terça-feira, 26 de maio de 2015

VAZIOS NO AMOR...







Isto do amor...ou é ou não é! Não há meias medidas, não há meias palavras, não existe amar aos poucos e não existe dar-se aos bocadinhos tipo biscoitos para cão..." Toma lá um biscoitinho e se te portares bem..e fizeres um mortal no ar, dou te outro biscoito". Ou se ama...ou não se ama! 

Quantas vezes já ouvi: " Ahh...no principio não gostava muito dele, namorei só por namorar, agora que passaram 20 anos, estou a conseguir ficar apaixonada!" Por amor de Deus....

Ou nos mostramos como somos ou mostramo-nos aos bocadinhos e já não chamamos isso de amor e sim de " part time" amoroso. Mas quem quer um "part-time" amoroso? Não...não falo de amigos coloridos, relações extra conjugais! Falo realmente desse sentimento voraz e forte que acalenta e desalenta tantos corações. O sonho comanda a vida, mas como diria um amigo meu : "Nem todo o sonho comanda os prostitutos do amor que somos" Somos hoje e autêntica depravação de busca intensa de todas as experiências possíveis e imaginarias. 

É um tipo de prostituição escamoteada e delineada por frases sentimentais e adornos perfeitamente explicáveis de tudo o que fazemos e queremos. São as redes sociais, a busca intensa num bar, num olhar, numa discoteca, numa saída, é a dança provocante, o roça roça dos corpos, os desejos intensos momentâneos. Vestimo-nos, para o ataque, desejamos o ataque, somos touros e vacas estarrecidos com as novas comunicações desenfreadamente, queremos, desejamos, procuramos, acalentamos! Com os novos conhecimentos e apaixonamentos delirantes tantas vezes. Somos o enredo de historias dramáticas e filmes criados. Somos opacos tantas vezes, fúteis e criadores de paisagens idílicas, onde a lei do mais fácil se sobrepõe à verdadeira razão de querer, ter, poder, desejar e conseguir. 

A luta pelo amor é sobejamente muito mais subjectiva e difícil do que a facilidade de trocas de corpos e paixões pagas pela consequência da nossa própria inoperância e falta de conhecimento de nós mesmos. Somos prostitutos baratos que nos entregamos de corpo em corpo lamentando-nos com as falhas do paraíso nunca "encontrado". 

Ahhh...como eu gosto daquele amor que tiro de mim para dar ao outro. Como eu gosto daquele amor em que posso levar o café da manhã à cama. Não gosto do amor rápido, da entrega dúbia, da conquista falsa por falta de carácter e personalidade. Não gosto do facilitismo, da vitimização do amor de que não temos o que nunca fizemos por ter. Não gosto de amores sem braços. Sem luta, sem corropio desmedido. 

Falamos com o mundo como se brotássemos de nós a verdadeira essência de amores encontrados, filtrados para nós como princesas e princesas. 

De idolatrados, passamos para sapos intragáveis. Gente que pensa que é gente e se faz gente à custa da ambição de quem sabe e pensa que sabe onde está o amor. 

Hoje andei na conversa com uma amiga minha e a dissecar esta coisa de amarmos as pessoas e se nos devíamos entregar na totalidade ou apenas mostrar partes de nós. Bom...chegamos à conclusão efectiva e lógica ( coisa que já sabia há anos) que quando gostamos de alguém, amamos alguém não podemos de forma nenhuma mostrar "um Pouco" ; " Dar um pouco"; "amar um pouco". Isso não existe na verdade. Confesso que o receio de outras relações para muitos nos leva a deduzir que na próxima já não será assim. Menos abertos, menos confiantes, mais dolorido,  vamo-nos fechando na concha. Quem ama não é quem menos diz. Quem ama não é quem mais diz também. Quem ama é quem mais sente. 

Nesta coisa das relações e rápidos momentos de conhecimentos ( E na verdade quem conhecemos realmente afinal??) não vamos desatar a contar que nascemos no dia 29 de Dezembro de 1975....blá...blá..blá. Mas...falo de realmente amar as pessoas. Mostrar o que temos de melhor, o que de melhor somos. Mostrarmo-nos nus. Certa vez disseram-me que ao mostrar-mos tudo de nós...sofreríamos muito mais.

Até porque quando nos abrimos, quando nos entregamos e damos nunca é pela metade. Um amor baseado em tudo de bom...tanto eu sei como vocês...não existe. A não ser nos livros que leio à minha filha, onde até pode dar uma diarreia ao príncipe que ele é feliz, até com a coxa da Cinderela em cadeira de rodas para sempre. 

No momento actual e os amores que tivemos, vamos tendo e teremos sempre...só existe uma forma de entrega: Total e única! Se nos ferramos? Pois claro que sim! Mas esperava-se que não?
Se ficamos tristes? É óbvio!Mas esperava-se que não? Mas...o melhor de tudo é a intensidade, a vibração , o modo, o estado de espírito e a força que temos em amar e darmo-nos.

Se quisermos ver isto pela perspectiva única e cientifica de que: O amor trás desvantagens problemáticas e sentimentais, sendo que ....problemas , stress, gritos, desconfianças, ciumes, incompreensões, não podem entrar na palavra amor....então deduzimos todos que: Só se ama quando tudo está bem? Mas quem espera um amor de "paz"? Equilibrado? E quantos não são os desequilíbrios que cada um de nós carrega!? Desequilíbrios de abandono no amor, de pais, de mortes, de traumas, de faltas de amor, de carinho!? Desequilíbrios financeiros, sociais? 

