terça-feira, 31 de março de 2015

MULTI-CANCRO....



Hoje foi daqueles dias que tive vontade de colocar a armadura do D. Afonso Henriques e sair para a rua pela manhã de espada em punho e destruir todos os multibanco que eu tivesse a felicidade de encontrar. Experimentem sair de casa só com o cartão multibanco, ligeiramente atrasados ( mas ainda a tempo de ir comer algo)  e depararem-se com multibanco atrás de multibanco sempre com problemas. 

Primeiro multibanco: Não tinha dinheiro. 
Segundo Multibanco: Lamentamos mas o seu saldo não lhe permite efectuar a operação. ( Mentira...tenho mais de dois milhões de euros na conta).
Terceiro Multibanco: Em manutenção.
Finalmente o quarto e último: Mal coloquei o cartão e antes de por o PIN saiu uma voz: "Obrigada e volte sempre!"

Como assim, volte sempre, se nem coloquei o pin?? E reteu-me o cartão! What a fuck??

Sem tempo para esperar que o banco abrisse, sem poder levantar dinheiro para o pequeno almoço a tentar manter a compostura normal de um tipo fashion como eu....o que fazer?

Ao longe vi uma velhinha, que mais parecia daquelas tias de cascais e tive uma vontade louca de me aproximar dela, apontar o clips que tinha no bolso e dizer: "Passa as moedas todas, agora!!" Mas tive um felling que ela pudesse precisar do dinheiro para comprar fraldas para a incontinência Urinária.

Triste, fraco, com a barriga a dar horas, chego até a porta da empresa, coloco as mãos no bolso para abrir...e onde estão as chaves?? Lindo!! Esqueci-me em casa!!

Ao longe a colega vê-me e corre até mim em slow motion e diz: 

-Bom dia Bruno, tudo bem!?
-Tudo e tu? Já foste ao Multi-Cancro hoje?
-Multi-cancro???
-Sim...nunca me senti tão feliz, quatro multibancos todos lixados e o último ficou-me com o cartão! Nem o pequeno almoço consegui tomar!
-Não seja por isso! Estás com fome? -(Abriu o casaco, soltou um sorriso e o top que usava dizia: "Do you want my tits?")
-Ohhh Carlos...lá estás tu....


Há dias que não se deve sair mesmo de casa....

HOMEM: AMOR PORNOGRÁFICO?




Poderemos dizer que a grande maioria das mulheres é sem dúvida no que toca a amar bem mais sensível que o homem. Claro que existem excepções, mas a clarividência existencial de percepção está à vista de todos no que toca ás mulheres. Não quer dizer com isto que o homem não saiba amar, não saiba com toda a certeza ter também ele um pouco dessa mesma ideologia sentimental e obviamente a clarividência necessária para perceber isso. No entanto o homem é tremendamente visual. E como é usual dizer-se: "Não pode ver um rabo de saias". O impacto visual num homem ( e obviamente numa mulher também) diferencia-se em vários aspectos. Seja numa discoteca, bar, saída, trabalho, na rua, numa repartição das finanças, na igreja, seja lá onde for, o homem tem dois sentidos de observação animalesca: Mamas e Rabos. Ponto! Não venham cá dizer que o homem "não é assim", porque ele realmente é assim. O foco, a presa observada, a tentativa de conquista primeiramente pelo impacto visual é sem dúvida o torneamento do corpo! Não estou a ver o homem numa conversa com um amigo a dizer;

-Já viste aquela?
-Qual? A que está sentada a beber aquele vodka?
-Não pá! Aquela é a minha avó! A outra ao lado!
-Hum...aquela que tem um Q.I acima da média?
-Exacto!Já viste as notas dela? Espantoso! Tirou médias de 18 em ciências politicas! Achas que eu e ela podemos discutir sobre a crise dos misseis aqui na Europa? 
-Tenta...
-Estou com medo...
-De??
-E se eu não for bom o suficientemente para ela na dissertação e analogia sobre as dificuldades inerentes à veracidade do problema em si?
-Hã???

Por norma raramente isto acontece! Raramente? Acho que não acontece mesmo! Conversas de bastidores entre homens quando vêem uma mulher é tudo menos politicamente correto..( a não ser que esteja acompanhado da minha mãe!) Mas nós realmente somos tremendamente visuais. Num bar, acompanhados de alguns amigos onde entra um grupo de meninas e existe sempre uma ou outra que chama mais a atenção...

-Olha lá aquelas que entraram!! Vai lá vai..
- Tão boas!!
-O que eu não fazia com aquele par....e aquele rabo! Tenho de conhece-la! 
-Mas...aquela é minha mãe....

Enfim...na verdade é que esta panóplia de sentimentos carnal e inicial é e como costumo dizer tremendamente pornográfica. Fazemos de certa forma um certo tipo de Porno-Grafiti na nossa mente. Desenhamos histórias, deduzimos formas, somos fantásticos ilusionistas mentais, cuja observação tantas vezes fútil ( É verdade!) não é mais e nem menos do que tantos de nós pensam e deduzem nestas observações iniciais. Com o tempo obviamente que a paixão...a loucura...o fogo...o desejo , então sim...se vai transformando em amor, carinho...tempo dispensado com qualidade. Normal. 
Mas ainda assim num abraço, num carinho sentido, numa frase tirada de algum livro do pastor Edir Macedo...ainda assim nesses momentos vai existir sempre isto:

-Amor...eu amo te tanto..tu amas-me da mesma forma? 
Pensamento- "Diz que sim e leva-a para a cama" - Claro que te amo!
-De certeza? Sério Mor?
Pensamento-"Continua a dizer que sim e talvez possas chamar uma amiga para se juntar a vocês"- Amor...mais do que tudo nesta vida!!
-És tão querido!!!
-Eu sei Alfredo...


Em suma e em jeito de resumo...

Apesar de muitos de nós sermos assim e na verdade sermos tão bons "Actores" como as mulheres "Actrizes", acredito piamente que se fossemos tremendamente verdadeiros nas apreciações diretas ( era preciso ter uma certa dose de loucura), apesar do choque inicial, o impacto apesar de ousado teria concerteza outro tipo de efeito. Do tipo:

- Olá, sou o João, sou toxicodependente, desempregado, adorei o teu decote e apetecia-me rasgar a tua roupa toda e possuir te aqui no meio da pista!
-Mas estamos na segurança Social do Areeiro...

Obviamente que o que utilizamos é mais:

-Olá, peço desculpa por invadir a tua privacidade, mas não pude deixar de reparar em ti. Sou o Bruno, sou gerente aqui deste espaço e ficaria agradavelmente satisfeito se te pudesse oferecer uma bebida...se assim o desejares. 
-Ó Pai...queres parar com essa parvoíce?

Pronto...fui...







sexta-feira, 27 de março de 2015

"NOSSA! VOCÊ É UM GATO LINDO...!


Hoje venho dizer algo que sempre ouvi durante anos, mas que me dá cabo da moleirinha! Ou seja, eu tenho amigas portuguesas e brasileiras ( na verdade, mais brasileiras que portuguesas!). Das vezes que já saí em portugal...e foram algumas...passo completamente desapercebido a elas. Eu sei que se fosse o Brad Pitt..muito provavelmente se olhasse para uma mulher ela pensaria: "Aiii...que homem tão lindo...será que ele me quer? Era tão bom ser possuída por ele, depois de sair do escritório"

Mas agora não sendo o Brad Pitt...ou Tom Cruise....se eu estiver a  olhar para uma mulher o mais provável é ela olhar para mim fixamente e pensar : " Dasse....que anormal....só me calham é duques!! Fiz a experiência no outro dia nos CTT. Reparei que um homem bonito, estiloso, aproximou-se de uma mulher porque ela tinha deixado a caneta. O sorriso dela quando ele entregou a mesma...era resplandecente. dava ba sensação que ela estava a querer dizer com o sorriso " EAT ME HERE!!!"

Passado 15 minutos e ainda na fila, uma senhora deixou cair o cartão de cidadão. Bonita...jovem...fiz o meu papel de cavalheiro e quando fui para entregar colocou-se aos berros a dizer: "CLINICA DE ESTÉTICA, CLÍNICA DE ESTÉTICA!!"  e desmaiou...é triste....

"Ok....não vamos exagerar....eu sei que em regime de part-time, sou  fashion... sou um must.....mas sinceramente...as mulheres portuguesas odeiam-me. Lembro-me de frases marcantes como a da minha professora da primária que dizia: "És um aluno tão feio que vou te processar por danos morais" ou ainda as amiguinhas que eram umas querida ( Lembro-me do Alfredo, o ricardo, o duarte e o Emanuel)  da escola nos intervalos a comentar entre elas: "Malta vamos jogar ao berlinde? Dobra o B runo, dobra o Bruno!!"  Cresci traumatizado! É verdade! Mas quanto a mim..pouco ou nada me importa ( se não te importasse não escreverias palhaço). 

