segunda-feira, 8 de agosto de 2016

SEM NAMORADA? SEM PROBLEMA...


Acho que aos 40 anos bati o record de estar sem namorada. Precisamente 2 anos, 4 meses e 3 dias. Tenho pensado seriamente neste ponto. Porquê? Afinal, se algo não me poderei queixar é de ter tido pessoas do meu lado ao longo dos últimos anos. Serei eu que estarei errado nas minhas escolhas? Ou serão os caminhos escolhidos por demais evidentes como falhos na consagração de aquele amor "Forever and Ever"?

Já tive as minhas doses de percepção do quanto é tão fácil ter alguém como tantas vezes é insuportável. Vamos fazendo aqui e ali concessões , mas a dificuldade está realmente no encaixe que se deseja ter e é tão difícil ao mesmo tempo. As ideias, percepções, formas, ciumes, como cada um se movimenta, se abre ou fecha emocionalmente requer na realidade um jogo de cintura que não é fácil.

A bem dizer esta reestruturação, este encontro de duas pessoas que nunca foram ensinadas como conviver a dois com diferentes estruturas ou pontos de vista elevam a fasquia ao mais alto nível de forma a que a compensação que haja de um e outro seja realizada e tida como um foco de equilíbrio e manutenção das relações. Como é tão difícil às vezes conseguir realizar e traduzir estes objetivos  nos equilíbrios amorosos. 

Este tempo sozinho não me deixou amargurado. Não se trata de sexo, beijos na boca, abraços ou saídas. Não se trata de ciúmes, de discussões, de alterações de humor ou de decisões. Não se trata de carinho, tristeza ou alegria. Este tempo sozinho é a necessidade que existe para tapar as feridas, crescer mais forte, criar armaduras especificas do foro emocional que te possam criar melhores defesas, mais estrutura, maior capacidade de te encontrares e entenderes mais ainda. 

Sempre tive como necessidade e deveriam ter todos um olhar que se quer critico também sobre nós. Sobre os sonhos, objetivos, amores, realidades fictícias ou fantasiosas, percepção do tipo de pessoa que desejas sem te perderes liminarmente e novamente andares em loopings. 

É certo e sabido que fácil é falar, difícil é sentir. Perdemo-nos tantas vezes por paixões que deduzimos serem amores e logo ali....bem ali na praia morrem tão rapidamente como surgiram.

Somos tantas vezes tão prisioneiros de amores como da própria solidão. Inquietamo-nos por não ter, assim como por ter. Procuramos, ansiamos, desejamos, desesperamos com o que aparece e não aparece. O que faz sentido ter e o que não faz nenhum sentido ter para a nossa vida. 

Dizia uma amiga que ficando em casa não conseguia encontrar amor nenhum. Era preciso sair, estabelecer contato visual, falar, procurar, pesquisar, traduzir as necessidades que posso ter ( como tantos outros) em "Social Marketing of Love". Socializar. Sair para beber um copo, dançar, meter conversa, aceitar os convites ( recuso quase sempre a maioria) para sair. Não sou anti-social...não é isso. Fácil é entrar num chat, ir a um bar, instalar aplicativos e "Let s find a new love".

Mas na verdade esta necessidade que em tempos já foi intensa, esta busca, esta vontade de partilhar o meu eu com outra alguém fez uma pausa depois de tantas viagens partilhas, conhecimentos, namoradas, ficantes e afins. 

A solidão nunca me afetou de forma a que eu pensasse que não mais teria a oportunidade. A solidão, a manutenção do meu eu como valor máximo e mais importante no caminho a escolher sempre foi o principal objetivo de parar por momentos e ver os pontos necessários que precisam de equilíbrio.

Traço sempre cenários de ciumes, omissões, mentiras, criticas, possessividades, apegos entre tantos outros, como forma de me visualizar em tantos outros momentos que senti na pele e fiz sentir estas mesmas emoções. Não é uma ciência exata e nunca será, porque somos todos falhos. A vida é uma caixinha de surpresas com todas as suas inevitabilidades. 