Tenho visto pessoas a entrar e a sair, Cada uma delas com carregadas com os seus objectivos, formas de pensar, de estrutura, de desejo, de vontade. Umas mais falsificadas e trabalhadas, outras mais trabalhadores e desequilibradas, umas mais sensatas e desnutridas emocionalmente,  outras mais ciumentas e rigorosas. Umas mais capacitadas para a família, outras mais capacitadas para os seus umbigos.

 Há uma panóplia de tentação sistemática que retira na verdade o foco principal do amor. Se eu pudesse atribuir um objecto ao amor, o mesmo seria uma bola de papel, Sistematicamente amassada, tentando colocar-se sedosa de novo e pronta a escrever...e nunca passará disso mesmo. Uma bola de papel amassada, crucificada, adulterada por aqueles que na sua busca se esquecem de que existe sempre outro. 

Como diria um senhor conhecido: " O Amor de hoje só veio dar razão ao Diabo". Perdeu-se por completo a ideia de um amor que todos procuram, todos querem ,todos desejam, mas que reflete-se na total inconstância e sede de mais e mais de tudo aquilo que vemos e não desejamos...mas participamos. 

Sendo que ....nesta mesma perspectiva , amar alguém ou estar com alguém só é válido se viver num mundo cor de rosa. E....não vivemos! Por isso...crescemos. E crescemos porque?

Crescemos porque percebemos que mesmo que fiquemos tristes, mesmo que saibamos que transparecemos para fora quem somos e como somos, o facto é que saber amar da melhor forma não é apenas e só numa vertente de eu recebo mas só dou o que quero e posso. Amar desta forma redonda num completo egoísmo só mesmo para sanar e limpar a alma em alguns momentos com o amor de outro.


Acho que amor sem problemas não é amor. Amor sem uma pitada de uma coisa aqui e ali...é nada...é vazio. O que faz correr na verdade o amor é o que ele é....e não o que ele poderá ser. Não há na realidade meias medidas. Claro que andamos sempre à procura do melhor amor.Do melhor estilo de vida. Procuramos o que nos pode proporcionar amor ou vidas feitas? Não procuramos em muitas alturas o que a pessoa é...mas sim o que a pessoa pode dar. Tremendo erro erro aqui.

Se quiser encontrar uma gaja rica...encontro....se quiser encontrar uma que me de bom sexo...encontro...se quiser encontrar pessoas que me estimulem até à ponta dos cabelos...encontro! É fácil! Isso...é o mais fácil que há!

O que mais me deixa com um sorriso nos lábios...é que eu sei....eu sei....que há tantas escolhas erradas, tantas pessoas trocadas, tantos amores feridos, tantas pessoas fantásticas que merecem do melhor...que mesmo assim...o mundo não vê....vocês não vêem e eu não me conformo com o facto das pessoas procurarem isto entre amigos, entre conversas de casa de banho, entre a busca por amor verdadeiro e mesmo assim...mesmo assim...nunca ninguém estar feliz com o que tem. É por isso....que muitas vezes olho para mim...e mesmo até sabendo e reconhecendo os meus erros...entendo que Deus realmente deu-me muita coisa!

E a ti? Deu-te?

quinta-feira, 21 de maio de 2015

IMPORTAS -TE? SIM...TU...


"Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes."


Se existem certezas intoleráveis, momentos depreciativos, deduções moralistas e ambíguas, se na visão do ser humano existe espaço para o egoísmo, então glória aqueles que de egoístas nada tem a não ser a própria roupa que os reveste.Tu que não te importas com que fazes ou dizes, que danças ao som da alegria, que deixas perpetuado no outro a dor, que te marterizas com o que não tens e vives, que vives a vida como desejas viver, não deixes crivado no outro a própria lança envenenada.Mas o que te importa?Tu que vives de anseios, de luxurias, de cegueira de consumo, de ultraje e mentiras, de consequências vãs, não deixes no outro a cadeira da solidão. O palco da morte, o estranho mundo do silêncio. Mas o que te importa?Tu que esfaqueias a esperança, que retiras e sugas energia, que vives com o mal dos outros, que saltas de corpo em corpo, que te movimentas de forma bela, de sorriso aberto, que distribuis os panfletos da tua própria moral, que enganas o desengano, que fornicas a pureza, que te deitas com o inimigo, que vives da insolvência da alma...mas o que te importa?Tu que bebes da dor, que trais esperanças, que te aproveitas dos momentos, tu que consomes o amor como uma cadeia de "Fast Food", que engordas com o equivoco, que personificas o estrago, a doença, a mutilação da alma...de que te importas?O que te importa que o sol brilhe para ti e que trevas se abatam sobre mim? Tu que ris e e selas segredos, que abraças o tempo sem tempo, que percorres o vazio da estrada, pensando que a multidão te aclama...de que te importas?Tu que vives a tua vida, que sonhas os teus sonhos, que te apaixonas, que colocas e retiras a teu belo prazer....de que te importa?De que te importa se o meu mundo desmorona, enquanto do teu lado todos caminham felizes? Eu que tanto estendi a mão, que tanto vos amei, que tanto dei de mim, para que nada vos faltasse...que vos importa!?Maldito egoísmo...maldito egoísmo que danças e cantas solenemente abraçado ao teu ego. De que te importas tu? A quem fazes falta? Quem sente a tua falta!?Eu que caminhei sozinho, que parei em todos os recantos, que vi todos os olhares tristes, que afaguei as lágrimas, que dei de beber de mim....para que? De que te importas tu? Com quem te importas tu?Tu que compras, tu que vendes, tu que decides e insistes, tu que sabes e não sabes, tu que não receias dar dor, que não te prendes de amores, tu que não vives com alma, tu que bates e rebates, que mentes e omites, que te enches de ti mesmo...o que te importa!?Que te importa que eu sentado assista? Que mal te farei? Que poderei eu fazer!? Tu que foste aclamado, tu que foste cuidado, tu que ensinado, que cegueira te adorna? Mas que te importa a ti?Ahhh, maldito mundo onde cada um é por si! Maldita selva, onde ninguém se vê e encontra, onde ninguém se espelha na dor e sofrimento...senão de si mesmo. Mas o que te importa a ti?Mas ainda aqui estou...e vivo...para que te possa dizer...que me importa a mim.

