sexta-feira, 29 de julho de 2016

NO LOVE - JUST EAT ME - AMANHÃ É OUTRO DIA



-Bruno, já não acredito que nas pessoas que se apaixonam! Cansei-me disso! Agora quero é viver a minha vida, divertir-me e apanhar quem eu quiser. Não estou mais para entregas onde o que acontece é que te fodes sempre! 
-Ok...queres dar uma de túnel do metro e parar em todas as estações que quiseres não é? Vais entrar sempre em looping assim. E vais chegar a um ponto que de tão insaciável te tornas insatisfeita.
-Mas somos insatisfeitas por natureza! Juro-te, não há um homem que eu apanhe que eu diga: " É este!"
-Espera...mas tu já tiveste pessoas que no inicio dizias: " É este"! Supostamente com o tempo o "Este" tornou-se o "Foi aquele"...o que se passa então? Que só consegues ficar satisfeita digamos assim...com as preliminares do conhecimento? O resto não te soa bem? Quem é que está mal? Tu ou os outros?
-É o conjunto Bruno! Encontro sempre alguém que no inicio realmente parece aquele príncipe encantado, mas que depois venho a descobrir que não passa de mais um  sapo!
-Não serão as tuas exigências altas demais? Tu és fruto daquilo que sonhas para ti. E mediante isso é natural que se sonhas muito alto no que concerne ao tipo de homem que queres para ti...é natural que com o tempo vá aparecendo pessoas que não correspondam a esses requisitos...e daí a desilusão.
-Eu não sou exigente. Eu só quero alguém como tantas outras que cuide de mim, que me ame, que me respeite...
-Isso é uma treta! Isso é conversa de merda para mim! Detesto quando vocês dizem isso. Essa ladainha que: "Ahhh é o amor...o cuidado...o carinho..." Não tiveste isso tudo já? E tendo isso tudo ainda assim o vosso grau de exigência é que ultrapasse os vossos pedidos. De repente o amor já não basta ser amor, tem que ter fogo arrasador. De repente o cuidado torna-se demasiado chato e pegajoso, o carinho começa a criar auras de demasiado assexuado. É  intensidade do grau de insatisfação que te leva sempre a esta submissão de desejo por mais. Porque não tornar as coisas simples e simplesmente "curtir" o homem que venhas a ter com todas as condicionalidades inerentes a ele? De que te serve as tuas escolhas em A, B ou C, se nem tu te dignas a lutar pelo melhoramento de ti mesma e aguardas que o outro se subjugue ao que desejas? Como podes dizer que queres um "Amor"? Entras num looping de apenas um "Just eat me"! 
-Que exagero! Também não é assim! Claro que tenho a minha visão sobre o tipo de pessoas que gosto e desejo. 
-E não tem aparecido?
-Sim...tem, claro....mas...
-Mas...tu entras numa liquidificação de amor, justamente pela inércia que maioritariamente vocês tem no que toca ao verdadeiro sentido de amor. Amor é valorização, acompanhamento, remar nas tempestades...
-Lá vens tu com o teu amor ideológico....isso hoje já não existe. Bruno, os tempos são outros, a cultura do amor diversificou, temos mais poder de escolha, mais facilidade de descartabilidade para o que não nos convém. Isso é um direito nosso não é??? Eu posso e tenho o direito de escolher A, B ou C, para aquilo que mais me convier. Seja por ser mais rico, por me dar mais segurança, por ser mais bonito, seja lá o que for...é um direito que me assiste. Não tenho a tua visão desse amor, onde temos de lutar, o esforço quase efetivo, de poder de encaixe, desse altruísmo do amor. Da valorização, honra...bla...bla...bla. Isso é conversa chata! 
-O verbo cumprir sai caro não é...no amor é preciso penar para aprender...já o músico brasileiro Cartola dizia. E eis o que a maioria hoje não se identifica mais. Mais fácil o "Eat me" do que o "Stay with me"...e amanhã é outro dia...

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