segunda-feira, 31 de outubro de 2016

SE EU FOSSE MULHER...O QUE TE DIRIA?


Se eu fosse mulher poderia dizer-te inúmeras formas de como gostaria que fosses um verdadeiro homem. Homem...se é que posso conotar isso a ti! Se fosse mulher contava-te em surdina as horas amargas que passei nos teus braços, os risos incontidos entre amigos, as omissões, as traições, as faltas de respeito,  as mentiras endiabradas, as horas tardias que em vão esperei por ti. Se fosse mulher poderia dizer-te o quanto de amor trago e o quanto de humilhação me fizeste passar. Ahhh...se eu fosse mulher e te pudesse dizer!

Ahhh...se fosse mulher e te pudesse dizer a força que carrego em mim! Não me tomes por frágil! Não te admito! Não te reconheço como fazedor dos meus sonhos, dos meus objetivos, da minha luta! Afasta-te de mim! Frágil é a tua falta de amor, o teu desdém, a tua incompetência para saber também, cuidar de mim! Frágil é o teu medo, o teu receio de amar, a tua fraqueza em dar, o teu sentido para ouvir. A tua falta de tato, de sensibilidade, de emoção e razão. E eu aqui estou, rasgada de feridas sentidas, de amores não produzidos, de conversas inconclusivas, de cartas queimadas, fotos rasgadas, de marcas na carne, de sorriso vazio...ahhh...malandro....se fosse mulher e te pudesse dizer!

Se fosse mulher poderia contar-te as vezes sem conta, que chorei sozinha, que me perdi no meu vazio, que me afoguei nas minhas lágrimas, das vezes que percorri o meu deserto , dos sonhos nulos, da esperança que tive, da luta que mantive, da arte de acreditar, de sentir que podia, que fazia, que sabia...ahhhh malandro...se eu fosse mulher!!

Ahhh....se fosse mulher, poderia perguntar-te o que sabes tu do meu sofrimento? Ahhh malandro...homem frágil, sem sentido, sem honra, sem dignidade, sem destreza, sem personalidade, sem capacidade. Ahhhh...se fosse mulher, olhava bem nos teus olhos, para que entendesses que aqui existe vida, honra, valor, intensidade, fogo, paixão, desejo, existo eu! Eu, mulher! Eu profissional, eu mãe, eu lutadora, eu vencedora!! Ahhh....malandro...o que sabes tu, pobre coitado de lutas vazias? Tu que lutas por rabos de saias, por tesão sem sentido, por desejo finito, por migalhas dos outros? Por almas perdidas? Ahhh...malandro...que pena não saberes nada de ti da forma como eu sei de mim!

Ahhh se fosse mulher....se fosse feliz...

sábado, 29 de outubro de 2016

PRISIONEIROS DA LIBERDADE





Todos nos imiscuímos do sentido de responsabilidade que à liberdade diz respeito. Rodeados de galáxias, um universo infinito, estamos presos a um planeta recheado de regras, dogmas, ideias, guerras, mentiras, indecisões, lamentos, fórmulas de felicidade, cordeiros e lobos, aglutinados uns nos outros e presos globalmente pela teia dos condicionalismos e cheios de máscaras que possam tapar as suas próprias vergonhas.

Nascemos com o desejo de mudar o mundo, esquecendo principalmente que viemos ao mundo para nos modificar e não para o modificar. O mundo não precisa que se modifique nada. Tem já as suas catástrofes, os seus degelos, os seus oceanos, as suas terras, os seus terramotos, alterações climáticas, as suas fases. O mundo já tem as suas  próprias preocupações, inerentes ao mesmo. Não me interessa nada mudar o mundo, porque ele em si está perfeitamente correto há milhões de anos!

Não é o mundo que me preocupa, sim quem faz parte dele que me assusta. Estamos presos invariavelmente numa bola a céu aberto. E dentro deste círculo global, estamos rodeados de inúmeras pessoas diferenciadas. Cada um com o seu tipo de loucura própria. Cada um com a sua própria percentagem de caráter. Todos os anos vamos acrescentando ao rol de pessoas que vamos conhecendo sempre mais uma. Sistematicamente uns e outros vão conhecendo os prisioneiros que fazem parte desta prisão a céu aberto.

Não podemos fugir muito do lugar onde nos encontramos. Podemos ir apenas de uma ponta a outra e pouco mais. Estamos limitados neste mundo, nesta bola, neste circulo e onde invariavelmente gritamos: " Somos livres". Não somos Livres. Essa é a maior falácia inventada. Como somos livres se estamos condicionados na forma como nos locomovemos? O mundo tirando alguns aspectos culturais, é todo igual. Estradas, hospitais, centros comerciais, terras, roupas, mulheres, homens, gestos, olhares. As mesmas lágrimas que correm na china, correm aqui. Os mesmos sorrisos que se escutam na Austrália, dão-se aqui. As mesmas injustiças que acontecem em África, acontecem aqui.