GARANHÕES? OU MENTIROSOS COMPULSIVOS?



Se tem coisa que me irrita e sempre irritou nas conversas de bastidores entre homens é esta coisa de "Eu sou o Tarzan das gajas". É que eles nunca são péssimos!! Incrível!

-Bruno...devias ter visto como ela revirava os olhos! E eu a dar-lhe...e ela a pedir mais....
-Mais...dinheiro no cartão de crédito?
-Epá! Pedia mais e mais! Isto não é uma carruagem de comboio....mas deixo elas todas loucas!!!

Outro ainda...

-Então João? Como correu a noite com a Mónica?
-Nem te conto  amigo...
-Então? Conta!
-Deixei-a de quatro! Doida por mim! Subiu paredes!

Outro ainda...

-Bruno e a tua noitada??
-Loucura total! Falamos a noite toda, rimos, vimos um episódio dos Simpsons, ela fez-me sexo oral, gozei em 15 segundos, limpou a boca, deu-me um beijo e disse que não me queria ver mais porque o Miguel estava a chegar e tinha ainda o Carlos e o Ferreira da padaria na fila. Disse, que gostou dos 30 minutos que eu tinha direito...pediu-me 20 euros...deixei-lhe uma rosa....e acho que nunca a esquecerei.
-Mas isso era uma prostituta!??!?!?
-Era...mas era só um bocadinho...

Nestas conversas de bastidores, que entre nós homens muitas vezes vamos tendo, tenho sempre a leve sensação que os homens ( e isso é fato ou facto?) para se vangloriarem que são sempre o macho dominante, tem mesmo de dar uma de "Tarzan Sexual" perante os amigos. Eu até compreendo e aceito de certa forma que entre nós eles extravasem os seus devaneios e loucuras. As suas mentiras e verdades deformadas vamos aceitando porque somos todos "amigos".

Vai sempre existir esta luta renhida entre eu tenho de ser melhor do que o outro. Existe um amigo meu que utilizava e utiliza sempre esta frase e peço eventuais desculpas pela expressão: " Se não foderes devidamente a tua mulher, namorada...vem outro e faz muito melhor do que tu!"  Claro que isto é tudo muito subjetivo! Somos todos diferentes e todos temos formas de ver e actuar.

Mas na essência da questão....no cerne da coisa em si...meus amigos, na verdade, marcar uma mulher, marca-se por tudo e mais alguma coisa.  Não interessa se fores ou se és um garanhão que comes todas...se fores uma merda...acabas sozinho.

Não interessa se o "pinto, pau, pénis" é o maior da história que elas já viram. Se não o souberes utilizar não passarás de um fracassado na cama.

Não interessa se dás com força ou se andas a passo de caracol...se não tiveres pegada, se não tiveres uma percentagem quanto baste de "safadeza", malandragem...acredita a seu tempo...serás encornado...ou...trocado. O tempo dita todas as circunstâncias e atitudes.

Não precisas de dizer perante os amigos que és o melhor. Ficas mal visto quando elas falam connosco e nos dizem que: " Olha...não teve uma ereção, gozou em 5 minutos ou adormeceu antes de começar a fazer". Procura os amigos...talvez eles ajudem, já não existe mais essa de " I m the fucking best one". Tá caladinho...não sejas parvinho...

Mulheres são tão taradas ou mais até do que nós! Não pensem que é chegar,pegar e bater no peito! Ás vezes somos surpreendidos! E como nos surpreendem tantas vezes!

Homem que é homem é aquele que tem pegada! Detesto esta frase! Odeio mesmo! Homem que é homem é aquele que sabe exactamente fazer a "coisinha" certa no devido tempo e na sua plenitude.

Não precisam de andar sempre armados em garanhões nas conversas de bastidores...

Se és um grande homem deduzo que por trás tens uma grande mulher..porque fora disso...não passas de um ser solitário em busca de "abrigo emocional"...certo? Ou errado?

Vamos...deixem-se de merdices..."Ohhh sim...sou o pénis exterminador..." Por amor de Deus...

Be a Man!







quarta-feira, 20 de maio de 2015

PRIMEIRA VEZ NA DISCOTECA...


