quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

DEUS (NÃO) ESTÁ MORTO


Se existe algo que é difícil debater religião concerteza é uma delas! Até porque entre a insanidade da fé e a sanidade da acreditação há diversas opiniões divergentes. Entre aqueles que acreditam e aqueles que definem como a fantasia mais inteligente criada em toda a história, vai um passo de Hércules. Dizem, muitas vezes os denominados ateus, que a fé em Deus, é uma constatação de alguém que,  maioritariamente e no seu perfeito juízo, indubitavelmente, acredita também e  nesse mesmo sentido, em fadas, unicórnios, trolls entre outras figuras fantasiosas. Convenhamos, acreditar no invisível para muitos é algo totalmente descabido. 

Já ouvi de tudo e debati de tudo com crentes e não crentes. No Brasil ia muitas vezes à Igreja Evangélica, frequentei em Portugal a Igreja Católica e  entre outras igrejas de credos diferenciados. Namorei uma testemunha de Jeová anos a fio,  vivi de perto o fundamentalismo religioso na Arábia Saudita ou melhor dizendo, convivi de perto tanto com uma Bíblia Católica, como o Alcorão ou denominado Livro Sagrado do Islão. 

Não sou teólogo, filosofo ou cientista e muito menos um estudioso acérrimo. Nem nada que se pareça!E muito menos me agarro a frases seja de historiadores, escritores, génios da mente humana que tal como eu só sabem o que nada sabem. 

Porque a verdade é essa. Sejam filósofos de renome, sejam escritores credenciados, sejam pensadores mundanos nada, mas nada é tido ainda e só como um dado adquirido, quanto à existência ou não de Deus. E que Deus seria possivelmente esse? Uma vaca sagrada da Índia? Um ente superior de outro planeta que nos colocou aqui há supostamente biliões de anos? Alá? Buda? Thor? Super Man? Spider Man?  Que Deus cria tantos debates, que Deus cria tantas assimetrias? Que Deus e dizem manda "matar" em seu nome? Que Deus deixa morrer as pessoas em guerras, catástrofes, fomes, doenças? 

Quando me perguntam porque acredito em Deus a resposta prévia que tenho é sempre a mesma:
-Pois....tretas! Se Deus existisse o mundo não era como era? 

Ou ainda e como tenho ouvido:
-Como és capaz de acreditar num ser invisível, que te dá dez mandamentos ou como eu chamo preceitos morais, onde tens de os seguir à risca, vivendo com eles dentro de ti! E ainda assim se não o seguires, há um lago no inferno onde vais arder o resto da vida...mas ele...ama-te!

Ou ainda escuto tantas vezes:
-Epá, o gajo que escreveu isso teve uma ideia mirabolante e levou milhões a acreditar nessa ideia! 

Ou ainda:
-A Bíblia está cheia de contradições!

José Saramago, fantástico escritor disse um dia: " O mundo seria muito pacífico se todos fossem ateus"

Friedrich Nietzsche dizia também: " A religião é essencialmente uma doutrina de hierarquia, uma tentativa para recriar uma ordem cósmica de posição e poderes"

A definição de José Saramago, ateu convicto de que este mundo seria mais pacífico se fossem todos ateus, esbarra em algumas personalidades mundiais. Senão vejamos apenas alguns ateus, líderes de nações que provocaram juntos, milhões de mortes: Benito Mussolini, Mao Tse Tsung, Hitler, Kim Jong ( líder Norte-Coreano), apenas alguns! Isto só para citar que um mundo de ateus é tão assassino como um mundo de religiosos. A paz não se complementa nos ensinamentos dos céus...sim na compostura do homem perante a vida.  Não tivéssemos todos o pó de Deus em nós ninguém se questionaria sobre a vida. 

A explicação de que através de um Big-Bang se formou vida apenas aqui na terra é demasiadamente fácil e simplista para mim! Quem foram os primeiros homens na terra? Homo Sapiens? Adão? Homo erectus? Por exemplo, hoje não era possível ( nem era antes) vivermos no meio de dinossauros ( nao estou a ver o T-Rex  a passear-se de coleira pelas ruas de Lisboa). 

Podermos dizer que a extinção deles se deveu a um erro de Deus, que percebendo que não poderia ter humanos e dinossauros no convívio cometeu um erro ou deveremos cientificamente agradecer essa extinção a uma determinada, evolução numa terra em constante mudança, sujeita às catástrofes que foram regulando o planeta? Será que sem essa extinção, existíramos hoje como nos conhecemos? Um erro de Deus? Ou um golpe de sorte cientificamente provado para abrir caminho à criação humana e sua evolução? Há acontecimentos que mesmo explicados cientificamente...não me convencem a ponto de dizer: "Absolutamente verdade!" Mesmo numa lógica racional de aceitação cientifica, explicada por grandes mentes, cientistas e afins, ainda torço o nariz a ponto de pensar: "Hummm...não me convencem...". 

Demasiado simples...para um conceito de vida em si,  que quanto a mim não é tão simplista e insípido. Nasces, cresces, não acredites em mais nada, faz o teu trabalho...e morres. Eu poderia optar por não acreditar em nada. Mas isso no meu caso, tornaria a minha vida totalmente descabida. Uma vida sem grande sentido onde tens apenas um tempo determinado para estudar, aprender, trabalhar, amar (noutros casos matar) e acaba-se com visitas à tua campa e depósitos de flores. And that s it! Vejamos da seguinte forma...eu acredito no tal "Mágico no Céu" enquanto vocês acreditam em suposições cientificas. Ambas não tem 100% de certezas! Pior ainda dirão, para quem acredita em denominados seres invisíveis, que não vemos, ouvimos e ainda assim acreditamos praticamente a 100% na sua existência. 