Acontece que as amigas brasileiras ( Viver no Brasil mudou a minha vida!rs)...tem por norma nos 98% dos casos a mania olhar para mim e dizer : " Nossa...você é um gato lindo".

Certo...já cheguei a pensar aqui e ali : "Será que dizem isso porque estão sem contrato e querem vir para Portugal?" ou..." Serei eu mesmo um gato lindo??"
Das 98%,  aqueles 2% são aquelas que felizmente ainda são saudáveis e não prestam caridade! Não ficaram loucas ainda! Mas porque gato lindo!?? Eu gosto de mim...tenho um mantra espiritual e iluminado que me segue nas horas de maior aperto e não me deixa chegar ao espelho e dizer : " Tadito...tantas horas tiveram os pais no bem bom...resmas de gajos bonitos...e logo tinha de sair esta ave rara que não se sabe bem que matricula tem". 

Eu gosto que me digam que sou um gato lindo....etc e tal. Levanta-nos o ego, mas..não acham exagerado esta troca de opiniões de umas dizem que sim e outras que não?

Estranho mundo....



SOMOS O QUE GOSTARÍAMOS DE SER?




Muitas foram as vezes que me questionei se eu era na realidade quem eu gostaria de ser? Todos em algum momento temos a percepção necessária e facultativa inerente a nós de uma percepção tanto dos nossos defeitos como das nossas virtudes.

Nesse intermédio básico de nos conhecermos a nós mesmos, somos capazes de conhecer tanto as nossas limitações como ser humanos, como tudo o resto que temos a capacidade de poder concretizar.

Quando era novo sonhava ter um corpo fantástico. Pensava que um corpo sarado, bonito ( mesmo que eu não fosse muito bonito) seria o suficiente para conquistar as meninas.

Nunca acabei como muitos, por ir para ginásios e levar avante essa vontade de querer um corpo bonitão.

O tempo passa e descobri que o conhecimento das coisas, leva à sabedoria  da vida. Mais importante de existir muitas vezes o desejo de sermos diferentes em aspecto físico ou intelectual é a manutenção e exercício constante de melhoramento interior. Conhecimento, sabedoria, cultura, estrutura psicológica.

No meio disto, dei-me conta também que e no que me toca dizer; se eventualmente somos a criação de Deus e existindo como eu sei e tendo para mim que existe, não poderia eu, ser mais do que aquilo que sou.

Sempre acreditei em dois tipos de mundo. Este que vivemos e um mundo invisível e muito mais abrangente e misterioso. Esse mundo é o mundo espiritual. Entre tantos biliões de pessoas que existem, uns acreditam, outros apenas seguem o curso da sua vida sem se preocupar muito com fé, religiões ou algum tipo de outra coisa. Para uns, nascemos, crescemos e morremos. E a história acaba aí.

Outros porém acreditam que a vida é uma passagem. E que nesta passagem o que temos de fazer para chegarmos ao outro lado é seguirmos um caminho longe de tantas inconstâncias do mundo.

Para muitos o sofrimento é a chave de todos os males. Para outros e dependendo do sofrimento é a chave do conhecimento e sabedoria.

Dignificar quem nós somos  é dignificar a nossa própria criação. Sem mudanças, sem alterações, sem medos.

Vivemos num mundo caótico. Em cada canto existem problemas. Mortes, guerras, mentiras, injurias, assassinatos, pedofilia, putaria, enganação, corrupção, governos ditadores, mentirosos, gente a salvar-se por si mesma atropelando tudo e todos,  raivas, ódios, assaltos, catástrofes, inveja, soberba, ganância, gula e afins.

Em algum momento todo este tipo de sentimentos, um ou outro já nos trespassou. Marcar a diferença é exactamente olharmos para nós e para tudo o que nos rodeia e traçarmos um plano de combate activo.

Esse plano passa pelo melhoramento interior. O combate ao medo, ás invejas, à preguiça, à injúria, etc. Marcar a diferença significa que se somos quem somos e vivemos no mundo com o qual nos oferece muito do que não gostamos, então existe necessariamente em algum ponto sofrimento.

A incapacidade de lidar muitas vezes com isso traduz-se em pessoas abatidas, sem esperança, e com atitudes que nada tem a ver muitas vezes consigo mesmas.

A questão de mudar, de continuarmos continuamente à procura de sermos melhores é a busca pela felicidade. Para se poder dar amor, efectivar o amor conforme está estabelecido desde os primórdios é necessário, teres um coração transparente, sensível ao que o mundo te dá a ver e corajoso para todo o tipo de combates.

Não podes ter um coração medroso, cheio de negatividade, cheio de problemas interiores e mesmo assim desejares uma vida feliz. Fica complicado! Porque certamente ninguém terá. Somos cheios de imperfeições porque imperfeitos também nós nos tornamos. Bom...afinal somos humanos!

Por isso mesmo quando muitas vezes vamos ao médico fazer um CHEK-UP, para ver como está a nossa saúde pelo receio que tenhamos algo de mal, tudo isto é necessário quando nos propomos a fazer também uma certa interiorização global do que somos e do que podemos melhorar.

A minha questão principal é questionar-me da seguinte forma: A cura que procuramos para nós é física ou espiritual? Profissional ou financeira? Ou direi da seguinte forma: Simplesmente viver? Ou como diria a música brasileira: "Deixa a vida me levar...vida, leva eu..."

quinta-feira, 26 de março de 2015

QUERIDA NÃO ATENDAS....



QUERIDA NÃO ATENDAS....
A cena que mais um homem detesta...é quando estamos no bem bom na fase das perguntas inusitadas " Está a ser bom para ti?" ou " Viste o filme dos três duques ontem?" ...estamos ali num excitamento total numa gritaria louca e desvairada em tom silencioso e eis que de repente o telefone toca...e é mais ou menos esta conversa que existe entre o casal...enquanto o telefone...

Trimmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
-Hummmm.....ohhhhhh....querida...não atendas.....
E continua a porcaria do telefone a tocar.......
Trimmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
-Ai...querida.....deixa o telefone tocar....... - e ela diz:
-hummm...ohhhh.....tenho de atender amor....( e continua o telefone)
Trimmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
-Não atendes querida......
-Ohh Mor...tenho de atender.....pode ser que seja um trabalho.....estou desempregada...
-Pronto...atende lá...
Lá atende o telefone....enquanto o homem....óbvio não pára....qual louco a picar cebola na esperança de começar a verter as suas lágrimas de prazer.
-Estou sim?
-Mãezinha? És tu?
-Não....daqui fala da Diocese de São Domingos de Rana, e gostaríamos que participasse no espaço de 2 horas a 90 perguntas....e com isso ganhará...
-Um trabalho??
-Infelizmente não!
-Ahhh...nesse caso quero participar!

WHAT??
Um gajo fica estúpido com isto! Só pode!! Que mania é esta de nos interromperem o marmelanço, a união dos corpos, o excitamento do momento, o "Ai que Delicia?" o vai prego a fundo, o "Dá-me na cara e diz que amas outra no meu ouvido"
Eu não entendo isto....sinceramente só me faz lembrar a feira da ladra a um sábado! Já repararam que os nossos vizinhos...compram as nossas próprias coisas na feira? E guardam-nas durante tanto tempo em casa...que quando chega a hora temos de voltar novamente a comprar a eles?

Este país....

TRISTE, FELIZ, INFELIZ...A LEI DO RETORNO É MÁGICA.




JC já dizia: " Quem semeia ventos, colhe tempestades". A lei do retorno é tão somente a causa efeito de algum ato praticado, venha ele por bem ou por mal numa diversidade enormíssima de situações.  Umas vezes chega mais forte, outras até mais revigorado, mas ninguém fica isento desta "mágica" lei.  Quantas vezes já ouvi dizer: " Eu não mereço aquilo que estou a passar" ou " Merecemos ser felizes!". A questão não está se eu mereço ou não! Mas na verdade: " O que fiz eu para estar a passar por isto? O que fiz eu com alguém, hoje, ontem , há anos atrás? 

 Seja pela boa ou má acção praticada, acabamos sempre por pagar preços que na verdade todos merecemos pagar. Não me levem a mal, mas maioritariamente não sou apologista do "Eu não mereço". Se eu sistematicamente praticar o bem, concerteza que não merecerei o mal que me possa acercar. Mas se porventura mentir, omitir, trair, matar, esconder, roubar, enganar...não me salvo com toda a certeza daquilo que ao outro ou outros eu perpetuei ou fiz perpetuar. 

