sábado, 10 de dezembro de 2016

A MULHER NÃO SE ENCONTROU NA VITÓRIA DA LIBERDADE...PERDEU-SE NO CAMINHO DOS VALORES




Não há como fugir à ideia de que a mulher dos dias correntes não é mais a mesma que personifica a ideia daquela mulher que era poeticamente descrita por escritores, oradores, paixões de levar às lágrimas, fosse até em musicais e formas de expressão que a elevavam de uma forma sublime à visão do valor que as mesmas retinham para si e para os outros.

Não existe uma luta de valor intenso na moralidade ou ética. Não existe um valor que corresponda à honra feita a pais ou avós. Dizem que os tempos mudaram, que estas alterações levaram à emancipação da mulher e agora sim ela é verdadeiramente livre dos seus afazeres da cozinha, filhos, roupas e afins. Entrou-se na verdade numa competição entre o " Se tu fazes, eu também tenho esse direito!"

Hoje enche-se pistas de dança, estações de rádios com musicas onde a mulher é retratada como carne para canhão. Mas elas pediram esta liberdade, elas ansiaram por esta liberdade, elas lutaram por esta liberdade. Elas deixaram de ser as supostas damas de honra, para passarem a ser retratadas como as safadas, as cachorras, as piriguetes. Passaram a deixar os filhos, responsabilidades,  com pais,  avós, tios, família, amigos e lançaram-se na sua emancipação de uma liberdade criada apenas e só para elas.

A grande questão é que uma grande maioria teve todos os valores de luta, de traumas familiares, de lutas por um pedaço de comida na mesa. De pais que gastaram fortunas deixando de parte objetivos, sonhos e mudanças para passar para os filhos a moralidade ( que é tão subjetiva...), a ética, a luta necessária para se ultrapassar dificuldades. Esta inversão de valores carrega em si falsas verdades, liberdades traduzidas em formas de se viver completamente desajustadas daquilo que por aqueles que tanto lutaram vêem invariavelmente os seus esforços deitados por terra. E ainda assim por seres que não se entendem e compreendem como igualitários na sua arte de ser e pensar.
Hoje ninguém quer ou tem o desejo intenso de lutar. Hoje as pessoas carregam a bandeira da conquista, do facilitismo. Eu quero conquistar direito de posse, de sair, de me divertir, de beijar quem quiser, de dançar onde e como quiser, de chegar tarde, de vivenciar os sabores da vida como se aprouver. A ideia da luxuria, a ideia de arranjar formas de atingir objetivos sem sujar muito as mãos passou a denominar-se como um combate de fuga a si mesmo.

Ninguém quer ser a mulher que cozinha para a família, ninguém quer ser vista à janela como algum tipo de escrava que "coitada" pendura a roupa do marido. Isso não é ser mulher. Isso era no tempo dos avós que coitadas eram umas escravas e sofriam às mãos dos malditos maridos machistas. Hoje não! Hoje dizem: " Somos diferentes, porque vivemos em mundos distintos" Não há porra de mundo distinto nenhum. O mundo continua exatamente onde ele está e como deve estar. A diferença é que há aquelas que traduzem a sua luta na sua própria valorização e aquelas que traduzem a sua valorização em luta nenhuma! É a luta pela melhor bunda, a luta pela melhor foto e mais sexy, a luta pelos seios mais avantajados, a luta por quem tem  a melhor roupa, a luta por quem consome a melhor dieta. A luta pela conquista da beleza.

Ninguém quer conquistar o direito de ser e saber ser mulher através da honra e valorização que corre no sangue da mesma com a assinatura dos seus antepassados. Isso é uma desonra para os tempos, os tais tempos que hoje são "outros".  Não! Hoje a capacidade de luta cai por terra, porque a ideia da conquista tem muito mais sabor. A conquista mais sacana, a conquista mais erótica, a conquista que oferece produtos de carne humana mais frescos para consumo intenso.  Hoje não se pergunta ao companheiro porque chega tarde a casa. Hoje pergunta-se: E Eu? Não tenho direito? Hoje não se apressam a chegar a casa com o intuito de preparar um jantar. Queres jantar? Sou tua criada? Vai ao MacDonalds. Hoje se tens uma amiga do peito...é uma injúria! E eu? Tenho esse direito também! Hoje o que personifica a liberdade é a competição da mulher desejar hierarquizar-se com o homem.

