sexta-feira, 7 de outubro de 2016

BELEZA NÃO SE PÕE NA MESA...



Trabalhamos numa fábrica em que chamamos de sociedade e onde na mesma a beleza querendo ou não é um salvo conduto para portas que se possam abrir.  Se eu fosse realmente de uma beleza masculina estonteante estaria onde estou? Óbvio que não! 

Mas ainda assim não querendo descurar a beleza que é importante aos olhos de quem a dita como tal, convém dizer que beleza tanto pode ser acompanhada de talento como o contrário acontece também!

Nunca me considerei bonito ou como diria uma amiga minha: " Bruno nem estás num poço escuro, nem atingiste a luz ao fundo do túnel...estás numa espécie de limbo". ( So sweet!!)

Mas confesso que a beleza e esse impacto que cria nas outras pessoas está no ADN de todos. Ninguém consegue ficar indiferente sejam homens ou mulheres. Terias mais likes no facebook mais mensagens, mais pedidos de amizade se fosse dono de uma beleza estonteante? Talvez! Bom, não quero parecer demasiado humilde na apreciação  que estou a fazer e troco o "talvez" por uma certeza absoluta!

A beleza não reforma o teu intelecto e muito menos te coloca à margem se não tiveres talento. Quando a beleza existe por muito burrinho ou burrinha que possas ser há sempre tipos de trabalho que podes fazer sem que necessites de abrir a boca. Por exemplo: Modelo fotográfico...entre outros....

Mas quando me perguntam: "Gostavas de ser mais bonitinho não é? Bichinho...é tão feinho!" - A resposta que pronta é sempre não!

Primeiro porque o que eu escrevo poderia em vez de 10 likes ter 1000, em vez de 4 comentários ter 40  e em vez de uma mensagem privada de 6 em 6 meses, teria média de 6 por hora, verdade? Verdade! Mas apreciando bem o desenrolar de tudo e este ataque massivo de pessoas ou pedidos de amizade, apenas se reportariam não ao que escrevo, mas sim ao que aparento ser. A beleza tem o dom de transformar diabos em anjos e gente ávida de sonhos e fantasias.

Para muitos o consumar da felicidade está na beleza. E a velha história de que por muito que grites ao mundo: "Sou um Deus grego interiormente" isso cairá em ouvidos moucos. O impacto não é o que está dentro...é o que se vê por fora. Isso é o que causa impacto.

Tenho imensas histórias engraçadas de pessoas que leram o que escrevia, de gostarem da forma de ser e estar na vida e desenrolar de pensamento, amigas denominadas virtuais que forçavam praticamente um encontro no sentido de: "Tenho de conhecer esta pessoa!"

A escrita muitas vezes carrega consigo uma beleza indescritível que maioritariamente muitos e muitas transformam no seguimento de belezas totais que qualificam um no seu todo. Ou seja, transportam frases, letras e contextos para o mundo real, classificando assim o autor como dono e senhor de todas as suas necessidades.

Tive no mínimo uma mão cheia de agentes literárias sedentas de conhecer o autor, onde as mesmas comentavam , colocavam likes como se não houvesse amanhã. Que "maravilha" diziam! Que forma de sentir, de ver, de entender o outro lado! Chegados ao confronto real de quem é quem percebe-se que existe uma desilusão na arte com que os olhos são enganados. Não por mim, nunca por mim, mas pela ilógica fantasiosa que carregam consigo.

Isso sempre me irritou ligeiramente, porque esta busca a todo o custo por alguém que possa embelezar o nosso mundo às vezes é muito trivial e subjetiva. É certo que tenho o outro lado da moeda, onde tenho gente fantástica que conheço e reconhece o sentido real de toda a beleza constante tanto nas páginas escritas como no transporte para a pessoa. E essas sim, guardo e tenho para mim como verdadeiras pessoas que sabem dar o devido sentido a obras de arte. São as denominadas apreciadoras de coração, de sentimento, de humildade, de graciosidade que carregam em si pela forma como auscultam a beleza e dão sentido no seu todo à mesma.

O padrão de beleza que cada um define para si, apenas a si pertence. A beleza não é sinónimo de liberdade. Liberdade de ter, possuir, fazer uso e fruto de um corpo ou uma cara para se proporcionar denominações de felicidade. Muito pelo contrário. A beleza carrega em si uma prisão muitas vezes cruel e sedentária. Porque ficas preso à ideia que quanto mais bonito fores, mais depressa eternizas a felicidade. Acabas por te prender aos toques e retoques, embelezamentos exteriores que te denominam e classificam como um produto de venda fácil e acesso sistemático a qualquer altura.

Bonitos ou feios se arrancássemos a pele uns dos outros e nos apresentássemos quase como sub-humanos à vista desarmada tentando a conquista mediante o olhar nú e cru do que todos somos...ninguém aguentaria ver ninguém. Porque na verdade é o que somos e quem somos que define escolhas. E escolhas essas que carregam muitas vezes verdades indesmentíveis. 

É a olho nú, crente na ideia que o sentido da felicidade está no conhecimento e não no reconhecimento que alcanças patamares emocionais que te transformam.

Bom...quanto aqueles e aquelas que ainda fantasiam sobre a ideia de que um belo homem ou bela mulher é o reflexo de felicidade...keep on working....


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