terça-feira, 29 de novembro de 2016

LARES: OS FILHOS QUE HOJE AMAS...VÃO-TE AMAR AMANHÃ?



Tu tiveste todo o tempo do mundo para mim. Alteras-te a tua vida, subiste montanhas, andas-te sozinha por cantos e recantos carregando o amor por essa criança em dias tenebrosos de sol ou chuva. Enfrentas-te limbos carregada de coragem contra todo o tipo de monstros. Limpaste lágrimas, ativaste sorrisos. Foste a muralha impenetrável, mesmo quando te humilhavam com todos os cortes ou feridas. Protegeste dos males do mundo a tua preciosidade. Deste de ti, retiraste de ti, enfrentaste, combateste, reagiste, nunca fugiste! Tu que perdeste horas de sono, horas de sonhos, objetivos que ficaram para trás, tu que só tinhas uma vida para sonhar, preferiste que eu mesmo a sonhasse em prol de ti. Tu foste criada, foste amiga, foste confidente, foste motorista das minhas emoções.

Tu...que agora jazes aí sozinha, perdida nos teus atos de amor que outrora tiveste e que agora nada mais te resta, senão a companhia da solidão. Perguntas tu: Porque nos abandonam? Porque nos deixam à margem numa casa isolada? Porque nos votam à desconfiança de nos tornarmos um peso pesado na vida de quem pusemos cá fora? Que merecimento este que me calha? Que amor te resta então, de ti meu filho, para mim? Porque me deixas aqui? Porque não cuidas de mim? Porque me isolas num mundo para que o teu brilhe sem mim? Porque carrego eu esta cruz...e no final...no final...diz-me minha criança....que mal te fiz?

É isto que resta de mim? Foi isto que fizeste de mim? Eu que te amei...que te tive junto ao meu peito em todas as horas. Eu que te limpei de todas as sujidades do corpo e da alma. Eu...que era tão feliz....ao ver-te feliz! Que voto mereci eu, que da espada da tua injustiça não sobrasse um pingo de amor por...mim....e por ti? Não vês como sofro? Sofro em cada dia que passa que não escuto a tua voz. Em cada lágrima que por ti ainda derramo. Que saudades de ti meu filho. Porque não sinto o teu amor por mim? Tu que cuidas agora de novos amores, de novas vidas, que me dotas ao teu esquecimento...quem sou eu para ti? Ainda te lembras de mim? Eu mãe? Eu Pai? Eu amiga? Eu destemida e corajosa? Eu lutadora e benovelente?

Eu que dei tudo de mim...em prol de ti? Não pretendo o teu retorno a todas as horas. Não meu filho!  Não quero que te percas na canseira de me poder visitar. Não pretendo o teu retorno, não pretendo parar a tua vida, ser um problema a mais pelo qual tenhas que cuidar. Não meu filho! Lembra-te...tudo o que dei de mim, dei-o com todo o amor. O que necessito de ti é que me respondas se o filho que foste ontem é ainda o filho que és hoje?

Não pretendo o teu retorno a todas as horas. Não meu filho! Peço-te perdão se ainda sou ou posso ser um obstáculo na tua vida! Quero-te bem até ao meu último suspiro. Ahh....meu filho...quem me dera a mim ver-te todos os dias, pegar-te, ainda no teu colo, encher-te com todo o meu amor. Que saudades! Que vazio imenso!  Não te preocupes meu bom filho. Não pretendo o teu retorno, porque não quero que pares os teus sonhos. Nunca o quis! Não pretendo que te percas na minha agonia. Só preciso que me digas,  que te lembras de mim...pois ainda que não o faças...eu lembro-me sempre de ti...

Um comentário:

Claudia Dias disse...

Triste... muito triste :(