terça-feira, 26 de maio de 2015

VAZIOS NO AMOR...







Isto do amor...ou é ou não é! Não há meias medidas, não há meias palavras, não existe amar aos poucos e não existe dar-se aos bocadinhos tipo biscoitos para cão..." Toma lá um biscoitinho e se te portares bem..e fizeres um mortal no ar, dou te outro biscoito". Ou se ama...ou não se ama! 

Quantas vezes já ouvi: " Ahh...no principio não gostava muito dele, namorei só por namorar, agora que passaram 20 anos, estou a conseguir ficar apaixonada!" Por amor de Deus....

Ou nos mostramos como somos ou mostramo-nos aos bocadinhos e já não chamamos isso de amor e sim de " part time" amoroso. Mas quem quer um "part-time" amoroso? Não...não falo de amigos coloridos, relações extra conjugais! Falo realmente desse sentimento voraz e forte que acalenta e desalenta tantos corações. O sonho comanda a vida, mas como diria um amigo meu : "Nem todo o sonho comanda os prostitutos do amor que somos" Somos hoje e autêntica depravação de busca intensa de todas as experiências possíveis e imaginarias. 

É um tipo de prostituição escamoteada e delineada por frases sentimentais e adornos perfeitamente explicáveis de tudo o que fazemos e queremos. São as redes sociais, a busca intensa num bar, num olhar, numa discoteca, numa saída, é a dança provocante, o roça roça dos corpos, os desejos intensos momentâneos. Vestimo-nos, para o ataque, desejamos o ataque, somos touros e vacas estarrecidos com as novas comunicações desenfreadamente, queremos, desejamos, procuramos, acalentamos! Com os novos conhecimentos e apaixonamentos delirantes tantas vezes. Somos o enredo de historias dramáticas e filmes criados. Somos opacos tantas vezes, fúteis e criadores de paisagens idílicas, onde a lei do mais fácil se sobrepõe à verdadeira razão de querer, ter, poder, desejar e conseguir. 

A luta pelo amor é sobejamente muito mais subjectiva e difícil do que a facilidade de trocas de corpos e paixões pagas pela consequência da nossa própria inoperância e falta de conhecimento de nós mesmos. Somos prostitutos baratos que nos entregamos de corpo em corpo lamentando-nos com as falhas do paraíso nunca "encontrado". 

Ahhh...como eu gosto daquele amor que tiro de mim para dar ao outro. Como eu gosto daquele amor em que posso levar o café da manhã à cama. Não gosto do amor rápido, da entrega dúbia, da conquista falsa por falta de carácter e personalidade. Não gosto do facilitismo, da vitimização do amor de que não temos o que nunca fizemos por ter. Não gosto de amores sem braços. Sem luta, sem corropio desmedido. 

Falamos com o mundo como se brotássemos de nós a verdadeira essência de amores encontrados, filtrados para nós como princesas e princesas. 

De idolatrados, passamos para sapos intragáveis. Gente que pensa que é gente e se faz gente à custa da ambição de quem sabe e pensa que sabe onde está o amor. 

Hoje andei na conversa com uma amiga minha e a dissecar esta coisa de amarmos as pessoas e se nos devíamos entregar na totalidade ou apenas mostrar partes de nós. Bom...chegamos à conclusão efectiva e lógica ( coisa que já sabia há anos) que quando gostamos de alguém, amamos alguém não podemos de forma nenhuma mostrar "um Pouco" ; " Dar um pouco"; "amar um pouco". Isso não existe na verdade. Confesso que o receio de outras relações para muitos nos leva a deduzir que na próxima já não será assim. Menos abertos, menos confiantes, mais dolorido,  vamo-nos fechando na concha. Quem ama não é quem menos diz. Quem ama não é quem mais diz também. Quem ama é quem mais sente. 

Nesta coisa das relações e rápidos momentos de conhecimentos ( E na verdade quem conhecemos realmente afinal??) não vamos desatar a contar que nascemos no dia 29 de Dezembro de 1975....blá...blá..blá. Mas...falo de realmente amar as pessoas. Mostrar o que temos de melhor, o que de melhor somos. Mostrarmo-nos nus. Certa vez disseram-me que ao mostrar-mos tudo de nós...sofreríamos muito mais.

Até porque quando nos abrimos, quando nos entregamos e damos nunca é pela metade. Um amor baseado em tudo de bom...tanto eu sei como vocês...não existe. A não ser nos livros que leio à minha filha, onde até pode dar uma diarreia ao príncipe que ele é feliz, até com a coxa da Cinderela em cadeira de rodas para sempre. 