O mundo dá voltas. E que voltas imensas ele dá. Muitas vezes temos uma má imagem da lei do retorno. Eu gosto de a receber de braços abertos, mesmo que me traga sofrimento atroz, mas que me permita tornar-me uma pessoa melhor. Gosto de a receber de braços abertos, porque quando chega, percebo na perfeição e à minha volta o porquê da mesma estar a abraçar-me. Não quero que ninguém pague pelo mal que nos possa fazer ( no que me toca penso assim para mim) mas sei perfeitamente que o próprio universo se irá encarregar de fazer a sua parte. 

Acredito que tudo o que damos de todo o coração, de bom grado, com toda a qualidade receberemos na mesma medida. Assim como o contrário se sucederá. Uma amiga há bem pouco tempo dizia-me: "Hoje andamos num fast food de relações, naturalmente que assim ninguém consegue ser feliz". Aliás...eu sei e sabemos todos na verdade por experiência própria que todas as relações são sempre "A relação!" É sempre aquela que dará certo, o momento de folia, uma certeza inabalável de acreditação, de desejo, de força e cheios de sonhos lá embalamos. É aquela relação, que o coração bate mais forte, que maioritariamente os amigos, família, conhecidos, apoiam e batemos palmas ao alto no sentido do: " É agora, era isto que sempre procurei!!", Andamos felizes, perdidos de amor, e consequentemente não há muito a dizer, pois esse momento é único e nosso. 

Esquecemo-nos muitas vezes da complexidade inerente ás relações, aos vícios que temos, ás personalidades diferenciadas que nada acaba por ser como inicialmente deduzimos. A cegueira do amor, seja nas relações amorosas, ou até nas amizades profundas, levam sistematicamente a uma visão embaciada. E tudo isto leva a determinado momento, semanas, meses ou anos à descoberta de todo uma rede de complexidades, defeitos onde a fase anteriormente proferida de " És tudo para mim", passa para: " Não significas nada mais para mim".  E nesse sentido prático que a fila anda. O vento, trás e leva como se tantas vezes nunca tivesse existido. 

Dentro desta complexidade de relações, das filas irem andando como se momentaneamente estivéssemos a tirar uma senha esperando que chamem o "Próximo", ansiosos tantas vezes por colmatar o sofrimento, as dores, com novos amores, novas amizades e novas páginas, atiramo-nos pois então de cabeça. 

Esquecemos muitas vezes da forma infantil tantas vezes como levamos e magoamos tudo e todos à nossa volta. Seja família, amigos, amores e ex amores, conhecidos ou amizades. nas relações muitas vezes directa ou indirectamente, para beneficio nosso ou dos outros, para desejo nosso de preenchimento de vazios marcamos incomensuravelmente pessoas. 

Durante anos fui percebendo cada vez melhor esta lei do retorno. E o porquê da existência da mesma. Para tudo temos desculpas, dúvidas, tentamos entre amigos e conhecidos encontrar muitas vezes perdões para as nossas falhas de carácter, desvios de personalidade e somos tão bons nisso que acabamos até por enganar indirectamente os amigos para proveito de uma frase que nos caia bem ao ouvido, onde possamos sempre deduzir e pensar: " Era isto que queria ouvir". Queremos sempre ter razão em alguma coisa, e deduzir que podemos errar em algum momento, mas erramos porque...ou havia motivos para errar, ou motivos para fazer...tudo é um motivo movido tão só e apenas pelo egoísmo que trazemos de nos preenchermos com as falhas que temos. Isso....cria a lei do retorno.


Não que eu me possa rir com o mal dos outros...mas...sorry....ás vezes sabe bem! Eu entendo que as pessoas devem aprender com o mal que fazem, provocam de alguma maneira. Não há como fugir a isso, nem que se passe os próximos anos plenos de felicidade. Mas essa lei do retorno chega muitas vezes retumbante. E ela exerce acima de tudo um poder de cura  e de percepção ( quando as pessoas o tem) da mudança que temos sempre de fazer mediante os males que cometemos. 

Eu sei, que homens, mulheres e afins, ás vezes ficam tristes pelas injustiças provocadas, por aquilo que se dá e não se recebe na mesma medida...ou não se recebe mesmo. Eu sei que provoca sofrimento, um travo amargo de injustiça. E sei também que ao olharmos para trás, para quem esteve do nosso lado em outros momentos e não está mais, para quem fica infeliz no seu tempo de infelicidade e vê a felicidade estampada no rosto dos outros...não se preocupem meus filhos...porque cada um tem o seu momento de prova e felicidade, bem como o seu momento de tristeza e aprendizado. Nós estamos todos em graus hierárquicos diferenciados emocionalmente.

Mas temos acima de tudo de perceber que a felicidade é sempre venenosa. nada é como é até nos percebermos, fazermos as pazes com o que já fizemos e provocamos. Deixar pedras no sapato e colocar a carroça na frente dos bois sempre a andar...tem consequências. 

Por isso e quanto a mim....devo ter feito imensas coisas em vidas passadas ou até nesta, não me importo de ser apunhalado, não me importo que leve dias ou meses para sarar feridas....importa acima de tudo aprendermos com isso, organizar o meu eu, para levar em linha de conta sempre...que as minhas qualidades cada vez mais estão acima dos meus defeitos. E que o meu legado seja simplesmente maravilhoso...para quem cá ficar. 





quarta-feira, 25 de março de 2015

Escravidão Infantil?


E quem lavou a loiça há 7 anos atrás, pela primeira vez??

Tudo começou em Dezembro de 2007....

"...No fim de semana a minha filha ficou comigo como normalmente sempre fica. E desta vez andei a bolar um plano para ela ficar distraída! Então pensei..." Ver a Barbie ela já está farta, desenho não é para miudos e sim para um Van Gogh ou um Picasso, ir ao Zoo é uma coisa amaricada, cinema ela já foi...então...o que poderá ela fazer??" Vai daí, fiz o jantar e perguntei-lhe quando acabamos de comer :..."


-Caty, queres fazer uma coisa gira??
-O que Pai?Vamos brincar para o quarto?
- Não Caty...não vamos brincar...eu sei que me amas, que adoras o teu pai...mas eu e tu no quarto...nao vai dar certo. Tu tens 5 anos....tem santa paciência!!
-Ohhh Pai...então?Vou fazer o que?Vamos passear á rua??
-Caty...são 21:38 da Noite...está a chover...passear á chuva?
-Fogo..Pai...nunca queres ir a lado nenhum!!
-Olha...não sejas mazinha que eu levo-te até a muitos lugares...
-Então Pai..vamos fazer o que?
-Olha....o que achas de Lavar a Loiça?
-Eu???
-Sim...tu....já tens cinco anos, já está na hora de aprenderes!
-Desculpa??Lavar a loiça? Mas isso são os adultos que fazem!
-Filha....escuta a voz do teu Pai...és uma menina linda....enquanto eu vejo aqui o jogo de Futebol...tu lavas a loiça...que eu depois compro-te uma caixa de pastilhas!
-Sabes o que se chama a isso Pai?? Egoismo!! Isso é muto feio!!Mas como gosto de ti...vou lavar a loiça...


Lol....opá....eu juro que nao manipulei a minha filha! Juro...mas lá foi lavar a loiça!! Tão linda!!!

terça-feira, 17 de março de 2015

BLOG..."AVISO! UM SEGUIDOR!"



Acordei pela manhã com o despertador aos altos berros a tocar, bem perto do meu ouvido. E como todas as manhãs, numa rotina infindável diária, peguei no meu milionésimo despertador, e joguei-o pela janela, e como sempre na sua descida vertiginosa pela cave até ao chão, acabo sempre por acertar em alguém. Há sempre alguém que vai parar ao hospital, quando leva com o despertador na cabeça. Engraçado que as pessoas já estão tão habituadas que ao invés de ajudar sempre o pobre, coitado prostrado no chão dizem-me sempre : "Olha, o bruno acordou". É ver a senhora da Padaria a sair á porta da loja para me dar um adeus, o Sr. Jorge do Pingo doce da caixa, larga os clientes todos, para me dar um olá e normalmente e o que mais gosto é ver os senhores dos bombeiros a baterem palmas de vivas todos juntos, com a alegria própria de me ver acordado pela manhã. O bom disto tudo é sentirmo-nos amados pelas pessoas que estão mais próximas. 

