quarta-feira, 2 de março de 2016

"LIKE" OR "DON T LIKE" OU BUSCA OBSESSIVA DO RECONHECIMENTO VIRTUAL?



"Este totalitarismos da imagem, tornou a actual geração jovem na mais idiota dos últimos anos. Uma geração sem causas fundamentadas, sem propósitos maiores, sem rumo por vontade própria, mas sim, inconsciente."

Li há dias num blog alguém que escrevia sobre o poder da imagem, obsessão criada em torno da ditadura dos "Likes", o vicio que vários "Likes" vão determinando a construção de um novo tipo de personalidade virtual. Este novo meio virtual mundial tornou as pessoas ainda mais próximas do desejo de reconhecimento. Este reconhecimento no entanto tornou-se num  novo tipo de terrorismo virtual tal é o caos e desordem que vai na viciação da própria pessoa em relação ao exagero que tantos cometem e das futilidades que as acompanham.

Há uma certa "Jhiad" humana nesta busca por "Likes" interminável. Fotos, Blogs, sexo, criticas, frases, férias, namoros, tristezas, alegrias, selfies e afins. Vamos sendo bombardeados com todo o tipo de informação. Umas coisas interessam, outras nem por isso. E ao mesmo tempo tudo interessa, num meio onde a informação corre extremamente rápido. Eu mesmo faço parte destes elos de comunicação e postagens de todas as formas e feitos. Eu mesmo  partilho de que a ideia de conexão de estarmos mais próximos, mais atentos, com mais informação de todas as vertentes e um meio também de nos sentirmos conectados a todos de varias formas.

Ao deslizar o rato pelos posts, às vezes vejo-me em modo supersónico até encontrar algo que realmente possa valer valer apena ler. Confesso, tal como vocês não gosto de tudo, não ligo a tudo, apenas aquilo que porventura tal como a vocês me chama a atenção.

Eu gosto e sempre gostei de debater com a inteligência, de entender, de degustar cirurgicamente. Dirão concerteza: Mas nem todos são assim! Certo!  Certo também, será dizer que momentos há também para as "parvoíces", desde que estas não façam sistematicamente parte de uma idealização de parvoíces e futilidades sistemáticas, que pode servir a uns, mas não a todos.

Confesso que entendo que o facebook tanto faz de psicólogo clínico em tantos casos e até serve de certa forma de consultório para muita gente, que reconheço necessita de apoios de uns e outros. Como faz de suite privada e não privada tantas vezes como se da  casa da luzinha vermelha se tratasse.  Mas ainda assim, não a todos, não para todos. É um planeta virtual com todo o tipo de pessoas e com todo o tipo de informação e mundos interligados e com todo o tipo de personalidade.

Há no entanto um sistema que foi sendo construído ao longo dos anos que deixou as pessoas completamente "pedradas" neste sistema viciante de desejo de reconhecimento, de necessidade como de um "Toque de Midas" para confirmar a existência de muitos neste mundo virtual. 

Já ouvi centenas de vezes coisas como: "Mas porque não comentas??" "Porque não puseste um Like!?? Não gostas-te do que escrevi? Coloquei?"  Mas as pessoas tiram uma senha de auto-estima baixa? Eu percebo a pergunta, até porque, eu mesmo já questionei e não vejo mal em questionar. Mas acabei por notar em certas pessoas o olhar de uma certa tristeza, de necessidade de ser vista, tido como presente no ato do seu próprio reconhecimento.

Porque não se trata e maioritariamente, na verdade e apenas de uma simples postagem. Existe uma familiarização, pessoal e plural que serve os intentos de uns e outros. E há gostos para tudo em diversos casos. Dança, musica, sexo, ferias, frases, lugares, pessoas, estilos, conceitos,mulheres, homens, pintura, roupas,  carros, etc, etc. 

