quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O AMOR NÃO TEM CULPA DAS FALHAS


Já todos passamos pela constatação de nos perdermos por paixões e amores. Já todos vivenciamos sonhos, auscultamos ideias e pronunciamos para nós mesmos deduções de amores eternos, que como cristais jamais se poderiam quebrar no sonho da manutenção eterna. E ainda assim relação vai, relação vem, acreditamos no mesmo destino, com a mesma necessidade de sempre, mas sem a convicção necessária para carregar o amor onde ele necessita de estar.


Amores da treta e desengonçados, amores disformes e incaracterísticos. Adoramos a eternização que facultamos ao amor como semente que irá crescer sempre à margem de qualquer tipo de problemas. É o engano nas peças de engrenagem, é o engano nas pessoas, nos vínculos, nas constatações idealizadas pelas nossas necessidades que A ou B serve e servirá os nossos intentos. Será desta? É desta que posso ser finalmente feliz? 


E quem me fará feliz? E quem eu farei feliz? E que conceito de felicidade suponho eu que poderei dar? O que se pode oferecer para eternizar amores? Com que medida podemos acalentar a esperança? O que é necessário? O que o outro precisa? E do que eu necessito?


Porque nos enganamos tanto neste vai e vem de relações? Porque uns sofrem? Outros sorriem? Porque uns brincam aos sentimentos e outros brincam às mentiras? Porque uns amam e outros prostituem sentimentos? Porque uns se eternizam e outros não? Porque uns saltam do barco e outros acalentam chegar a bom porto? Porquê as promessas falsas? Porquê as omissões? Porquê a manutenção da dor? Porquê a pouca compreensão? Porquê o ciume exagerado? Porquê da obsessão? Porquê as dúvidas? As incoerências? As ideias pré concebidas? Porquê da falta de confiança? Porquê de nada e o porquê de tudo?


Na verdade ninguém se conhece a ninguém, mas todos nos subjugamos a todos na tentativa de experimentar o que ainda não foi experimentado. Em nome do amor todos desejamos a manutenção de sorrisos, mas maioritariamente produzimos lágrimas. A inconstância que cada um carrega consigo nada tem a ver com amor. Pessoas reclamam, pessoas magoam, pessoas cometem atos hediondos em nome do amor, pessoas duvidam, pessoas reclamam guerras insensatas, pessoas....desiludem!

A falha dada ao amor é completamente insensata. O amor não falha...progride. O amor não mata...eterniza! O amor não subjuga...liberta! Pessoas...ahhhh...pessoas, essas, já são de outra estirpe...são humanas! E como humanas acalentam a ideia de que o amor é a salvação da conjunção de dores tidas.


 É o ópio da cura, para novas histórias onde se reescreve novos nomes e onde se busca a verdadeira lenda de amor jamais contada.

Andamos sempre em busca da velha esperança " Será desta? É agora?" e rapidamente acordamos e voltamos à mesma questão nestes loopings cansativos de relacionamentos: "Mas porquê? Porque mais uma vez não deu certo!"

Deixem que vos diga que o que falha não é o amor. São as falhas! São o levantar do dedo, são as dúvidas, são os insensatos e na prática o desenrolar de defeitos que vão sobressaindo à medida que o amor vai ganhando créditos. Estão redondamente enganados se procurarem falhas no amor. 


O amor não carece de falhas, não exige falhas, tempos, mentiras ou omissões. Falhas não se eternizam, amores sim. Falhas destituem o amor da sua verdadeira concepção. São as falhas humanas, são os olhares de descrédito, são a faltas de atitude, de melhoramento. São as falhas que encobrem o amor numa nuvem negra.


É este gigante de defeitos que permite que o amor seja conotado como impróprio para consumo. É este gigante de defeitos que nos corrói de suposições, de ideias concebidas de que não servimos ou não servem para nós.


Gritamos a meio mundo: " Já sofremos tanto por amor!" Errado!! Não sofremos porque não cuidados de amores! Sofremos porque não cuidamos de falhas! Umas atrás de outras vamos deixando prescrever as falhas, como se as mesmas não tivessem ainda obtido o medicamento certo para a sua cura. Que ousadia a nossa, tantas vezes cegos da eternização do amor quando na verdade...eternizamos falhas.

Pessoas transformam relações em hospitais de amor, de curas instantâneas. Medos, receios, desconfianças carecem da necessidade de curas para melhoramento da visão do amor.


Da mesma forma que Deus não tem culpa daquilo que em nome dele é feito...o amor não tem culpa das falhas que em nome do mesmo...é praticado...


Cultivas o amor em nome das falhas? Ou cultivas as falhas em nome do amor?

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