segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O SOLDADO DO....VAZIO



O Relógio tocou cedo. Tão cedo que não percebi que o sol ainda não tinha nascido. Cedo demais para morrer...tarde demais para ainda continuar a viver. Não sei que sabor dar, nem a própria cor tem forma de ela mesmo,  ser denominada como cor. Fixo-me apenas nas memórias. Ontem horizontes longínquos, verdadeiras estradas, caminhos a serem alcançados. Onde irei eu içar a minha bandeira? A minha conquista? Tudo em silêncio...pois silêncio se pede. Escutem...parem para ouvir o som das memórias. Oiço risos, vejo formas, sinto abraços e desejos. Momentos...tantos momentos...


Tudo se resume a escombros, a rombos. Vidas mal programadas, desequilibradas. Pessoas encontradas e perdidas. Amores, amantes, tretas...mirabolantes. Vidas rasgadas, gentes sem nada. O Silêncio pergunta:

-Pois então amigo...o que há contigo?
-Nada quero dizer...pois nada há mais para viver...
-Não desistas da vida, desse sonho sonhado...viaja comigo e ficarás encantado...
-Porque gritas em mim....porque mexes comigo, eu que estou,  neste sono profundo? 
-Acorda soldado desse sono profundo há mais vida que vida,  nesse teu mundo sem vida!
-Não me vendas mais sonhos, vidas sombrias, relatos do nada, cansado do velho, de espelhos partidos, dessa mentira da vida...não procuro mais ser...não quero mais ser!
-Atenta -te em mim e percebe o que digo...no barco da vida...ainda há espaço contigo.


Então percebi que no tempo da vida, num momento sozinho...haja alguém que me diga...

Que há espaço na vida...

domingo, 30 de agosto de 2015

A IMAGEM CONSOME O TIRANO



O CORPO É O TEMPLO DA ALMA

Um destes dias uma amiga (já me tinhas feito essa pergunta mais do que uma vez) perguntava se eu preferia morenas ou Loiras?

-Preferes Loiras ou morenas?
-É quase o mesmo que me perguntares se gosto mais do sol ou da lua.
-Vá...anda lá...loiras ou morenas?
-Morenas talvez...mas não tenho nada contra as loiras...
-E...gordas ou magras?
-Pára tudo! Tu e essas perguntas de gordas ou magras! Algum homem vem com um cartaz especifico de vendedor de felicidade eterna?
-Não...mas se tiver dinheiro....ajuda!
-Mas as magras são sinónimo de felicidade? De estrutura de embelezamento da vida? Qual a diferença real entre gorda e a magra?
- Toda Bruno! Não me venhas com merdas...vocês homens são todos iguais! Dizem sempre que não tem nada contras as gordinhas, mas quando olham para um rabo de saias, olham sempre para a boazona. Aquela que tem um belo rabo! Isso enche-vos as medidas! Olhas para a gorda que vai a passar!?! Só se fôr com aquele olhar de reprovação de quem vê algo fora do contexto do imaginário do homem! 
-Tens toda a razão!! Aliás....digo, tens toda a razão dentro dos limites do teu Q.I. Repara....sempre aprendi que o nosso corpo é um templo. Imagina um templo sagrado. Não vamos entrar em religião nenhuma. Imagina apenas o corpo como um templo que tens de o alimentar com todas as vibrações positivas. Tanto a gorda, como a magra, a loira ou a morena, o preto ou o chinês.  Há quem abra as pernas para toda a gente, há quem se droge, fume, seja lá o que for. Acima de tudo e o principal reside na forma como tu te mostras na forma que és. E o que és...o que fazes...diz muito do que pensas. 
-Tu e as tuas teorias! Não me venhas com tretas! A percentagem de homens que escolhe uma gordinha é infinitamente inferior aquele que escolhe uma magra! Porque achas que as gordinhas se apaixonam perdidamente pelo primeiro que lhes der bola!? Porque na realidade a frustração de amores, a falta de amor próprio e de outros que não tem...leva-as a apaixonarem-se muito mais ferozmente pelo primeiro que lhes apareça.
- Seriamente tens noção do que dizes? Tu alimentas o corpo ou a alma?
-Ora...alimento obviamente as duas partes! O meu templo é alimentado da melhor forma. Basta olhares para esta menina linda! 
- Que és linda...não está em questão! Lá isso és! Mas és uma tirana de ti mesma. 
-Tirana?? 
-Sim...não percebes? Olha um desenho oral....funciona da seguinte forma: O mundo apresentou-se perante ti sobre o pretexto que esta existência e a oferenda ao nosso templo passa por três estágios. São eles: Dinheiro, Status e Beleza. Tu és mais uma que acaba por ser absorvida por esse mundo que fez de ti uma tirana. Uma tirana é aquela que tem como percepção que só ela governa com poder ilimitado. As magras sao as melhores, as loiras as mais burras...este triúno de Statos, beleza e dinheiro é o caminho dos vencedores. Esqueces te que o mundo apresentou-se a ti  maquilhado. O mundo pinta-se das mais belas cores para te mostrar o quanto deverá ser assim a consequência de todas as escolhas. Maravilhosas.
-Hahahahaha....já estás a delirar não? 
- Sabes qual é o meu sonho? É o mundo aparecer como quando olhas para uma namorada ao acordar pela manhã. Sem pinturas...cheio de remelas, toda despenteada, cara inchada de sono e ainda e mesmo assim...poderes ter a certeza que amas essa pessoa que acorda perante os teus olhos. Nós vivemos num mundo hipócrita, cínico, cheio de falta de humildade que não educa pessoas. O mundo não te educa...o mundo vende te ilusões. Vende te amor, vende te objetivos, cobra te por isso, corrompe te....o mundo gosta de te ver destruído e quer te ver destruído ate que te transformes nessa magra linda, boazona, cobiçada por meio mundo. Depois de teres seguido todos os propósitos dessa transformação podes abrir as pernas ao mundo. Afinal o mundo não perdoa que cara tão linda e cobiçada não seja fodida por outro meio mundo que criou esse teu estereotipo de mulher. 
-Agora estás-me a ofender....
-Não...agora estou te a educar....

