quinta-feira, 28 de abril de 2016

CRIE UNICÓRNIOS MAS NÃO CRIE EXPETATIVAS?



-As pessoas desiludem-se não é Bruno?
-Normal...expetativas quando frustradas a terminologia recai sempre na frustração...
-Não devíamos criar expetativas de nada...as pessoas desiludem-nos!
-Pelo contário...deves criar expetativas de tudo!
-Isso ainda te leva à morte emocional...
-O que seria a nossa história sem expetativas?

Sempre escutei de inúmeras pessoas: "Apostei as minhas fichas e foi uma desilusão" ou "Namorei tanto tempo para isto?"; ou " Ele (ela) não me entende! Cansei-me!", fosse em trabalho, profissão, relações, amizades feitas ou desfeitas as expetativas criadas levam muitas vezes ao sofrimento em muitos casos extremo.

As expetativas aumentam exatamente na mesma proporção com que se deseja tapar as feridas, as necessidades, os desejos incontidos de que, aqui, ali, algures possas encaixar o puzzle necessário para a consumação da nossa necessidade. Os olhos brilham com o aproximar e com o acalentamentoi de novidades que possam vir dar um rumo diferenciado à nossa vida.

As pessoas são ornamentadas ideológicamente de objetivos, de expetativas inerentes ao foco que tem na sua condição humana sobre algo. Eu quero, eu necessito, eu anseio. O que poderei ganhar, o que poderei ter, virá mais felicidade? Seremos mais protegidos? Seremos salvos? Será desta?

Não há como não criar expetativas. Não há como não sofrer, não nos desiludirmos, não levantarmos os pés do chão voarmos alto e vermo-nos tantas vezes a cair. Porquê? Simples! Porque somos humanos! Pensamos, deduzimos, ansiamos. Ansiamos transformção, aventura, equilibrio, mais amor, mais partilha,mais cumplicidade e acima de tudo, mais humanização.

Culpamos maioritariamente sempre o outro por tudo, quando nada sabemos de ninguém. As paixões servem quentes aquilo que o amor nunca manterá aquecido.

Gostos, likes, são apenas ornamentações que deduzimos através das mesmas que os outros são parte de nós ou do nosso equilibrio. Somos apenas figurinhas de banda desenhada onde tentamos encontrar as parecenças. Criamos a expetativa de deduzir perante gostos similares encaixes que são meramente figurativos.

As histórias uns de outros são sempre diferenciadas. Assim como vivências, estados de alma, cultura emocional e modos de estar perante a vida. Ainda assim perdemo-nos na verdade apenas pelos pontos que são comuns a todos os humanos. Musica, cinema, arte, leitura, literatura entre tantos outros.

Quando conhecemos alguém a expetativa aumenta à medida que palavras se vão soltando, formas de debate que vão caindo no goto, deduções de frases que encarnamos como nossas.
As concordâncias sistemátáticas, os sorrisos em conjunto vão transformado tanto o olhar de um como de outro na metade da face que nos falta. Conhecemos na verdade ilusões. Maioritariamente a expetativa é a ilusão do acaso que se casa com a necessidade do momento.

Quando tudo não corre como o esperado, apontamos o dedo egoísticamente e gritamos: " Foste tu, és tu o maldito que me deixou neste estado! Eu que acreditava em ti! Eu que fiz de ti parte de tudo o que queria para mim!"

Tantas vezes esperamos dos outros aquilo que na verdade nunca somos para nós. Nunca ninguém pára no tempo para se ver realmente como é. Existe um medo silencioso que nos tolda a verdade sobre o que somos e quem somos.

Por isso e dessa mesma forma procuramos incessantemente idealizar no outro tudo o que desejamos para nós. É uma fome desenfreada de alimentar o nosso estado emocional. Daí que a carência também resulte num facilitismo de relações desenfreadas em busca do Santo Grall.