Para a pluralidade é investido inicialmente o conceito da singularidade. O que eu gosto? Porque gosto? De que forma aquilo que gosto poderá atingir as mesmas pessoas com os mesmos gostos? Gosto de uma foto de pessoas mortas? É sádico? Sim! Mas eu gosto! (Não eu no meu caso!) Gosto de sexo? Contos eróticos? Fotos? Filmes? Selfies? Reparem...quanto mais apoio, respostas positivas, likes, comentários eu tenho mais a aposta na ideia de que caminho certo se torna uma obsessão tantas vezes correta interiormente nesse caminho, como outras nefasta no que toca à necessidade de nos mostrarmos mediante os nossos gostos perante e tantas vezes a incongruência que usamos teimosamente na busca de um reconhecimento que não chega. Depende sempre do publico que atingimos, quem atingimos e o que desejamos. 

Maioritariamente as pessoas vão subindo patamares, usando formas de chamar a atenção. Uma dessas formas que tem como alvo o público masculino é a semi-nudez. Não falo em nudez totalitária, mas a provocação existencial das meninas, muitas delas tenho até como amigas, outras amigas das amigas. Que me perdoem, mas fotos em frente a espelhos com calças de licra apertadas, para se mostrarem em forma faz-me recuar aos concursos de Miss Bumbum Brasil para votação de atributos de melhor bunda do Brasil. Há fotos que são tiradas propositadamente para o seguidor, para o comentário, mas principalmente para a manutenção da pessoa em si em rede. Ela vibra com isso, com os comentários e quando mais o elogio, maior é o ego! A critica é a construção do homem, o elogio a destruição do mesmo.

-Bruno!!! A minha foto já vai em 230 Likes!!
-Sério?? Aquela que estás de fio dental deitada na areia com a rabo empinada?
-Sim, essa mesma!
-Serio?? Epá...nesse caso deixa-me tirar os boxers, fazer uma selfie e apanhar-te nesses "Likes"!!

Há uma sensação de liberdade como há muito não via. A liberdade de nos expressarmos de todas as formas e feitios, ferindo ou não ferindo a susceptibilidade de outros, o jogo e meu, a intenção e minha, o sujeito ativo sou eu. Mas porquê esta perseguição tantas vezes desenfreada em busca de reconhecimento? Serei mal amado? Terei medo de que Likes ou comentários vazios incutam ainda mais em mim a ideia de que...ninguém me liga? 

As pessoas vão se adaptando e desadaptando conforme o seu estado de espírito e conectividade a  um fio condutor que as permita sempre estar interligadas em tempo real. Ha uma espera, a um desejo, um conceito tanto de desejo de....como de longa espera numa solidão virtual onde se aguarda por algum tipo de aceitação. Mesmo com algum certo tipo de obsessividade, de necessidade, de busca, procura, intento, cada um tem a sua liberdade exposta da forma que achar que pode com isso ser ou sentir-se feliz na partilha. E cada um decide, entende e constrói virtualmente a sua casa com as "armas" que tem. 

O Facebook veio revolucionar muita coisa sem duvida! Mas uma das coisas que o mesmo se veio a transcender foi através daqueles que fazem uso dele, e a quantidade enorme de futilidade virtual. as vezes os meus amigos acusam-me de: "Tu não comentas te nada!!" Hummm...sério? Adivinha porque...

Dizia-me um amigo que detesta e nem usa o facebook que abriram a caixa de pandora para os fúteis terem tempo de antena como nunca antes tiveram. Acho exagerado o comentário, confesso. Apesar de saber e perceber que infelizmente há e existe muita futilidade. Mas também entendo as muitas limitações que todos temos para todo o tipo de situações. 