Mas conta essencialmente a intenção que existe de  um STOP em ti mesmo como forma de repensares no que és, no que podes dar e necessitas também na tua vida. 

São inúmeros os momentos em que nesta jornada em que a escolha tem sido namorares contigo mesmo, no meu caso, um casamento perfeito.  Cortares laços emocionais de apego, de raivas, de ódios, de ciúmes sem sentido e de poderes lançares o teu eu num oceano de equilíbrios leva muito tempo, Porque realmente apesar de fazer sentido para muita gente os ciumes, as raivas, as pieguices, as criticas, o apontar do dedo, o guardar rancor e afins...para mim nunca fez sentido nenhum, principalmente num namoro a dois. 

Esta liquidez de amores tão voláteis, estas pressas de amar perdidamente como se fosse a última vez, a sede de conquista, o desdém às vezes pelas emoções que hoje em dia são tão distantes e dispares tem transformado o amor num produto falho e facilmente comercializado   por um indiano qualquer como se de uma venda de flor barata se tratasse. 

E a principal razão indubitável de permanecer mesmo sem um amor, é saberes sentir o amor com a inexistência efetiva do mesmo. 

Daqui a pouco vou a caminho dos 3 anos sem namorar ( acreditem não foi por falta de não aparecer), porque sempre foi aparecendo...o problema é que a moeda nunca coube na ranhura por muito esforço que se pudesse fazer.

E eis a principal consequência do tempo que passa e vês-te deitado sozinho, entras em casa e só ouves os teus passos, olhas para o teu telemóvel e não tens uma mensagem da tua cara metade. E no outro dia acordas exatamente da mesma forma, como foi produzido o teu dia anteriormente. E esta consequência reside na arte da tua própria mudança e necessidade de entenderes que o caminho é o correto da tua mudança quando te deparas com amores líquidos e apressados. A falta de solidez engrandecem ainda mais a tua necessidade e acutilância e percebes que para teres o que queres necessitas de voltar a ser menino. 

E para que esta volta se dê existe uma necessidade óbvia que enquanto não aparece é mais do que necessária, é mais do que precisa. A necessidade de te apaixonares. 

E para te perderes num mundo onde a tua ciência de melhoramento possa entrar em ação é necessário que tenhas aprendido a morrer de amor...

Não te disseram? Só encontras no outro o que queres, quando deitares fora o que não desejas em ti. 

Até lá este "Marketing Social Media of Love" não passará de um sensacionalismo puro onde os loopings de amor de tão batidos que estão, de tão usados, feridos que estão, serão novamente para ti um puzzle de cacos, de feridas não fechadas e inquietude intensa. 

Não procuro acordar pela manhã na cama, virar-me e questionar: " Quem é esta?", antes porém, nada melhor do que acordar e dizer; " Sempre foi esta".

BM





Um comentário:

Às Bolinhas Amarelas disse...

Caramba... Como gostei de ler e como me revi tanto nas tuas palavras! Penso que, acima de tudo, é preciso parar para pensar, é preciso perdoarmos a nós mesmos pelas coisas que correram mal, conhecermo-nos melhor, passarmos mais tempo connosco e entender o que precisamos ser e o que não precisamos ter.
E pra isso é preciso estarmos sozinhos, entendermos a própria solidão como uma escolha consciente e necessária para evoluirmos, crescermos e amadurecer aquilo que para nós significa amar o outro.
Já lá vão 2 anos sem nenhuma relação, coisa que nunca permiti por medo, sempre me assustou que se repetisse a solidão de menina e moça... A verdade é que já descobri muito mais sobre mim do que alguma vez julguei ser possível, consigo olhar para os meus defeitos como algo que faz parte de mim, sem qualquer vergonha, consigo amar-me mais do que a qualquer outra pessoa, não por egoismo mas por amor próprio. São conquistas que valem a pena mesmo estando sozinha.

Beijinho
www.blogasbolinhasamarelas.blogspot.pt