No momento actual e os amores que tivemos, vamos tendo e teremos sempre...só existe uma forma de entrega: Total e única! Se nos ferramos? Pois claro que sim! Mas esperava-se que não?
Se ficamos tristes? É óbvio!Mas esperava-se que não? Mas...o melhor de tudo é a intensidade, a vibração , o modo, o estado de espírito e a força que temos em amar e darmo-nos.

Se quisermos ver isto pela perspectiva única e cientifica de que: O amor trás desvantagens problemáticas e sentimentais, sendo que ....problemas , stress, gritos, desconfianças, ciumes, incompreensões, não podem entrar na palavra amor....então deduzimos todos que: Só se ama quando tudo está bem? Mas quem espera um amor de "paz"? Equilibrado? E quantos não são os desequilíbrios que cada um de nós carrega!? Desequilíbrios de abandono no amor, de pais, de mortes, de traumas, de faltas de amor, de carinho!? Desequilíbrios financeiros, sociais? 

Tenho visto pessoas a entrar e a sair, Cada uma delas com carregadas com os seus objectivos, formas de pensar, de estrutura, de desejo, de vontade. Umas mais falsificadas e trabalhadas, outras mais trabalhadores e desequilibradas, umas mais sensatas e desnutridas emocionalmente,  outras mais ciumentas e rigorosas. Umas mais capacitadas para a família, outras mais capacitadas para os seus umbigos.

 Há uma panóplia de tentação sistemática que retira na verdade o foco principal do amor. Se eu pudesse atribuir um objecto ao amor, o mesmo seria uma bola de papel, Sistematicamente amassada, tentando colocar-se sedosa de novo e pronta a escrever...e nunca passará disso mesmo. Uma bola de papel amassada, crucificada, adulterada por aqueles que na sua busca se esquecem de que existe sempre outro. 

Como diria um senhor conhecido: " O Amor de hoje só veio dar razão ao Diabo". Perdeu-se por completo a ideia de um amor que todos procuram, todos querem ,todos desejam, mas que reflete-se na total inconstância e sede de mais e mais de tudo aquilo que vemos e não desejamos...mas participamos. 

Sendo que ....nesta mesma perspectiva , amar alguém ou estar com alguém só é válido se viver num mundo cor de rosa. E....não vivemos! Por isso...crescemos. E crescemos porque?

Crescemos porque percebemos que mesmo que fiquemos tristes, mesmo que saibamos que transparecemos para fora quem somos e como somos, o facto é que saber amar da melhor forma não é apenas e só numa vertente de eu recebo mas só dou o que quero e posso. Amar desta forma redonda num completo egoísmo só mesmo para sanar e limpar a alma em alguns momentos com o amor de outro.


Acho que amor sem problemas não é amor. Amor sem uma pitada de uma coisa aqui e ali...é nada...é vazio. O que faz correr na verdade o amor é o que ele é....e não o que ele poderá ser. Não há na realidade meias medidas. Claro que andamos sempre à procura do melhor amor.Do melhor estilo de vida. Procuramos o que nos pode proporcionar amor ou vidas feitas? Não procuramos em muitas alturas o que a pessoa é...mas sim o que a pessoa pode dar. Tremendo erro erro aqui.

Se quiser encontrar uma gaja rica...encontro....se quiser encontrar uma que me de bom sexo...encontro...se quiser encontrar pessoas que me estimulem até à ponta dos cabelos...encontro! É fácil! Isso...é o mais fácil que há!

O que mais me deixa com um sorriso nos lábios...é que eu sei....eu sei....que há tantas escolhas erradas, tantas pessoas trocadas, tantos amores feridos, tantas pessoas fantásticas que merecem do melhor...que mesmo assim...o mundo não vê....vocês não vêem e eu não me conformo com o facto das pessoas procurarem isto entre amigos, entre conversas de casa de banho, entre a busca por amor verdadeiro e mesmo assim...mesmo assim...nunca ninguém estar feliz com o que tem. É por isso....que muitas vezes olho para mim...e mesmo até sabendo e reconhecendo os meus erros...entendo que Deus realmente deu-me muita coisa!

E a ti? Deu-te?

Um comentário:

Claudia Dias disse...

grande texto, grandes verdades. amor que é amor nunca pode ser vivido sem ser em cheio. e sem ser "ok, here we go again" depois de nos termos magoado 87 vezes. Não interessa, pois quando aparece, aparece de novo, e é para ser vivido como era quando tínhamos 16 anos: é para ser inteiro, completo, breathtaking, pleno, espontâneo, genuíno, de fazer loucuras. Felizmente encontrei uma pessoa que me ensina todos os dias o conceito de amor não egoísta, o amor de dar também e não só receber.
Grande texto....(no sentido literal também!   )