Há um bom par de anos, fui pela primeira vez a uma discoteca. Não me lembro bem do nome da mesma, mas sei que ficava ali em frente ao jardim Constantino, perto do restaurante "A Portugália". Era uma matiné e fui com um conjunto de amigos. Ficamos por lá cerca de 4 horas. E sei que nessas quatro horas fiquei sentado imóvel durante todo esse tempo. Como não sabia dançar, a timidez não ajudava, lá fiquei eu a ver o pessoal a saltar, dançar, divertir-se. Durante 4 longas horas acho que só me levantei para ir buscar uma coca cola.

-Anda dançar Bruno!
-Epá....já vou!
-Mas estás aí há 2 horas sentado!! Assim não arranjas ninguém!
-Quero lá saber!
-Anda lá rapaz!!
-Fónix mãe!! Deixa-me em paz!!

Aproximaram-se duas raparigas no espaço dessas quatro horas. Uma delas perguntou:

-Preciso de um beijo teu!!!
-E...??
-Agarra-me com força, encosta-me à parede e faz-me sentir que sou tua!!
-Ohh Avó Amélia....tem juízo!! O avô está a ver tudo!


Tudo isto para dizer que ás vezes olhamos para trás, no sentido de perceber como éramos, como somos, o que melhoramos. Ainda hoje sou do tipo de ficar mais sentado. Já não fico 4 horas. Mas 2 horas sentado, com a minha bebida a apreciar tudo à minha volta...isso ninguém me tira. Claro que já ouvi muitas dizerem: "Homem mais sem graça". Como o meu grande amigo João diz:

Para ser realmente homem....é preciso saber manter o "Low profile".

terça-feira, 19 de maio de 2015

ACORDO ORTOGRÁFICO...OU HORRÍFICO?






Miguel Sousa Tavares dizia sobre o acordo ortográfico o seguinte: " "O Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz, como se os Estados Unidos impusessem um acordo ortográfico à Inglaterra"

Não quero e nem devo, porque não sou académico ou formado em letras para sumptuosamente tentar aqui encontrar fórmulas para; ou aceitar o acordo ou rejeitar o acordo. O que penso acerca do acordo é que retira, expulsa, deteriora a verdadeira magia cultural que a um povo pertence.  A língua, os seus dialectos, as suas formas, a sua escrita não pode para mim de forma nenhuma ser acordada por uns senhores que a dada altura acham que todos devemos escrever e falar com esta ou aquela acentuação. 

É completamente absurdo que a nossa língua mãe ( e quem diz nossa....diz vossa...no brasil, em angola, em moçambique...nos países lusófonos) seja descaracterizada. Poderão eventualmente dizer que " Nós não queremos acompanhar o progresso". O progresso não é a desvirtuação da língua mãe. O progresso não se baseia na forma escrita de "acto" ou "Ato". O progresso não é imposição. Não é acordo, não se pode delimitar como "obrigação". Mas que o é! Preservar as raízes, preservar o povo, preservar a cultura é isso sim, progressivamente defender de forma patriótica e acérrima os nossos costumes.

 Eu não vou dizer: "Trem"....vou dizer sempre "Comboio"! Eu não vou escrever "Celular" vou escrever "Telemóvel"! Eu não posso renegar o que sou e quem sou, porque um bando de aristocratas decidiu que "aquela" forma de escrita fica melhor a todos. É um atentado a Fernando Pessoa, a Luís Vaz de Camões. É um atentado à cultura, é a nova prostituição barata da escrita. Da Maria vai com todos.   

O alarido criado à volta do acordo ortográfico terá sempre os seus prós e contras, para quem não possui em si mesmo o devido patriotismo, aquele que afaga, abraça carinhosamente a sua cultura. Não se trata de " As pessoas não querem mudar, ou tem receio da mudança". 

Nós dizemos sim aos bares de alterne, dizemos sim aos casamentos do mesmo sexo, dizemos sim ás adopções por pais homossexuais ou Lésbicos, dizemos sim ao enorme circo que se tornou o mundo. Sem muitas vezes perceber o quanto descaracterizamos a sociedade, a cultura e deformamos o orgulho das nossas raízes. A tudo dizemos sim em prol desse tal "progresso". Enfiamos com actores de renome em lares, promovemos novos actores sem experiência nenhuma, sem potencial nenhum, críamos monstros nas revistas, que nem mereciam uma folha sequer. Abandonamos a poesia, o romance, as visitas a centros culturais, ao interior abandonado do país. Mas levantamos a mão em prol do progresso, para que se mude e altere a raiz da nossa língua! Em prol do progresso, não se sabe quem D.Afonso Henriques conquistou ou quantas cidades, quem foi o terceiro  Rei de Portugal ou o que fez. O que se sabe hoje é que estamos ligados entre países através dos  deliciosas corpos das brasileiras, das kisombadas africanas. Eis o que nós sabemos e defendemos!

 Terá sempre os novos "meninos" da sociedade que um dia destes nos obrigarão a escrever "Tá-se bem" em vez de "Está muito bem". Ou "Yo my brother" em vez de "Meu irmão". 


Temos o destino que merecemos. O nosso destino está de acordo com os nossos méritos.
Albert Einstein
Pois que o nosso mérito seja a manutenção das nossas raízes! 



quinta-feira, 14 de maio de 2015

BULLYINGMANIA



"Os humilhados serão exaltados"


Tento perceber de variadas formas o que leva uma pessoa a perpetuar uma ou várias humilhações contra o outros. De tudo tenho lido, procurado perceber, tantas vezes o que para mim e para tantos de nós é imperceptível. Frases, fóruns, psicólogos, ódios, invejas, pais, filhos, justiça através da lei, justiça através de Deus, justiça com as próprias mãos.  Vexame, injúria, prevaricação, gozo, insensibilidade, incapacidade.