Mas a pergunta é: Tens tu, eu, ele, nós ou vós afinal total certezas de quê, a não ser mesmo suposições e ideologias internas? " Ahhh eu acho que...eu deduzo que, eu penso que...eu suponho que.." ou ainda " Grandes mentes da história disseram isto ou aquilo..." And so what?? Grandes mentes da história sabem o quê na verdade do inicio da vida ou de Deus, sendo que sabem tanto como tu ou eu? Suposições e nada mais do que suposições, ideias que se debatem, onde a nossa pequenez por muito gigantes que tentemos ser não temos as respostas que gostaríamos de ter. 

Supondo eu que na minha existência onde tenho livre expressão de falar e de pensar, acreditar não faz de mim um lunático. Isso são cognomes de quem como eu, ou até como aquele que aponta o dedo e se possa rir da minha "fantasia" o faz e transforma em tão fantasioso e lunático como eu. Deus está morto realmente ou fomos nós os traidores e percursores da morte do mesmo? Fomos nós que tentamos aldrabar a criação? Ou a criação aldrabou-nos a nós?

É tão fantasioso aquele que acredita como aquele que não acredita. Porque ambos nada sabem, mas...pensam que sabem. Há máquinas, computadores ( construídos pelo homem) que se supõe...e repito supõe cientificamente que existimos há biliões de anos e que supondo com uma percentagem grande, de que foi derivado a um Big Bang ou mão de Deus que assim começou tudo...e quem sabe? Mas há que arrumar explicações lógicas e racionais para a nossa existência. Ainda assim...

Eu não vim aqui discutir quem mata mais ou menos. E muito menos indicar com o dedo acusador, que, quem não acredita morre no Lago do Inferno ( Uma ideia criada pela Igreja no sentido de angariar almas devotas para a igreja, para que estes pudessem ser os eternos financiadores da mesma). 

Uma grande maioria tem por definição dizer: "As pessoas utilizam a fé como o seu último recurso de que alguém as possa socorrer. Normalmente pessoas que se sentem sozinhas, traumatizadas, assoladas por desgraças, pessoas que não tem muito mais a perder, passam então a colocar as suas vidas na mão de Deus e por isso mesmo, a irracionalidade toma conta destas pessoas que passam a racionalizar Deus como o seu provedor, amigo, confidente, psicólogo e único meio de salvação de vidas que já não tem mais sentido." Eu pessoalmente, não poderia....concordar mais! E ainda bem! Ainda bem que somos pequenos, ainda bem que no sentimos sozinhos,  ainda bem que precisamos de conforto espiritual, ainda bem que na ideia de Deus, vive um conceito de esperança, que pode e repito, pode ser realizável para todos aqueles que acreditam.

 Ora se o mundo que se apresenta perante mim é o inferno terreno ( porque o é...) numa desgraça planetária de guerras, conflitos, tristezas, imposições, doenças, morte...prefiro então racionalizar a minha pequenez e irracionalizar fantasiosamente (ou não...) a existência de um mundo diferente para além da morte. Prefiro ser o lunático que acredita e que mesmo nas piores alturas, momentos nunca deixou de aceitar e acreditar, do que o racional que zomba de uma irracionalidade que até para ele é  "indefinida". 

Mas acredito, que o gravíssimo problema que se cria é a definição mal definida, a suposição que é mal suposta, a verdade que se torna mentira, e um dedo que se transforma num braço em relação a Deus e que leva ao extremo de se renegar a sua própria existência. Por isso, como acreditar, tantas vezes naquilo que deduzimos ser inqualificável? Deus é um assassino,  Deus não tem amor, porque deixa Deus morrer as pessoas? A minha pergunta é: You really don t read stupid?

O estúpido é aquele que supõe. Apenas supõe. E quando supõe, fá-lo sem saber realmente de nada de nada. E estúpidos são aqueles que deduzem sem o mínimo de armas ou instrução para o combate de palavras ou debate, digamos antes e se colocam numa posição de pedestal de soberanos de uma verdade invisível. Ninguém na verdade os quer tratar por estúpidos, mas na verdade eu não posso discutir a ciência robótica ou dizer que "Houve um gajo que escreveu..." e a partir do "Diz que disse.." tentar esgrimar diferentes opiniões. Sou estúpido sim, quando falo sobre o que não sei.  

São suposições  em cima de deduções de uns e outros. "Ahhh e tal...o gajo que escreveu a Bíblia..." Já agora, não foi um "Gajo", foram cerca de 40 "gajos" que escreveram durante um período de 1600 anos de diferença. Suponho eu aqui entre nós que todos estes gajos na verdade estavam numa instituição psiquiátrica na altura e decidiram ir reinventar histórias para a bíblia!  

Tem tanta fé aquele que não acredita como aquele que acredita. Em pólos diferentes

As pessoas de Deus, recriaram perante as suas visões temporais, a percepção dos momentos na história para recriarem também vários Deuses à sua própria imagem. Desde os primórdios até à data o que era definido anteriormente como uma lei a manter, foi sendo amolecida de forma a que possamos olhar nós humanos para isso, e acharmos que é sem dúvida o mais conveniente para nós. 

