E O BOM DISSE EDUCADAMENTE: "...FODE-TE..."


Todo dia e vivido como um finalizar de obra. Os obreiros que somos na tentativa de construir mundos onde possamos caber, onde nos possamos inserir, resume-se na qualidade que cada um se depara ao olhar para si mesmo. Todos nós vivemos em mundos diferentes, de ondas e canais díspares. Somos todos pequenos ou grandes resumos de histórias. Somos os bons, os maus e os vilões de tentativas de dar de beber às alegrias da vida. 

Deduzimos que nesta vida , neste vai e vem de vivências, de estranhezas, conflitos vários, nos possamos aconchegar numa parte onde nos possamos sentir bem. Traçamos planos, deitamo-nos e deleitamo-nos de todos os tipos de amor. Fazemos promessas, quebramos pactos, criamos cenários, sonhamos juntos, rimos dos outros e de nós. Vivemos e criamos, destruímos tantas coisas em tão poucos segundos. Somos insatisfeitos. Recriamos páginas e páginas, refazemos e desfazemos e voltamos de novo voltamos à nossa busca.
Readquirimos felicidades momentâneas, em corpos, em afagos, em frases, em momentos. E de novo sonhamos. Dizemos tantas vezes "Olá" e também vezes dizemos "Adeus". Posicionamo-nos no traçado que nos leva à meta. Para tantos serão apenas uns metros, uns dias, umas semanas ou meses. Para outros a dureza dos seus caminhos é o reflexo do que tantas vezes nunca chega. Cansas-te, fartas-te e sozinho perdes a lucidez do que foi e já não é. Mas não consegues descortinar o que é, onde é...em que morada invisivel foste tu parar. Perdes da memória da tua vida faces, beijos tocantes, abraços sentidos e perdes o sentido da imensidão de dores que te rodeiam. Marcado pelos sons de alguma trompete que nunca vês, percorres o som que pensas que te leva ao cume do sentido que a vida te disse que terias. 

Pasmas-te com a ideia de que o mundo que te disseram que seria nunca foi tão falso e difícil. Feridas que se abrem teimam em fechar, ferido de morte, arrastas-te para os braços do alheio. Procuras o teu refúgio onde não existe nem sequer água que te de vida. Tantos que te enganam, que se aproveitam, que te batem nas costas e que te gritam ao ouvido: " Vais viver". E vivi...e tão cedo não morrerei. Nunca porque me disseram que iria ter realmente de viver, mas porque nunca me ensinaram de que morte poderia eu padecer. Perguntamos tantas vezes como, quando e porquê. Tantas respostas te surgem, que te sugam e alimentam  as feridas. 

Nesse mesmo bem estar que desejamos e recriamos várias vezes em nós, estão as moradas invisíveis. Tocamos tantas vezes em portas ocas, ansiosos, tremendamente dados à vida, gritamos ao espectáculo da vida " Aqui estou". 

Queremos viver naquelas moradas que no passar, do tempo, da vida bates na porta e reclamas para ti em parte incerta da tua alma um pedaço de pão. Que esse pedaço de pão seja a consumação do que procuras em tempo de vida. Alimentas-te essencialmente de amor. Várias são as vezes que nesse mesmo pedaço de preenchimento dos nossos vazios, encontramos todo o tipo de dádivas, benções ou o contrário das mesmas.

Reflectimos inúmeras vezes sobre as reais verdades e essenciais da vida. Sendo, que a primordial é a consumação da própria vida. O topo da cereja do bolo. O enredo difere de vida para vida. As tuas escolhas, necessidades, verdades essenciais do teu mundo criam e recriam conforme caminha, armas para combateres as injustiças. E elas são tantas. São verdadeiramente assustadoras, no caminho que tomas quando tentas subir o teu cume com todas as forças. 

Vais ser apunhalado, vais ser ridicularizado, vais ser ser humilhado, vais combater verdadeiros gigantes de egos inflamados. Vais cair, vais chorar, vais perguntar aos céus do porquê de tantas vezes teres sido o que tantos clamaram e o porquê de tantas vezes teres sido deixado à margem. 

Vais ter vontade de gritar, de rasgar da tua pele o inglório pecado que carregas e que tantas vezes te fazem carregar. Não há forma de seres injusto, de não mentires, de criares dores e seres dolorosamente também punido. Não há forma de seres apenas bom ou apenas mau.

Mas há uma forma sublime de dizeres educadamente à vida que te quer derrubar com tantos sofrimentos, que não te quer deixar levantar....pois para ti...educadamente te digo: Fode-te...pois não vivo de ti....vivo do que resta de mim.


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