Quando me falarem de liberdade, não falem da liberdade do mundo. Ela não existe. Falem-me da liberdade que existe em vocês. Da responsabilidade que carregam nessa liberdade, do que fazem uns pelos outros, dos objetivos, de fazer o bem pelo bem. Não me falem de vinganças, de ódios. Não me falem em surdina do diz que disse, do que fez e não fez.

Não me falem de traições, de mentirosos, de gente de língua afiada, de apontar o dedo daquele que tudo pensam saber  e nada sabem. Não me falem de amores infelizes, de feridas abertas, de pobres de espírito,  de sonhos desfeitos. Não me falem que A é mais bonito que B, que C é mais rico D. Não me falem que o gordo não sabe amar, que o preto é um selvagem, que o magro é um parente pobre dos musculados. Não me falem de xenofobia, de racismo, de minorias, de pobreza.

Não me falem que não conseguem mudar, encontrar amores. Não me falem que não são correspondidos, que são marionetas nas mãos dos outros. Não me falem de mudanças pela força das palavras. Falem-me de mudanças pela força dos atos. Não me falem de falta de carater, profissionalismo, de falhas de educação. Não me falem de sensibilidade, de dores incontroladas, de choros intermináveis.

Falem-me de liberdade. Não da liberdade do mundo, sim da vossa. Falem-me da liberdade de conquista, da liberdade de amar, da liberdade de cair e levantar, da liberdade de perder e saber perder. Da liberdade de amar mesmo não sendo amado. Da liberdade em dançar à chuva, da liberdade de cantar e saber escutar. Da liberdade de abraçar quem nos viola a consciência. Da liberdade de sentir o coração pulsar. Da liberdade de dar a mão, de se aproximar, da liberdade de ser e ver-se a ser.

Falem-me de tudo...não enquanto prisioneiros...mas como livres na arte de o ser.

Se é que o são....


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

EU SOU DIFERENTE....



-Estás bem? 

-Achas que estou bem? Cansada dessas perguntas que caem sempre em saco roto! 
-Vamos...tem calma...

-Que calma?? Estou cansada, desiludida, morta em mim mesma! Todos me fazem essa pergunta, seja o que preciso, o que tenho, porque estou assim! Estou cansada de pessoas! Estou cansada de andar com o mundo às costas. De viver pelos outros, de cair na falácia dos ignorantes! Cansada de fazerem de mim um saco de eterno lixo que outros despejam em mim!

-Não te podes perder assim! Não tens de carregar as dores dos outros, de subires montanhas em prol de todas as outras pessoas! Não tens de carregar o lixo que os outros despejam em ti. 
-Que mal fiz eu para merecer isto? És capaz de me dizer, onde errei? O que fiz de mal para me deixaram assim? Desprotegida, insegura, abandonada, enganada, destruída? 
-Eu não te vou deixar sozinha...
-Percebes o meu pranto? Entendes as minhas lágrimas? Ouves a minha dor? Todos abandonam todos! Todos se querem deleitar em circos de felicidade e não em casas abandonadas. Eis o que sou! Uma casa abandonada! Não me digas que ficas, que permaneces, que aguentas! Porque nada sabes! Sabes lá tu do que sofro! Sabes lá tu por quem choro! Sabes lá tu, que sofrimento carrego!? O que sabes tu, para dizeres que não me deixaras sozinha? Sai! Desaparece! Deixa-me aqui! Já nem asas tenho que me façam voar, sonhar, acreditar. Passei da voz da esperança ao peso do sofrimento que carrego no olhar! O que sabes tu? Serás mais um que me acena enquanto subo montanhas sozinha?Quem me salva das minhas dores? Quem? 
-Eu preocupo-me contigo!
-Que beleza! Que moralidade tem a preocupação quando se veste de egoísmo tantas vezes? Salva-te das tuas dores e deixa-me com as minhas! Não preciso de ti para nada! Não preciso de preocupação vã e estéril! Não preciso da tua falsa humildade! Na verdade, não preciso de nada teu!
-Mas...eu não te tirei nada. Não te trouxe dor! Estou aqui para ti e por ti!
-Amigo...ninguém está aqui por ninguém, a não ser por si próprio. Vês essas penas espalhadas pelo chão? Todas elas tem uma frase de todos os homens. Lês em voz alta?

-Dizem: " Eu sou diferente".

