AS GAVETAS DA INSATISFAÇÃO


"E como a felicidade pode se transformar na insatisfação, assim o desespero pode sumir no despertar de uma nova primavera.

Com cada dia, pode nascer um outro entendimento de nosso estado, nossos laços e objetivos." - Sun Tzu


Nós somos reconhecidamente insatisfeitos. Desde sempre, ontem, hoje e sempre. Não podemos fugir e nem devemos fugir à ideia de que um ser insatisfeito pode e também deve ser um ser em constante evolução. Deveria ser assim, mas nem sempre é assim. 

A insatisfação carrega também consigo ou particularidades de esperança no melhoramento ou particularidades de egoísmo no que concerne ao que o outro pode ter e nós não temos. Podemos ser sempre insatisfeitos e devemos estar insatisfeitos face aos vários acontecimentos da nossa vida.

Seja num trabalho, numa relação, nas amizades ou tendencialmente o que consideramos a nossa própria vida, o nosso eu, o nosso estado que permanentemente procura formas de poder estar melhor do que aquele que por norma se apresenta e nem sempre se contenta.

Os graus de insatisfação dividem-se por várias caixas. Umas mais cheias outras menos cheias e outras ainda totalmente vazias. Em algumas caixas carregamos uma insatisfação tão pesada que não conseguimos passar para a outra caixa de forma leve, tal o tamanho de forças que não possuímos dentro de nós para que a vida se possa tornar mais equilibrada e fácil de suportar.

Outras existem que conseguem, preencher as suas lacunas facilmente aqui e ali, deixando essas mesmas caixas de insatisfação perfeitamente equilibradas e então sim...fáceis de suportar.

Porque temos tantas caixas de insatisfação? Porque uns conseguem colmatar as suas insatisfações facilmente e outros demoram décadas tantas vezes? Há uma diferença tantas vezes abismal entre aquele que suporta toda a insatisfação vivendo e o outro que suporta esse mesmo grau de insatisfação clamando que a morte chegue o quanto antes. A diferença está entre o suporte da dor e o suporte da esperança. 

O problema muitas vezes com os graus de insatisfação é a vã comparação com uns e outros. O desejo de atingir o que o outro tem, de ter o que o outro tem. Essa insatisfação pode ter para nós tanto de um lado como de outro vários prismas. Cada um suporta as caixas que carregamos dentro de nós com o selo da espera de melhores dias e a capacidade de lutar contra a insatisfação, melhorando o que está à nossa volta e outros há que não conseguem preencher essa insatisfação por si mesmos e subjugam a energia dos outros para preenchimento dessas caixas.

Thomas Edison disse que a insatisfação é a principal motivadora do progresso. E tem de ser mesmo! Não basta ser apenas o progresso físico e quando me refiro a algo físico é no sentido material. Não basta ter dinheiros, carros, mulheres, sermos e termos o mundo aos nossos pés. É uma vitória terrena, cheio de benesses e apologia para uns de como a vida deve ser vivida e tida recheada de todos os merecimentos.

Mas na maioria das caixas se eu as encher com a caixa dos carros, terrenos, dinheiro, vontades e desejos de colmatar todos estes desejos materiais como forma de produtividade terrena e alcançar com isso a projeção de mim mesmo carregado com o selo da vitória da vida...não passará de um marco de nulidade e reconhecimento vão...

O caos em que as gavetas se encontram tantas elas desmotivadas, tantas elas assoberbadas de questões, dúvidas emocionais, feridas não fechadas, maus preenchimentos de espaços, requerem que o uso, que a bebida que tenhas para ti, que o enchimento do teu copo passe essencialmente pela sede de melhoramento de ti mesmo. Melhora-te a ti...melhoras tudo à tua volta...o que ganhas para ti...ganharão todos os outros contigo. 

Dignifica-te a ti como arma principal de vitória e darás sentido a todas as insatisfações conseguindo fechar as gavetas de tão equilibrado que vais estando com o mundo...

Colhe todas as tuas lágrimas, sorrisos, memórias que tenhas, quadros que idealizas-te para ti, colhe todos os amigos, os que fizeram bem, os que fizeram mal. Todas as relações que te fizeram andar para trás e outras até para a frente. Percebe todos os caminhos, alguns sinuosos, outros menos. Entende as gavetas, percebe o que carregas dentro delas...

No final...faz todas as contas que tiveres que fazer, enterra todos os teus machados de guerra se necessário...
Deixa apenas uma única gaveta aberta e que a essa possas sempre chamar a gaveta da esperança.





Comentários

Claudia Dias disse…
Há sempre uma inquietação dentro de nós... não é dinheiro, não são pessoas, não são circunstâncias da vida que preenchem... Há sempre uma certa inquietação e eu acredito que viemos ao mundo para descobri-la! Eu ainda não descobri a minha. Tu já? ;)

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