Matar era e é um crime...mas ao longo do tempo transformou-se num...."mandamento de Deus". Trair era e é considerado um sacrilégio...hoje é transformado em transtorno psicológico amoroso entre tantas outras. De sacrilégios ou mandamentos de Deus modificamos tudo e transformamos em "Pequenas falhas no amor", sejam estas falhas " Ele não provê,ele não liga, ele é pobre..." seja lá o que for hoje arrumas desculpas para a nossa preguiça emocional e vontade de viver tudo o mais rápido possível. O nosso Deus católico passou hoje a ser um "Dealer" de tráfico e desculpas para tudo e todos. É o Deus fixe, bacano, tranquilo que de repente de tantas regras, não há mais regras nenhumas! Nós alteramos as regras, nós criamos, adaptamos as regras dele ao nosso tipo de vivência.

"Ahhhh Deus sabe que eu sou um tipo fixe" e é isto que deduzimos que nos tornamos e somos aos olhos de Deus. Tipos fixes, recheados de aventuras, de aceitação de tudo, de lutas por todos os direitos e de regras ou supostas imposições viramos o mundo do avesso e colocamos o mundo num clube de música psicadélica, som no máximo e que se foda...porque Deus está connosco. 

Nós deixamos de acreditar em Deus, para passar a acreditar em pequenos Deuses com as próprias regras...nós mesmos! Apropriamo-nos da base moral de Deus para todos, fizemos, refizemos uma constituição divina num papel impresso de alterações redesenhadas, alteradas para o nosso circo da vida.

Pegamos nas igrejas colocamos falsificadores do povo em nome de Deus. Mais do mesmo em termos de ganância, não de almas, mas de dinheiro em nome da Igreja para a sumptuosidade individual seja de padres, bispos, pastores e afins. 

Pois se Deus existe, se é do conhecimento de todos estes que se dizem "Enviados de Deus", canais de Deus...acredito piamente que estes homens tem uma coragem e cara de pau fora do comum. Não basta só ser ladrão de almas em proveito próprio...há que saber ser filha da puta com classe.  O problema mais uma vez é que a visão de Deus dada por estas pessoas, muitas vezes enganadores do alheio...leva a que muitos desacreditem. Sempre ouvi pastores, padres e afins...e nem por um minuto deixei de ter para mim o que é e qual é o significado de ter fé. 

Eu não vou à igreja (nem sou muito de ir...ou quase nada) porque estou sozinho e não tenho nada para fazer. Ou porque me perdi em qualquer altura, ou porque livros de auto-ajuda não fazem mais nada por mim.Eu vou até Deus porque acredito! Simples! Perguntam: Mas segues o que Deus diz? - Mas estão parvos?? Claro que não! Por ser pequeno na minha pequenez faço porcaria como toda a gente. Tento é equilibrar-me da melhor forma em resposta aquilo que acredito ser o correto. Mas nem sempre consigo, nem sempre o faço. 

Deus não está morto...na verdade nós é que o vamos matando, lembrando sempre...que a morte chega sempre a nós...nunca a Ele!












quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O ABOMINÁVEL MUNDO DA CORRUPÇÃO MORAL HUMANA


"CARÁCTER É FAZER O CERTO MESMO QUE NINGUÉM ESTEJA A OLHAR"

Estima-se que os seres humanos tenham começado a andar pela terra à cerca de 1,5 milhões de anos. A nossa racionalização fez e faz com que sejamos distinguidos de forma diferenciada de um animal irracional, ainda que essa irracionalidade seja subjectiva aqui e ali. 

Em que momento nesta existência nos tornamos geração após geração tão imorais, complexos, corruptos e inexistentes moralmente? Em tantos casos onde a ética é necessária, como caminho essencial para bases estruturais sólidas, que sendo tantas vezes complexas exigem uma uniformização de atos de um por todos e todos por um, porque não o fazemos?

A mente humana é de facto de extremos. Exagerada, complexa e padece de uma ideologia segregada que afeta milhões de pessoas. Eu não entendo nada de economia, negócios obscuros, leis criminais ou de ideologias partidárias ou politicas. Mas eis o que entendo nesta caminhada de mais de 1.5 milhões de anos: O ser humanos tem sido capaz, tal como um camaleão de se adaptar a inúmeras formas de corrupção moral e não só.

Existe um medo latente de ser dono do nada. Um medo intrínseco de ser um viajante sem rumo, sem reconhecimento, com um abominável receio ante o sofrimento. Há uma conjuntura de interesses que foram sendo aprendidos aos longo dos séculos que tem a ver com a solidariedade corruptiva entre homens e mulheres. Essa solidariedade face à corrupção moral é visível em várias vertentes. Amor, amizade, políticos, empresários, grupos de fomentação de pobreza e afins.

Quem são pois esses fomentadores de pobreza, criando um desnível acentuado entre classes que cada vez mais se vai tornando as assimetrias abissais? Os fomentadores de pobreza alheia não são mais do que as classes VIP, amigos do alheio, das palmadinhas nas costas, dos "Jobs for the boys", os consumidores e sugadores da classe mais pobre em detrimento da imensa escada rolante que usam que tem o nome de proletariado.  Corrupção a rodos, enganadores do alheio em beneficio próprio, pirâmides autênticas de favores em cadeia entre uns e outros. 

