quinta-feira, 10 de novembro de 2016

NA AMIZADE SÓ CABEM OS BONS...



"A amizade perfeita apenas pode existir entre os bons." - Aristóteles
Quantos de nós já não nos questionamos sobre as amizades que temos? Que tipo de amizades temos? Que conceito de amizade gera os equilíbrios necessários? Quem são os prevaricadores de amizades falsas? Quem se contenta com as nossas vitórias como se fosse deles? E quem se agoniza com os nossos sorrisos?

Quem são realmente os tipos de amizades que temos à nossa volta, que desejamos tanto para nós? São baluartes também da nossa existência? Ou são meras cópias procurando a todo o custo a nossa desgraça? Quem são os criadores de intrigas, incitadores de más línguas? Quem são os cínicos? Os sarcásticos, as caras metades? Quem são os que te apunhalam pelas costas? Os que tocam as trompetes da ajuda, para que no seu reino sejam agraciados com os louros do que fizeram? Quem ousa fazer-se mascarar-se de amigo?

Aristóteles, filósofo grego, dizia que a amizade perfeita apenas existe entre os bons. É preciso ter amor na amizade, é preciso atuar com verdade. A utilidade que um amigo encerra em si é um produto de liberdade de amor e ato de amar o outro. É preciso ser bom, porque são necessários sentimentos desprovidos de ataques, de insinuações, de falsidades, de pressões na amizade, de ganhos, de desejos, de vontades, de necessidades de fraqueza do outro, para força vital do mesmo. É preciso ser bom, porque é preciso ser gente.

Gente que sabe amar, que sabe cuidar, gente que se preocupa, que intensifica o amor, que adorna as dores, que limpa as lágrimas, que partilha sorrisos. É preciso ser gente que saiba definir a arte de se doar, de pegar nas dores dos outros, que se digne a carregar também o mundo do outro! Gente que valorize, que instigue, que fabrique sonhos, que se realize com as vitórias e mais importante que nos levante nas derrotas.

Ninguém precisa de amigos de batidas nas costas e cafés corriqueiros, de fossos intensos, de hipocrisias fingidas, de mentiras ultrajantes, de migalhas constantes. Ninguém precisa de interesses de quem dá mais e de quem recebe menos. As amizades dos bons não possuem  
portefólios de ouro. É preciso ser gente, gente que se ri com prazer, que chora com sentido, que abraça sem punhais, que entende gritos que ecoam.

É preciso ser gente que se abraçe na cumplicidade, que se ama na critica, que se reveja na força, que se deite com o outro num sofrimento em conjunto. É preciso ser gente, gente de estirpe, gente que sabe quem é, que sabe quem foi, que sabe que é gente!

Quantos são os que sabem de profundidade? Que entendem o real valor da amizade? Detesto os amigos do "Pois..." O "Pois." encerra em si o "Fode-te". Destesto amizades do : "É chato..lamento...", amizades dúbias, medrosas, sem sentido, sem alento. Detesto as amizades do faz de conta, que nada trazem , que nada oferecem, desprovidas de sentido. Detesto as amizades indecisas, indefinidas, sem sal, incoerentes, criticas em surdina, com risos de malvadez pelo que não acontece a si mesmo.

Adoro as amizades sem sentido, sem serem forçadas, que nada esperam, mas que paciente tudo aguardam. Adoro as amizades profundas, sentidas, que se abraçam numa só. Amizades que existem na terra dos bons, na loucura dos insanos que vivem a amizade tocando as notas da liberdade. Não posso com gente que força, que ataca, que se perde no apego deficitário e se joga num limbo de insensatez profunda.

É necessário gente, que saiba ser gente, que entenda que a liberdade, não tem tempo, não tem voz, não tem credo, não tem quem se desespere. É necessário gente que saiba ser gente e que se digne a morrer por quem quer viver...









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