sábado, 17 de setembro de 2016

AI DE MIM QUE ME FUI...AI DE MIM QUE NADA SOBROU...




Não havia mais a quem dizer que não estaria mais presente. Não houve tempo. Não ouve o toque incessante das trompetes para a finitude que em mim caiu. Esperava que fosse em algum momento. Mas não hoje, não agora. De repente estava...e eis que mais não estou. Consigo vislumbrar ao fundo ainda uma parte de mim. Deambulando entre as alegrias, tristezas, caras conhecidas e desconhecidas. 


Sou um nada. Virei um nada...todos continuam rindo, plenos de alegria, convictos dos seus caminhos. Ai de mim, porque me fui? Porque vejo todos brindando à infinitude da vida? Porque se riem, porque se desdobram em palavras e projetos? Em amores e desamores? Em novos caminhos traçados? Em objetivos delineados? Porque brindam sem mim? O que fiz eu? No que me tornei? 



Suplico-te! Deixa-me voltar! Deixa-me voltar a ser eu! Deixa-me voltar a amar, sentir, ouvir, brindar a uma finitude que nunca chega! Deixa-me viver! Deixa-me beber da alegria, da angustia, de celebrar nascimentos, de chorar eternos amores! Deixa-me sentir o sofrimento, adornar a angústia, dar sentido à alegria! 


Suplico-te que me deixes fazer o que não fiz! Dizer o que não disse, abraçar quem não pude! Suplico-te que me deixes voltar! Ai de mim, que agora nada sou! Que lembrança deixo, quem de mim se lembrará? 

Sou apenas uma imagem, vagueio por entre frases, palavras sem sentido. Pernoito em becos e ruelas questionando o inquestionável. Não desejo isto! Que me deixes voltar! Suplico-te! Deixa que viva o meu sorriso, que se escute o meu bater, que se erga a minha voz! Por favor...não deixes que me vá! Não hoje, não agora! Não deixes que seja para sempre, que a minha voz se perca, que o meu olhar se distancie! Que abrace os meus filhos, que enxague as lágrimas dos meus amigos! Suplico-te...deixa-me voltar a viver! Não me leves agora! Ai de mim que me afogo nesta tristeza! Ouve o que te peço, suplico-te! 



Prometo que tudo mudarei! Prometo que tudo farei! Prometo que nada faltará, que mais ninguém irá chorar ou perder-se de mim! Prometo vida, prometo amor, prometo comprometimento, prometo sucesso, prometo dobrar todas as intempéries, cumprir todos os objetivos, subir todas as montanhas, desbravar todos os caminhos! Prometo mudar! Ai de mim...que não me ouves!


Que não me faças chorar em vão! Suplico-te...deixa-me voltar! Como ousas deixar um filho que chora? Uma mãe que se desmorona em pérfida tristeza? Como ousas levar-me assim! Ai de mim que já não estou!  Porque não me escutas enquanto passeio por todas estas almas que se deleitam com a vida!? 


-Porque não viro a razão do teu viver? Do teu desejo de querer?

-Porque o teu tempo já foi...

-Ai de mim...que me fui...ai de mim...que mais não sou...





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