Mas sinto-me triste...pois quando chego pelas manhãs ao meu blog. Sempre na expectativa de ver novos seguidores, acabo sempre por me rever em frente do espelho a bater com a cabeça no mesmo até o partir e perguntar-me o porquê!?  Será que é porque não fico mais bonito? A minha mãe dizia-me sempre: " Tens de te valorizar Bruno! Sei lá...porque não usas maquilhagem?Pinta-te, dá um novo ar a ti mesmo!" E achei engraçado de certa forma o que ela disse. Não sou transsexual, não sou homossexual ( nada tenho contra) e sendo assim como poderia pintar-me sendo homem? Achei que o mais sensato, para me dar um novo ar seria auto mutilar-me. E gostei do que vi. Achei que os cortes davam um ar mais fashion e diferente...coloquei uns pensos e saí para a rua. E é nisto que o amor pelos outros acaba sempre por fazer prevalecer e nunca gasto dinheiro. A senhora da padaria oferece-me sempre pão, o senhor do pingo doce, vem sempre com um cestinho de compras para o mês e os bombeiros deixa-me sempre ir á associação deles jogar strip poker com a D.Alzira e a D. Fernanda. Nunca percebi porque tem tanta pena de mim, quando apenas faço o meu papel, como pessoa que detesta protagonismo e quer ser reconhecido. Mas enfim...

Ter um seguidor no meu Blog é melhor do que não ter nenhum...that s the way it is...

sábado, 14 de março de 2015

MOMENTOS...E APENAS MOMENTOS...


Não me arrependo do que vivi, não me arrependo do que não fiz, não me arrependo do que não sabia e deveria saber. Não me arrependo de não ter aprendido, não me arrependo de não ter vivido mais. Não me arrependo de ser como sou, quem sou e de que forma o sou. Não me arrependo de sonhos não conquistados, não me arrependo de esperanças desvirtuadas, não me arrependo de amores perdidos e ganhos. Não me arrependo, pois tanto eu vivi e tanto foi o que ganhei! Talvez me possa vir a arrepender um dia...do que nunca fiz, mas eis que fiz e fiz à minha maneira, da minha forma, do meu jeito de ser, do meu modo de ver e sentir. E que melhor forma essa do que confrontar a nossa própria liberdade nos olhos e dizer: "No seio do teu medo fiz das tuas amarras a coragem e força dessa tua falsa  liberdade que tanto me prendeu!" Como eu me movi, como eu vivi e como eu aprendi tantas vezes em sofrimento, em silêncio e nessa mesma solidão, nesse mesmo desânimo tantas vezes ingrato de transportar....o meu sorriso, a minha condição humana, a minha humildade e o meu respeito ganharam a transcendência de poder um dia estar perto da morte e dizer: " Fiz por merecer a vida que me deste". Cheia de erros, cheia de más opções, cheio de credos, desilusões e ilusões. Cheia de vida, cheia de alegria, cheia de amigos e amores. Cheia de sentimentos, de valores, de atitudes e actos. Cheia de mentiras e verdades. Cheia de traições e confusões. De  rostos felizes e tristes. Caras novas e velhas, vão e chegam. Mudanças, alterações, fugas e voltas. Vai e vem de momentos, de abraços , de aconchego. De momentos sozinhos e acompanhados. De juras de amor e juras de solidão. De honra e desonra. De filhos e pais, cansados e tristes. De sonhos desfeitos e conquistados. De vidas vazias e preenchidas. De memórias tristes e felizes. De faces conhecidas e ocultas. De palavras amigas e amargas. De momentos....e momentos...onde se abrem e fecham cortinas. Que a minha cortina continue abrindo e fechando nesta peça da vida...e que no dia que ele feche totalmente que eu seja lembrado, num abraço, num carinho, num sorriso...num momento...














SOU FASHION, CULTA E INTELIGENTE....MAS NO CEMITÉRIO SÓ FICAM OS OSSOS!




Há uns dias atrás eis que repentinamente uma amiga entrou na minha caixa de mensagens e teve a feliz ideia de questionar-me sobre os meus posts e colocações.  Já não era e nem nunca foi a primeira vez que alguém teria e a feliz ou infeliz ideia de questionar a minha inteligência ou falta dela. Ás vezes fico confuso com o tipo de apreciação que é feito. (Transcrito na integra! Podes comentar se quiseres!!) 

-Bruno! Olá! Desculpa a chamada de atenção mas não achas que alguns dos teus posts são fracos no que toca a um certo chamariz de inteligência? 

-Lol....como assim?? Chamariz de inteligência? Indirectamente estás a chamar-me burro?
-Não é isso! Mas nunca postas nada sobre cultura, um bom show, nunca falas de coisas que nos façam pensar...dá a sensação que és como és...porque não dás mais do que aquilo que és....colocas coisas corriqueiras e tenho a sensação que és mais inteligente do que isso...

-Olha...se eu fosse professor...concerteza colocaria contextos sobre a minha profissão, se fosse arquitecto o mesmo faria, se fosse médico ou mecânico a estrutura dos posts teria exactamente a ver com provavelmente o que eu faço.

-Sim, Sim, eu sei! Mas...não és uma coisa e nem outra, mas dou te um conselho, se queres que as pessoas se interessem pela tua "página" tens de dar outra cara...mais...fashion....educativa...

-Hummm....dar uma de Nerd falsificado?

-Não é isso, tu percebes!

-Não, não percebo! Senão repara...tu por exemplo estás ligada ás artes, colocas posts de show s prestes a acontecer recentemente, frases filosóficas, estudas a mente humana, gostas de arte, pintura, filosofia, de uma boa música, de literatura e o teu facebook está inundado de gente ligada a essas mesmas artes. Mas posso ser sincero?

-Claro que sim! Sempre! Vê lá o que dizes!

-Bom...no meio disto disto as pessoas acham muita graça quando olham para o teu facebook e pensam " Olha...até parece ser uma pessoa inteligente!" que se interessa por assuntos sérios, fashions, está num nível hierárquico diferente....mas ao vivo e interiormente como mulher, sabes que respeitosamente, não vales a ponta de um pénis obliquo. Aos olhos dos outros que passas algumas horas em lugares de leitura, de um bom show, na leitura de um bom livro, na discussão ou debate sobre a condição humana...és eximia. Articulas muito bem as frases e pensamentos. Mas ao vivo e quem te conhece bem, sabe perfeitamente que és totalmente paranóica, indecisa e um bocadinho...cabra nas apreciações humanas, mas a montra que colocas no facebook é de alguém super bem de vida num mundo só de seres inteligentes e fashions! A minha inteligência começa onde termina a tua estupidez...e não falsifico quem sou. Mostrar para ficar bem...baixo as calças e deixo tudo em delírio. Por isso faço mais do que tu....e acredita terei à porta de casa multidões aos berros: "Bruno, Bruno, Bruno, Bruno!"

-lololol....só tu para dizeres o que detesto ouvir!!Mas és um exagerado! Ás vezes dás-me que pensar no que dizes...

-Claro que dou que pensar!! Sou um novo Aristóteles dos pobres dos novos tempos!lol.  Só eu é que tenho este dom de te criticar! Os outros fingem que te criticam!  As pessoas detestam ser criticadas, porque não querem pensar que nós possamos terminar com os sonhos interiores de cada um! As pessoas detestam mudar interiormente e pensam sempre que vivem numa razão lógica permanentemente! Fazem sempre o mesmo, seguem sempre os mesmos passos, erram, mas voltam a fazer o mesmo. A critica é como água benta em cima do diabo. Odeiam.  O resto é tudo palmadinhas nas costas! Isso são os falsos amigos! Os falsos amigos concordam sempre contigo, dão te força e passam a vida a dizer " É isso mesmo! Eu não sou assim! 

E ficou por aqui....( não me fala há 6 dias....lol)

Eu realmente detesto esta ideia de que mostrarmos-nos cultos, inteligentes, num nível que querendo ou não queremos fazer prevalecer que é mais adiantado que outro tantas vezes, não passa de uma falácia de ostentação do ego. Esta imagem de nos mostrarmos culturalmente ricos, de mostramos uma imagem de snobes que pertencemos a outro tipo de mundo...não é algo que eu partilhe. E acreditem...adoro arte, leitura, museu, livros,  bons shows, boa musica, boa gastronomia, filosofia...e afins. A imagem que possa querer passar aqui de inteligência e culturalmente rico, só serve essencialmente para aqueles que comigo privam. 


É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do quer falar e acabar com a dúvida. (Abraham Lincoln)

sexta-feira, 13 de março de 2015

I WORK TO MY BODY! I DON T NEED MY PENIS...!



Numa entrevista relativamente recente a um americano numa academia, aquando da pergunta: 

"Devido aos diversos produtos que tomam de forma a ganhar músculos, não o preocupa a crescente onda de insatisfação feminina que maioritariamente confessa que vocês tem um pénis pequeno?"