É a lei, consequência, inversão de valores, pais, filhos, encarregados de educação? De quem é a culpa? Da sociedade? Dos valores? É pura maldade? Estupidez? Como devemos reagir? Falando? Sendo violentos da mesma forma? Olho por olho, dente por dente? Dar a outra face? Deixar que a velha lei do retorno, traga a justiça consigo?

Ao longo do nosso crescimento aqui e ali, somos alvo de bullying em várias vertentes. Na escola, em casa, no trabalho, nos olhares, no apontar do dedo, seja por pais, amigos, namoros, patrões. Somos alvo de invejas, de chacota por termos menos que outros, por não termos roupa de marca, perfume reconhecido, uma casa melhor, um trabalho melhor. Somos alvo da insensatez, da arte de malvadez, somos o alvo fácil do mais pobre de espírito. Somos alvo da ignorância que passa de pais para filhos, das loucuras, dos extractos sociais, das más companhias. 

Somos carne para canhão à mercê das mentes mesquinhas, problemáticas, dos que se acham acima dos outros.  Somos também parte mais do que integrante desta sociedade, com o dever de dar o exemplo, com o dever se ensinar melhor, de fazer melhor. Somos também os educadores do estranho, do amigo, do conhecido e desconhecido. Somos muitas vezes a lança envenenada, prevaricadores de violência, em casa, na escola, somos a inveja, o mau olhado, o desejo de possuir o que nunca, provavelmente,  se poderá ter. Um carro? Uma mulher? Uma casa? Dinheiro?

Cobiçamos de várias formas e "Bullingamos" sistematicamente  e como lobos em pele de cordeiro o desejo de possuir, amores, formas de ser, de estar, de pensar...é o desejo de chegar mais além através da humilhação do outro, fazendo com que o poder em nós por momentos,  tenha um significado de total preenchimento ao ver estampado a dor que o outro nunca teve...mas que podemos infligir. 

Crescemos com traumas, ansiedades, medos, receios tantas vezes infundados. A descaracterização do nosso eu, infligida por outros em tantos momentos reflecte-se em espelhos embaciados ao longo da vida. 

Não perdemos a noção do que somos ou do que nos tornamos. Apenas tantos trazem ao de cima a sua própria revelação do que sempre foram. Num mundo onde coabitaremos sempre num processo de luta entre o  "Bem e Mal" recordo a frase de Santo Agostinho, muito simples...

"A necessidade não tem Lei"

E mediante isto qualquer que seja o espaço que se ocupe, seja no trabalho, escolas, casas, com família, patrões, amigos, conhecidos, desconhecidos, namoradas (os), etc...contra este tipo de abuso ( verbal ou físico)...lutarei até que seja o último a cair. Quem manda no meu navio...sou eu! Quem comanda o meu navio sou eu. O meu templo é o meu corpo. E quem ousa tocar nele seja da forma intentada pela violência física ou de palavras...responderei sempre à altura. Todos aqueles que possam sentir-se usados, lutem. Todos aqueles que se possam sentir martirizados, lutem! Todos aqueles que possam sentir-se vilipendeados, gozados, espezinhados, fracos, sozinhos...lutem, sempre!

O que é? São 4 contra ti? Pega numa pedra e atira à cabeça do primeiro! ( Mas não falhes...)

O patrão diz que: "Se não queres trabalhar há muitos no desemprego!" Ergue-te, valoriza-te, enche te de coragem e bate com a porta! Chantagem? Somos maioritariamente muito melhor do que gentes mesquinhas e manipuladores. "Ahhh....és maluco, temos de engolir sapos, não podemos largar o trabalho" -Então vivam na desonra e humilhados! Entendam...ser livres, sermos a lança que desafia, que desbrava caminhos, que honra o outro, que aprende, que não se sujeita a humilhações é o que chega mais longe. Trabalhar honradamente é diferente de trabalhar sob um manto de humilhação e subserviência. 

Tem dói-dói, porque na escola gozarem contigo e disseram que não prestavam? Também disseram o mesmo a Martin Luther King e Einstein!

Por último o que uma grande maioria precisa é de "porrada" nas ventas! Eu levava porrada da minha mãe, ela dava-me com o cinto, eu dava com o cinto nela, o meu pai atirava-me das escadas, eu partia-lhe cadeiras em cima da cabeça. O meu avô andava ás facadas  à minha avó. Antigamente havia valores...era giro! Por isso nos indignamos com esta geração do "Tá-bem mano!" com a geração do " Então dama? Cumé? , "Tamos juntos brother"....levava duas lamparinas se falasse assim para a minha mãe...

Ver humanos incivilizados...é perceber e tentar entender o que realmente o ser humano tem de pior em si. Tem tanto de bondade como de autêntico monstro...ou estúpido mesmo...ainda não sei bem....




terça-feira, 5 de maio de 2015

OPS....FOI DIA DA MÃE!



