quarta-feira, 13 de abril de 2016

PAIXÃO É UMA INFINIDADE DE ILUSÕES


" Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas." - Voltaire

Certas para não dizer praticamente todas as paixões são passageiras. Tanto os fatores internos como externos acabam por ditar aqui e ali os finais já de si contemplados nos olhares, nas frases, nas mudanças comportamentais, nas distâncias que aos poucos percebemos que mais não são vividas. Tudo se apressa a passar demasiado rápido quando percebes que o tempo não pára para poderes travar tantas vezes eternamente aqueles momentos.

Quando te dás conta já nada mais é como foi. De repente as paixões mudam de rumo, de caminhos, de olhares, de mãos. As cores alteram-se, os beijos mudam, o toque modifica-se. O mundo auto-regula-se pela alteração que damos ao mesmo.

Mudam-se os batimentos, alteram-se as cadências naturais na forma de querer e sentir. É velha máxima de uma despedida pré-anunciada e de uma forma carinhosa de um: "Já foste..."

Embarcamos felizes, vestidos com a nossa melhor roupa nestas paixões da vida. E tantas vezes desembarcamos, despidos, solitários, de mãos vazias mas ainda assim, de sorriso aberto.

Descobre-se novos conceitos a dar, entende-se a vida no ar, o sentido, que se descobre de um para o outro e dos outros para nós. Paixões também são eternas. Não se deixa ao acaso e nem linhas em branco no livro individual da nossa vida.

Entendemos que é chegado o fim, ainda que para tantos esse fim se traduza como uma perda tantas vezes insubstituível, como se de um amor se tratasse.

Embarcamos de novo rumo aos vários caminhos. Passamos por cidades chamadas de dias, de semanas, de meses e anos. Olhamos para trás, onde não mais chegamos com as mãos, onde não mais vislumbramos pessoas que foram e não mais são. 

Tentamos encontrar um afago , um carinho, uma lembrança, um toque...gritas com o desejo de voltar a sentir. Mas como resposta apenas te resta a tua própria sombra que se padece contigo através da contemplação do vazio.

No baú das tuas memórias, pesquisas a tua história, as tuas paixões e quando te deparas com as mesmas, percebes então...que nos barcos onde navegas-te, onde tantas vezes naufragas-te, o mais importante: O que em ti vive...em ti jamais morrerá.

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