domingo, 26 de junho de 2016

AVANÇOS TECNOLÓGICOS: QUE TIPO DE AMOR VENDES?




Já tinha falado algures que “ Beleza não se põe na mesa”. No entanto existe fatalmente a imposição do impacto da beleza que se sobrepõe a tudo o resto tantas e tantas vezes.

Quantas vezes não me interessei eu por uma mulher bonita e tive como troco: “ Não tens dinheiro para fazer uma plástica…depois disso talvez possamos pensar!”

Naturalmente que dentro dos limites do humor e das negas que recebemos ao longo da vida, aprendemos também a ser inteligentes no que toca a perceber o que é beleza pura e beleza de plástico.

Depois de tantos anos, relações, beijos trocados com umas e outras, corpos sedentos de prazer de paragem em paragem na tentativa de encontrar o chamado “ True Love”, percebemos que a idade esgota-nos com as tentativas tantas vezes infrutíferas da descoberta ou redescoberta da “Soul Mate”.

Somos autênticas barras de plasticina que nos tentamos moldar a uns e outros, sem que tantas vezes nos possamos aperceber que nesta luta tantas vezes escondida o que muda é a cor da plasticina. 

A cor que não condiz independentemente da forma. A cor que não condiz pelo seu lado abstrato, pela sua cor dúbia ou morta.

Somos narcisistas por natureza. Já nascemos invariavelmente assim. Desde a tenra idade da inocência que aprendemos a berrar por comida, colo, necessidades, atenção, por um brinquedo e afins.

Na verdade não somos e nem nascemos nem com o estereótipo da bondade incomensurável e diga-se de passagem não nascemos também em abono da verdade com a marca da besta.
Porém, convém salientar que aprendemos rapidamente e tão depressa quanto nos é possível das adversidades e vicissitudes da vida.

Ao longo dos últimos vamos dizer…20/25 anos fui tentando enquadrar-me tal como no famoso livro: “ O que as mulheres querem?” Nesta didática entre homem versus mulher e todas as suas segmentações, teias inerentes às vontades, desejos, formas, sabores e por aí fora na tentativa não só de entender como também de encontrar.

Encontrar seja o homem ou a mulher certa é como se descobrir de certa forma o Santo Graal para a nossa vida. E isto traduz-se na capacidade de promover\criar uma família, criar condições não só de ter os objetivos bem delineados na mulher ou homem que se deseja bem como conseguirmos alimentar e sermos alimentados na arte de amar.

Eis onde surge o real problema! Com o tempo percebes que o narcisismo existencial um pouco por todos nós compreende e depreende que nesta conjuntura de relações umas longas, outras passageiras acabas sempre por querer fazer prevalecer o teu eu. E descobres com isso que a beleza impactante de cada um encerra em si muito mais do que uma cara bonita possa depreender.

De repente percebes que o amor é feito tanto de plástico como de criação de verdadeiras aberrações emocionais.  Descobres que nesta onda de plasticina perfeitamente moldável vivem traumas, falhas, mentiras, inverdades, lobos em pele de cordeiro, traições, incapacidades, pessoas dúbias e fortemente armadas com verdades inconsequentes, calejadas de uma prática de dor intensa que nem as mesmas muitas vezes entendem.

As cores entre uns e outros acabam por marcar a diferença que inicialmente não te dás conta. A velha chama da paixão reacende sempre a velha esperança de te encontrares finalmente saciado pelo encontro de almas que de repente te elevam à presença do “ É aqui e agora”.

Este desejo incontrolável do eu quero, eu desejo fez com que ao longo dos meus últimos 20/25 anos de relações e namoros percebesse que realmente a beleza, o impacto de uma cara bonita não passe maioritariamente senão mesmo disso. O narcisismo terá sempre de ser feito de equilíbrios senão não será nada mais de um tipo de narcisismo obsoleto e invariavelmente perdido nas suas próprias verdades sem votos a favor.

Pior ainda…com os anos e ao longo do tempo, com o avanço do narcisismo tecnológico, em facebooks, Instagram, Tinder e tantos outros percebeu-se que o amor se tornou numa venda em praça pública. Vendemos caras, corpos, seios, bundas, lingeries, compramos máscaras, produzimo-nos para a melhor foto, e vamos de encontro ao melhor preço de licitação.