Eu próprio me questiono sobre o que escrevo. Já li muita coisa e ainda assim continuo a achar que sou um "Best Seller" da escrita, seja pela forma como exponho ou como diria a Ana Rita " Tocas exatamente de uma forma fantástica em termos de sentimentos nos pontos onde deduzimos mas não conseguimos expor". O meu blog tem vários anos. Ainda assim...na listagem dos blogs mais lidos estou no lugar 37 482. Tenho 1, 2 comentários em cada post há anos! Claro que já dei comigo a pensar: " Ninguém liga nenhuma ao que escrevo!"  O que neste caso não e verdade, porque tenho uma amiga que me segue há anos! E ter uma amiga que se da ao trabalho de ler, já e fantástico! Posts existem que nem um comentário tem. Óbvio que a sensação de fracasso, de idealização de um blog que no meu conceito poderia dar algo mais a todos que o possam ler, refletiu para mim como um estrondoso  vazio, fracasso. 

A ideia do escritor ou blogista de sucesso com o tempo passou. Ou seja, entendi que naturalmente em alguns momentos a suposta "obsessão"por likes foi e torna-se um substituto natural essencialmente por aquilo que gostamos de fazer. E quando saltamos o patamar do reconhecimento para a calmaria da nossa praia, onde simplesmente nos deixamos levar pelo que gostamos de fazer...tudo se torna mais fácil. Quero eu dizer que deixar fluir sem ter de esperar retorno nenhum tornou se a base para mim mais importante a reter. 

Faço e escrevo o que gosto porque me adaptei, reconheci-me naquilo que desejava para mim. Escrever. Ainda assim, e para não escrever heresias ou ser hipócrita, há sempre o desejo de mais. Com o tempo e após tantas postagens, tive uma amiga que me convidou a escrever, dar opinião no blog dela. São estas pequenas vitorias, estes reconhecimentos daquilo que fazes e como o fazes que te vão e me vão ajudando a continuar, não pela obsessão de likes, mas sim pela formação inerente ao desejo de fazer algo mais. E aqui reside ou não a diferença. Há uma necessidade de fazer e uma necessidade de ter. E saber separar liminarmente estas duas questões é fulcral. 

No entanto e noutro panorama e como disse acima,  a busca do reconhecimento também e muitas vezes recai no teor sexual, erotizado. Escolhas óbvio! Alias a forma de busca que atrai mais os homens e a ostentação de um corpo. O reconhecimento da imagem como canal principal de focalizar likes e  através da erotização do corpo. Não é à  toa que meninas e até meninos a tirar fotos em frente ao espelho de forma que consigam captar as melhores atenções para si. Que sejam uns seios, uns biceps bem formados, uma bunda de arregalar os olhos, tudo serve como atrativo de prato especial e principal. 

No que toca a isto, convenhamos, ninguém quer saber de filosofia, de saias ate ao joelho, ou de casacos que cubram o corpo. Homens querem sexo e mulheres buscam através do seu corpo, da sua imagem chegar aos homens através de uma sexualidade mesmo que de forma indireta captar reconhecimento instantâneo. Ha uma necessidade de se saber que, se esta bem sendo gostosa, que se esta bem sendo bonito,que se esta bem sendo magra. Há uma necessidade de aprovação, de comentários favoráveis, que definam e encaminhem o meu conceito natural de que aquilo que faço e preconizo  tem das hostes que me seguem uma nota positiva. Cada um no seu quadrado e cada um com as suas necessidades...cada um com a ideia de dar ao mundo o melhor de si...

Terminaria parafraseando alguém: "O mundo prende-nos às fúteis escolhas, e as pessoas, elas desligam os melhores botões."




Um comentário:

Claudia Dias disse...

Concordo contigo em relação às pessoas se mostrarem demasiado sexualizadas hoje em dia, para obter o Like. No entanto, acho que é um pouco fundamentalista o argumento das pessoas que colocam fotos dos animais de estimação, comida ou namorados e amigos. Qual o problema de partilhar momentos que nos são queridos, felizes, ou de algo que simplesmente gostamos?
Por exemplo, tu pões fotos com a tua filha e eu poderia dizer "para que é que eu quero ver isso?!". Da mesma forma que penso "para que quero eu ver isso" de um foto de uma sandes. No entanto, se a pessoa puser muitas fotos de todas as refeições que come ao longo do dia, essa é a liberdade dela. Se me chatear muito posso (e faço) fazer "unfollow". :P