*LIGAÇÃO TELEFÓNICA


-Bom, é possível falar com a D. Fátima?
-Só um bocadinho que vou passar...
(Chamada passada passado uns 2 minutos de espera)

-Sim!?
-Mãe, sou eu! 
-Eu quem?
-Bruno, o teu filho, quem haveria de ser!?
-Filho!!! Então!? 
-Está tudo bem comigo! E tu?
-Mais ou menos! Não fiz os mínimos para as olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, nos 100 metros, por causa da ciática.
-Hã??
-Olha...liguei para desejar um feliz dia da mãe...sei que foi há um dia atrás...mas passou-me por completo....
-Deixa lá...ás vezes também me esqueço que és adoptado...
-Estás no gozo certo??
-Hahaha....claro!
-Tens tomado a medicação?
-Tenho...mas nas últimas semanas mudaram a medicação e ultimamente tem dado aqui saquetas de canabis. 
-Andas a fumar Erva!?!?!
-Lá estás tu....todo sensível e preocupado! E depois qual é o problema? Isto faz rir! 
-Hummm....olha...se passar por aí, arranjas-me duas gramas?
-Tenho de ver se o médico receita...
-Tenta lá ver isso, o Viriato está aqui a dizer, se arranjas para o pessoal da buraca. Do café do Jorge! Lembras te?
-Sim! Perfeitamente! Mas o Jorge não tinha falecido de Overdose?
-Não, isso foi o Mário e o Tiago e o Gangue do João de Albergaria a velha. E a Teresa, para lá caminha...
-Tadita...era de tão boas famílias! Os pais ainda vendem metadona??
-Não...agora trabalham na Gel Peixe.
-Pronto...vê lá isso então! Sabes que te amo não sabes?
-Não mais o que eu...

A minha mãezinha é um show!



segunda-feira, 4 de maio de 2015

QUE VERSÃO SOMOS AFINAL?



Quem sou eu? Forte? Fraco? Alegre? Triste? Sádico? Masoquista? Inteligente? Incoerente? Reducionista? Falador? Justo? Injusto? Mau feitio?Bom feito? Bonzinho? Safado? Malandro? Crente? Descrente? Rigoroso? Impaciente? Rico? Pobre? Feliz? Infeliz? Perfecionista? Imperfeito? Perfeito? Defeitos? Qualidades? Estratagemas? Mentiroso? Verdadeiro?Poderoso? Insatisfeito? Coleccionador? Confiante? Ambicioso? Maldoso? Leal? Fiel? Esperançoso? Carinhoso? Amoroso? Insensível? Defeituoso? Espirituoso? Engraçado? Consequente? Inconsequente? Fogoso? Meloso? Dedicado? Irreverente? Aventureiro? Lindo?Feio?Vazio?

De todos os adjectivos que nos possam afirmar e reafirmar de que forma ou matéria somos feitos, todos os acima descritos, não existe um sequer, que não faça no seu âmago parte de nós. Uns mais salientes que outros, uns mais brilhantes que outros, uns mais à vista desarmada que outros, reflectem um pouco do que somos. Sempre tentei dividir os maus adjectivos e bons adjectivos.  

Dos bons nunca tentei fazer deles a bandeira da conquista do topo do mundo. Tenho sempre medo de subir alto demais e o abismo por baixo de mim, dá-me sempre um alerta sério naquilo em que tenho de me concentrar.

Dos maus, tento entende-los da forma mais equitativa possível, percebendo e deduzindo para mim o melhoramento a ter, para que a pessoa em si, eu mesmo, possa reverter os defeitos em qualidades.

Tentei sempre equilibrar entre o que achava ser indigno para digno. É indigno ser malandro, safado, incoerente, mentiroso,insensível, sádico,.maldoso. Adjectivos como estes levam a falhas imensas de personalidade e carácter. Que naturalmente todos vamos escamoteando com os adjectivos bons que temos. Para tudo temos sempre um "Porquê". Temos sempre desculpas que visam adornar as falhas de personalidade com as consequências da vida e momentos.

Somos tanta coisa e tantas pessoas, como na verdade somos todos e não somos ninguém. Somos a chave que abre a porta de casa de encontro à felicidade,  como somos a chave da solidão e vazio.

Somos o silêncio e a festa rija dentro de nós. Somos o circo vazio. Somos um pouco deles e eles um pouco de nós. Mas somos quem afinal, se na verdade nada somos uns dos outros? Somos solitários, indigentes, aventureiros e mutilados. Somos parte de tudo e parte de nada. Somos um ser que morre por si mesmo. Somos de uma alma? Somos de todas as almas? Somos o chão que pisamos? O céu que vislumbramos? Somos parte do mundo? Ou será que o mundo é parte de nós? Sou a flor que planto? Ou sou o jardim do desencanto? Quem somos nós afinal?

Somos o estranho que beija outro estranho?  Somos o que queremos ser e entendemos não ser tantas vezes? Sou o que fazes de mim? Ou és o que sou de ti?  Somos o sol...somos a lua, somos feitos de todas as estrelas? Ou somos o  vazio da noite nos nossos pensamentos?  Somos a gratidão da mão estendida? Ou somo a ingratidão da mão recolhida? Mas somos quem afinal?

Desejamos, encetamos batalhas, perdemos e ganhamos! Corremos , deduzimos, amamos, somos crivados de feridas, somos feridas fechadas e abertas. Somos guerra e paz! Somos sonho e esquecimento.  Mas somos quem afinal?

Somos o que amamos? Amamos o que somos? E quem nos ama? Ama tanto como amamos? Somos diferentes? Pensamos igual? Somos parte de outro? Ou somos parte de um todo? Ou não somos nada afinal? Sou a lágrima que afago? Sou o presente de Deus? Ou sou o presente da vida? Sou as palmas do público? Ou sou o anfiteatro vazio?

