontar o dedo, pedir explicações".

Um amigo brasileiro uma vez disse-me em relação a isto: " Antes de olhares para a cara dos outros e criticares, vê a forma como limpas a bunda". 

Já foi demasiadamente criticado pela forma como escrevo ou exponho as coisas: "Bruno...há certas coisas que não se dizem. Tens de guardar para ti, tens de te resguardar das intenções alheias que tantas vezes são más e vão apenas no sentido de fazer com que te guies por aquilo que a outra pessoa acha o mais certo, mesmo até..mediante o que elas\eles fazem."

Sempre fui extremamente observador no jeito que as pessoas tem de traduzir e levar a sua vida. Aceito até certas criticas construtivas que acho corretas pela lógica das coisas em si. 

Mas quando alguém, por experiência própria vivenciou, tantas tempestades, cegueiras do seu próprio eu, percebeu nos outros atitudes de egos, egocentrismos, como se não tivessem telhados de vidro, leva-me a concluir que antes de ser ou ter algum tipo de falsidade na observação do seu "Eu" interior, catapultando para o outro o que é certo ou errado, mediante a sua visão, não é nada mais do que as falhas que eles\elas não tapam, não se enxergam dos seus vazios, dores, não se auto curam e por isso mesmo, mais fácil fica apontar o dedo ao outro, do que a si mesmos.

A minha liberdade, visão, forma de ser ou estar é única. Não sou mandatário de ninguém, percebo que cada pessoa tem a sua forma, não sei e não estou na vida de cada pessoa a cada momento, segundo, horas, semanas, meses e anos e por isso mesmo, a minha vivência, os porquês, seja de escritas, seja de oratória, seja de modo como levamos as coisas é tremendamente solitário, único, na forma como o vivencio e vejo. 

O meu olhar, não é o teu olhar, a minha critica não é a tua critica, o meu jeito não é o teu jeito, a minha moralidade, não é a tua moralidade, a minha tristeza, alegria, factos da vida vivenciados, não é a tua vida. E o meu mundo a mim pertence...é meu!

As pessoas vivem a vida dos outros como se fosse a sua própria projecção e modo de levar as coisas. Criticam meio mundo, sem saber as dores que não são suas. Os momentos que não são seus, os porquês, dúvidas, falhas e razões que apenas pertencem ao nosso Eu. 

As pessoas deduzem seja pela sua educação, seja pela moralidade, valores, que o seu carácter, forma instituída por si mesma ou outros bate-se como certa e sabida na apreciação depois feita em relação ao outro. No que toca a ser criticado...acreditem que pela minha forma de ser já fui alvo de todo o tipo de criticas e humilhações. Com um sorriso nos lábios fui observando a forma como tantos e tantas acabam por cometer erros atrás de erros, no que toca às suas apreciações sobre o outro. Incrivelmente sempre fui pacientemente escutando e observando os erros que nos apontam e o modo que os mesmos levam a sua vida felizes de se acharem correctos pela bênção que tem do poder entre mãos de "salvar" o outro mediante o modo de vida que levam. 

É mais fácil apontar armas à "podridão" do outro do que à fraqueza espiritual e pobreza interior que tantos carregam, achando-se justiceiros da vida e comandantes de um corpo de soldados sem armas.

E ainda assim saem todos os dias de casa convictos de que " Eu nada tenho a mudar". Levam vidas mentirosas adornados pela sua efémera sabedoria de que são justos, capacitados e coerentes.

Já fui criticado por numa roda de amigos ser mais quieto, sossegado e introduzir-me pouco na conversa. 

Já fui criticado por falta de ciumes, atitudes, resguardos. Já fui criticado por sorrir demais, chorar de menos. 

Já fui criticado por ter mãos de pedreiro, não ter mãos suaves, de médico ou aristocrata.

Já fui criticado, por dançar pouco, não nadar, ou não ter ritmo.

