domingo, 20 de novembro de 2016

HELP ME ...TO HELP YOU - AUTO AJUDA



Há uns anos atrás decidi ler o livro mundialmente conhecido como o  "O Segredo" da escritora Rhonda Byrne. Assim como vi também o filme. Um livro de auto-ajuda, que vendeu cerca de 3.5 milhões de exemplares no mundo. 

Há quem não perca tempo a ler este tipo de livros, porque acha uma pérfida palhaçada e outros existem que pretendem a todo o custo beber das energias e formas de melhorar a sua vida e atitude através das histórias de outros. Coisa que sempre detestei é fazer pré-julgamentos de atitudes ou necessidades de outros. Uns acham que a nada leva, outros que a tudo leva e eleva. 

Quanto a mim deduzo, tanto quanto sei nestas minhas humilde opiniões,  que há realmente pessoas, a quem chamamos de iluminadas. Isso nunca tive a mínima dúvida. E que simplesmente é dizer, que a percepção das mesmas, a sua inteligência emocional está tão desenvolvida, num patamar tão superior ao nosso que recorrer a uma visão que não é a nossa momentaneamente, não é mais do que tentar atribuir a nós mesmos a capacidade de querer mudar. 



Agora neste ponto temos visões diferenciadas. Eis vários segredos com os quais eu já lidei e poderia se assim o quisesse denominar-me como um ser "iluminado". Que não o sou, com toda a certeza. Mas sei, invariavelmente que para entender a vida é necessário que o sofrimento exista. Que a tristeza exista. Que o caos se instale. Ao contrário do que se possa querer afirmar que uma vida sem sofrimento, sem tristezas, mágoas ou caos é sentida e entendida....não é verdade! 

Os livros denominados de auto ajuda tem por força o de conseguir desviar a pessoa de si mesma. Este desviar é tão só a ideia de que as pessoas na realidade não procuram olhar realmente para si, mas formas pelas quais podem atenuar o seu sofrimento. Dizem que é uma espécie de ajuda, direi antes que é uma espécie de fuga. Nós temos sempre uma tentativa de fuga à justiça do nosso próprio eu. 

Quando eu li o livro do segredo e o fechei bem lá no final, sabia-o de cor de uma ponta a outra. Não porque me estivesse a achar a última bolacha do pacote, mas porque essencialmente aquele livro não tinha sido escrito para mim. Eu já tinha escrito o meu livro faz tempo. Todos nós passamos melhor ou pior cada um à sua maneira por autênticos desertos em busca dos oásis que raramente aparecem.

Quando o li, já tinha crescido só com a ajuda de uma mãe, já tinha passado por tentativas de suicido na família, já tinha morado em pensões, barracas em bairros de lata. Já tinha passado por estar desempregado, sem dinheiro para pagar contas. Já tinha vivido em casa sem luz, sem água. Já tinha passado fins de semana onde a única comida que tinha eram tostas secas. Já tinha passado por não saber quem era o meu pai, por saber que tinha 6 irmãos que nem os conheço. Já tinha passado por namoros em terras longínquas, de ter vivido sozinho. Já tinha passado por ter vivido com amigos, mulheres, homossexuais. Já tinha pegado nos braços pessoas entre a suplica de estar viva num momento e morta no momento seguinte.

Já tinha aprendido a viver de perto com mentiras, omissões, trabalhos humilhantes, patrões de egos inflamados. Já tinha viajado de continente em continente em busca de uma vida melhor. Já tinha deixado uma filha em prantos por não me ter, já tinha ido e vindo ao inferno de sorriso nos lábios e sempre com um "Está tudo bem".

E fi-lo sempre mas sempre olhando de frente a minha incapacidade como capacidade de altera o meu mundo. O que me rodeia. Deixei inúmeros amigos por todo o lado, apesar de em tantos momentos ter sido apontado como a pessoa que não tem amigos, que não tem família, que não tem consolo ou abrigo. Como diria o outro: Fode-te! Sabes lá tu o que é sofrer, tu que finges saber viver!

Encontrei na desgraça, no caos, em desertos de desnorte sempre amor no sofrimento. E fi-lo porque sabia que o meu livro, as minhas páginas, o que tinha de encarar seria sempre aquilo que a vida me oferecia naquele momento. Era o encarar de mim em mim e o encarnar em mim, a possibilidade mais negra,  que me fez sentir vivo para mudar. Eu.

Eu entendo que as pessoas procurem ajuda de variadas formas. Seja através de livros, psicólogos, guias espirituais, Deus, padres ou afins. Mas no que toca a mim sempre optei pela frase que tenho para mim de: Ajuda-me a mim, para te ajudar a ti.

E este ajuda-me a mim significa encarar a minha problemática, o meu caos, despir-me de receios, medos, afrontamentos e encarar os mesmos com um sorriso nos lábios dizendo:

Venham...porque não sou o que vocês desejam que eu seja! Sou...o que resta da força que tenho em mim!






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