quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A FLECHA E O BOOMERANG - A IMPÁVIDA SERENIDADE DOS ERROS



Juscelino Kubitschek dizia: " Costumo voltar atrás sim. Não tenho compromisso com o erro.

Quantas vezes não se ouve: " Se soubesse o que sei hoje!" ou " Se eu pudesse voltar atrás faria tudo diferente" ou ainda " Que pena ter cometido tantos erros...soubesse eu o que sei hoje, tudo seria diferente!!"

Há sempre uma sensação seja em que momento for, em que etapa estivermos, seja ela, emprego, relações, amizades e afins, onde em vários momentos, nos debruçamos sobre a forma e modo como nos comportamos. Como tu te comportas comigo, como eu me comporto contigo é a busca pelo erro. 

Sempre vi a vida como um conjunto de peças de xadrez, onde tão depressa ganhas, como de repente perdes. O que muda na realidade é a forma como estendes ao longo do tabuleiro as tuas peças, sempre de forma a vir a minimizar possíveis erros. Mas será que erros são passiveis de serem minimizados?

Entende o tabuleiro como o mundo. As peças como relações, sejam elas profissionais, amorosas, amizades ou outras. E os movimentos que dás às mesmas peças a tua aprendizagem, a tua sabedoria, o teu crescimento, a tua maturidade. O resultado final será sempre ou a tua vitória ou a tua derrota. O erro está sempre presente. Ele não é, não foi, não está ou não será. Ele vive, ele existe, ele persegue-te, ele imortaliza-se exatamente pelo que é e por tudo aquilo que te define.

Há duas formas de errar. Os erros meramente sob a condição que nos assiste como humanos. E os erros meramente sob a condição que nos assiste como estúpidos. E acreditem existem ainda mais estúpidos do que humanos. A principal razão desta existência é que a sobrevalorização do ego imposta pelos humanos, eleva-os a estúpidos que estupidamente estão estupificados em erros atrás de erros. Loopings de erros onde plateias vazias os aplaudem sob a sua passagem em tapetes de sangue e lágrimas.

Há clarificações que tem de ser feitas. Existe uma noção de erro para o humano e outra para o estúpido. O estúpido é parecido com um boomerang, comete o erro, pede desculpa, torna a cometer, torna a pedir desculpa, pensando que para ele a desculpa contorna o erro sem atingir a sua capacidade santificada de errar.

O humano inteligente é como uma flecha. Comete o erro, entende o erro, traça um plano de defesa em relação a esse mesmo erro, valoriza o erro que comete, porque é necessário sofrer com o erro e dá o próximo passo. E o próximo passo funciona como a constatação do crescimento, da maturidade, de subir mais um degrau, de jogar melhor no tabuleiro do mundo.

Juscelino Kubitschek não tinha razão quando dizia que não tinha compromisso com o erro e que por isso mesmo podia voltar atrás na tentativa de melhorar, desculpabilizar, perdoar, seja o que for. Compreendo-o, mas não estar comprometido com o erro é como não estar comprometido com a vida. Tu não podes manter o teu relógio com 30 minutos de atraso. Tens de o acertar, não vás tu chegar tarde a uma entrevista, a um encontro. Tu calças uma meia diferente da outra, tens de a mudar, não vás tu ser acusado de ser alguma espécie de palhaço de circo. Os acertos existem para se modificar os erros.

Tu tens de ser a flecha que acerta em cheio no erro. Não podes estupidificar-te constantemente no erro. És a peça chave da mudança, da alteração. Não faz sentido olhar para trás quando o presente vira uma página nova de oportunidade. Se a oportunidade se reflete naquilo que sempre foste o que és, se a oportunidade se reflete na validação constante do erro, da memória, do quadro gasto de tantas cores...a tua obra de arte será sempre roubada por todos os outros e estarás sempre em constante luta contigo. Serás sempre alvo de novas cópias.

Perguntaram a um serial killer:

-Porque matou tanta gente?
-Porque adorava matar! Não me consegui conter! Tinha sede de morte!
-Faz hoje 35 anos que está preso, sente-se pronto para sair e ter uma vida nova?
-Não! A sede de morte mantém-se!
-Mas passou tanto tempo e ainda assim, tem vontade de matar?
-A morte é a beleza do amor que carrego em mim.

Isto, para te dizer que enquanto não transformares o boomerang em flecha um erro será sempre uma imensidão de erros, no tabuleiro que estendes para o mundo.

E o mundo é sedento da bênção de acertos...e não da bênção de erros....

Be Proud...Be Strong...Be Human...










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