Já fui criticado por ser a fantástica pessoas que sou e mesmo assim, não chegar, porque o grau de exigência que os outros desejam não condiz com este "pequeno ser". 

A satisfação de ter, desejar, querer, potencializar de mim para o outro acaba e termina sempre não no meu vazio , mas sim no vazio que os outros possuem de não saber olhar condignamente para o simples e aí sim, sem exigências procurar ajudar, contemporizar, potencializar o melhor de nós e do outro . A simplicidade não compactua com a perfeição ou egocentrismos inflamados.

 Não compactua com a exigência que não podemos pedir aos outros, pela fraqueza retumbante que tantas vezes temos e queremos que os outros nos ofereçam para adornar o nosso quadro tão mal pintado.

As pessoas querem e desejam sempre mais. O outro tem de ter, possuir, fazer e eu entendo-me como o certo ou certa da questão para levar a bom porto com a minha visão o que ele deve ou não fazer. 

Fala do que sabes...não do que pensas saber, diz respeito acima de tudo à liberdade e cuidado que teremos sempre de ter nas apreciações que fazemos. Já fui acusado de ser moralista ou como na brincadeira até dizem: " O pequeno Dalai Lama". 

Percebam...eu entendo de variadíssimos problemas no que toca a dores pessoais, porque porque já passei por todo o tipo de situações ( Um dia escreverei um Biografia minha). Existe um certo tónico de moralidade patenteada porque, desde fome, suicídios na família, mortes de amigos, filhos bastardos, viagens, estudos, canudos, namoradas, traições, viver em bairros de lata, pensões, quartos, tristezas angustiantes, lidar com faltas de luz, agua, desemprego, dinheiro, instabilidades, filhos e enteados...de tudo e mais alguma coisa eu já vivenciei. 

Então irrita-me quando alguém se acha moralmente capaz de dar-me lições de coisas que nunca passaram ou vivenciaram. 

Tenho uma imensa escola da vida que me transformou...incrivelmente para a pessoa que sou ( podia dar para o outro lado e ser o oposto de tudo o que sou)!

De cada vez que recebo alguma critica e tantas foram destrutivas e humilhantes, eu seriamente dou graças ao Alto, por ter passado por tanta coisa. Tantos obstáculos, tantas tristezas, tantos sofrimentos, tanta, mas tanta vivência na forma como lidamos com o pior da vida, com o outro lado da moeda, porque é exactamente isso que nos faz ter uma visão fantástica sobre a vida no seu pulsar.

E é exactamente isso que faz com que eu possa confortar o próximo com algum assunto que ele ou ela passe, por eu mesmo ter sentido, passado e percebido esse momento. E isso não vem nos livros ou na moralidade, tom, criticas estúpidas e vazias de gente que vê na possível futilidade dos outros a sua perfeição...


Nada é tão bom como o amor, nem tão verdadeiro como o sofrimento.
Alfred de Musset





2 comentários:

Claudia Dias disse...

"Já foi demasiadamente criticado pela forma como escrevo ou exponho as coisas: "Bruno...há certas coisas que não se dizem. Tens de guardar para ti, tens de te resguardar das intenções alheias que tantas vezes são más e vão apenas no sentido de fazer com que te guies por aquilo que a outra pessoa acha o mais certo, mesmo até..mediante o que elas\eles fazem." " --> também sempre ouvi muito isto, que se partilhares deixas de ser feliz, pela inveja alheia bla bla bla..mas sabes que mais? nunca concordei! o problema da inveja alheia é (e fica) em quem a tem! não nossa! se queremos partilhar...que partilhemos o que quisermos e bem entendermos!

E quanto ao seres criticado... sempre o serás! por tudo e por nada e sempre independentemente do teu passado ou do que já tenhas passado...a crítica é como a inveja,sempre inerente enquanto vivemos em sociedade...cabe-nos a nós não nos deixarmos afectar por isso! ;)

Bruno Fernandes disse...

Subscrevo inteiramente a tua resposta! É isso mesmo!