Quem dá mais por nós? Quantos likes ditam o que valho? Quantos comentários definem o que quero e quem sou? Quanto valho eu? Quem me quer? Quem me deseja? Que príncipe ou princesa licita o verdadeiro preço merecido? And…where is my love?

Não quero parecer nojento ou dar uma de santo, mas na verdade os homens tornaram-se verdadeiros lobos comedores e as mulheres emanciparam-se na arte de abrirem as pernas com maior facilidade. Hoje em dia tudo vale (ou quase tudo) para expressarmos com um sorriso no rosto a debilidade que possuímos e chamamos de liberdade!

O narcisimo tecnológico, a impotência na arte de percecionar uma cor que se digne a registar um conceito de amor equilibrado caiu ou vai caindo em desgraça.

O facilitismo das relações, a venda em hasta pública da nossa imagem ganhou aquilo que hoje se chama de “Aventuras fantasiosas”. Ou seja, partimos na esperança que nesta aventura de conseguimos um amor o mesmo acabe por cair na falácia de uma mera fantasia que serve apenas e só meramente de decoração para mais um dos nossos desejos.

Batemos palmas, ficamos todos felizes, contamos a todos os cantos do mundo esta forma de plasticina amorosa que  encaixe na perfeição na imagem que nesta selva de consumo de amores não podemos ficar atrasados. 

Esta venda legal de imagem, de narcisismo crescente leva a uma falência total do sentido emocional e do verdadeiro cerne da questão!

-Então que tipo de amor vendes?
-Que forma de amor queres comprar?
-Aquele que me faça feliz!!
-Eu não quero esse amor...
-Porquê???
-Porque prefiro o que nos faça felizes... 




sábado, 25 de junho de 2016

THE AMERICAN WAY OF LIFE - A LIBERDADE QUE DÁ DIREITO À MORTE



Nesta última semana no país que se define como o mais democratizado do mundo, pude constatar  a vergonhosa ideologia que existe no combate às armas nas mãos de qualquer cidadão americano.  E este culto nacionalizado vem desde os tempos dos comboys. Os Estados Unidos baseiam a sua autenticidade no "American Way of Life" o que quer dizer que prezam a liberdade pessoal de uma forma muito abrangente, Na ideologia de um americano comum o estado deve intervir o mínimo possível na sua vida. 

O porte de armas nos estados unidos funciona como uma espécie de “Sharia” ou leis do alcorão para os americanos. Está perfeitamente enraizado e estabelecido  e consta da 2º emenda da constituição americana.


Feitas as contas existem contabilizadas entre 270 a 310 milhões de armas nos lares americanos! Um número absurdamente esclarecedor do fundamentalismo existencial no que toca a armas.

Os republicanos esta semana tomaram uma posição digna de uns verdadeiros carniceiros do Estado Islâmico ao não apoiarem a proposta democrata do Presidente Obama, para a limitação de venda de armas.

E assim sendo continuaremos a assistir a casos como o da escola Primaria de Sandy Hook onde estas crianças morreram vitimas de mais um lunático.



O poderoso lobby existencial em torno da NRA - Nacional Rifle Association, opõe-se totalmente a restrições no que toca a venda de armas e por isso mesmo havendo inúmeros interesses por detrás desta e outras associações.

Como título de curiosidade existem bancos nos estados unidos que na abertura de uma conta à ordem oferecem uma arma de fogo como brinde. 

No meio desta liberdade exageradamente ignóbil tantas vezes o fundamental passará por uma profunda remodelação de mentes e ideologias  que combatam ou restrinjam a venda das mesmas. 

Os tiroteios entre gangues, massacres, posse de armas em larga escala em praticamente todas as casas americanas leva a uma histeria enganosa no povo americano que deduz estar sempre em causa a sua liberdade e defesa pessoal. 

O que é mais incrível nesta "American Way of Life" os profetas da democratização única num espaço de liberdade também ele único, não difere muito do fundamentalismo islâmico no que toca a aplicar a chamada "sharia" ou lei de Alá.

Tanto de um lado como de outro continuaremos a proclamar liberdades perfeitamente desajustadas da própria liberdade em si. E esta liberdade que se designe pela vida e nunca pela morte.

BM