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O SOFRIMENTO REFLETE A BELEZA DA DOR



Eu sei que nesse dia desejavas chegar a casa depois de um longo dia de trabalho. Cansado, vais te revestindo de forças para parar no caminho e comprar uma caixa de chocolates. Ficas na dúvida. Paras por segundos na tentativa de pensar o que pode a tua cara metade desejar.  Sabes bem o quanto ela se tem e importante nas inúmeras conversas entabuladas que vai tendo contigo naquelas noites quentes, onde trocam olhares. Com um copo de vinho sobre a mesa, percorrem os caminhos de todas as questões que vos assolam. Riem e choram juntos. Criam e fantasiam cenários onde apenas os dois tem acesso.  Falam sobre banalidades, do dia a dia. Percorrem os assuntos que fluem tão naturalmente como se de perfeição fossem entendidos os dois. 

A noite aproxima-se e apressas te o quanto antes para casa. Sabes que não vais abrir a porta e sentir-te sozinho. Não existe vazio que percorra o teu consciente. Tu sentes te tão alimentado, tão poderosamente vivo, que nada pode ou poderá ser tão percebido ou compreendido. Ela....é a resposta, o que não era é. Ela é o verbo dos sentidos. O teu manto protetor, o calor que emana  no teu peito é a resposta ao teu sorriso. Ela! Ela é também, a fonte dos teus desejos mais intimos. Ela é o teu presente, ela é o certificado e a declaração imponente de como o teu coração pode bater mais forte. 

Abres a porta de casa....chamas por ela. Mas escutas por momentos um silêncio ensurdecedor. Colocas as tuas coisas em cima da mesa e o silêncio antes sentido é transformado em odores diferentes que percorrem o teu olfato. Algo se passa..algo de diferente...algo de misterioso...algo que não consegues discurtinar...

As pernas tremem...o teu coração bate mais forte. Chama-se de medo. Mas tu ainda não sabes o que isso te faz. É inócuo...é sem sabor...é ilusão. A coragem leva-te a dar mais uns quantos passos até que abres a porta e te revês nas escolhas da vida. Reves te no circo enganoso que a vida te oferece também. 

Percebes que sonhos terminam onde os pesadelos começam. Não sabes o que fazer, como fazer, de que forma fazer. Não consegues chorar, pois até as tuas lágrimas coram de vergonha. Vergonha da vida, das pessoas, da humilhação, da descrença e da irrealidade que te transporta para onde nunca foste. 

