sábado, 31 de outubro de 2015

NAUFRÁGIO DAS ALMAS PERDIDAS....


"Mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido"

Sempre por intermédio de mim mesmo, constatei, como é poderosa a arma da nossa consciência, quando deduzimos que em vida valemos bem mais do que na penumbra de uma vala comum, feita à nossa medida. Sempre tentei reduzir a pó as feridas que me pudessem acompanhar ao longo da vida.

Umas sararam tão depressa, como uma brisa de vento matinal que chega, e logo se vai. Outras demoraram eternidades. As nossas consciências, os nossos pensamentos, deduções e acima de tudo, above of all...está essencialmente a nossa forma de ser. 

O nosso estado de consciência determina os caminhos a seguir em cada um de nós. Malditos, maldizentes daqueles que nos deixam em sofrimento. Inúmeras foram as vezes que gritei bem alto em mim: Morram no inferno! 

Ardam, até que a vossa pele saia aos poucos da vossa carne e vos faça sentir a verdadeira dor que, nos outros provocam e depois se lambuzam dos louros colhidos, como hienas. Ahhh, quantas vezes conjurei contra essa corja que deduz-se em sofrimento, quando na verdade, precisam é de um playgroud feito à medida das suas brincadeiras, dos seus anseios, das suas deduções. De um barco...ahhh não é de um barco de sonhos, feito de madeira de coragem, feito de ancora de sofrimento, feito de janelas de objetivos. Precisam de um barco para dar cor às suas fantasias, precisam de um barco de segredos, de vida cheias, de felicidade suprema, o barco sem dores, um barco em festa, um barco que navegue por águas calmas e límpidas, sob um por do sol deslumbrante. 

Não existe tal barco a não ser o barco feito de humildade, coragem, honradez, sofrimento, esse que por mares nunca dantes navegados, mantenha todos os marinhos em uníssono, esse barco que por cada tempestade catastrófica e que de frente para a morte os faça cantar e dançar em relação ao tempo, às memórias que perdurem, esse barco que lhes dá força para continuar, que lhes dá vida para viver, que lhes dá sonhos para concretizar. O barco esse sim, em que depois da tempestade, depois do sofrimento, o céu se abra e aplauda em pé a tua coragem. 

Não foram os outros, não foi na vergonha que te possam ter feito passar, não foi na desvalorização do teu ser, não foi nos momentos sozinhos em que choras-te nú, desconsolado, sob vidros quebrados que alcançaram o teu porto. Nã foram eles....ahhh...nunca foram eles. Eles que medem o sofrimento, essa merda de sofrimento, que passam, sem nunca terem passado fome, essa merda de sofrimento que passam sem nunca terem visto a morte bater à sua porta. Essa merda de sofrimento em que vês dançar à tua volta o egoísmo, as costas voltadas, os sonhos postos em ti nas mãos e braços de outros. Ahhh....que barco de merda, seria o meu se eu mesmo comtemplasse o meu sofrimento com a limpeza dos olhos alheios. 


Detesto gente que se acha gente, nascida e criada sob um manto de livros. Ahhh....gente que não percebe como se sofre, como se perde, como se ganha ou se conduz o verdadeiro sofrimento. 

Detesto gente mesquinha, com um olhar sobre o mundo onde tudo vale, onde tudo cabe, onde nada se aprende e no barco da mente, nesses marinheiros da dor, se abandone o barco com um sorriso pendente. Esse sorriso de abandono, essa memória de tempo, onde no quadro da nossa mente apenas moro o momento. 

O momento em que esse sorriso, foi o único momento em que a presença que fica é apenas do tempo. Detesto barcos vazios, que caminham sozinhos, que se escondem do tempo, que fogem das tempestades. Ahhh esse maldito individualismo, esse maldito egoísmo que o mundo todo conspira contra a nossa maré. 

Já vivi tantas vidas, já sonhei tantos sonhos, dei-me de mim, do melhor que vivi, para que em águas revoltas pudesse dizer: Eu estou aqui! Quantas vezes no meu: " Eu estou aqui" ouvi nessas  mesmas águas ouvi: "Não preciso de ti, pois no barco que vives, não quero morrer aí". 

Neste barco da vida, onde o que vejo e sinto é tantas vezes vida sem vida, de um barco sozinho, onde tantas e tantos se jogaram e afundaram no seu próprio eu, onde tantas e tantas se pintaram das suas luxurias, dos seus momentos, continuei a remar, com um sorriso nos lábios, com um gosto imenso, de que, o que tive para mim e tenho para mim nesses tempestades da vida...é o meu barco.

Um barco pequeno, um barco sem remos, que tantas vezes anda à deriva de si mesmo em águas agitadas.

Mas o que seria o meu barco sem a existência de mim mesmo? O que seria de ti...se no caminho traçado, trovejante,galopante rumo ao meu porto eu me perdesse de ti e tu te perdesses de mim?

Pois que, neste caminho me atinjam todas as  tempestades,  que me rasguem a pele, que não me adulem no sofrimento, que não me deixem parar de  aprender, que possa chorar em, que a minha alma seja lavada, e o nada, que nada foi seja, tudo que sempre será. E que o medo que nos sustenta tantas vezes, que nos faz desistir de uns e outros, que nos sustenta em nós atos cobardes pela não necessidade, pelo receio do "amanhã" seja apenas o sopro passageiro de que a coragem chega, a tempestade passa e o momento nasce. 


BM



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