DEUS (NÃO) ESTÁ MORTO


Se existe algo que é difícil debater religião concerteza é uma delas! Até porque entre a insanidade da fé e a sanidade da acreditação há diversas opiniões divergentes. Entre aqueles que acreditam e aqueles que definem como a fantasia mais inteligente criada em toda a história, vai um passo de Hércules. Dizem, muitas vezes os denominados ateus, que a fé em Deus, é uma constatação de alguém que,  maioritariamente e no seu perfeito juízo, indubitavelmente, acredita também e  nesse mesmo sentido, em fadas, unicórnios, trolls entre outras figuras fantasiosas. Convenhamos, acreditar no invisível para muitos é algo totalmente descabido. 

Já ouvi de tudo e debati de tudo com crentes e não crentes. No Brasil ia muitas vezes à Igreja Evangélica, frequentei em Portugal a Igreja Católica e  entre outras igrejas de credos diferenciados. Namorei uma testemunha de Jeová anos a fio,  vivi de perto o fundamentalismo religioso na Arábia Saudita ou melhor dizendo, convivi de perto tanto com uma Bíblia Católica, como o Alcorão ou denominado Livro Sagrado do Islão. 

Não sou teólogo, filosofo ou cientista e muito menos um estudioso acérrimo. Nem nada que se pareça!E muito menos me agarro a frases seja de historiadores, escritores, génios da mente humana que tal como eu só sabem o que nada sabem. 

Porque a verdade é essa. Sejam filósofos de renome, sejam escritores credenciados, sejam pensadores mundanos nada, mas nada é tido ainda e só como um dado adquirido, quanto à existência ou não de Deus. E que Deus seria possivelmente esse? Uma vaca sagrada da Índia? Um ente superior de outro planeta que nos colocou aqui há supostamente biliões de anos? Alá? Buda? Thor? Super Man? Spider Man?  Que Deus cria tantos debates, que Deus cria tantas assimetrias? Que Deus e dizem manda "matar" em seu nome? Que Deus deixa morrer as pessoas em guerras, catástrofes, fomes, doenças? 

Quando me perguntam porque acredito em Deus a resposta prévia que tenho é sempre a mesma:
-Pois....tretas! Se Deus existisse o mundo não era como era? 

Ou ainda e como tenho ouvido:
-Como és capaz de acreditar num ser invisível, que te dá dez mandamentos ou como eu chamo preceitos morais, onde tens de os seguir à risca, vivendo com eles dentro de ti! E ainda assim se não o seguires, há um lago no inferno onde vais arder o resto da vida...mas ele...ama-te!

Ou ainda escuto tantas vezes:
-Epá, o gajo que escreveu isso teve uma ideia mirabolante e levou milhões a acreditar nessa ideia! 

Ou ainda:
-A Bíblia está cheia de contradições!

José Saramago, fantástico escritor disse um dia: " O mundo seria muito pacífico se todos fossem ateus"

Friedrich Nietzsche dizia também: " A religião é essencialmente uma doutrina de hierarquia, uma tentativa para recriar uma ordem cósmica de posição e poderes"

A definição de José Saramago, ateu convicto de que este mundo seria mais pacífico se fossem todos ateus, esbarra em algumas personalidades mundiais. Senão vejamos apenas alguns ateus, líderes de nações que provocaram juntos, milhões de mortes: Benito Mussolini, Mao Tse Tsung, Hitler, Kim Jong ( líder Norte-Coreano), apenas alguns! Isto só para citar que um mundo de ateus é tão assassino como um mundo de religiosos. A paz não se complementa nos ensinamentos dos céus...sim na compostura do homem perante a vida.  Não tivéssemos todos o pó de Deus em nós ninguém se questionaria sobre a vida. 

A explicação de que através de um Big-Bang se formou vida apenas aqui na terra é demasiadamente fácil e simplista para mim! Quem foram os primeiros homens na terra? Homo Sapiens? Adão? Homo erectus? Por exemplo, hoje não era possível ( nem era antes) vivermos no meio de dinossauros ( nao estou a ver o T-Rex  a passear-se de coleira pelas ruas de Lisboa). 

Podermos dizer que a extinção deles se deveu a um erro de Deus, que percebendo que não poderia ter humanos e dinossauros no convívio cometeu um erro ou deveremos cientificamente agradecer essa extinção a uma determinada, evolução numa terra em constante mudança, sujeita às catástrofes que foram regulando o planeta? Será que sem essa extinção, existíramos hoje como nos conhecemos? Um erro de Deus? Ou um golpe de sorte cientificamente provado para abrir caminho à criação humana e sua evolução? Há acontecimentos que mesmo explicados cientificamente...não me convencem a ponto de dizer: "Absolutamente verdade!" Mesmo numa lógica racional de aceitação cientifica, explicada por grandes mentes, cientistas e afins, ainda torço o nariz a ponto de pensar: "Hummm...não me convencem...". 