Há uma ideia consumista, capitalista não em prol de todos por todos mas de todos para mim. Este para mim é o ponto de partida de quem usa o "todos", a força trabalhista, como slogan de campanha na arte de enganar o próximo. Milhões e milhões são negociados por esse mundo fora entre gente que desejando ter a vida diferenciada de todos os outros, com todos os luxos, reclama para si os louros de um império construído com base na corrupção moral. 

Esta travessia no mundo em constante adaptação, esta luta entre David versus Golias, faz-me recuar até ao verdadeiro conceito do significado de Deus como regente moral. Está mais do que percebido que 1.5 milhões de anos não chega para se atingir um patamar de equilíbrio de forças, está mais do que percebido que não basta o conceito de ser ateu para ser puro. Não basta uma explosão no Universo com a consequente criação do mundo e do qual fazemos parte para se definir o grau ou género daquilo que somos e o que fazemos em prol de uns e outros. Estamos e continuamos  a estar seja por uma vertente moral mundanda, seja pela vertente moral religiosa a anos luz da definição do que é ser humano, do conceito de um por todos e todos por um. 

Se Deus ensinou e não acreditamos...se o homem ensinou e nós não ouvimos...o que faremos nós, pobres humanos que perdidos nas teias do mundo, cheios de dúvidas e medos, não temos nem Deus, nem homem para clamar por "Um mundo melhor"?


sábado, 13 de fevereiro de 2016

DIA DE SÃO VALENTIM OU O "WALL STREET DO AMOR"?


Tenho dormido mal nestas últimas noites. Não porque algo em particular me preocupa. Simplesmente porque a chegada do dia de São Valentim, mais conhecido como dia dos namorados, traz às memória aqueles que boas ou más apelido carinhosamente como "Meninas" da minha vida. Nunca tive um harém pomposo onde me pudesse degustar de todo o tipo de iguarias que as pessoas que fossem aparecendo eu as pudesse transformar em algum tipo de objeto para um fim próprio. 

Paixões, namoros, namoricos, promessas de vidas longas e duradouras foram sendo ditas umas atrás de outras. Perdemo-nos nos olhares, nos beijos, no desejo de vidas felizes que espalhem magia. 

Deparamo-nos no meio desta emancipação de tudo e todos, nesta onda de globalização, de efeito nefasto de desprendimento rápidos de amores feitos de olhos que brilham para desamores desfeitos e totalmente incompreendido, com as amarguras que advém também dos objetivos e formas de cada um.

Ao longo dos anos e as relações que fui tendo,seriamente percebi sempre a intensidade pessoal de cada um nos seus objetivos pessoais e individuais. Nas entrelinhas, nas conversas, nos debates, nas opiniões divididas, maioritariamente as pessoas nao procuram na verdade amores. Procuram escapes que na maioria das vezes possam ver um retorno para si. E quem procura retorno tem falhas de amor. É mal amado. Simples assim. Quem procura retorno numa relação não sabe o que significa viver de amor e por amor de forma genuinamente verdadeira. 

Com o passar dos anos e tempo, maturidade ganha-se, mas isso não impede que erros se cometam. Eu próprio tantas vezes moralista caí no pecado da imoralidade. Seja como for, neste nosso desbravar de emoções e constatações de uns e outros fica difícil nos tempos mais ditos modernos de conseguir encontrar um equilíbrio. Até porque esta força gravitacional da globalização, de casos e casinhos em cada canto à espera de um oportunidade leva tantos e tantas à perdição. 

O dia de São Valentim ou digo, dia dos namorados deveria ser o dia das verdades, O dia em que a alma se emancipa, que a consciência se dota de verdade, o dia em que as algemas da mentira se transformam em louros de vitória. De vitórias sobre as verdades de quem somos, como vemos os outros, como acolhemos verdadeiramente um amor. Prendas, jantares maioritariamente são apenas engodos de uma falsa segurança que as aparências reclamam para vidas desmembradas no seu âmago. 

No outro dia perguntavam-me porque não namorava verdadeiramente há mais de 2 anos. O que se passava com aquele Bruno que conseguia levar as relações a bom porto, com alguma durabilidade, que pela sua forma fazia crer que este Bruno era o predestinado à consumação de relações apenas e só pela sua forma. O Bruno nunca foi feito de seguranças, riquezas, estatutos ou outros objetivos delineados para a manutenção de relações que visam apenas "dar" como forma de suporte assistido ao amor. O que acontece com todos os Brunos e Marias da terra é a constatação de uma dificuldade inerente a todos. E isso passa pela desilusão. A falta de constatação e percepção da grande maioria para a dureza que tantas vezes é o amor, que requer um suporte emocional muito forte esbarra nos objetivos individuais de todos os seres que abrangem a nossa vida. 

Passei a ver o amor não como uma conquista, mas como um desejo lascivo de "tapa buracos" inerente à falta de amor próprio que tantos possuem, As falhas esperam ser correspondidas através da conquista de pequenas vitórias. Um trabalho melhor, trará mais dinheiro, mais dinheiro uma casa melhor, um carro, um filho, mais qualidade de vida e por aí fora. O problema não está em ambicionar-se. O problema está na invalidez da ambição transformada em ganância pessoal, individual. Irrita-me profundamente o jogo do "fiz e tu não fizes-te" o eu dou tudo de mim e tu pouco dás de ti. Eu pago as contas, eu trabalho para o sustento, eu estou sempre presente, este eu, eu, eu, não é amor, é sim desejo que seja creditado na minha conta pessoal o retorno do que eu faço ou fiz. 