-Pois olha bem para mim! O farrapo que estou por me deleitar na frase " Eu sou diferente!".Como é que sou tão burra!?
-O problema não está no ser diferente. 
-Então?
-Posso escrever numa tas tuas penas?
-Podes...
-O que lês?
-Nada...não escreveste nada!
-Exatamente!
-E porque não escreveste nada!?
-Porque a tua derrota não se escreve com a minha vitória...


domingo, 23 de outubro de 2016

QUE O PESO DA TUA CRUZ NÃO TE FAÇA DESISTIR!


" Mesmo desacreditado e ignorado por todos, não posso desistir, pois para mim, vencer é nunca desistir. " - Albert Einstein


Quantas vezes em tantos contratempos da vida não te viste sozinho? Em que momento não te perguntas-te: " Porquê?" Porque tem de ser assim? Porque a cruz que se carrega nos pesa tanto em nós, enquanto nos outros só vemos alegrias desmedidas? Em que momento falhamos? Porque falhamos? O que fizemos? Onde erramos e porque erramos?

Quem nos pode salvar? Quem nos pode socorrer? Quem nos ouve? Quem ignora as lágrimas olhando apenas para si mesmo? Quem se esconde da tristeza do outro, sorrindo apenas consigo mesmo? Quem pode salvar o que o teu coração pede? O que a tua alma alcança? Porque o tempo para ti parou? Porque te sentas de olhar profundo e melancólico olhando para o vazio? Quem te salva? Quem te ama?

Quem são os que se baqueiam com a tua solidão? Com a tua depressão? Quem te entrega a cruz mais pesada? Quem te salva? Quem te pode amar sem que te ignore? Quem te despreza e se debate com sorrisos vários no teu mundo onde não sentes mais vida? Quem te salva? Quem te ama?

Quem te ignora e se venera? Quem cresce com a tua desgraça? Quem se enriquece com a sopa que não te alimenta? Quem está junto a ti na tua dor? Quem te busca para um sorriso e quem te abandona nas tuas lágrimas intensas? Quem te salva? Quem te ama?

Quem se rebela com o teu mundo e te agracia com amor? Quem te socorre nas feridas, te limpa o sangue que te escorre? Quem te protege? Quem te abraça e te segreda ao ouvido? Quem se importa com a estrada que decides enfrentar e caminha contigo? Quem te salva? Quem te ama?

Que cruz pesada é essa que carregas em ti? Que fardo te faz ainda em sangue percorrer caminhos espinhosos? O que queres provar? A quem queres provar? Que força te mantém vivo? Um abraço de um filho? Um carinho de uma mãe? Um olhar de orgulho de um pai? Diz-me! Quem te salva? Quem te ama?

Quem se apodera da tua simplicidade? Da tua bondade? Quem te engana? Quem te omite? Quem te mente? Quem te diz que está contigo e te deixa com a tua sombra? Quem te salva? Quem te ama?

O teu caminho é duro, intenso, penoso, incapacitante. Não há paz na tua vida? O abraço que desejas é aquele que sozinho, enrolado à beira de uma cama te proporcionas a ti mesmo? Quem te conforta nesse teu mundo? Quem te escuta na escuridão dos teus gritos? Quem te salva? Quem te ama?

Por mais duro que seja o teu fardo, salva-te de cabeça erguida! Por mais duro que seja o teu fardo, ergue-te diante da escuridão, caminha por cima de todos os espinhos que te deixaram! Pelos que não te deram crédito, pelos que te ignoraram, pelos que se riram, pelos que te deixaram em pranto, por aqueles que te abandonaram, por aqueles que recearam o teu mundo. Rebela-te!! !

Caminha com orgulho, com dignidade, com dedicação! Olha o fogo intenso diante de ti, olhos nos olhos! Quebra barreiras de gelo com os punhos, ergue a voz que se silencia em ti, enfrenta o sofrimento com garras de leão. Cai, desliza no meio da lama, encharca-te de toda a sujidade, de toda a promiscuidade, do desalento que te possam ter deixado em profundo sofrimento. Ouve: Rebela-te! 

Corta a meta da tua vida olhando para os olhos da morte que te aguarda sedenta do teu insucesso,  com um sorriso nos lábios e segreda ao ouvido: 


"Que pena tenho de ti, que sedenta aguardas por mim. E Porquê? O que tens tu para contar?  Pois a ti ninguém te salva e em ti...ninguém te ama! Não te preocupes comigo! Eu? Eu vivo..." 


terça-feira, 18 de outubro de 2016

LIBERTA OS TEUS FILHOS



-Porque choras criança?
-Porque estou com medo...
-Medo de que?
-Medo da morte, mas essencialmente, medo da vida.
-E porque tens medo da vida?
-Porque sei que nasci puro, mas bebi do veneno dos meus pais...
-Porque ousaram envenenar a pureza que trazias em ti?
-Porque quis ser eu mesmo...
-Não chores criança. Ainda o podes ser.
-Não posso...
-Porquê?
-Porque a parte de mim que sou já se foi.
-E para onde terá ido essa parte de ti?
-Não percebes? Morreu na prisão que eles criaram...