Demasiado simples...para um conceito de vida em si,  que quanto a mim não é tão simplista e insípido. Nasces, cresces, não acredites em mais nada, faz o teu trabalho...e morres. Eu poderia optar por não acreditar em nada. Mas isso no meu caso, tornaria a minha vida totalmente descabida. Uma vida sem grande sentido onde tens apenas um tempo determinado para estudar, aprender, trabalhar, amar (noutros casos matar) e acaba-se com visitas à tua campa e depósitos de flores. And that s it! Vejamos da seguinte forma...eu acredito no tal "Mágico no Céu" enquanto vocês acreditam em suposições cientificas. Ambas não tem 100% de certezas! Pior ainda dirão, para quem acredita em denominados seres invisíveis, que não vemos, ouvimos e ainda assim acreditamos praticamente a 100% na sua existência. 

Mas a pergunta é: Tens tu, eu, ele, nós ou vós afinal total certezas de quê, a não ser mesmo suposições e ideologias internas? " Ahhh eu acho que...eu deduzo que, eu penso que...eu suponho que.." ou ainda " Grandes mentes da história disseram isto ou aquilo..." And so what?? Grandes mentes da história sabem o quê na verdade do inicio da vida ou de Deus, sendo que sabem tanto como tu ou eu? Suposições e nada mais do que suposições, ideias que se debatem, onde a nossa pequenez por muito gigantes que tentemos ser não temos as respostas que gostaríamos de ter. 

Supondo eu que na minha existência onde tenho livre expressão de falar e de pensar, acreditar não faz de mim um lunático. Isso são cognomes de quem como eu, ou até como aquele que aponta o dedo e se possa rir da minha "fantasia" o faz e transforma em tão fantasioso e lunático como eu. Deus está morto realmente ou fomos nós os traidores e percursores da morte do mesmo? Fomos nós que tentamos aldrabar a criação? Ou a criação aldrabou-nos a nós?

É tão fantasioso aquele que acredita como aquele que não acredita. Porque ambos nada sabem, mas...pensam que sabem. Há máquinas, computadores ( construídos pelo homem) que se supõe...e repito supõe cientificamente que existimos há biliões de anos e que supondo com uma percentagem grande, de que foi derivado a um Big Bang ou mão de Deus que assim começou tudo...e quem sabe? Mas há que arrumar explicações lógicas e racionais para a nossa existência. Ainda assim...

Eu não vim aqui discutir quem mata mais ou menos. E muito menos indicar com o dedo acusador, que, quem não acredita morre no Lago do Inferno ( Uma ideia criada pela Igreja no sentido de angariar almas devotas para a igreja, para que estes pudessem ser os eternos financiadores da mesma). 

Uma grande maioria tem por definição dizer: "As pessoas utilizam a fé como o seu último recurso de que alguém as possa socorrer. Normalmente pessoas que se sentem sozinhas, traumatizadas, assoladas por desgraças, pessoas que não tem muito mais a perder, passam então a colocar as suas vidas na mão de Deus e por isso mesmo, a irracionalidade toma conta destas pessoas que passam a racionalizar Deus como o seu provedor, amigo, confidente, psicólogo e único meio de salvação de vidas que já não tem mais sentido." Eu pessoalmente, não poderia....concordar mais! E ainda bem! Ainda bem que somos pequenos, ainda bem que no sentimos sozinhos,  ainda bem que precisamos de conforto espiritual, ainda bem que na ideia de Deus, vive um conceito de esperança, que pode e repito, pode ser realizável para todos aqueles que acreditam.

 Ora se o mundo que se apresenta perante mim é o inferno terreno ( porque o é...) numa desgraça planetária de guerras, conflitos, tristezas, imposições, doenças, morte...prefiro então racionalizar a minha pequenez e irracionalizar fantasiosamente (ou não...) a existência de um mundo diferente para além da morte. Prefiro ser o lunático que acredita e que mesmo nas piores alturas, momentos nunca deixou de aceitar e acreditar, do que o racional que zomba de uma irracionalidade que até para ele é  "indefinida". 

Mas acredito, que o gravíssimo problema que se cria é a definição mal definida, a suposição que é mal suposta, a verdade que se torna mentira, e um dedo que se transforma num braço em relação a Deus e que leva ao extremo de se renegar a sua própria existência. Por isso, como acreditar, tantas vezes naquilo que deduzimos ser inqualificável? Deus é um assassino,  Deus não tem amor, porque deixa Deus morrer as pessoas? A minha pergunta é: You really don t read stupid?

