UM MUNDO DE TODAS AS CORES



Sou de todas as cores, de todas as vidas, de todas as formas e de todos os feitios. Sou de todas as cores, de todos os sabores, sou a tristeza, sou a alegria, sou a vida e sou  a morte. Não sou de um ou de dois. Não sou, nem o melhor e nem o pior. Sou e apenas sou.

Sou do pobre, sou do rico, sou da fome e da abundância. Revejo-me na morte de uns,  como na morte de outros e ainda assim não me revejo em nada. Revejo-me na vida de cada um, como se da minha mesma o fosse. E ainda assim...nada do que aquilo que vejo o sou.

Sou de todas as cores, sou de todas as formas, comporto em mim todos os silêncios do mundo. Sinto todas as alegrias, todos os desesperos, todos os gritos de revolta e ainda assim grito, grito sem multidão, sem palmas ou afetos. Mas ainda assim...nada do que sou o é, e tudo o que sou eu...sou. 

Sou todas as bandeiras e ainda sim, não sou de nenhuma. De tão pequeno que sou, passo por ser nada do que sou ou do que poderia ser. Mas ainda assim, sou!Porque eu sei que sou! Sou a minha liberdade, sou a minha vontade, sou a minha luta, sou o meu regaço, a minha força, a minha tristeza e a minha bandeira ahhh...essa é  o meu amparo. Ainda assim...eu o sou. 

Carrego em mim todas as dores, todos os minutos, todos os silêncios, todas as mortes e ainda assim, nada...carrego...nada faço, nada sou, perante tudo aquilo que é e somos. 

Há vida que palpita, há fome que não reabilita. Há uma criança que chora e na lágrima vertida...não há amparo, não há limpeza, existe apenas tristeza. Há um silêncio profundo naquilo que é e não vejo. Naquilo que é e não sinto. Não estou lá, não sou eu. E ainda assim sou tudo e todos são parte de mim. 

Não posso ser só uma cor. Não posso ser apenas o que sou, porque ainda assim eu sei que nada sou. Sou o meu pequeno mundo, o meu pequeno copo que se enche ainda de vinho, da fartura, da alegria. Sou o meu pequeno prato que se enche de iguarias sem igual. Sou da melhor plantação, sou do melhor brasão, do melhor reinado. E ainda assim...nada sou. 

De tudo o que sou e não sou há uma certeza porém...de medo não sou feito e de coragem é a minha linhagem. E se ainda assim no horror que perante os meus olhos se prostra na mão que deseja que me afunde...ainda assim direi...hoje não! Hoje não!

Que no medo que impões eu viva...e que na coragem dos horrores que praticas eu te consuma com tudo o que sou...

No mundo que tomas em ti como teu, rei e senhor...que eu possa dizer então:

"Aqui eu vivo também."






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