A resposta dele: " Trabalho como um profissional, para ter um corpo perfeito, para concorrer e ganhar os concursos em que participo, trabalho para o meu corpo, não é o meu pénis que me faz ganhar concursos ou arrumar mulher!

Bom...em suma seria capaz de concordar com ele aqui e ali na apreciação que ele fez. E na verdade o que interessa isso para alguma coisa? Cada um faz as escolhas que deseja e quer! Aqui nada a dizer!

Bom, tinha uma amiga de uma amiga, conhecida de outra amiga, irmã da cunhada do Zé Tó, prima do Carlos, o maneta,  que costumava dizer: "Um homem musculoso, impõe respeito! Mas um pénis grande enche-me as medidas!"

Sempre se ouviu dizer que não interessa se é pequeno ou se é grande ou fica no intermédio de um e de outro e que na verdade o que interessa é a qualidade, a forma como digamos se fazem as coisas. E a velha máxima que utilizam sempre: "Desde que funcione bem...we stay all happy s! Well....somethimes!"

Agora...a pergunta: Porque é que as mulheres (não todas) gostam tanto de homens musculosos?
Passam segurança? Porque não são tão vistos como um possível saco de pancada? Porque fisicamente atractivos aos olhos? Ou porque pensam que por serem tão grandes...tudo é grande? Hummmm...what is it? Faz-me confusão...

Ou será que não gostam de gastar dinheiro em armários e preferem ter um que ande e fale!? Eles são tão grandes que até podiam ter compartimentos! Dá vontade de fazer umas aberturas neles ( com tanto músculo) tipo caixinhas ambulantes e numa coloca-se os brincos, meias, perfumes, baton, calcinhas e afins. Ok....estou apenas a brincar...mas faz-me confusão...

A verdade é que devido aos diversos produtos que acabam por tomar e isso está mais que comprovado...de tanto afinco em querer trabalhar os músculos uma grande maioria perde "lá em baixo" e claro....óbvio que as queixas são mais que muitas. mas faz-me confusão....

As mulheres gostam de um homem definido, musculado, forte, másculo como elas dizem. Bom de pegada! Como a minha avó dizia tadita: "Meu neto o teu avô tinha uma pegada de merda, nunca levei uma tapinha na bunda, até ao dia que lhe disse para me dar com a panela de pressão, que era mais gostoso" O fato é que não interessa se temos menos ou mais músculos e que não está na magreza, no tipo de homem a constatação da virilidade. Mas faz-me confusão....

Agora e da mesma forma existe uma tremenda ideia de que os magrinhos, por serem magrinhos, coitadinhos, são "mal fornecidos"....e faz-me confusão...

Quando encaro esses "Armários" na porta das discotecas, bares,  todos juntos, aos grupos, de peito feito, todos mauzões ( I m fucking bad!) bem vestidos, como se tivessem a guardar a noiva do Noddy e tantas vezes pedem exorbitâncias para entrar...dá-me mesmo, mas mesmo vontade de dizer: " Escuta, vamos fazer um duelo, baixas as tuas calças e eu as minhas...quem ganhar entra..." 


Faz-me confusão...



ENGULA MENOS SAPOS...



José Pedro Gomes (actor Português) dizia há uns anos atrás numa entrevista com Herman José o seguinte:

"Até perto dos 35 anos, fui engolindo vários sapos, seja das relações, seja do patronato e assim sendo vamos ficando aprisionados dentro de nós mesmos, para a própria liberdade dos outros. Hoje porém, que passei dos 40, transformei o engolir sapos em: Quero é que se foda! É que não tenho mais paciência!" 

Ao longo da vida por várias e diversificadas razões vamos engolindo sapos. Seja numa relação, onde nos calamos tantas vezes, onde nos escondemos, escutamos o que não deveríamos sequer escutar, engolimos sapos em nome de amores de plástico e não recicláveis. Deixamos de ser quem somos na sua essência sempre em favor da própria liberdade do outro e em desfavor da nossa. O outro passa sempre a ser o gerador da sua própria necessidade\felicidade à custa da sua falta de visão humana, relacional e complementaridade sentimental. O outro é o distribuidor da chuva de sapos e nós passamos a ser um canal de consumo de energia para o próprio ego daquele que mais necessita de se fortalecer. 

Seja num emprego onde tantas vezes submissos e humilhados continuamos no trilho do receio de ficar sem emprego e assim sendo nos entregamos ás vicissitudes da vida e silêncio incomensurável.

Engula menos sapos é deixar de ser exactamente quem tu nunca foste e realizares-te exactamente da forma que tu és. Caminhamos muitas vezes para um novo dia que não sabemos em certeza se nos trará a visão do sol  ou o fechar dos olhos para sempre.  Tristemente tantos caminham cabisbaixos numa frenética luta contra si mesmos. Respeito ao Patrão, respeito ás relações, respeito às regras,à respeito à moralidade, respeito à lealdade, respeito à cumplicidade, respeito à sociedade, respeito à ética, respeito ao próximo, respeito às opções, respeito às escolhas, respeito às nomenclaturas, respeito à hierarquia...respeito...pois direi da seguinte forma parafraseando Albert Camus:

Nada é mais desprezível que o respeito baseado no medo.




quinta-feira, 12 de março de 2015

Sacos de plástico...avanços ou recuos?




O QUE PENSAM OS PORTUGUESES??

A chamada Reforma da Fiscalidade Negra (Verde). -Clara Antunes-

Bando de ladrões! Sempre a roubar o zé povinho!! -Pedro Nunes

Para lá do valor simbólico da medida, esta será também uma daquelas que deverá gerar mais receitas: uma fatia de 40 milhões de euros de um bolo que deverá subsidiar outra reforma fiscal, a do IRS mais amigo das famílias. - Ministro do Ambiente.

De acordo com a nova lei, quem deve pagar a nova taxa e imposto de 10 cêntimos é o fabricante. “Ao pedirem para pagarem os impostos estão a pedir para antecipar receitas para o Estado”, acusa Ana Vieira.

"Como 8 cêntimos por saco de plástico causam a sensação desconfortável de entrar quase à socapa no pingo doce com um saco mais ecológico do El corte inglês debaixo do braço, um pouco como se entrássemos em casa do ex com o novo namorado a tiracolo" - Paula Sim.

"Não é uma medida verde é uma medida anti-suicídio. O governo não quer concorrência para asfixiar o povo." -Margarida Pinto-


"Este aumento significará que o fator produtivo e de distribuição ficará mais caro com reflexos na carteira dos portugueses. Conto os dias para as próximas eleições para correr com estes bastardos. Quanto aos sacos, o aumento tão significativo acabará por ser a sentença de morte para muita da industria que vive do fabrico destes sacos, noutros países ouve um aumento gradual porque a finalidade era a da proteção do ambiente, em Portugal a finalidade não é essa..." - Jorge Dias-


O QUE É FEITO JÁ EM OUTROS PAÍSES?

Dada a multiplicidade dos problemas associados ao uso de sacos de plástico, muitas comunidades começaram a tentar libertar-se da obsessão dos sacos de plástico, implementando restrições ao uso ou mesmo a proibição destes objectos. A lei mais antiga referente à utilização dos sacos de plástico data de 1993 e foi implementada na Dinamarca. 

A lei é dirigida aos produtores de sacos de plásticos que têm de pagar uma taxa baseada no peso dos sacos. Foi permitido às lojas passar este custo acrescido para os consumidores, quer através da cobrança dos sacos quer através do aumento o preço de outros produtos. O efeito inicial da lei foi a diminuição em 60% do uso dos sacos de plástico.

Na Argentina, os estados de Buenos Aires e Mendoza também baniram os sacos. Em alguns estados do Brasil é apenas permitido o uso de sacos de plástico biodegradável. Em Janeiro de 2012, São Paulo baniu o uso de sacos de plástico pouco resistentes, permitindo apenas os de maior durabilidade, que passaram a ser taxados. Contudo, a medida acabou por ser abolida por um tribunal que, dizem os ambientalistas, terá sido influenciado na decisão pela indústria do plástico.

Na África do Sul, onde é possível encontrar sacos abandonados nas árvores, arbustos e outra vegetação, o saco de plástico foi já apelidado de flor nacional. Em 2003, foi implementada uma restrição ao uso de sacos de plástico muito finos que se rasgam facilmente e os sacos mais grossos são taxados. Outros 16 países africanos implementaram ou anunciaram já medidas para banir certos tipos de sacos de plástico.

Uma das medidas governamentais relativas ao uso dos sacos é o imposto nacional do saco da Irlanda, adoptado em 2002. Este imposto foi o primeiro a taxar diretamente os consumidores, começando nos 15 cêntimos por saco. Cinco meses depois da implementação a medida, a utilização e sacos caiu 90%. 

