terça-feira, 19 de maio de 2015

ACORDO ORTOGRÁFICO...OU HORRÍFICO?






Miguel Sousa Tavares dizia sobre o acordo ortográfico o seguinte: " "O Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz, como se os Estados Unidos impusessem um acordo ortográfico à Inglaterra"

Não quero e nem devo, porque não sou académico ou formado em letras para sumptuosamente tentar aqui encontrar fórmulas para; ou aceitar o acordo ou rejeitar o acordo. O que penso acerca do acordo é que retira, expulsa, deteriora a verdadeira magia cultural que a um povo pertence.  A língua, os seus dialectos, as suas formas, a sua escrita não pode para mim de forma nenhuma ser acordada por uns senhores que a dada altura acham que todos devemos escrever e falar com esta ou aquela acentuação. 

É completamente absurdo que a nossa língua mãe ( e quem diz nossa....diz vossa...no brasil, em angola, em moçambique...nos países lusófonos) seja descaracterizada. Poderão eventualmente dizer que " Nós não queremos acompanhar o progresso". O progresso não é a desvirtuação da língua mãe. O progresso não se baseia na forma escrita de "acto" ou "Ato". O progresso não é imposição. Não é acordo, não se pode delimitar como "obrigação". Mas que o é! Preservar as raízes, preservar o povo, preservar a cultura é isso sim, progressivamente defender de forma patriótica e acérrima os nossos costumes.

 Eu não vou dizer: "Trem"....vou dizer sempre "Comboio"! Eu não vou escrever "Celular" vou escrever "Telemóvel"! Eu não posso renegar o que sou e quem sou, porque um bando de aristocratas decidiu que "aquela" forma de escrita fica melhor a todos. É um atentado a Fernando Pessoa, a Luís Vaz de Camões. É um atentado à cultura, é a nova prostituição barata da escrita. Da Maria vai com todos.   

O alarido criado à volta do acordo ortográfico terá sempre os seus prós e contras, para quem não possui em si mesmo o devido patriotismo, aquele que afaga, abraça carinhosamente a sua cultura. Não se trata de " As pessoas não querem mudar, ou tem receio da mudança". 

Nós dizemos sim aos bares de alterne, dizemos sim aos casamentos do mesmo sexo, dizemos sim ás adopções por pais homossexuais ou Lésbicos, dizemos sim ao enorme circo que se tornou o mundo. Sem muitas vezes perceber o quanto descaracterizamos a sociedade, a cultura e deformamos o orgulho das nossas raízes. A tudo dizemos sim em prol desse tal "progresso". Enfiamos com actores de renome em lares, promovemos novos actores sem experiência nenhuma, sem potencial nenhum, críamos monstros nas revistas, que nem mereciam uma folha sequer. Abandonamos a poesia, o romance, as visitas a centros culturais, ao interior abandonado do país. Mas levantamos a mão em prol do progresso, para que se mude e altere a raiz da nossa língua! Em prol do progresso, não se sabe quem D.Afonso Henriques conquistou ou quantas cidades, quem foi o terceiro  Rei de Portugal ou o que fez. O que se sabe hoje é que estamos ligados entre países através dos  deliciosas corpos das brasileiras, das kisombadas africanas. Eis o que nós sabemos e defendemos!

 Terá sempre os novos "meninos" da sociedade que um dia destes nos obrigarão a escrever "Tá-se bem" em vez de "Está muito bem". Ou "Yo my brother" em vez de "Meu irmão". 


Temos o destino que merecemos. O nosso destino está de acordo com os nossos méritos.
Albert Einstein
Pois que o nosso mérito seja a manutenção das nossas raízes! 



2 comentários:

Claudia Silva disse...

"Eu não vou dizer: "Trem"....vou dizer sempre "Comboio"! Eu não vou escrever "Celular" vou escrever "Telemóvel"! " - essas palavras não mudaram. E agora vou aqui dizer uma coisa que pode ser para ti Bruno e para muitos outros: se criticam o AO, ao menos vão ver o que mudou! tongue emoticon
" É um atentado a Fernando Pessoa, a Luís Vaz de Camões. É um atentado à cultura, é a nova prostituição barata da escrita. Da Maria vai com todos." - Bruno no tempo do Camões escrevia-se "pharmácia"!

Claudia Dias disse...

"Eu não vou dizer: "Trem"....vou dizer sempre "Comboio"! Eu não vou escrever "Celular" vou escrever "Telemóvel"! " - essas palavras não mudaram. E agora vou aqui dizer uma coisa que pode ser para ti Bruno e para muitos outros: se criticam o AO, ao menos vão ver o que mudou! tongue emoticon
" É um atentado a Fernando Pessoa, a Luís Vaz de Camões. É um atentado à cultura, é a nova prostituição barata da escrita. Da Maria vai com todos." - Bruno no tempo do Camões escrevia-se "pharmácia"!