segunda-feira, 8 de junho de 2015

O ANDAR ERRADO...NO AMOR.



Durante esta semana lembrei-me das várias formas e formatos que vamos tendo para nos concentrarmos nas relações que vamos também arranjando. Pessoas novas entram e saem da nossa vida como se de um fila para tirar senha se tratasse. É o crescimento puro e duro, é o conhecimento, aprendizagem, mas acima de tudo é também uma certa inconstância interior que carregamos em nós em busca sempre do melhor e pelo melhor. Tudo o que nos agrada...desagrada.

Colocamo-nos na  fila para  tirar a senha do amor. Quem é agora? Quem se seguirá? Quem arrebatará o meu coração? A quem eu sucumbirei? Quem sucumbirá a mim!? O medo da infelicidade, da solidão, do “chato” em estar sozinho , acarreta em  nós uma dosagem de adrenalina pura de pressa em sentir o pulsar da vida, do amor, dos bons sentimentos.

A senha da necessidade, do carinho, da reciprocidade. A senha  da fidelidade, da coerência, dos objectivos, da presença. A senha da responsabilidade, da maturidade. A senha do beijo, do toque, do olhar.

O amor faz parar o tempo, mas não faz parar a fila.   A fila anda, desenvolve-se, cresce, assume-se, 
refaz-se, recicla-se. A fila enerva-se , apega-se e desapega-se. A fila ama todos e não ama ninguém. A fila é a face do desconhecido, das trocas, das faces que passam, que ficam, que se perdem no tempo e que perduram.

 Tantas não são as vezes,  que caímos no erro inadvertido de tirar a senha errada. Algo que aprendemos ou tentamos aprender a não o fazer novamente. Não queremos concerteza ir para o andar errado. Mas tantas vezes vamos caindo nele.  Traduz-se não, numa sucessão de erros, mas sim numa sucessão de traumas.  
Que na verdade e com o tempo nada acrescentem, a não ser mesmo a memória de ter tirado uma senha  inválida. A senha doente, da hipocrisia, da ostentação, a senha aproveitadora, a senha que não é mais do que um rolo compressor da  matança da autenticidade emocional.

Os andares errados não são valorizados nem valorizam, não são contemplados com a benção que se acrescenta a uma felicidade duradoura e nem abençoam. São lixo emocional. Que varremos em círculos de porquês e como aconteceu? Mas no andar errado as palmas são eternas. As palmas ao abismo dos outros em detrimento do seu. “Antes eu que tu” é o que se ouve no andar errado. No andar errado o plano passa por ser eu. E não nós.

Estatisticamente a força da valorização, do empreendedorismo no amor, no cálice dos sonhos e objetivos transformou-se numa vã prostituta qualificada e focalizada no seu umbigo. Esse é o andar errado. O andar da luxuria, dos secretismos, dos lobos e lobas vestidos de pele de cordeiro. Vemos nesses andares vidas vazias, medos irracionais, rolos compressores de anti-amor. Deparamo-nos com a futilidade e o descaso. A  imaturidade, incompreensão. Deparamo-nos com egos inflamados. Com vidas felizes à custa do sofrimento dos outros.

No andar errado nada aprendes, ninguém se arrepende. No andar errado a vida não funciona como uma experiência. Funciona como uma repetição. Um selo de autenticação da verdadeira face oculta Não existe aprendizagem, sim repetição. Não ha nada a aprender. Não há nada a reter. No andar errado vive o sugador de energias. O usurpador da tua bondade, da tua essência, vive no andar de onde nunca quer sair.

Porque é o andar que moralmente e eticamente pode ser o pior...mas é o que lhe sabe melhor viver. É o melhor andar para se estar.  A visão do andar errado não carece de sofrimento. Os andares errados fogem do sofrimento, fogem dos verdadeiros amores. Apaixonam-se pelos hologramas criados pelas suas próprias mentes e entregues ás cobaias que por eles se deleitam. No andar errado vive o “test Drive”. Vivem filas enormes que se entregam e perdem de amores aos desígnios e tentativas de fazer delas e deles reis e rainhas de castelos de areia.

 No andar errado não se sabe o que se faz, apenas se vive com que se faz. Não há tempo para sofrer, não ha tempo para dor. Não há tempo para pensar. A vida urge, o tempo aproxima-se, o momento é este. É o andar dos egoístas ou dos proclamados com amor próprio? Dos fingidores. Dos regimes ditatoriais dos seus umbigos. O andar dos apaixonadamente desapaixonados pelo amor. É um andar que não existe nem Deus e nem Diabo.