Contudo, com o passar dos anos, a utilização do material voltou a aumentar e, em 2007, a taxa foi aumentada para 22 cêntimos por saco. Em 2011, foi acrescentada uma ementa à lei com o intuito de restringir a utilização anual dos sacos até o máximo de 21 por pessoa.

Apesar de o imposto irlandês ser o mais conhecido, existem outros países europeus onde os consumidores pagam pelos sacos – quer através de leis ou iniciativa dos espaços comerciais. Estes países são a Bélgica, Bulgária, França, Alemanha, Países Baixos, Letónia e Portugal (onde já muitas lojas cobram pelos sacos). Adicionalmente, os Estados-membros da União Europeia terão de implementar medidas para reduzir a utilização dos sacos de plástico em 80% até 2019, refere o Treehugger.


O que eu acho?
Alguém nos anda a depenar...


Robotização do Amor.




Actualmente, o amor é mais dominado pela racionalidade. O amor já não provoca escravidão como antes da época do Romantismo. O sofrimento é mais limitado nas suas consequências e, não amar para toda a vida já não constitui um drama para a maioria das pessoas. O amor romântico, por exemplo, ainda que procurado por muitas pessoas, não passa agora de um mito. «A paixão de hoje é mercadoria de consumo. Não tem nada a ver com o destino, com os riscos, com o enfrentamento» - escreveu Renato Ribeiro, professor titular de ética e filosofia política.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. 

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.  (Miguerl Esteves Cardoso).

Essencialmente (e agora escrevo eu) este amor apressado que cada vez mais vai existindo e coexistindo numa pressa de chegar à meta, tão ou mais feliz que o outro, tornou a desvalorização do amor numa perfeita mercadoria de um cristal riscado e perdido  de mão para mão. De comprador para comprador. O amor tornou-se tão transformado e abusado que de tão puro em lealdade, fidelidade, companheirismo, cuidado, perseverança, química, enlace e tantos outros transformou-se em perdido e usado. E ninguém na verdade sabe o que fazer com ele, Porque não sabe a importância que ele realmente tem na sua verdadeira concepção e idealização. O amor hoje acaba por estar prostituído e desacreditado. 

E de mão em mão, voa e anda ele.


terça-feira, 10 de março de 2015

TERRORISMO VISUAL OU PROSTITUIÇÃO NUTRICIONAL?



De há uns anos para cá com o surgimento dos ginásios, tem se assistido a uma verdadeira romaria á manutenção do corpo. Palavra passa palavra  é ver uma quantidade acima da média de pessoas, crianças, novos, idosos, uns até de cadeira de rodas e muletas, adolescentes,  na prática da manutenção desta fantástica máquina que possuímos. É a publicidade, é a onda de histeria na comunicação: "Emagreça ou morra gorda". São as revistas de homens, mulheres cheias de conselhos de como manter um corpo saudável , são os cupões e promoções dos ginásios, sãs as nutricionistas, as exibicionistas, os corpos dos "Deuses Gregos", o culturismo que eleva uma grande maioria a uma estupidez catatônica de que músculos substituem o cérebro ( But it s for the Health!) São as imagens lançadas vezes sem conta pelos mídia, como um massacre visual na tentativa de levar a um consumo desenfreado de beleza e estética corporal.

-Aiii amiga!!! Tu não sabes!! Mas tem um verdadeiro Deus Grego lá no ginásio!!!
-Sério?? Tu já deste pra ele!?!?
-Dei amiga! Mas dei por educação! Ele foi tão simpático!!
-E aí?
-Ahhhh....corpinho bonito...pinto pequeno!
-Será que ele tomava bífidos ativo??
-Não sei....que nojo...não é amiga!!
-Provavelmente não era um produto dos mídia...

Hoje não se come cenouras da aldeia, couve lombarda, batatas, retiradas da terra e indo diretamente para a panela. Hoje existe um pânico subjacente ao consumo de tudo e mais alguma coisa! Ora se faz bem por um lado, por outro...ops...provoca cancro,leucemias, parkinson, etc. What a fuck i can eat!?!??

A moda hoje são os bífidos ativos- São os suplementos alimentares ( mas é tudo pela saúde!), as dietas loucas e insanas que tantas e tantos se propõe  a fazer ( Tudo pela saúde!). As lipoaspirações ( Pela saúde!), os silicones (Pela saúde!), porque ter coisas naturais já não fica bem, então é preciso colocar dois sacos de plástico a substituir o que a mãe natureza deu de bom grado. Mas não! É tudo pela saúde! São as injeções para diminuir a gordura localizada, são as dietas absurdas que as mulheres maioritariamente fazem (metade de um caroço de maça, 2 milímetros de miolo de pão e uma gota de batido de cola cau...tudo pela saúde!) andam mais magras que um pedaço de lápis, que se der uma tapa na bunda, tenho medo de deslocar a bacia. São as unhas de gel, são as madeixas, são depilações, é o Botox, são as cirurgias estéticas para corrigir, nariz, seios, bunda, barriga, orelhas, coxas...tudo pela saúde! Oremos irmãos e deitemos as mãos ao alto, pois é tudo pela permanência da saúde!

-Sabes, se fizermos sexo, perdes 250 calorias em 30 minutos!
-E tem bífidos ativos?
-Hã?Acho que não....
-Ahhh....então não quero!

O ser humano não é mais hoje apresentado como um produto da vida, como uma obra de Deus, uma obra dos antepassados, da teoria do evolucionismo, do Big Bang,  não é mais um Neandertal. O ser humano hoje é pertença de uma rede, subjugado, comprado e vendido a todo o tipo de mercadores. O nome é uma marca, o produto não é o sentimento, a forma essa...é a mais leve idealização capitalista de como "prostituir" a mente humana sem ser considerado culpado, ou corrupto do trafego ou terrorismo imediatista. A lei do imediato, a lei do agora ou nunca. " Sirva-se de nós, que nós nos serviremos de si!" Pela sua saúde....

Eu faço te uma lavagem, apresento-te todos os sonhos possíveis e impossíveis de como ficares como a Claudia Shifer, Gisele Bunchen,  tu dás-me dinheiro a ganhar...e depois de pronta continuarás a ser vendida. Mas sempre pela tua saúde...No bar em que não entravas porque estavas gorda e não consumias e ninguém te pagava uma bebida, entrarás e irás consumir em grande e aí ganharei novamente contigo. Quero que vendas a tua imagem, quero que subtilmente eu  seja o teu gigolô comercial! Passa a palavra ás amigas e diz-lhes os enormes benefícios e as curas milagrosas que somos capazes. A morte...essa não temas, porque eu cheguei!

Na loja de roupa onde nada te servia, passarás novamente ao leque de pessoas que me farão ganhar dinheiro. Quanto mais "magras e gostosas" a loja tiver mais o produto interno bruto cresce! A saia que não servia, passará a servir. As calças que não cabiam passarão a caber. E pode até ser que de tão bonita e gostosa que estás,  mais amigos irás arrumar! Não é fantástico?! Tens 100 amigos? Tens de arrebatar os homens de uma forma que consigas obter 500 likes no Facebook...obviamente pela inteligência que tens e nunca pelo corpo que possuis! Não quero que te mostres no ginásio como uma prostituta de rua de legins coladas á bunda! Não é essa a intenção! Mas dá a entender subtilmente como está a ser o teu processo. Sem te prostituires muito...dá só uma chamadinha de atenção...coisa pouca...

 Vais conseguir ir a entrevistas porque vais destronar facilmente a desgraçada da gordinha inteligente e cheia de qualificações em em favorecimento dos teus seios siliconianos, cara bonita e corpinho delineado! Não é fantástico?

A desgraçada irá para casa e dirá ao marido: " Não tenho mais forma de provir alimento para a casa, não fui novamente escolhida!". A gordinha que já está em processo de depressão efetiva, cada vez...vai comendo mais. Vais comendo mais frustrações, depressões, tristezas agonizantes e questiona-se tantas vezes do porquê de não ser escolhida. "Que mal fiz eu que apenas quero trabalhar? Os anos passam , a terrível vida, o bulyngs, os gozos, o sofrimento, as humilhações levam-na á miserável condição de ser apenas quem é e como é. Sim, o marido...esse corno infame que não tem outro nome, trocou-a pela gostosa da academia.

Anda feliz a pavonear-se pela rua como se estivesse a apresentar um troféu. Mas o desgraçado, também tinha uma péssima profissão e foi trocado pelo assessor de secretário geral do governo. Mas nunca esteve em causa o terrorismo visual, o impacto dos mídia, ou da selvajaria neste mundo cão de interesses e dividendos. Quanto menos comeres, mais vives! E quanto mais vives e mais gostosa ficas, mais comercializo! 