Eu não passo a ser um amor, passo a ser denominado como devedor na banca do amor por um "empréstimo" facultado e não retornado. Estes jogos tantas vezes inadvertidos por uns e outros reflete-se na mentira que tantos vivem e que chamam de "segurança" e constatação de uma vida equilibrada. 

Não há vidas equilibradas onde não há verdadeiro empenho de amor. Não há vidas equilibradas quando se engana o amor, quando se olha para a pessoa e se pensa: "Hummm....esse(a)não vai longe comigo..." 

Dizem que o amor depende da segurança. Depende do que se conquista, das bases, da constatação de felicidade medida em conquistas monetárias ou de faculdades pessoais ricas em transformações rápidas de poder subsistir automaticamente alguma falha....não se vá perder o amor pelas falhas inerentes a isto!

Estes amores do "Wall Street financeiro", de medos, de inseguranças, de receios do futuro, levam depois e muitas vezes ao desequilíbrio emocional. As pessoas passam então desiludidas a dizer: "Ahhh agora vou ser feliz, agora vou recuperar o meu amor próprio". 

Ou melhor,  o amor próprio não passa de uma desilusão de amor. Não passa efetivamente da colocação de todas as fichas depositadas em alguém que vislumbramos nos possa suprir...amor ou amores que não tivemos...os tapa buracos!

Quando chega a desilusão de uma luta que muitas vezes nao mantemos com o outro, mas connosco mesmo, chegamos a uma fase de farrapo humano, onde nada mais é o que parece e nada mais merece da nossa parte o significado que é dado. A única pena que devemos ter não é das relações umas mais tóxicas que outras. Nao é de amores perdidos que poderiam cozer as feridas em  nós tidas. A única pena reside no fato de tantas vezes não residir em nós a autenticação de amor próprio. Nós temos de morar em nós mesmos, com as nossas algemas, com as nossas fraquezas, com as nossas ideias que boas ou más padecem muitas delas de curas interiores.

Só a nós cabe o tempo com que as podemos curar, alterar e esgrimar esforços, para  depois sim, com  argumentos suficientes estar preparado para a batalha do amor.

Antes disso...não é mais do que um looping de relações, de promessas infundadas, de sonhos desfeitos.  Não há uma cura especifica para amores, para desilusões, para conceitos de amor. A cura de um amor por outro, não é mais do que uma falácia subjetiva que não cura...apenas prolonga a dor não curada. 

Há uma frase que diz o seguinte: A vida é um calvário. Sobe-se ao amor pela dor, à redenção pelo sofrimento.

Já tive pessoas que tinham horror à imagem do sofrimento, e maioritariamente fazemos esforço pela manutenção de uma linha que não desça as escadas até ao limbo das dores e mágoas. 

Para mim a melhor forma de chegar à verdade, a melhor forma de nós nos conseguirmos vislumbrar de forma verdadeira no conceito de quem somos, como somos e o que desejamos é deixares-te,  nú de amarras e  conseguires ver-te a ti mesmo,  passa por três razões sublimes: Amor, Sofrimento e Conhecimento.

Maioritariamente quase todos vivem num patamar de aparências e de segregação falsa no que toca a amor. Enquanto houver esta globalização, capitalista, de emancipação de todos, de facilidades, de teimosias individuais e tantas vezes nefastas, haverá sempre um dia de São Valentim para se comemorar a instrumentalização do individuo, não pelo que conseguimos, mas pelo que consegui nos objetivos que tinha. 

O objetivo do amor não é uma mesa farta e um guarda roupa cheio de sapatos. O objetivo do amor é que ames o conceito de amar. 


sábado, 6 de fevereiro de 2016

E A MULHER DISSE: EU DANÇO CONFORME TRATARES O MEU CORAÇÃO...


-Bruno quero que me deites na cama e me trates como se fosse tua!!
-Trate como se fosse tua? Mas tu não és minha??
-Porra...quero que me puxes os cabelos, me dês umas palmadas e me consumas por inteiro!
-Tás parva!!? Não te vou dar palmadas!! Isso não dói? Ficas com escoriações....eu tenho o máximo respeito por ti!
-Deixa de ser "Gay in the Closet", dá-me com força!!!Chama-me cabra, vaca, safada, gostosa!

Entendi que deveria atender ao pedido dela...fui buscar a tampa da panela à cozinha e fingi que estava à janela em noite de fim de ano. Bati-lhe tanto que fui preso durante 4 anos....por violência doméstica.  ( Estou no gozo...calma...) tinha acabado de fumar uma daquelas coisas que faz rir e acabei por adormecer, agarrado ao "Puskas" o peluche. 

Ela acabou por acabar comigo chamando a si a norma jurídica da lei da mulher nº 678\2016, em que diz: 

"Toda a mulher que se verifique estar insatisfeita e não satisfeita sexualmente pelo seu parceiro pode e deve trair de forma a que o mesmo entenda que ser "frutinha" é um termo que não se coaduna com os desejos de uma mulher que tem as suas necessidades desrespeitadas".

Depois de anos de pesquisa com relações umas longas outras menos longas, relações extra, amantes, namoradas, curtições, traições, desculpas, perdões, necessidades, insatisfações, receios, dúvidas, questões pertinentes, uma passou-me sempre pela cabeça: Porque gostam as mulheres  tanto dos chamados "Bad Boys"? E fiz este pergunta porque no momento que enverdei momentaneamente pela personalidade semi-adquirida de Bad Boy, não parei de ouvir: "Please Bruno, call me, why don t you call me?!!". Quando era quieto e bonzinho a pessoa que mais me ligava anos a fio era a minha mãe....just her!