Hoje poucas são as crónicas de amor. Hoje existem enredos desconhecidos, caprichos interiores que tem se ser preenchidos. Palavras endurecidas, olhares massacrados pela falta de humanidade e verdadeira capacidade de amar, deambulam à procura do conceito certeiro e duradouro. Perdeu-se a verdadeira capacidade de amar.  Temos todos pressa que floresça no nosso deserto um oásis.

Nós desejamos que a nossa vida seja assombrosamente arrebatada por um grande amor, que nos consuma, que nos assalte os pensamentos em todos os momentos. Esquecemo-nos normalmente que vivemos tradicionalmente numa ficção interior onde criamos cenários com pessoas que na verdade nos são completamente desconhecidas. Os seus hábitos, criação, dedução, formas de ver e estar. Contemplamos verdadeiras ficções que quando realizáveis  e realizáveis de forma a que essa tradução de desejo que temos não nos seja real como desejaríamos, voltamos a tirar nova senha.

E quando a tiramos...a pergunta é sempre a mesma:
Em que andar vou entrar?


terça-feira, 2 de junho de 2015

QUE A ÚLTIMA GOTA SEJA UM RECOMEÇO...

O mundo inteiro é um saco de merdas se rasgando. Não posso salvá-lo. Sei que nos movemos em direção à miragem, nossas vidas são desperdiçadas, como as de todo mundo. Eu sei que nove décimos de mim já morreram, mas eu guardo o décimo restante como uma arma.
Charles BukowskiExistem duas incomensuráveis doses de sentimento pelas quais é necessário ter a visão e rectidão para que se abracem numa só. Amor e compaixão. Uma é universal e sem ela não passaríamos de seres deambulantes sem alma. A outra, tão necessária, mas tantas vezes desprovida do seu verdadeiro valor e que fosse ela solidária com o sofrimento.Sofrimento...incapacidade...desigualdade....invalidez...tortura.Tenho visto cada vez mais entre amigos e conhecidos e no meu próprio caminho as sucessivas idas e vindas. Caras novas, caras antigas, amores velhos e novos. Tudo novo, tudo velho, tudo certo e incerto. Chamam de amor, chamam de dor e cada um na sua casa conta as suas lágrimas, como se em cada uma de um momento se retratasse. Cada lágrima tem uma história, cada evento um suplemento...um momento. Não existe compaixão, não existe amor,  o sofrimento é solitário. Incomum, retardatário...nú. Ninguém te vê. Eu sei. Ninguém te sente...eu sei. Ninguém se cruza contigo nas noites a sós. É apenas teu, leve, como uma pena, apenas a ti pertence....devagar...sentido...crú. E como choras nessas noites. O silêncio é tão desumano. Incaracterístico, profundo...imenso e intenso.
Histórias que se cruzam umas com as outras. Que pegam e abraçam, que se perdem e amordaçam. Gente solitária, gente perdida na multidão. Gente que ri e que por dentro chora. O que é feito daquele que rasga? Que em sangue te deixa perdido e moribundo? Que num momento te ama e tão depressa te renega? Quem te magoa e nada apregoa? Memórias do tempo que o tempo não trás. Memórias da vida...mas é o que a vida faz. 
O que desperdiças  tu? E o que te fizeram desperdiçar a ti? É o momento que fica? Se é que isso implica! Desperdiçamos amores, renegamos dores, prometemos  sonhos e acabamos em dores. Que fizeste tu?E o que fiz eu? Já nada mais interessa, já nada mais compensa. Andamos despedaçados, invertidos, desprovidos. Choramos de dor, mas vivemos de amor.  As cortinas velhas e rasgadas, abrem-se e fecham-se permanentemente. As feridas do pano, são as feridas da alma.Que fedor de engano que em jeito puritano se aproxima do seu amo. Do engano tanto reclamo que me torno tão insano. Quem te provoca o medo? Será tudo isto um enredo? Que medo que tenho de nada mais ter medo. Que coragem nos falta quando a dor nos assalta...Tenho paciência com o tempo, mas é um tempo sem tempo. O tempo urge e eu tenho medo. Medo de tantos enredos e de tantos segredos. Maldita coragem....sem  nenhuma abordagem, sem nenhuma ancoragem...e de tantas miragens. Repleto de dores se vive novos amores. Que amores sem fim, que amores sem o mínimo rasgo. Um completo desastre...Que o mundo não pare, que a vida se faça e sem relutar...E se o amor vier e ainda assim relutar...que Deus me dê forças...para  de novo amar.
Bruno Fernandes