Há uma ideia de independência, de que nós homens somos os eternos machistas que consagramos a mulher ao mais baixo nível que as mesmas, não merecem e não carecem de ser remetidas a tal estatuto. Hoje e principalmente, com avanço das novas tecnologias, formas de conhecimento, liberdade de ter, fazer, possuir, desejar ardentemente, estas técnicas globais de aproximação, dão e fornecem armas para que a liberdade seja então definida como a verdadeira arma de luta e glória para um mundo que já fazia falta há muito tempo. Até nos tempo dos nossos avós! Ahhh se eles tivessem o acesso que nós temos hoje, seria verdadeira loucura!! Mentirosos! Acreditem que existe uma coisa que ainda que existindo no tempo dos nossos avós, eles manteriam: Respeito! Bem vindos à liberdade! Dizemos com um sorriso de orelha a orelha hoje em dia! Diria talvez a minha avó: Bem vindos à falta de respeito...e aplausos para a Putaria.

Porque na verdade é exatamente e também esses avanços tecnológicos, essa emancipação sem valor agregado, que permitiu não apenas a independência para uma liberdade sonhada,  como uma "prostituição" global adornada por conversas de "Falhas sistemáticas de amor..." como também a ideia inválida nos dia que correm de um casal, de remar para o mesmo porto de abrigo, da luta a dois perante os obstáculos da vida...se perdeu invariavelmente. E perde-se, porque os gritos, os desejos de liberdade, o viver o quanto antes da melhor forma possível e menos dramática, o saborear das iguarias espalhadas em tantos portos de abrigo, tomou outras proporções.

O que se inverteu não foi a conquista da liberdade em muitos casos. A liberdade é apenas a ponta do iceberg. A liberdade é apenas usada como justificativa da falta de responsabilidade. Hoje não se quer saber se são rotuladas, se são descaracterizadas, se são desclassificadas. "Foda-se para isso, quero é viver" - Dizem!

O fato é que esta liberdade não só potencia a ideia ardente de mais e mais, como cria e intensifica dores, traições, feridas intensas e questões como " Porquê??" Eu acho que a resposta é óbvia!

É preciso mulheres fortes, destemidas, corajosas, intensas, amorosas, guerreiras que fortifiquem a ideia de que os valores de outrora são valores honrados, valorizados. Não há aqui nenhum tipo de machismo ou extremismo da ideia de que a mulher nada pode ou nada deve. Pelo contrário! A mulher, tudo pode, tudo deve.  Porque é essa exatamente a razão da liberdade. Liberdade com amor, liberdade com dever de luta, liberdade com dever de conquista. Liberdade com dever de honra. Liberdade com respeito, liberdade com sentido de dever. liberdade com afetos!

A esta ideia que a "Desgraçada" da mulher sempre foi o parente pobre do mundo. Não! Antigamente o homem ia para as guerras, eram esquartejados, presos, torturados, mortos em combate. Faziam grande parte do trabalho pesado.  Antigamente a ideia da mulher ficar em casa a cuidar do seu homem não era uma questão de ser visto como muitas vêem hoje como o elementar artigo da desgraça. Era uma honra, o valor que elas davam ao homem com quem estavam. Porque elas sabiam da sua luta, sabiam das suas dores, bebiam das suas desgraças. E estavam maioritariamente ali por amor aos seus. E se sofriam? Claro muitas sofreram às mãos de homens machistas e insensíveis. Muitas amaram? Claro! Muitas amaram cuidar da casa, dos filhos, do maridos, dos seus amores. E hoje ainda muitas sabem exatamente como o fazer e de que forma o fazer. Porque tem essa capacidade de luta intrínseca em si mesmas, de intensidade de responsabilidade. Do não ao facilitismo.

Não quero tornar de forma nenhuma a ideia de que a mulher é a nova vilã dos novos tempos. Não quero determinar para mim moralidades das quais eu me abstenho, porque sou falho como homem também. Não quero içar a bandeira da não existência de pressupostos que validem tanto aqueles  e aquelas que lutam por um amor sentido e desejado, que existe, que os há, que enobrecem pela sua seriedade e responsabilidade e ainda assim vivem em plena liberdade.

E a mulher essa....não se encontrou na vitória da liberdade...perdeu-se apenas no caminho dos seus valores...

Um comentário:

Claudia Dias disse...

ui! se uma feminista lesse esse teu texto, já estarias a ser cruxificado :P