domingo, 19 de abril de 2015

HOJE ÉS MINHA...AMANHÃ: "QUEM ÉS TU??"



Os começos e términos dos relacionamentos tem os seus fundamentos, as suas bases em diferenciais distintos. Um actor num programa de televisão nestes dias, dizia o seguinte:

 "Não acredito que num momento ames de todo o coração uma pessoa e no outro te desfaças dela, como algo que nunca tivesses desejado para a tua vida, isso não é amor é um reflexo dos nossos enganos e profundo analfabetismo sobre o amor".

Na altura que ouvi a expressão dele, disse para mim mesmo: "Finalmente alguém que me perceba, sem mesmo ter trocado algum dedo de conversa com ele". 

Nestas coisas do amor e das escolhas que fazemos de pessoa, para pessoa, das cartas ( Sim, ainda continuo a ser do tempo das cartas), e mails trocados, mensagens de frases bonitas e decorativas, baseamo-nos no que achamos que é a nossa necessidade e acima de tudo que esta escolha de dar a aceitação ao outro para pertencer à nossa vida,  traduz-se na visão que temos de que aquela pessoa, aqui e ali, maioritariamente no mínimo dos mínimos em 75% se encaixa na nossa visão de amor.

Tantas vezes ouvi e mesmo disse em anteriores relações: "Somos um par fantástico, nunca conheci ninguém como tu, és tudo o que procurava, és especial,  fantástico, maravilhoso, etc...etc" Ora parto do pressuposto e da ideia inicial que esta simbiose é ou atribuída ao amor ou atribuída à cegueira do preenchimento de vazios. Porque maioritariamente apesar da força que fazemos na nossa própria auto-critica, somos carentes, vazios e a espaços tudo o que possa vir, chegar inicialmente para preencher esse vazio é o topo da cereja do bolo. 

E à primeira vista todos acertamos. Nós na verdade não nos desiludimos com os outros. Nós enganamo-nos é a nós mesmos. E acima de tudo enganamos o outro indirectamente. Hoje quando olho para alguma ex namorada, umas pouco falo, outras não falo nada, outras mantenho a mesma partilha, relacionamento que praticamente tinha quando estávamos juntos. 

Engraçado que quando se terminam os velhos amores ( e depende sempre do tempo que namoramos e da forma que se terminou) existe sempre algo que nunca concordei. O distanciamento e na verdade o pouco caso que fazemos uns dos outros. Como se aquela fantástica pessoa, aquela pessoa especial, aquela que partilhamos a cama, os dias, semanas, horas, cumplicidade, amor, carinho...fosse hoje a faceta mais visível do desconhecido. E na verdade é tantas vezes. Fechamo-nos na concha, continuamos a olhar para o final como o inicio e nunca para o inicio como um começo ou recomeço. A melhor arte que temos dentro de nós é a facilidade como destruímos amores, como um castelo de cartas. Tudo o que é construído com base nos nossos medos, preenchimento do nosso eu, ego, atribuição ao outro de ser o nosso "médico" só acaba em desilusão. O fim é sempre a base de tudo de mau. Somos destruidores alheios de amores cultivados em busca do nada tantas vezes. 

E não sei se sou eu o errado ou os outros. Mas eu acima de tudo, à parte dos namoros, pessoas que tivemos, que gostamos, que possivelmente amamos ou não...a minha forma sempre foi baseada e gerada através da partilha e cumplicidade. É essencial para mim haver isto. partilha e cumplicidade, despojada de mentiras, omissões ou meias verdades. Quem pode ajudar sendo menos verdadeiro? Quem pode ser amigo quando há meias verdade?  Falo com todas as minhas ex namoradas até hoje ( coisa incrível para muitos!) e tenho uma forma de ser, que me permite continuar a ser o confidente delas e elas de mim. ( E não sou o Marquês de Sade ok?) Porque notem...essa coisa de:

 "Eu te amo, então te conto tudo, mas eu não te amo mais, então não tens mais nada a ver com a minha vida" não é amor. 

Uma vez disseram-me: A necessidade do momento fez com que fosses tu a estar presente na minha vida. Hoje é outra pessoa...não existe necessidade de ti. Lamento. ( Amavelmente joguei-a da ponte e ficamos amigos na mesma).

Nunca tive uma visão assim. Reparem , muitas vezes ouvi: " Tu falas com a ex namorada?? E perguntam isto com uma ideia de que ex namoradas são monstros saídos\saídas das trevas do inferno. Não existem ex namoradas, ex amores, existem acima de tudo pessoas. E é nessa permissiva que me baseio. Não concebo entregares o teu amor a alguém, escolheres alguém e poderes dizer: "Ops...enganei-me". Ainda não fiquei estúpido nas apreciações que faço nas escolhas e amor. Se tem vezes que nos desiludimos? Sim, imensas! Se o nosso amor não é correspondido? Tantas vezes! Se fazes e não tens em troca? Continuamente! Mas tudo é fruto do vazio interior que temos em que sistematicamente colocamos nas mãos do outro, no amor do outro todas as fichas e apostas. 

