quarta-feira, 16 de setembro de 2015

UM BRINDE À IGNORÂNCIA...SOMOS TODOS JIHADISTAS!


"A humanidade erra por ter a sua consciência submersa na ignorância."

SOMOS TODOS JIHADISTAS

Existe algum sentido maior do que a própria vida em si? De que fugimos? De que temos medo? O que ansiamos? Quem merece verdadeiramente viver....e quem merece, se é que há, alguém que o mereça, invariavelmente morrer? A quem devo dar a mão? E a quem devo eu virar a cara?

Que perfeição de pura ignorância esta, em que nos deleitamos, no nosso belo prazer, sentados no nosso sofá e gritamos em uníssomo: "Não aos refugiados!" Aiii....esses malditos animais assassinos, que vão estragar o nosso cantinho, o nosso bem estar!

As nossas praias, as nossas festas, o nosso turismo, as nossas gentes! Ahhh que malditos que nos vem tirar o nosso conforto, roubar as nossas ideias e ideais! Ahhh...malditos deles que tem direito a casas, conforto, empregos e nós...ai de nós....tristes aqui, com este roubo aos nossos olhos! Que injustiça!

Encetamos o nosso novo Slogan " Salvem por favor os nossos pobres!" Esses sim, necessitam que se olhe por eles! Dêem lhes casas, dêem comida, dêem conforto e já agora algo, para que possam sustentar-se! Enquanto isso não acontece eu vou-me divertindo no meu mundo.
Vou brincando ás relações, às trocas de olhares, vou às festas, às noites fantásticas e coloridas, bebo as minhas cervejas, dou dois dedos de conversa a alguma, vou para um motel ou hotel, ponho a minha gasolina, carrego o meu telemóvel, e por onde passo e encontro esses mesmos pobres e penso: "Nada posso fazer por ti". Ahhh...mas malditos refugiados que de tão longe chegam que merecem de nós a mesma hipocrisia que adornamos os nossos.

Relatos chegam de que há uma guerra...e que pessoas fogem e no seu leito não carregam riquezas...carregam crianças e no olhar o desespero.  Relatos chegam que procuram abrigo...e para nós...não passam de mendigos infames de metralhadora na mão. Ahhh maldita hipocrisia, dos que bem estão e bem querem ficar. Que o meu pão não seja dividido. Que a minha casa não seja assaltada pelo olhar tenebroso de medo e ânsia de uma vida melhor. Que o terror que me assalta, destes animais que se aproximam, seja apenas uma ilusão. 

Salvem os nossos, dizem vocês! Vocês que tantas vezes sairam à rua aos milhares a pedir para tirar das ruas aqueles que sofrem as vicissitudes da vida. Sim, vocês que passam todos os dias, em todos os recantos pelos mesmos e não mexem uma palha para falar deles ou que se dignam a lutar por eles. Ahhhh malditos refugiados que à beira mar querem plantar sonhos impossíveis de ser alcançados. Fora com eles, gritamos nós!  Fechem as fronteiras à desgraça alheia! Fechem as portas ás oportunidades de outros que bem poderíamos ser nós. 

Eu quero viver a minha vida, eu quero divertir-me, eu quero sair e gritar ao mundo em como sou feliz no meu canto! Que não se ergam as trompetes da solidariedade. Cuidado...que vem aí a morte...

Que morte mais triste é a morte desse espírito altruísta e egoísta. Que slogan mais baixo e vil é virem dizer " Salvem os nossos". Mas repentinamente é natal? Fez-se luz para os nossos? 

Somos todos Jihadistas, falsos comentadores, medrosos perante a calamidade que pode vir até nós. Organizamos paradas gays aos milhares, direitos das mulheres, fora com o governo, fora com os salários de miséria....e fora com refugiados de guerra...


Mas...perante as calamidades...que se levante o nosso copo...que se erga bem alto e que se beba à grandiosidade do ser humano.