segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A FÁBRICA DO PECADO


A HISTÓRIA FEZ DE NÓS PECADORES, OU CONSTRUÍMOS O PECADO COM OS PEDAÇOS DA HISTÓRIA?

Desde os primórdios dos tempos que aceitamos religiosamente ou de forma moral ou que seja eticamente aceitável o vislumbre de quem somos e no que nos tornamos. Essa aceitação não tem como morada a concepção real nuns e noutros daquilo que na realidade somos. Somos seres universalmente enganosos, injustos e ainda hoje incapacitados de dons superiormente fortes para nos estabelecermos como algum tipo de justo à face da terra.

Essa impossibilidade resume-se tão simplesmente ao facto de superiormente existirmos sob um manto de uma própria inexistência corrosiva e finita. 

Somos todos autênticas fábricas de pecado. Na nossa fábrica trabalhamos a vaidade, o ódio, a matança, o egoísmo, a luxúria, as guerras a pornografia, a mentira, omissão traição, a prostituição, as religiões a infelicidade, a maldade, a intolerância, a impureza,  o racismo, a xenofobia, fabricamos incapacidades a rodos, tristezas e anunciamos ao mundo o evangelho desta fantástica fábrica humana.

Somos todos empregados precários em busca de um melhoramento salarial na nossa alma. A pureza inatingível. Ansiamos por um "Messias", que nos salve dos nossos males. Vemos os novos Messias em novos amores, em novas profissões, em abraços, beijos, carinhos. Vemos os "Messias" da vida na amizade, numa palavra amiga, num conforto da alma. E messias esses, que tantas vezes destruímos fruto de uma produção interior podre, pobre e com adornos de desilusão. Dos outros para nós e de nós para os outros. 

Somos produtos de uma fábrica que nunca padece de falência. Somos geradores bilionários de uma riqueza impura e desmedida. Somos produtos inconstantes, desanimados, desestruturados, incapacitados. Produtos que necessitam de um selo de qualidade, que buscam incessantemente esse selo de produto pronto a ser utilizado com a melhor qualidade. E como é inquietante! Lá fora esperam os clientes ansiosos por um produto da melhor espécime. Ansiosos, desdobram-se em sonhos, necessidades e garantias de que o produto venha nas melhores condições. Esquecem-se tantas vezes que a condição de ser pecador por si só já é uma condição morta e destituída de vida. E quem a consome só poderá conhecer tristeza e desilusão. 

Somos colocados nos postos de venda ao público, como galos de morte em busca nesta selvática selva da vida,  da coroa para o seu poleiro. Equipados a rigor vamos em busca de dar ao nossos clientes o que melhor deduzimos termos sido agraciados. Mas na nossa fábrica mora o eterno pecado. Somos seres geradores de mentiras e acreditamos tanto nessa mentira nesta inúmera fábrica de pecados que respiramos vida, agraciamos de braços abertos ao céu a bênção de nada sabermos e de tudo pensar que sabemos...esquecendo que na verdade já todos morremos.

Somos o filho insolente, mal agradecido de um Pai universal, que na verdade nunca merecemos. 

E tantas vezes à porta dessa fábrica pecaminosa, batemos palmas pela perfeita criação do que somos e quem nos tornamos...que perfeitos tolos que somos...e nessa mesma tolice que eu possa receber o dom do perdão, pois reconheço em mim aquilo que nada sou. 

BM