Quantas vezes e incessantemente ouvi: “ Bruno, estou apaixonada! Fiquei arrebatada!” Quantas vezes de amigas não ouvi esta frase. Perdendo eu a conta às faces que de anjos caídos nos braços apaixonados hoje não passam de sepulturas onde apenas jaz o nome do que foi e já não é.

Espelhamos no outro a cura que que desejamos para nós. E nunca damos ao outro a cura que ele deseja para ele. Expetativas geradas culminam muitas vezes numa pressa emocional de abarcar todos os pontos que desejamos num piscar de olhos.

Diferentemente da paciência a expetativa se não for equilibrada é geradora de tremendos conflitos emocionais que culminam maioritamente num poço escuro, onde reside a frustração a braços com a tristeza. Passamos tantas vezes por esse poço não?

Nós aproximamo-nos por paixões. Cargas emocionais, gavetas vazias que se encontram nas aberturas de uns e outros com formas de encaixes corretos para necessidades dúbias e tantas vezes crivadas de futuras frustações.

-Gosto de cinema, arte, cultura, teatro e musica!
-Sério!?!? Eu também!! Meu Deus, nós somos iguais!!Gostamos das mesmas coisas!! Namoras comigo?!?


Não há como não entender que expetativas depositadas, expetativas tidas, são e fazem parte do conceito da humanização entre todos. Há o lado que deseja, o lado que espera e o lado que nos pode oferecer todas as prendas emocionais que ansiamos. É uma luta entre o comprados e o vendedor.

DIGA SIM ÀS EXPETATIVAS

Neste embate de forças oiço inúmeras vezes dizer: Não tenha expetativas! Não espere nada! Assim não irás sofrer!

Quanto a mim, que vida mais sem graça, não tentar traçar um caminho da vida enchendo-nos de vida!De vida corrida, vida de sonhos, vida de aprendizagem.

Vida de sofrimento, de lágrimas, de esperas, de anseios. Vida de bloqueios, de abraços e rompimentos. De namoros tidos e desfeitos. Vidas de fé, de acreditação, de poder, de sonhos e objetivos. Vida de guerras e paz de lutas e batalhas. De choros incontidos, de solidões, de abraços de multidões.

Lamento, sou ateu no que toca a unicórnios. Tenho toda a fé do mundo depositada nos meus batimentos, tenho toda a fé do mundo depositada nos meus gritos internos, nas lágrimas, nos sorrrisos, nas trocas, nas partilhas, nas vivências, nas minhas viagens, nos perdidos, nos esquecidos, nos encontros e desencontros. Lamento mas tenho todas as expetativas do mundo na arte de viver, na arte de aprender. Porque é assim que se cria também a expetativa de poder ser melhor, de poder dar o melhor.

É preciso ter expetativas sim! É preciso, é necessário criar expetativas! O conceito de vida, de troca, de partilha, de dedução de necessidades, a busca, o sentido inerente à nossa condição humana não se coaduna com falta de intensidade com falta de brilho. Que vida pode ser vida se não for pintada de todas as cores? O que nos consome é a vida! Sim! Cheia dee frustrações, de debates, de perseguição de objetivos! De dedução de porquês, de caras diferenciadas, de amores diferenciados. É preciso expetativa sim...sempre!

É preciso lutar, tentar, acreditar, melhorar, percepcionar melhor o que temos à volta para combater expetativas demasiado altas, que muitas vezes se devem ao nosso total desconhecimento. É preciso não desistir, para entender como podemos fazer. Para entender o que devemos fazer e como o fazer! É preciso ter expetativas para limpar a alma. É preciso ter luz para combater a escuridão onde tantas vezes estamos. É preciso sonho, para cumprir. É preciso foco, para chegar!

É exatamente no mundo da intensidade, do fogo, das paixões com profissões, amizades, amores, na intensidade temporal onde a ânsia vive, onde o desejo se abre, grita, onde a alma se expande, onde a consciência se renova por novas ideias, conceitos e necessidades que vive a grandeza de ser humano...

Só podemos perder tempo com os outros...quando aprendermos a perder tempo connosco. Que não se mate a arte de viver antes de se aprender a viver.


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