Mas a questão é muito simples: Elas não estão familiarizadas com o conceito de "Rapaz bonzinho. E acreditem não estão! Maioritariamente foram mal tratadas, desrespeitadas, enxovalhadas, humilhadas....acredite-se ou não, não se pode culpar e dizer: As mulheres são umas cabras! ( Porque será??) Se aparece um bonzinho...elas não estão habituadas a isso. Para elas o "bonzinho" é o novo tapete de todos os ex.namorados que passaram pelas suas vidas. Se és bonzinho...elas vão-se vingar! Por isso tem medo quando alguma diz: "Agora sim, encontrei o homem dos meus sonhos!!!" Your are fucked boy...

Com o tempo percebi que só e apenas só "Bonzinho" é um conceito redutor e bichona. E aqui nada contra os rapazes que gostam de brincar ao confronto de "Espadinhas".

Antigamente depreendia que tratar bem uma mulher a todos os níveis requeria da minha parte uma panóplia de hierarquias e estruturas que pudessem fazer com que a mesma se sentisse bem. Seriam pois essas, a nível emocional, nível sexual, nível profissional, financeiro, nível de inteligência, arte, encaixe, cultura, manutenção de gostos similares que pudesses fazer com que aquela mulher não piscasse o olho ao "lobo" da vizinha...senão: "He will eat her". Peguei na mala das hierarquias e toca de distribuir tudo o que tentava entender que seria, o que de melhor em mim eu tinha.

Ser cavalheiro, educado, sensível q.b, sedutor, capacitado para as emergências que aparecem e resolve-las, ter atitude, responder com soluções, atender as necessidades, procurar estar presente e ativo, são essenciais, para que o bolo do "Bonzinho" faça furor numa relação. Mas na verdade o bonzinho por vezes esquece-se de que, necessita de ter um braço do afago e um braço da dureza (q.b). 

E ás vezes ele utiliza só um. Os bonzinhos por vezes transformam-se em sacanas, não porque sempre foram bonzinhos, mas simplesmente porque deixaram de ser tapados.
É como se escutassem uma voz que dissesse: " Be a Man!" E este "Be a Man" representa na verdade o que as mulheres necessitam a todos os níveis. Ainda assim esta mesma necessidade é acompanhada de uma penalização sistemática ao conceito abrangente do famoso príncipe perfeito. Meninas não existem príncipes perfeitos e o "Bad Boy" não é mais do que um diabo vestido de anjo de luz. Por isso girls: " You will Suffer" que traduzindo quer dizer: Vai correr tudo bem...

E por não existirem príncipes é que essa insatisfação fica provada nas inúmeras tentativas de relações e busca de uma, que se encaixe como um puzzle de forma a proporcionar um equilíbrio. Não existem traições, existem culpas no cartório de não se fazer o que se deve fazer no momento que é necessário fazer. 

-Bruno, fui traída!!!!
-Xiii amiga...o que fizes-te???
-Estúpido!! Acabei de dizer que fui traída!! E não merecia!! E perguntas o que eu fiz!?
-Não ficas até tardíssimo no trabalho, quando podes sair mais cedo e ter alguma qualidade de vida com ele? Não podes ir sair quando ele te pede e preferes ficar a ler um livro? Não ficas com ciumes loucos quando ele sai com alguém? Não o proíbes de sair com amigas e só tu tens de estar presente? Quando te convida para ir fazer alguma viagem não estás sempre ocupada?
-Mas eu tenho a minha vida profissional  e o meu feitio Bruno!!!!
-Wrong answer girl! You didn t see the light....yet!

A traição não é mais do que um aviso de que alguém anda a navegar erradamente, porque o dono do barco simplesmente ligou o automático e nem quis saber. Simples, monotonia leva a poligamia...

Ora nesta coisa das hierarquias sentimentais e necessidades se acertava em algumas...outras falhava. As criticas com o decorrer do tempo foram se acentuando:

"Não fazes isto, não fazes aquilo, não és beijoqueiro, falta-te isto, és reservado, dormes com um peluche, quero que me encostas à parede e digas ao ouvido: " Be my bitch" em vez de: " És a menina do meu coraçãozinho!"

Enfim...ter a pureza inicial de "love" resulta no inferno astral de..."You Know what?? Your fucking alone!Be a Man!"

Melhorava aqui, mas não subia no ranking de outra possível hierarquia que era necessário para que ela se sentisse alimentada na alma. 

Quando isto acontece vais ter sempre um olho em ti, mas lutas contra as portas que foram deixadas abertas, e o outro olhar que se virou para fora. E há sempre alguém que entra na área, não para rivalizar contigo, mas para te mostrar que as  tuas  deficiências resultam na abertura de portas alheias. 

Sabem aquele momento que a mulher chega cansada a casa, depois de um dia de trabalho e encontra a casa virada do avesso e tu sentado no sofá a ver algo? E ela lança-te um olhar que se vislumbra no pensamento dela que na verdade mais não é do que te dizer calada: "Tu não foste a minha primeira escolha..." esse é o olhar que testemunha que ela já não precisa de ti.

Há que criar ou tentar criar um meio termo entre o "Bad Boy" e o "Good Boy". Conseguindo criar este meio termo o sucesso em termos gerais, abrangentes regulam o teu equilíbrio. Não falo de um sucesso entre as mulheres. 