Eu amava-te e não te amo mais surge efectivamente da desilusão, ilusão que criamos relativamente aos outros. É uma bola de neve. Não estás feliz agora, tornas te feliz novamente, o mundo gira em felicidade, e voltas novamente à estaca zero de infelicidade e escolha. Rodamos sobre o próprio amor, alma gémea atrás de alma gémea, como tantas vezes designamos. 

Chegamos ao ponto de com um simples aceno de mão, com frases secas e perdidas de rever no outro a fatídica escolha do que foi e não é mais. Eu bem sei e como sei, que enquanto houver respeito, enquanto honrarmos o outro, enquanto valorizarmos o outro, enquanto dermos de nós o melhor que temos para o outro e dessa mesma forma essa simbiose continue mesmo depois de "mortos" no amor, é a dança da vida , a magia do "amor" em continuidade em tudo o que somos e significamos bem como o outro. 

Quando existe aproximações, mas ao mesmo tempo, na duração desse amor, existe o oposto de tudo isto que disse acima, gera-se desilusão e afastamento. Aqui e nesta concepção, cada um deve seguir o seu caminho, ferido, abandonado ou humilhado no que deu e não obteve, não como algo que haja obrigação de dar, mas acima de tudo como algo que não foi valorizado. Porque aqui centra-se essencialmente a questão da maturidade no amor e visão mais abrangida do que vale o outro.

Eu não sou adepto e nunca fui destas trocas e desilusões que sofremos que o melhor é virar as costas, ou que um novo amor, cura um antigo. Isso é uma eterna falácia e looping de desonra para connosco mesmos. Fechar feridas, tapar feridas com preenchimentos dos outros nunca foi para mim e nunca será a cura da complexa máquina que somos. A aprendizagem é algo sofredora tantas vezes que raramente alguém se digna a parar a repensar no seu eu. Costumo dizer que só viro as costas a quem não se digna a apresentar-se com a verdadeira dignificação do que teve, manteve fez jus ao valor que nós damos e eles nos dão. Nunca gostei de gente com a prática do facilitismo, da fila andar e dessa sensação que tantas e tantos nos dão mais tarde como se nada tivesse acontecido e desejem voltar a uma espécie de amizade, onde não mora mais confiança, nem partilha, nem cumplicidade. Reescrevo sempre histórias com pessoas que tive, quando percebo que a luz ao fundo do túnel é a esperança que elas encontraram de mudança e alteração do seu eu. Não sou falso em mim mesmo, então honrar quem eu mesmo sou, é dar aos outros o tempo, a visão, a aprendizagem deles mesmos, para reescreveram e traduzirem o melhor de si. Ser amado por conveniência é a morte do artista. 


Vejo amigas\conhecidos em busca sistemática, em trocas sistemáticas e que meses após meses me dizem uns atrás de outros: "Finalmente encontrei o amor!" "Finalmente encontrei quem me preencha!" ou " Será que essa pessoa que estou, existe mesmo!??". Meses após meses estas frases vão sendo trocadas, por desilusões, conversas entabuladas de como cada um sente a desilusão que vai encontrando no outro. Traições, atrás de traições, esconderijos, mentiras, desilusões, vão se encontrando subterfúgios para os nossos enganos. A alma gémea passa então a figurar numa prateleira junto de tantas outras a apenas mais um\uma. 

Nas conversas que já tive com ex namoradas aqui e ali, vai se notando uma distancia abismal. Eu vou confessar que sou muito de testes...sou uma lobo em pele de cordeiro, um observador das atitudes e formas que as pessoas vão sentindo, levando e com isso,  é uma ferramenta de percepção também da capacidade que vejo ou não no outro. a minha busca não se concentra em arranjar uma atrás da outra, porque o coração não manda. Mentira. Nunca acreditei na treta de que no coração ninguém manda. Na verdade o nosso desprendimento, o nosso à vontade, o pouco caso que fazemos do amor em tantas situações leva tantos e tantas a uma entrega sistemática e a um término sistemático. Nós temos a mania que estamos sempre apaixonados. Mas não estamos. Estamos necessitados o que difere da verdadeira ciência e determinação de amor. 

Quando me perguntam o porquê de eu conversar com alguma ex namorada noto essencialmente a carga negativa que existe. Será que ele quer voltar? Será que estão a marcar um encontro? Porque falam eles? Porque se riem ou se dão bem hoje em dia? Faz-me lembrar os presidiários que depois de cumprir a sua pena, vão em busca de trabalho honesto e vem todas as portas fechadas. Presidiário não é Satanás. Assim como ex namorada não é o monstro do lago Ness.

O "Hoje és minha, amanhã não te conheço" dá-nos na verdade respostas para o que vamos vivendo lá atrás e de que forma nós na vida das pessoas somos e tivemos um papel significativo. Posso contar pelos dedos das mãos o valor imenso e acreditação que tive para outras e outras para mim. Acho fantástico ainda hoje sentirmo-nos vivos, amados e desejados ( se bem que de outras formas) pelas pessoas que tivemos. Essa é a verdadeira concepção de amor. É a marca que deixas e que te deixam.

E são essas pessoas que cultivamos para o resto da vida. 

Machado de Assis dizia:

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Ás vezes é preciso saber suportar...onde a essência não consegue ser suportada pela fraqueza é necessário ser forte e ser forte é tentar perceber o amor.


Fuiiii








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