De repente tudo se encaixa, de repente o céu abre-se e entendes que sofrimentos existem, banalidades acontecem, rumores aparecem e a morte...essa...não nos engrandece. 

Dias passam, semanas tornam-se anos. Envelheces com a dor e pouco te interessa ter mais amor. Desacreditas no sentido das coisas. Decides pois então, percorrer o teu caminho. Outrora pouco espinhoso e cheio de sentido. E hoje....ahhh....hoje, maldito caminho empedrado e sem vida. Não há palmas para ti, não há gente á tua espera quando dobras a esquina e reparas ...reparas que nada mais faz sentido. 

Não que o amor não faça sentido...ahhh...esse faz todo o sentido! As pessoas...essas....não fazem sentido. Desvirtuadas, amordaçadas, amedrontadas, traumatizadas, banalizadas ou abandonadas. Necessitadas, impossibilitadas, realizadadas ou frustradas. Insatisfeitas, possessivas, imaturas e descrentes.

Que vã utilização e caricata do conceito amor.  Esse amor de empresa, de conceitos, de pedidos, de insatisfações pessoais meramente fúteis. Que cansaço te causa. 

Os bares esses passam a fazer parte da tua vida. Não procuras amigos, não pretendes amores, não desejas respostas, apenas que o tempo se engane. Olhas para o alto e tantas vezes te perguntas: " Porquê eu? Que mal afinal fiz eu?"

Ninguém te responde, ninguém te acode, ninguém te recolhe no seu leito. 

Abres a porta, entras em casa, deitas te sobre ti mesmo, ponderas o teu próprio sentido, o teu jeito, o teu ser, o teu mundo...e entendes ao olhar para cima que ele não escolhe os capacitados....capacita os escolhidos....

Capacita-te para perceberes que no meio da desordem do amor, dos encontros e desencontros...da falta de sentido que tantas vezes não existe...

O Sofrimento reflete a beleza da dor no seu esplendor..e gritas nesse momento...

...." Estou vivo!"....




quarta-feira, 26 de agosto de 2015

LAMENTAVELMENTE A ALFACE TINHA....PARKINSON


Cada vez mais mediante estudos Médico - Científicos vou percebendo que comer seja o que for faz mal e é nocivo para a saúde. Tudo, mas tudo faz mal no que concerne a ingerir alimentos. Se é pouco é porque aumenta os riscos de algum cancro. Se é muito é porque ataca fígado e afins. Estou extasiado com a novidade que surgiu ontem que leia-se, dizia o seguinte: O excesso de cafés por dia ajuda na prevenção do cancro. What a fuck!??! 

Eu já olho para a comida às vezes de lado como se fosse o titulo do filme: " Sei o que fizes te no verão passado!"

Mas o que mais falta!? Ir ao supermecado .....e.....

-Bom dia! Olhe queria duas alfaces por favor!
-Devo avisa-lo...que uma delas está em coma...e a outra tem parkinson!
-Não me diga!!! Mas as folhas mexem-se!?!
-Olhe...não sei se conhece a D. Gracinda. mas comprou 2 cenouritas para a sopa e aos que consta....as cenouras revoltaram-se contra ela! Ela queria coze-las....elas queriam manter-se duras...
-Pois...são essas duas cenouras que abriram uma sex shop, ali na esquina?
-Exatamente....pobre Gracinda...

Ainda vou ser do tempo em que possivelmente vou ver uma couve flor a fumar um charro e a dizer: " Queres uma passa?"

Ainda não percebi porque inventaram os vibradores...se sempre existiram as bananas...e até são mais parecidas com um pénis...afinal tem uma...película...e estão a 1,15€ um kilo...no Pingo Doce...

É natural que a comida se revolte contra nós...afinal temos tudo à mão de semear....e como sempre desvalorizamos em vez de valorizar...

-Avô, estás aí!?!?
-Sim...
-Os pimentos verdes já ligaram por causa do julgamento dos Bróculos?

Já pensaram se um conjunto de rufiões de Sardinhas nos apanha numa mesa de operações, disfarçados de médicos cirugiões....

