quinta-feira, 27 de outubro de 2016

EU SOU DIFERENTE....



-Estás bem? 

-Achas que estou bem? Cansada dessas perguntas que caem sempre em saco roto! 
-Vamos...tem calma...

-Que calma?? Estou cansada, desiludida, morta em mim mesma! Todos me fazem essa pergunta, seja o que preciso, o que tenho, porque estou assim! Estou cansada de pessoas! Estou cansada de andar com o mundo às costas. De viver pelos outros, de cair na falácia dos ignorantes! Cansada de fazerem de mim um saco de eterno lixo que outros despejam em mim!

-Não te podes perder assim! Não tens de carregar as dores dos outros, de subires montanhas em prol de todas as outras pessoas! Não tens de carregar o lixo que os outros despejam em ti. 
-Que mal fiz eu para merecer isto? És capaz de me dizer, onde errei? O que fiz de mal para me deixaram assim? Desprotegida, insegura, abandonada, enganada, destruída? 
-Eu não te vou deixar sozinha...
-Percebes o meu pranto? Entendes as minhas lágrimas? Ouves a minha dor? Todos abandonam todos! Todos se querem deleitar em circos de felicidade e não em casas abandonadas. Eis o que sou! Uma casa abandonada! Não me digas que ficas, que permaneces, que aguentas! Porque nada sabes! Sabes lá tu do que sofro! Sabes lá tu por quem choro! Sabes lá tu, que sofrimento carrego!? O que sabes tu, para dizeres que não me deixaras sozinha? Sai! Desaparece! Deixa-me aqui! Já nem asas tenho que me façam voar, sonhar, acreditar. Passei da voz da esperança ao peso do sofrimento que carrego no olhar! O que sabes tu? Serás mais um que me acena enquanto subo montanhas sozinha?Quem me salva das minhas dores? Quem? 
-Eu preocupo-me contigo!
-Que beleza! Que moralidade tem a preocupação quando se veste de egoísmo tantas vezes? Salva-te das tuas dores e deixa-me com as minhas! Não preciso de ti para nada! Não preciso de preocupação vã e estéril! Não preciso da tua falsa humildade! Na verdade, não preciso de nada teu!
-Mas...eu não te tirei nada. Não te trouxe dor! Estou aqui para ti e por ti!
-Amigo...ninguém está aqui por ninguém, a não ser por si próprio. Vês essas penas espalhadas pelo chão? Todas elas tem uma frase de todos os homens. Lês em voz alta?

-Dizem: " Eu sou diferente".

-Pois olha bem para mim! O farrapo que estou por me deleitar na frase " Eu sou diferente!".Como é que sou tão burra!?
-O problema não está no ser diferente. 
-Então?
-Posso escrever numa tas tuas penas?
-Podes...
-O que lês?
-Nada...não escreveste nada!
-Exatamente!
-E porque não escreveste nada!?
-Porque a tua derrota não se escreve com a minha vitória...


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