terça-feira, 2 de junho de 2015

QUE A ÚLTIMA GOTA SEJA UM RECOMEÇO...

O mundo inteiro é um saco de merdas se rasgando. Não posso salvá-lo. Sei que nos movemos em direção à miragem, nossas vidas são desperdiçadas, como as de todo mundo. Eu sei que nove décimos de mim já morreram, mas eu guardo o décimo restante como uma arma.
Charles BukowskiExistem duas incomensuráveis doses de sentimento pelas quais é necessário ter a visão e rectidão para que se abracem numa só. Amor e compaixão. Uma é universal e sem ela não passaríamos de seres deambulantes sem alma. A outra, tão necessária, mas tantas vezes desprovida do seu verdadeiro valor e que fosse ela solidária com o sofrimento.Sofrimento...incapacidade...desigualdade....invalidez...tortura.Tenho visto cada vez mais entre amigos e conhecidos e no meu próprio caminho as sucessivas idas e vindas. Caras novas, caras antigas, amores velhos e novos. Tudo novo, tudo velho, tudo certo e incerto. Chamam de amor, chamam de dor e cada um na sua casa conta as suas lágrimas, como se em cada uma de um momento se retratasse. Cada lágrima tem uma história, cada evento um suplemento...um momento. Não existe compaixão, não existe amor,  o sofrimento é solitário. Incomum, retardatário...nú. Ninguém te vê. Eu sei. Ninguém te sente...eu sei. Ninguém se cruza contigo nas noites a sós. É apenas teu, leve, como uma pena, apenas a ti pertence....devagar...sentido...crú. E como choras nessas noites. O silêncio é tão desumano. Incaracterístico, profundo...imenso e intenso.
Histórias que se cruzam umas com as outras. Que pegam e abraçam, que se perdem e amordaçam. Gente solitária, gente perdida na multidão. Gente que ri e que por dentro chora. O que é feito daquele que rasga? Que em sangue te deixa perdido e moribundo? Que num momento te ama e tão depressa te renega? Quem te magoa e nada apregoa? Memórias do tempo que o tempo não trás. Memórias da vida...mas é o que a vida faz. 
O que desperdiças  tu? E o que te fizeram desperdiçar a ti? É o momento que fica? Se é que isso implica! Desperdiçamos amores, renegamos dores, prometemos  sonhos e acabamos em dores. Que fizeste tu?E o que fiz eu? Já nada mais interessa, já nada mais compensa. Andamos despedaçados, invertidos, desprovidos. Choramos de dor, mas vivemos de amor.  As cortinas velhas e rasgadas, abrem-se e fecham-se permanentemente. As feridas do pano, são as feridas da alma.Que fedor de engano que em jeito puritano se aproxima do seu amo. Do engano tanto reclamo que me torno tão insano. Quem te provoca o medo? Será tudo isto um enredo? Que medo que tenho de nada mais ter medo. Que coragem nos falta quando a dor nos assalta...Tenho paciência com o tempo, mas é um tempo sem tempo. O tempo urge e eu tenho medo. Medo de tantos enredos e de tantos segredos. Maldita coragem....sem  nenhuma abordagem, sem nenhuma ancoragem...e de tantas miragens. Repleto de dores se vive novos amores. Que amores sem fim, que amores sem o mínimo rasgo. Um completo desastre...Que o mundo não pare, que a vida se faça e sem relutar...E se o amor vier e ainda assim relutar...que Deus me dê forças...para  de novo amar.
Bruno Fernandes

Um comentário:

Claudia Dias disse...

Podias ter feito isto em forma poema, já que grande parte das frases finais rimam. :D

mais uma vez gostei (muitíssimo)...