Por fim a desgraçada da gordinha com os seios caídos, a bunda gelatinosa onde nenhuma calça lhe cabe, são sem dúvida preceitos que eu mídia não tolero e não comercializo. Não me dá dinheiro a ganhar! Salvo raras excepções onde a valorização humana concerne em si a igualdade de um para todos e de todos para um....eu continuo a mandar e a desmandar. Controlo as mentes, divulgo de uma forma abismal e nesta destruição, destuição de valores eu governo.

Mas tu...ahhh....tu maldita boneca enfeitada, desta teia de compra e venda de sonhos fáceis, estás cheia de sorte! Quem sabe não poderás também,  fazer sexo oral ao patrão nas horas vagas e tempos mortos e até com isso,  subirás no caminho da tua profissão. Porque tu és uma tentação! Mas não fui eu que te transformei nisso! Vais encher restaurantes, com cantares  vivas á tua pessoa mas no fundo a tristeza franciscana está nas frases de casa de banho que entre os novos e velhos amigos se vai sussurrando: " Quando é que a como? O quê?? Já a comeste tu?".

Sim, tu aí.... terás uma vida em grande, ginásios, festas, saídas e espero que no fim os mesmos amigos que te viram na mudança, na alterações do corpo, dos silicones, das saias curtas, das pernas bonitas, da bunda gostosa, das horas perdidas no ginásio, dos botoxes, das dietas desenfreadas em busca do corpo perfeito, das cirurgias estéticas, ...estejam todos á tua volta numa verdadeira despedida de que realmente valias pela mulher que eras e nunca pela máquina robotizada que te tornas-te. E ainda assim...no final posso perder dinheiro contigo!

Sem hipocrisias, gostamos todos de mulheres e homens bonitos. Gostamos todos de ver, perceber, entender, resumir, delinear, estruturar, reformular. Gostamos todos da beleza que nós humanos encerramos em nós. Sejas tu gordinha, magra, inteligente, forte, fraca, sensível, insensível, temos a beleza natural própria da insustentável leveza de ser que carregamos em  nós. 

Não sou contra a saúde....mas o que é a saúde? Não sou contra corpos bonitos? Mas o que é um corpo bonito? Não sou contra dietas? Mas o que encerra em si uma dieta? É uma maça por dia que define quem somos? É 4 horas num ginásio que prolonga a admiração por nós? É uma pele leve e macia que determina\mostra o quão tantas vezes ignóbeis e horríveis somos por dentro? Não sou contra o comércio, os produtos, a necessidade. Não sou contra o dinheiro, os bons carros, as belas casas, as boas companhias, as miudas giras e engraçadas, Não sou contra as gordinhas, os pretos, ciganos, amarelos ou azuis. Não sou contra a dança, as caminhadas, o sentir o sol na cara, o chorar sozinho ou abraçado. Não sou contra a força, a fraqueza, a mediocridade, a tolerância e intolerância....eis o que parafraseando Fernando Pessoa...torna tudo tão absolutamente complexo:

"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é o desumano porque o humano é imperfeito."



Nota: Este post foi feito a pedido de Claudia C.Silva.





segunda-feira, 9 de março de 2015

AMOR PRÓPRIO VERSUS LEALDADE





Hoje pela manhã, lancei o repto ( algo que passarei a fazer com mais frequência) sobre uma ou várias ideias a colocar aqui no Blog\Facebook. De entre algumas ideias sobre as quais poderia escrever ( e assim também o farei!) Amor Próprio versus Lealdade (Ideia dada por Lu Ferreira) é por certo um tópico que abrange uma panóplia de sentimentos\valores que muitos já passaram e concerteza já se debateram com isso. Eu inclusive!

Era algo que estava nos meus planos escrever, mas que até agora a minha disposição não me tinha ainda permitido. Nem sempre é fácil conceber, idealizar ou até debater a própria complexidade inerente a este tema. Supostamente nada seria mais fácil e nada seria mais prazeroso com tamanha facilidade de denominar Amor Próprio versus Lealdade se não fossemos todos nós tão humanamente complexos.

Existem uma série de filósofos da nossa história, escritores, dramaturgos, blogger s, artistas, médicos, advogados, engenheiros,psiquiatras, psicólogos, mecânicos, vendedores, pessoas vulgares e não vulgares, poetas e poetisas, marinheiros, soldados, vendedores de sonhos, destruidores de esperança, padres, padrecos, pastores e tantos outros prontos a denominar: Amor Próprio versus Lealdade, bem como variantes do mesmo. De tudo já li, de várias formas também as vivi.

De perto senti como tantos, o desejo, a vontade, o fogo, a paixão, o amor, a fidelidade, a lealdade, a mentira e a verdade, o jogo de sedução, a solidão e a alegria, o desprezo e  a anarquia. Um olhar, um momento, uma lágrima e um sorriso, um "Olá" e um "Adeus", um ver partir  e um ver chegar. De toda a constante inconstância, geradora tanto de cores e sabores, como de cores e dissabores, assim se vai delineando frases, ideias, pressupostos francos ou incoerentes, deduções mentirosas ou reveladoras do significado que para tantos é inatingível e para tantos outros assenta que nem uma luva.

A falácia e a incoerência disto tudo resume-se ao fato de,  homens e mulheres, sejam lá quais forem os vossos credos e denominações terem ou vislumbrarem a necessidade que que o outro e sempre o outro nos pode fornecer, tapar, personificar a própria deficiência do vazio tantas vezes desmedido que trazemos connosco. Vamos por partes....

AMOR PRÓPRIO

Nada melhor do que definir amor próprio do que dar como exemplo eu mesmo. Sempre tive uma estrutura óssea que de define e resume por "Magra". Não só isso mas como um nariz grande ou como diria um companheiro de infância sistematicamente á saídas dos intervalos: "Parece que o Pinóquio ganhou vida e resolveu vir ás aulas" ou ainda chegar ao absurdo de dizer: "Tu na praia com esse nariz assustas as pessoas todas, porque o teu nariz parece uma barbatana de tubarão". Sempre que chegava a casa, triste e cabisbaixo, a minha mãe perguntava o que tinha acontecido. Eu contava tudo e ela perguntava: E  o que respondes te filho? e eu dizia: " Nada Mãe...eu sou magro...tenho o nariz comprido, as miúdas nem olham para mim, os rapazes gozam comigo e estou farto!"- Só me respondeu: " Precisa mais de amor aquele que ofende do que aquele que é ofendido...percebes?"

Ao longo dos anos sempre fui o tipico rapaz que numa discoteca ou bar, é o gajo que está ali ao fundo do balcão a ver os outros dançarem, as melhores mulheres, as mais bonitas, as mais gostosas,  as mais audazes não era comigo que vinham ter. Havia sempre um, dois três rapazes que eram os mais estilosos, os mais gingões, os que tinham mais paleio, sabiam levar pela certa. Havia os mais riquinhos, inteligentes, capacitados para levar uma conversa a bom porto. E como sempre fui tímido, de certa forma era colocado de parte. Algumas vinham ter comigo, mas como não tinha a segurança devida para contextualizar da melhor forma uma conversa acabava por ficar tudo muito inócuo....e lá se iam elas com um sorriso amarelo. E sempre mas sempre teve tudo a ver com a insegurança e inseguranças desde criança. O fato prendia-se sempre com traumas, com deduções de que eu não era perdido e nem achado ou melhor dizendo suficientemente bom...para poder chegar  perto de alguma e toda a segurança própria de um homem que se quer forte e destemido manter ou contextualizar uma conversa. O meu tipo de conversa baseava-se em:

-Olá....sou a Suzana (nome fictico)
-Bruno...
-Costumas vir aqui?
-Diz?? A música está alta...
-COSTUMAS VIR AQUI?
-Ahhh....nem por isso...
-............
-............
-...........
-Bom....vou dançar. Prazer Bruno.

Vejam bem...o amor próprio depende muito de variadas situações inerentes a nós mesmos e a todo um meio que nos está adjacente. Há medida que vamos crescendo, que nos vamos enchendo de mais segurança , que nos vamos tornando mais firmes nas nossas convicções e nos vamos sustentabilizando á custa de um amor por nós mesmo, que é necessário ter. O preencher dos vazios inerentes a nós não pertence ao outro, porque o outro (a) é tão complexo e necessitado como nós. A tendência vigente na maioria dos casos é que o outro preenche ou preencherá sempre um determinado vazio que possamos ter. Quando na verdade esse mesmo vazio não é mais do que insuficiências pessoais que queremos a todo custo preencher. Procura-se segurança, procura-se amores que nunca se tiveram, procura-se fidelidade, lealdade, carinho,atenção, cuidado, respeito, desejo intenso, viver o que nunca se viveu. Procura-se dinheiro, status, resolver a vida não resolvida, procura-se de tudo um pouco que minimize o preconceito contra nós mesmos. A pobreza interior, o espirito fraco, a insegurança do amanhã, leva muitas vezes que o amor próprio se renegue a si mesmo e se deixe apaixonar pelo que não temos como certeza. O outro, a outra....é uma incerteza constante, do que é....será ou poderá ser.