Falo de um sucesso interior, de capacidade de aglutinação dentro de nós. Perceber as necessidades, perceber quem são os outros, como somos nós, como nos podemos também adaptar, entender, perceber....renovar, assimilar, debater, para que a envolvência, as visões, os conceitos não se resumam  apenas aos cognomes de: "As Putas e os Sacanas" que passam a vida de mal com tudo e todos. Um traiu, a outra traiu, aquela não presta, o outro não presta e na verdade falam todos os desequilibrados do equilíbrio que lhes falta. 

Há uma linha essencial para mim no que toca a todos. E essa linha chama-se défice de atenção e por isso mesmo o lobo (a) da vizinha se aparecer...significa que o cordeiro que ainda és precisa ainda de sofrer, crescer, para entender que para ser um " Be a Man" é simplesmente saber estar acordado. E saber estar acordado para não perder é saber...cuidar.

Remember: Be a Man





quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

FRAGMENTOS DE MEMÓRIAS ETERNAS


Ninguém assassina memórias e muito menos as dota ao esquecimento. Às vezes custa lembrar de faces, momentos que, mesmo que não perdurem mais, continuam ativos na lembrança. Um dia de cada vez vou recomeçando. Cada quadro um momento, cada momento com as suas diferenças magistrais. 

A lembrança remete-nos à sensação de que, certas pinturas perduram no olhar e no sorriso que nos consome intensamente "forever and ever". Há verdades indesmentíveis e indescritíveis. E um desses quadros carrega o nome de intimidade.

E mesmo que hoje perdure apenas a memória do ontem, poderei sempre dizer...que o nada que hoje sei de ti, é tudo o que ontem sempre soubeste de mim.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

REDES DE RELAÇÕES GERAM FALTA DE AMORES



ZYGMUNT BAUMAN: VIVEMOS TEMPOS LÍQUIDOS. NADA É PARA DURAR

Quando há pouco tempo acabei de ler o livro de "Amores Líquidos" de Zygmunt Bauman sobre as relações amorosas e a ténue linha existencial e tão frágil no que respeita à manutenção de relações dei por mim a fazer uma regressão tanto ao passado como o presente e de que forma podemos, devemos nortear a fragilidade que na verdade o amor comporta em si mesmo.

As definições de amor nos tempos atuais resumem-se a potenciais casos passageiros onde as definições de amor que usamos não são mais do que deduções do incrédulo esperançosas, que tentam a todo o custo depositar esperanças naquilo que não mais é, do que uma divina comédia de relações estonteantes. Deslumbramentos, paixões  E onde o amor se tornou na vulgaridade remanescente entre uns e outros na esperança de se fazerem ouvir como verdadeiro amor idealizado e desejado. 

Vivemos e tal como li, numa sociedade onde a definição de descartável tomou uma posição de grandiosidade efémera. Esperamos de uns e outros, colocamos os nossos sonhos, objetivos, tradução de sentimentos na realização de objetivos canalizados entre pares como de um só sonhando assim o possa ser. Perdemo-nos numa canalização de dissabores e descartabilidade que se tornou na verdade de uso e manuseamento fácil.
O tanto quero, como não quero não depende mais do amor. Depende e isso sim de quem me pode dar mais segurança e realização do meu "Golden Dream". 

Há uns dias uma amiga dizia-me: "Perdi a esperança no amor" Bruno. Dizia ela que não tinha mais paciência para sonhar o amor, vivenciar o amor, com as suas duras definições reais de momentos prazerosos e dores inevitáveis de possibilidades que pudessem aí vir de instabilidade. Não há mais paciência, porque hoje vivemos na verdade numa autêntica lobotomia geral e de real vegetabilidade de consagração do eu. Eu posso, eu defino, eu quero, eu desejo, eu escolho, eu realizo, eu organizo eu...sou totalitariamente eu. A paciência redescobriu-se e transformou-se em impaciência geral.

Há um submundo interior escondido naquilo que, realmente deduzimos que não possa ser, mas que na verdade é a consequência da promiscuidade latente que o amor por si só vitorioso,  tão cedo não sairá. Tão só, porque o amor vive na penumbra hoje em dia, do conceito outrora idealizado pelo mesmo.

Vivemos hoje numa sociedade consumista, irremediavelmente perdida no seu próprio conceito de montra de ganância, de desejos interiores e de conceitos de vida fácil e quanto mais rápido melhor. O amor não está ao bater da porta. O "amor" hoje vive numa rede social, num chat, vive nos programas de encontros, de buscas de caras metades para salvação das feridas expostas e não tratadas.

Hoje as relações são autênticas arcas do desconhecimento que se dão a conhecer no mundo contemporâneo com uma velocidade atroz e perdem-se tantas vezes na angústia do porquê de ter conhecido. Paradoxal...desejo de conhecer, vontade de ter, possuir versus pressa, desconhecimento, indesejado, descartável. Perder pessoas, maridos, namorados, amantes tem cura e terá sempre. Não é o mesmo que perder um filho ou pais. 

E mesmo querendo elevar o amor como um amor único e transversal a todos os níveis, não existe a não ser apenas e só a incondicionalidade existente em grau de parentesco. Porque o outro amor padece também do próprio feitiço que o homem carrega já em si desde os primórdios. O pecado. Não o pecado como forma religiosa apenas e só. O pecado que carregamos também como massa humana, um pedaço de ossos e carne totalmente sujeito às vicissitudes desta vida tantas vezes. Costumo dizer que apesar de apregoarmos a honra, fidelidade, conceitos de ética e moral, acabamos aqui e ali sempre ou quase sempre presos na corrente dos desejos.