- Já viste este gajo aqui estendido? Vocês já olharam bem para a quantidade de porcaria que ele tem? É ossos, figado, estomago, artérias, rins, coração....ahhhhhhhhhhh...não acredito!! O gajo tem uma pila?? Pelo amor da Santa sardinha!! Retirem tudo o que é nocivo à saúde deste gajo!

Estávamos bem lixados....

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terça-feira, 25 de agosto de 2015

A FÁBRICA DOS HERÓIS ERRANTES...




                       


Quando era mais pequeno sonhava em ser um super herói. Como eu queria salvar o mundo das vicissitudes da vida. Queria salvar da fome, sofrimento, tristeza, abalos emocionais. O meu interesse não era apanhar os ladrões em flagrante, isso, a policia que os apanhasse. Eu queria ser o herói das tristezas transformadas em alegrias. O herói no bom humor, o herói no amor, o herói no tratamento do outro, o herói com amizades, amores, relações. O héroi da cumplicidade, da amizade, reciprocidade. O héroi até de uma certa loucura e devaneio. Eu não queria ser o lobo mau, o safado, o cafageste, o mentiroso, o traidor, o problemático ou o ciumento.

Não me interessava ser um Hulk que com a sua forma defenderia a sua dama de ataques de outros. Ou que pudesse transmitir segurança total ás suas damas desarmadas, fracas e tantas vezes obsoletas. Não me interessava ser um Thor que com o seu martelo pudesse resolver todos os problemas rapidamente. Ou com um passe de mágica pudesse proporcionar ante a ansiedade das outras o ansiado sabor de plena conquista efémera.

 E nem me interessava ser um homem aranha que nas sua teia pudesse abarcar para si todas as mulheres no seu regaço, como fonte da minha virilidade.

Ahhh....eu era um super herói...invulgar. Não queria saber de atos de heroísmo. Queria almejar o sentido da vida, apurar a sensibilidade, os sentidos, queria apurar o olhar, queria apurar o tratamento dado ao outro.

Queria sentir sorrisos como a força matriz da vida.  Queria colocar me na pele do outro, tentando com isso  imaginar ou trazer para mim as suas dores, memórias ou alegrias. Para mim o maior ato de heroísmo era fazer jus ao ato de estar vivo. E sublinhar esse ato, era retirar da vida, toda a consequência e sequência de alegrias e tristezas de forma a tornar-me cada vez mais forte, cada vez mais ágil nos afetos, nas respostas à vida mediante os acontecimentos trágicos ou não. 

Sabia e sempre soube que o Sol nasceria e nasce sempre para todos. E dessa mesma forma a manutenção do meu heroísmo era a consagração do meu estado de alma. Nunca quis transformar a minha alma numa fornicação de ideias, valores, bases morais, onde ano após ano eu pudesse ser exactamente igual ao que era no ano que passou. Vida, pessoas, contextos reescrevem de certa forma também o que somos e vivenciamos.
Queria poder naufragar sem me importar que morresse sozinho. Que fosse eu o único a perecer, nada mais me importava desde que no meu ultimo olhar pudesse ver a salvação do outro. Nunca fui o herói de mim. Sempre fui o herói dos outros. Mas não é esse exactamente o sentido de ser herói? A salvação dos outros?

Que se perceba que na frase: "Dai a César o que é de César e dai a Deus o que é de Deus" reflete-se não em graus de heroísmo patenteados por hierarquias, mas acima de tudo num equilíbrio de justiça onde ninguém fica a perder. Na verdade o sentido de ser herói é revestimo-nos de equilíbrio perante nós e os outros. Ser justo é um ato ainda de heroísmo enriquecedor e sustentabilizado pelo equilíbrio do sofrimento e alegria.
Eu queria parar guerras, não queria desarmar homens. Não queria ser o orgulho de uma mulher, pelo posto que ocupava, pelo status que tivesse, pelo dinheiro que me enchesse os bolsos. Não reconheço legitimidade aos hérois oportunistas ou Heroínas. Não existe nenhum ato heróico quando fazemos as contas às oportunidades que podemos ter com A. B ou C. 

Para mim ser héroi é descobrir como manejar o amor, o carinho, a dedicação, o empenho, a força, a cumplicidade, a reciprocidade...a ideia de ser héroi na diferenciação, na marcação de posição perante as mentes perdidas, as consciências cegas e inválidas de conhecimento é a forma que existe de marcar a diferença.