Realizamos, entendemos , percorremos, apaixonamo-nos, desestabilizamos! Vamos em frente, voltamos atrás. Seguimos, corremos, caímos e levantamo-nos. Mas somos quem afinal?

Somos o estranho que troca olhares com a estranha que lança um sorriso? Somos casados, somos viúvos, somos solteiros e interesseiros? Somos momentos? Somos felizes? Infelizes? Mas somos quem afinal?

Somos a arte, somos a guerra, semeamos e destruímos. Somos o amor, desamor, somos a culpa e o punhal.

Somos fortes, fracos, rigorosos e pacientes. Somos isto e aquilo, gritamos, reafirmamos, pisamos e enganamos. Mentimos, deduzimos, orquestramos! Palmas? Para quem?  Mas somos quem afinal?

Sou verdadeiro, antecipado, aventureiro e realizado. Não sou gente, não sou mundo...sou eu alguém afinal?

Amo A, B e C. Amo, reclamo, deduzo e engano. Vivo, martirizo, perdoo e desafio. Rasgo, colo sentimentos, subo e desço as escadas. Sozinho,. acompanhado, visto-me, dispo-me, não me vejo. Mas quem sou eu afinal?

Vibro, canto, danço, grito. Ahhh maldito grito que me assolas, o que me queres e o que desejas? Mas quem sou eu afinal?



domingo, 3 de maio de 2015

PENSA BEM EM QUEM TU ÉS...





"Não se deve esquecer a seguinte regra: o inconsciente de uma pessoa se projeta sobre outra pessoa, isto é, aquilo que alguém não vê em si mesmo, passa a censurar no outro. Este princípio tem uma validade geral tão impressionante que seria bom se todos, antes de criticar os outros, se sentassem e ponderassem cuidadosamente se a carapuça que querem enfiar na cabeça do outro não é aquela que se ajusta perfeitamente a eles." -Carl Jung


Durante anos percebi e percebo as mudanças que as pessoas vão tendo de forma a sustentabilizar prazerosamente a sua relação com outros. Seja como amigos , seja com namorados. Vi tanto o desejo de entregar ao outro de mão beijada a sustentabilidade dos seus desejos, do que as pessoas querem para si, que perdi a conta à energia retirada de um,  para deixar o outro ligado no máximo. 

O deixar de sermos nós mesmos, para alimentar o "monstro", de forma a que o mesmo não tire os olhos de nós. Vi muitas vezes pessoas deixar amigos, conhecidos, ausentar-se de conversas, de encontros, porque o outro ou outra não gostava. Sempre fui completamente a desfavor deste tipo de amor míope, egoísta e individualista. 

Determinada amiga, dizia-me: Amor não é sobreposição. É justaposição. 

Uma frase que é determinante na concepção do que é e não é. E maioritariamente vemos e sobreposição e não a justaposição. O "Quem és tu" ou "Quem somos nós", tantas vezes inquisidores do outros, de nós mesmos, produtos de mesquinhices, de regras impostas, de críticas, do "bota abaixo", de ciumes lunáticos, de percepção de medos não existentes, mas criados nas fantasias dos outros, fazem com que o "Eu sou" passe a ser "Talvez seja".

Vejam...maioritariamente uma suposta mentira totalmente descabida , pode-se tornar uma verdade totalmente certa e concisa. Quem somos nós depende sempre muito da força interior e capacidade emocional de justiça interior e capacidade de perceber que os nossos valores, fé, determinação, lógica e personalidade, transformam e caracterizam o nosso carácter. 

Quando nos apontam o dedo, quando nos criticam, quando muitas vezes ao longo dos anos damos tudo aos outros , deixando-nos de parte, estamos apenas a fazer com que aquela pessoa seja exactamente como ela quer ser. Por isso tantas vezes a nossa energia é sugada até ao tutano. E maioritariamente somos descartáveis como uma lâmpada fundida. Chamem-me louco, mas isto para mim, deixa-me completamente feliz. 

Quantas vezes não escutamos: "Tu não és aquilo que eu achava que pudesses ser". Não!! Errado! A questão deve ser colocada de forma totalmente diferente: " Eu, não sou aquilo que supostamente deveria ser"! E ao não ser deixo de parte quem sou para agradar ao que o outro quer ser. Há que saber equilibrar o ser e não ser. Há que saber fazer concessões, há que saber realizar o irrealizável com ponderação, amor e equilíbrio emocional.  

Vejo e vi durante anos, escolhas, um vai e vem de relações, de cumprimento e incumprimento de parte a parte. De decepções e tantas vezes balanceamos entre o "Amo te tanto" como " O não te amo nada". É perfeitamente imprescindível para mim a quotização do ser e não ser, do estar e não estar, do predicado em si que carece e necessita o verdadeiro ser que somos e tantas vezes nos rebaixamos para em prol do outro ele tenha a alegria sobreposta de ter e poder em detrimento de mim. 

A sobreposição ao que eu quero em relação ao que o outro me pode dar resulta e resultará sempre num vai e vem de questionamentos errados. Não existe e nunca existirá a pessoa certa. O homem ou mulher ideal, a alma gémea. Isso é fruto da descaracterização imposta por nós mesmos e sobreposição de valores e de ideais aos desejos inconquistáveis de um ser humano sobre o outro. 