De um lado contextualizamos isso como um apoio, recuperação de sentimentos perdidos face à desgraça que se abate nos nossos sentimentos por nos sentirmos mal alimentados, mal amados. Por outro debatemo-nos com a fraqueza, carater, personificação do nosso eu em relação ao outro. Quero com isto dizer que somos incomensuravelmente insatisfeitos com as feridas que residem em nós e que combatemos com a desculpa de que é o outro que tem a chave da salvação para todas as nossas fraquezas interiores. Apressadamente corremos em busca desse alimento que no seio do nosso lar tantas vezes não o fazemos por força da desistência e incapacidade de acreditação. Mantemos relações dúbias,porque dúbias são as feridas do nosso eu. 


Existe a primeira tomada de consciência que nos move perante alguém. A afinidade. Seja na música, seja na arte, leitura, trabalho, conceitos, humor, forma de estar, objetivos ou outros. É o passo para o possível vislumbre de "amor" . É o que chamo de amor cego, pois é complementado por uma verdade indesmentível. A dúvida!

A dúvida surge sempre na ante-câmera dos porquês: Será ela assim? Será sempre assim? Dizemos inúmeras vezes pessoa, atrás de pessoa que "Esta finalmente é tudo o que quero" Não sabemos na verdade o que esperar do outro. Sabemos apenas que o que nos enche os olhos, sentidos, será na mesma medida o preenchimento verdadeiro ao coração? Alguma vez nos auscultamos daquilo que somos? Quem somos? Como somos? Nós partimos para relações como um animal esfomeado atrás da sua presa. Não importa de que forma ela poderá ser comida. Queremos na verdade é comer. 

Queremos saciar a fome, queremos preenchimento, queremos sentir preenchimento. O problema está no deslumbramento, na pressa, na dedução de percepções que erradamente tomamos como factos anedódicos para o momento, pois vive em nós um tipo de amor que não é sentido com o devido paladar. A pressa é para amar, a pressa é para preencher lacunas, tristezas, feridas que urgem serem tapadas. O looping relacional que fazemos e temos deduzimos como "aprendizagem", conceito embrionário de suposta dedução sábia de quem na verdade nada sabe nada de amor. 

E só não sabe porque o tempo de paragem na box para abastecer emocionalmente, crescer conscientemente com quem é, o que é, como é e que passo a dar a seguir é substituído pelo eterno deslumbre e sistemático chamado: Insatisfação. A cura da insatisfação está no confronto que tantos se escondem e que é necessário ter com a aceitação de quem o próprio é , se deduz e vê perante si mesmo. 

Indo ao meu bloco de notas de memórias, ao meu baú de relações e tentando perceber estes conceitos inebriantes de casos, de namoros, de traições, de juras de fidelidade, de conceitos de honradez, de carácter, de personalidades diversas, de manipulações, de investidas falhadas, de investimentos sem retorno, de conceitos de moral e ética de uns e outros, de mim mesmo, de redes de namoros, amantes, amores ganhos e perdidos. Perco-me em mim mesmo na tentativa de perceber o verdadeiro conceito que sempre tive para mim como necessário para uma vida a dois .

Existe uma artificialidade que muitas vezes é difícil de lidar e captar até pela rapidez com que as relações andam de um lado para o outro. Hoje existe uma tremenda falta de intencionalidade para...pensar e repensar. 

Desencantamo-nos com tudo e todos muitas vezes por meros caprichos nossos. Ou não gostamos da forma como fala, como anda, como beija, como se comporta em público. Nao gostamos do jeito que agarra, se tem pegada ou não, se faz a coisa certa ou incerta. Desiludimo-nos e no que toca a amor, somos muito superficiais. Somos uma sociedade do espétaculo e para o espectáculo. Um circo de amores e desamores.

Cresce uma onda de impaciência no que toca ao conceito de amar. Hoje temos um botão de "On" e "Off" mais facilitado. Rapidamente saltamos de uma relação para outra, fazendo sempre querer a nós mesmos que nada mais será como antes. Na prática o resultado do que somos está sempre lá. Viajamos com a mesma intensidade e pressa tanto como amamos e nos desprendemos.

Acho graça quando no resultado do término de uma relação a frase que mais escuto é: Agora é partir para outro (a).


Eu tenho sempre definido para mim: Agora é partir para mim. Sempre percebi a velocidade com que os namoros correm, sempre ouvi, depreendi o que cada pessoa desejava para si, muito acima do que seria o desejável para o conjunto em si. 


O que acontece entre o que eu quero e o que a minha parceira quer é que à parte das devidas afinidades emocionais existe duas que são o expoente máximo de todas as relações. Segurança e liberdade. Uma como diria Zigmund Bauman não vive sem a outra. Não quer dizer que seja impossível encontrar este paralelo entre um par. O problema não reside no "encontrar". O problema reside em como cada um define o que é segurança e liberdade e como se aceita perante o caos tantas vezes instalado e luta para que esse amor dê certo.

Não é dos contos de fadas que nascem grandes amores...e também não é do caos que morrem todos. Caminhamos sempre de mão dada com inúmeras faces. As supostas face da salvação e engrandecimento interior.

Esquecemo-nos e isso sim de caminhar de mão dada com o nosso espelho e enquanto assim for veremos sempre a salvação no outro e nunca no nosso eu.