As escolhas nunca se definem pelo tipo de super herói que somos. Definem-se pelo tipo de super herói que querem. Todos ansiamos por algo diferente sistematicamente até ao puzzle final. Até à carta certa, até ao encaixe decisivo. Seja em que ocasião for. Somos todos super heróis em estado de lapidação. 

Mas uns são lapidados para o lado errado e vivem pensando que estão certos e outros para o lado certo...e vivem pensando que nunca estarão errados. E residirá sempre neste intermédio a vontade de mudar a estratégia, de encetar novos planos, até porque a vida urge e eu não pretendo ser héroi de um cemitério recheado de medalhas de honra e heroísmo.

Pesquisei todas as minhas memórias em busca do que é isto de ser herói...e o que é isto de ser Homem? Onde se enquadra um com o outro? Existe ou poderá existir ambivalência entre um e outro? O que nos torna realmente um homem e o que nos torna realmente um Herói e o que faz de nós tão pequenos ou grandes na nossa insignificância planetária?

Durante anos somos massacrados por pais, família, professores,  amigos, meios de comunicação, a ter o melhor, a fazer o melhor. Compre o melhor...fique com o melhor...colha o melhor...aproveite o melhor...ganhe mais...faça mais....produza mais...fique rico....tenha uma boa casa, tenha um bom carro...tenha a melhor mulher. A mais gostosa, a mais bonita a mais....estonteante. Somos heróis falsificados, robotizados  e seres que na sua maioria são sistemática mente errantes. Vivemos uma vida onde o produto apresentado é a base da constatação de que o melhor...o mais significativo é a profunda base da supremacia do Homem. O segredo da felicidade.E lá vão todos maioritariamente atrás...

Ahhh...maldito Homem que de héroi falsificado e cheio de regras se estabelece num mundo ingrato de egoísmos, de incoerência e de profunda insatisfação material. E onde a teia que percorre o seu eu o deixa tão miserável como o pó de onde o mesmo se ergueu. 

 Maldito homem que és tu...que transformas, que enganas, que pisas e humilhas o mais leve sentido da vida e contigo envenenas uns atrás de outros. As palmas aos teus atos heróicos refletem-se nas lágrimas da tua desumanização.
 

A tua sede nunca foi de salvar ninguém. A tua sede percorre as energias alheias para tua salvação. Mas não notas? Continua tudo igual....desde o galo que te acorda pela manhã, até a lua que se deita sobre ti....nada de nada acontece no sussuro da noite. Apenas as imagens que fabricas e te deleitas como forma de preenchimento.
 

Tu não precisas de salvação, pois o teu ego é o herói fabricado por ti para ludibriar os verdadeiros heróis, que te sacodem na mudança e tantos sucumbem com o teu veneno. 

Não chores pois tu héroi pela vida que não tiveste, pelo cargo que não ocupas, pela família que não tiveste. Não chores tu por um pedaço de pão, por um ombro amigo, pelo erro cometido e não corrigido. Não chores por te achares errante ou perdido.

Lembra te que o verdadeiro héroi é aquele que em si sabe, que tanto sacia a sede com um copo vazio, como com um copo cheio.  E quando as lágrimas te caem em desespero de vida, porque tu na tua singularidade te sentes tão cheio? 

Os hérois errantes marcam passo em vida não se anunciam como hérois da mudança. Anunciam-se com o desejo de serem salvos pelos vazios que os mesmos não conseguem preencher. Eu não preencho peças puzzles iguais. Eu preencho peças de puzzle diferentes. Porque é exatamente na diferenciação que está a arte e obra da mudança.

A ostentação é a fábrica de horrores de um mundo cada vez menos servido de hérois e heroínas. É uma fábrica de produtos materiais, de mentes ludibriadas com valores e conceitos errados. Os hérois não são mais conquistados, deixam-se conquistar. Vendem-se pela beleza, pelo circo criado da vida onde tudo vale para dar ênfase à mudança.

São comprados ao desbarato. São fabricados, escolhidos, excluídos conforme  a balança do egoísmo, que esfomeada , sedenta da vida se pavoneia pelas estradas de ouro criadas pela sua própria mente.

Não existe medo de mudar...existe medo de ser mudado...

E eu? Bom...eu sou o herói que sempre quis ser....

E tu?