O estúpido é aquele que supõe. Apenas supõe. E quando supõe, fá-lo sem saber realmente de nada de nada. E estúpidos são aqueles que deduzem sem o mínimo de armas ou instrução para o combate de palavras ou debate, digamos antes e se colocam numa posição de pedestal de soberanos de uma verdade invisível. Ninguém na verdade os quer tratar por estúpidos, mas na verdade eu não posso discutir a ciência robótica ou dizer que "Houve um gajo que escreveu..." e a partir do "Diz que disse.." tentar esgrimar diferentes opiniões. Sou estúpido sim, quando falo sobre o que não sei.  

São suposições  em cima de deduções de uns e outros. "Ahhh e tal...o gajo que escreveu a Bíblia..." Já agora, não foi um "Gajo", foram cerca de 40 "gajos" que escreveram durante um período de 1600 anos de diferença. Suponho eu aqui entre nós que todos estes gajos na verdade estavam numa instituição psiquiátrica na altura e decidiram ir reinventar histórias para a bíblia!  

Tem tanta fé aquele que não acredita como aquele que acredita. Em pólos diferentes

As pessoas de Deus, recriaram perante as suas visões temporais, a percepção dos momentos na história para recriarem também vários Deuses à sua própria imagem. Desde os primórdios até à data o que era definido anteriormente como uma lei a manter, foi sendo amolecida de forma a que possamos olhar nós humanos para isso, e acharmos que é sem dúvida o mais conveniente para nós. 

Matar era e é um crime...mas ao longo do tempo transformou-se num...."mandamento de Deus". Trair era e é considerado um sacrilégio...hoje é transformado em transtorno psicológico amoroso entre tantas outras. De sacrilégios ou mandamentos de Deus modificamos tudo e transformamos em "Pequenas falhas no amor", sejam estas falhas " Ele não provê,ele não liga, ele é pobre..." seja lá o que for hoje arrumas desculpas para a nossa preguiça emocional e vontade de viver tudo o mais rápido possível. O nosso Deus católico passou hoje a ser um "Dealer" de tráfico e desculpas para tudo e todos. É o Deus fixe, bacano, tranquilo que de repente de tantas regras, não há mais regras nenhumas! Nós alteramos as regras, nós criamos, adaptamos as regras dele ao nosso tipo de vivência.

"Ahhhh Deus sabe que eu sou um tipo fixe" e é isto que deduzimos que nos tornamos e somos aos olhos de Deus. Tipos fixes, recheados de aventuras, de aceitação de tudo, de lutas por todos os direitos e de regras ou supostas imposições viramos o mundo do avesso e colocamos o mundo num clube de música psicadélica, som no máximo e que se foda...porque Deus está connosco. 

Nós deixamos de acreditar em Deus, para passar a acreditar em pequenos Deuses com as próprias regras...nós mesmos! Apropriamo-nos da base moral de Deus para todos, fizemos, refizemos uma constituição divina num papel impresso de alterações redesenhadas, alteradas para o nosso circo da vida.

Pegamos nas igrejas colocamos falsificadores do povo em nome de Deus. Mais do mesmo em termos de ganância, não de almas, mas de dinheiro em nome da Igreja para a sumptuosidade individual seja de padres, bispos, pastores e afins. 

Pois se Deus existe, se é do conhecimento de todos estes que se dizem "Enviados de Deus", canais de Deus...acredito piamente que estes homens tem uma coragem e cara de pau fora do comum. Não basta só ser ladrão de almas em proveito próprio...há que saber ser filha da puta com classe.  O problema mais uma vez é que a visão de Deus dada por estas pessoas, muitas vezes enganadores do alheio...leva a que muitos desacreditem. Sempre ouvi pastores, padres e afins...e nem por um minuto deixei de ter para mim o que é e qual é o significado de ter fé. 

Eu não vou à igreja (nem sou muito de ir...ou quase nada) porque estou sozinho e não tenho nada para fazer. Ou porque me perdi em qualquer altura, ou porque livros de auto-ajuda não fazem mais nada por mim.Eu vou até Deus porque acredito! Simples! Perguntam: Mas segues o que Deus diz? - Mas estão parvos?? Claro que não! Por ser pequeno na minha pequenez faço porcaria como toda a gente. Tento é equilibrar-me da melhor forma em resposta aquilo que acredito ser o correto. Mas nem sempre consigo, nem sempre o faço. 

Deus não está morto...na verdade nós é que o vamos matando, lembrando sempre...que a morte chega sempre a nós...nunca a Ele!












Comentários

Claudia Dias disse…
Não sabia que eras religoso! ;)

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