Como uma incerteza poderá ser considerada certeza, se tudo o que necessitamos não existe como prova dada daquilo que poderemos ter? Que uso faço do outro se o outro não complementariza em mim as verdadeiras necessidades que não consigo nem eu mesma (o)reter de mim para mim? Como ter total amor de outro, se nem eu consigo dar total amor? Como me completar com o outro...se nem nós mesmos nos conseguimos completar sozinhos? O amor próprio vai se descobrindo, mantendo, percebendo, crescendo com ele. às vezes existem situações que vamos passando que nos retira o brilho, que nos deixa parecendo incapazes de subir os degraus e de variadas formas arrumamos todo o tipo de panóplias e enredos para que esse amor próprio venha ao de cima.Pensamos inúmeras vezes que a culpa da falta desse mesmo amor é do outro ou situações da vida. Enquanto permanecer a tristeza, a falha, o apontar do dedo, a critica, o riso sobre como cada um é ou supostamente deveria ser aos olhos de outro alguém,  residirá sempre em nós a falha constante de modificação a favor de alguém em desfavor nosso. E quem é mais importante senão mesmo nós primeiramente? Poderei eu dizer que tu és mais importante do que eu, se eu não tiver em mim a importância do que posso dar sem que necessite que me possas dar em troca?

LEALDADE

Lealdade está interligado com a fidelidade, dedicação ao próximo, honestidade e capacidade de dar e receber confiança. Quantas vezes somos desleais?Quantas vezes não somos honestos na totalidade? Quantas vezes traímos? E quantas não somos traídos? Que conceito, valor, acentuação válida damos realmente a este conceito de sermos leais? Não existe meio termo para a lealdade. Como não existe meio termo para o amor. Quantas vezes não perdemos amores, amigos, conhecidos pela deslealdade? E quantas vezes não são as vezes que o amor, fidelidade, amizade, companheirismo, cumplicidade é atacado, miseravelmente subjugado aos ideais do desejo, ás forças da paixão, ás luxurias, companhias, fanatismos, obsessões? Tenho para mim que a importância da lealdade como uma verdade suprema de dignificar a própria fidelidade a uma companheira, amiga, amor, é sem dúvida o calcanhar de aquiles de muita gente. Os receios, os medos, as necessidades, os esconderijos, os medos de magoar, o medo de ser magoado, leva a valores invertidos e revertidos de acção e reação. Uns feitos de forma inadvertida outros de forma cínica e cruel, são tantos os actos de deslealdades e lealdade que fica na cabeça do perpetrador e perpetrado as acções com as quais os mesmos se fazem valer perante as necessidades que cada um tem para si. A lealdade bem como amor próprio, são conjuntos tanto de sentimentos, como de valores éticos e morais que tanto fazem de uma pessoa verdadeiramente grande....ou incomensuravelmente pequena...e o grito...é o grito da revolta do que poderíamos ter sido e nunca o fomos...do que poderíamos ter feito e nunca fizemos. Aprenda-se e viva-se....mas acima de tudo que se ame verdadeiramente, porque fazer feliz alguém é fazer-se feliz a si mesmo (a). A dificuldade reside em manter a pureza. Tudo o resto são necessidades desnecessárias para o verdadeiro conceito de amar.

Revenge diria: "Sempre questione onde sua lealdade está. As pessoas que você confia irão esperar por isso, seus maiores inimigos vão desejar isso,
e aqueles que você mais estima, vão, sem falhar, abusar disso."

domingo, 8 de março de 2015

PARABÉNS Á MULHER OU NÃO..?



DIA DA INTERNACIONAL DA MULHER

Durante séculos houve sempre a tendência de se deduzir num fraco plano existencial e de pensamento que a mulher não passava apenas e desculpem a ousadia de um "Banco de Sêmen". Serve para lavar pratos, estar em casa a tratar dos filhos, preparar a comida na ânsia que o marido chegue e tenha tudo disponível para seu bom grado. O marido tinha vontade de fazer amor, lá tinha ela de abrir o depósito e fingir tantas vezes que aquele momento que não passava de uma falsa imagem de submissão. O marido...ahhh....esse podia fazer de tudo. Podia trair, ter outras mulheres, chegar tarde a casa, andar no vicio do jogo, ficar até tarde com os amigos, porque isso era coisa de "Homem". Coitada da desgraçada que ficava em casa a lavar pratos, arrumar a casa, colocar os filhos para dormir,  preocupada com a chegada tardia do marido, depois de tanto trabalho e labuta, que a necessidade de ela o fazer feliz, superava a própria necessidade dela de se sentir preenchida de outra forma. A mulher essa "coitada" e desgraçadamente tantas vezes a verdadeira "criada", serviçal de um mundo que sempre foi machista, foi mudando o seu pensamento e estrutura. Acompanhou e bem  o desenvolvimento que ao longo do tempo se foi fazendo. 

Na tentativa de nos colocarmos de igual para igual ou melhor dizendo de haver a necessidade também dessa mesma igualdade, se bem que nos moldes e contornos necessários, elas foram travando a sua luta. Tantas vezes desigual e tantas vezes humanamente impossível. Na verdade a cultura de xenofobia e escravatura não existiu só entre pretos, brancos, latinos, Índios e afins. Existe esta escravatura hoje em dia ainda. Mesmo que de uma forma dissimulada. A mulher sempre foi vista como a parte mais fraca da "Criação". E por pressuposto sendo a parte mais fraca os direitos não deveriam ser iguais. Mas como a igualdade pode sequer ser colocada num patamar de justiça se essas mesmas leis maioritariamente são criadas por homens que muitos deles ainda personificam mesmo que em "segredo" uma certa aversão á própria igualdade delas.

Quando se fala em igualdade não estamos a dizer que se o homem trai a mulher tem de trair, se o homem chega a casa ás 4 da manhã a mulher também pode chegar, se o homem bebe e apanha bebedeiras a mulher também o pode fazer. Não estou a dizer que o circo de putarias e luxúria seja de igual modo a visão certa para tanto homem como mulher. Isto não é igualdade. É desvalorização do corpo, da mente e uma sub-valorização exagerada que todas estas necessidades são e devem ser tratadas como um tipo de "igualdade". O mundo na verdade transformou-se num circo de palhaços e palhaças onde a própria valorização e liberdade de cada pessoa é entendida como a emancipação liberal de um todo rumo á justiça que cada um procura para si. Muitos e muitas confundem valores e ética com liberdade e igualdade. E erram tremendamente na escadaria desenfreada desta procura louca de sermos todos iguais,

Na medida que esta subida desenfreada de luta pela igualdade cresce, cresceu também e cada vez mais a perda de sentido de família, do valor necessário a dar-se perante um mundo cada vez mais cego e selvagem, onde tudo vale e onde a frase do:  " Se tu fazes....eu também faço" tem cada vez mais um poder intenso.

Não há mais desculpas, não há mais esperas, não há mais paciência, não há mais luta, existiu sempre sim uma desigualdade em termos de valores, de ética e bom senso. A mulher começou a crescer, a acompanhar as mudanças, a ficar mais inteligente na forma de actuar. Sendo que tudo isto também acabou por lhe fornecer armas tanto melhores ou maiores do que a dos próprios homens.

Hoje não pretendo que se lute pela igualdade, por ver miúdas em bares, discotecas, a beberem como se fossem machos, a igualar-se aos mesmos. Hoje não pretendo que se dignifique o egoísmo, a vontade louca de subir patamares á custa de A, B ou C. Hoje não pretendo que essa liberdade, essa igualdade seja vista como um pressuposto de tudo vale como no "Vale tudo". Hoje não pretendo que essa lute pela igualdade seja equiparada á vontade de ter mais e melhor, ao medo de morrer sem conquistar tudo. Hoje não pretendo parabenizar o ir para a rua e lutar pelo "Tu tens e eu não tenho". Não se trata de igualdade, de receber mais ou menos do que A, B ou C. De violência doméstica ou...whatever...trata-se de a inversão de valores, trata-se de um papel que se deseja seja de facto para valorizar no reaprender, na forma como tudo se alterou e se pensa cada vez mais que é através da igualdade que se chega lá...

Mas....parabéns ás mulheres e são tantas que essas sim...concerteza perceberão o que transmito aqui...