terça-feira, 27 de setembro de 2016

ONDE ESTÁ O MEU PAI? - BASEADO EM FATOS (IR)REAIS



Imagino a quantidade de crianças, adolescentes que consequentemente se tornam adultos que por variadíssimas razões, foram dotados ou ao abandono ou ao esquecimento. Seja uma ou outra razão, seja abandono ou esquecimento, estão intimamente ligados.

Eu sou entre muitos milhares e milhares por esse mundo fora, um daqueles casos típicos de "filhos bastardos", nome pomposo este de filho bastardo! Não existem aqui culpas a apontar, porque erros existem para ser cometidos. Por muito que se tente o aperfeiçoamento intensivo de nós mesmos é invariável cometer-se todo o tipo de erros...e depois saem...bebés!

Eu confesso...que ás vezes em vez de andar aqui a escrever textos diversificados, apetecia-me escrever a minha história de vida. E acredito que seria um best seller mundial! Bom...talvez menos...pelo menos um best seller lá na aldeia do Montejunto...ainda assim um best seller! Já agora a frase mais atrás da aldeia do montejunto não é para levar a peito. Nunca estive lá...nem sou de lá! Whatever...

Sou fruto de uma traição no casamento. A minha querida mãe tinha o seu namorado e o meu querido pai, homem casado, já com dois filhos, resolveram juntar as emoções, vontade,  fogo, tesão e perderam-se um pelo outro. Acontece! Não vou estar aqui a discutir atitudes de bom ou mau carácter, seja de um ou de outro. Não há um único justo no mundo e da mesma forma que parafraseando JC : " Atire a primeira pedra quem nunca errou".

A traição sempre esteve nos anais da história. E assim continua nos dias de hoje. Loopings de relações, encontros de uma só noite, etc, etc. Sempre foi assim...sempre será assim.

No meio de tudo a minha principal dúvida: Teria tido uma vida melhor se tivesse um pai por perto? Talvez sim...talvez não! Depende do pai! Vamos a fatos...

Eu confesso, nasci num berço de ouro. Família importante, com estrutura social, financeira muito acima da média, mas família desprovida de verdadeiro sentido de responsabilidade, carater e solidariedade. Acontece! O mais importante nesta panóplia de situações como uma traição num casamento, era por todos os meios manter o bom nome da família limpa.

E por isso mesmo dotar ao esquecimento se necessário e por todos os meios aqueles que perpetuaram e consumaram a "desgraça" de colocar em xeque o bom nome familiar. Ora...quem pagou com isso foi apenas mãe e filho que votados ao esquecimento, foram abandonados à sua sorte e engenho. Desgraçadamente punidos por momentos de prazer intenso.

De nascido em berço de ouro, com todas as possibilidade à vista de poder singrar no mundo fruto de todas as regalias e armas que poderia eventualmente ter, para proscrito a uma morte certa sem regalias nenhumas e apenas contando com a dedicação e força de uma mãe.

E a pergunta que se coloca é: Where is my daddy? Bom...senhor de um papel na sociedade, vida ativa dedica à politica, durante 23 anos esteve distante e imparcial. E 23 anos, porque na verdade na tentativa de se esconder a humilhação, a desgraça do bom nome que podia ir para a sarjeta, optou-se por facilitar a ideia de que apenas existia mãe. Nos meus documentos pessoais apenas está descrito o nome da mãe. Pai...does not exist!

Mas este " Where is my daddy" levou a que em determinado momento eu começasse a fazer perguntas e com isso elevar a um sentido de responsabilidade a minha veia de Sherlock Holmes de forma a desbravar caminho para entender e conhecer. E conheci!

Entre mundos e fundos, explicações várias, promessas de um mundo cor de rosa assim se ficou...até hoje! Quero eu dizer que este " Onde está o meu pai" foi conseguido durante 1 hora de conversa e estabelecimento de laços afetivos, perdões e promessas de que tudo seria diferente. Uma hora durou apenas um encontro que não se tinha há 23 anos, depois disso...never more. So...where is my daddy? I do don t know....

Estou em crer que no dia que partilhe os meus 40 anos de vida numa biografia será um best seller...pronto a ser comercializado para as telas de cinema!

Posto isto devo dizer que muitas foram as vezes que me questionei: " Se tivesse tido um pai presente, afetivo, responsável, dedicado, carinhoso, sensível para problemas vários ,educador" teria tido eu um futuro diferente? Talvez! Mas quem sabe?

Na verdade se o tivesse tido...não seria quem sou. Mas hoje gosto de olhar para trás, virar-me de frente para a minha filha e quando questionado com: " Where are you daddy??"

Simplesmente responder: " I  m here...always here".

Um comentário:

Claudia Dias disse...

wow! não sabia desta tua história. inspiradora!!!
Com que então o teu pai é um político famoso, muito contas! :P