Seria conquistável se durasse para sempre. Mas a conquista torna-se verdadeira conquista exactamente pela  justaposição, equilíbrio, carácter e determinação que resulta num andar de mãos dadas e remar o barco do nosso eu em conjunto rumo ao porto da pretensão da felicidade. 

Somos muitas vezes autênticos abutres de energia. Muitas vezes escutei: " Eu sou como sou, sou quem sou". Existe uma diferença entre ser como sou sem concessões e ser como sou com todas as possíveis concessões que determinam o equilíbrio entre o "Amo te" e "Não te amo". As desilusões acontecem porque são meticulosamente e repetidamente padronizadas de um para outro. 

O "despe e siga" de relações reflecte o quanto pouco humanizáveis e socialmente egoístas somos todos no que desejamos maioritariamente para nós. Sobreposição ao outro exemplifica o quanto exigentes somos para o vazio. 

Entendam...que a exigência, as criticas, o quero, posso e mando, a teimosia que  subliminarmente imposta de um para o outro, acaba sempre e sistematicamente num poço sem fundo. De vez em vez encontramos as pessoas sozinhas. Quando me dizem: Ando em busca do amor, prefiro que essa determinação falsa e utópica seja traduzida em: Ando em busca de mim mesmo. 

Porque na verdade continuamente tentamos procurar no outro o encaixe que  equilibre os defeitos e formas de ser e de sermos quem somos. É uma busca contínua de não visualizar com olhos de ver diante de um espelho quem somos na verdade.

Teimosos, egoístas, individualistas, lá andamos nós num carrocel ilusório do "É agora!" Ninguém se doa a ninguém. Utilizamo-nos uns dos outros para prazerosamente irmos preenchendo dores, feridas e com uma total incapacidade de nos apresentarmos nus e sem máscaras. O medo, o receio de sermos rejeitados tantas vezes em diversas áreas por sermos o que somos e  mostrarmos o que não somos é a arte da enganação do amor. 

A verdadeira identidade só é tida como encontrada quando se reflectir na justaposição equilibrada. Sem máscaras, sem medos, sem receios, de mão dada e sustentada apenas pelo desejo de amar. 


O vire a página e siga em frente deverá sempre ser substituído por: Vire a página e olha para ti mesmo. Depois sim...entende-te...lava-te emocionalmente....e segue feliz. 


Quem és tu? Sobreposição? Ou Justaposição?







sábado, 2 de maio de 2015

HOMENS INVEJOSOS...




Há dias um amigo meu dizia-me:

-Meu...tens de cuidar mais da tua aparência!
-Como assim? Quase quarentão...estou óptimo até!
-Estás nada...falta-te carne! Nem 70 kilos pesas! Músculos, biceps...pele sedosa...um olhar mais sedutor...elas ficam loucas...
 -Elas gostam dos altos...tu tens 1,63 cm...
-Mas já viste este corpo!? Elas deliram...
-Já viste esta minha inteligência? Ficam doidas....
-Bruno, a sério...tu sabes perfeitamente que passas desapercebido...tu não és tipo...um bonitão que elas fiquem caídas...
-Falas do impacto visual que tenho de causar? Lá vem vocês com essas merdas do metrossexual...a aparência...o corpinho...o perfumezinho...blá...bla...bla...
-Mas já viste as gajas que podes conquistar? Um sorriso bonito, uma boa conversa..um estilo safado quanto baste...elas adoram isso.
-Sim...claro que adoram...e a maioria acorda depois casada na cama a perguntar-se: Fonix....quem é este gajo aqui ao meu lado há 40 anos?? O funcionamento para mim é ao contrário: Inteligência, sensibilidade, saber ouvir, falar no momento certo...o charme é o que és por dentro. Tu produzes te para chegares mais rápido à tua presa. Porque sabes que em relação a muitos vais ter essa mais valia do corpo e cara bonita. Mas esqueces te que estás a anos de luz de mim....mas sei que ganhas com a carinha e corpo bonito! 
-Tu e as tuas dissertações filosóficas! Só estou a dizer que devias engordar mais um pouco..é para teu bem. 
-Meu....tu és chato! Achas que me interessa conquistar alguém através do corpo? Nunca foi por causa do corpo que não deixei de ter namoradas, flirts...etc. Podes ter a certeza que não foi o corpinho...
-Bom...não te chateia ires a uma discoteca e ouvires as amigas a dizer: Olha aquele homem! Que homem!!
-Não...ás vezes até me rio! Porque quando oiço as amigas a dizer isso e passado uns tempos de algum relacionamento com eles ouves quase sempre a mesma coisa: Era um estúpido, um galinha, um armado em bonzão, não sabia ouvir, só se quis aproveitar....etc, etc. O impacto inicial na cabeça de muitas e...é natural....levas-as a perderem-se. Essa atracão física inicial é perfeitamente natural. Mas eu sou eu e tu és tu...
-Ainda te vou ver um dia a levantar pesos...
-Hahahaha...sabes aquele quadro do kamasutra ilustrado em que a mulher fica por cima de ti? Nessa hora ela quer lá saber dos teus músculos, biceps, aí....ou sabes lidar com o teu próprio "peso" ou não sabes! Magreza não se põe na mesa! 
-Confessa....tens inveja que eu tenha este corpo e conquiste mais do que tu não é?
-Deus pai...lá estás tu com isso...
-Bom...já está na hora da medicação não é?
-Sim avô...a enfermeira já está a chegar e já te disse que não tens 25 anos....tens 84, tens de parar de pensar assim...

Fuiiiiii