AMOR É UM LUGAR PERIGOSO




Que ninguém possa ter a presunção de dizer que o amor é um local sagrado. Não o é. Não o é, porque a devoção do sacramento no amor é praticamente inexistente. Há uma luta inglória muitas vezes incessante entre o que um é e o que o outro pode ser. Uma luta incessante entre o que eu dou e entre o que o outro pode dar. A inevitabilidade do amor torna-o concerteza um recanto de perigos vários.

Como Mário Quintana diria o amor só tem a sua eterna razão de ser, de comprometimento quando na verdade nos transforma naquilo que de melhor podemos ser. Invariávelmente vemos mais pessoas a constituir amores de formas estratégicas e de acordo com o desejo, de adornar ainda mais os seus desejos, do que propriamente transformar o outro ou a si mesmo.

O amor é um lugar perigoso, porque é vitima do engano. É vitima do silêncio, dos medos, dos traumas. É vitima das tristezas, do que foi desejado e não tido, do que foi traçado e não percorrido. Do que foi sonhado e não percorrido. O amor é um lugar perigoso, porque dele fazem parte metades de todos. É um lugar onde feridas são apenas desejos a serem cuidados por outros. É a devoção à salvação do eu.

Quantas vezes oiço dizer: " Eu só quero alguém que me ame!!" quando na verdade o foco principal deveria ser: " Eu preciso de me amar mais!". Há uma constante ligação entre a presa e o predador. Uma certa conotação entre amor e ódio, o que torna o amor, um lugar pérfido, negro e indesejado, para os doentes que sonham com curas incuráveis. Tem esse direito ao sonho. Tem o direito à cura.

Mas esperar dos outros é não termos nada para oferecer. Na verdade na maior parte do tempo andamos vazios, pensando que estamos cheios. O amor é um lugar perigoso, pelas ânsias que criamos e desejamos cegamente dos outros, quando não criamos ordem e valor em nós. O amor torna-se perigoso, porque muitas vezes lidamos e lideramos lutas entre meninas e homens, entre meninos e mulheres.

Há sempre alguém que ainda não cresceu o suficiente na percepção do amor. E por isso mesmo o amor no spot errado...torna-se perigoso. Amor sempre foi e será feito de três palavras: Verdade, Transparência e Devoção.

Verdade naquilo que os dois acreditam, transparência na forma como abrem as cortinas da sinceridade um com o outro e devoção no comprometimento de um amor saudável e num barco que não que não seja xenófobo e egoísta nas escolhas que faz.

É preciso que o amor seja um complemento de alegrias e não de toxicidades. Que seja uma festa a todos os intervenientes e não uma sessão de autógrafos onde o monologo do amor passa a ser apenas aquele que escreve a história. É preciso que tenha vida, chama intensa, que seja feito de criatividade, de entreajuda e não de um rol de críticas.

Detesto o criticismo no amor, a critica altiva, o mal pelo mal, o egoísmo exacerbado daquele que ama humilhando o seu parceiro. Sempre detestei amores críticos e desprovidos de um olhar intenso sobre si mesmos. Vocês sabem...o amor é um lugar perigoso...

A nobreza do amor não carece de burguesias, porque, para que o amor não seja um lugar perigoso é preciso que a burguesia se encha de amor próprio e de verdade em si mesma, para que possa dar o devido crédito ao ato de ser nobre no amor...  



domingo, 16 de outubro de 2016

PESSOAS DEBATEM RÓTULOS


As pessoas são os únicos animais no mundo que tem o gosto peculiar da crucificação do outro. É um prazer inato a uma grande parte da humanidade de decifrar facilmente rótulos e não conteúdos. Os animais vivem de acordo com o espaço onde estão inseridos. Presas, predadores, cada um ocupa o seu espaço conseguindo viver em profunda comunhão. São livres, verdadeiramente livres, mas ainda assim alvos a abater pelo homem em tantas situações. 

Por outro lado, nós humanos, ainda continuamos a constatar que a lei do mais forte nos pertence. E assim o é. Somos meros seres inseridos ainda num limbo entre o nascimento e a morte e o qual muitos de nós classificamos este meio termo como vida! Achamo-nos profundamente evoluídos.

Sejam aqueles que acreditem que nos corre nas veias o sangue dos antepassados de uma evolução Darwiniana, seja até aqueles, que acreditam que este mesmo antepassado vem desde os tempos de Adão e Eva, um ou outro, ainda representam para todos os fins a mais alta hierarquia do mundo. E é nesse lugar que nos encontramos nós.  No mais alto ponto da cadeia alimentar.

Somos tão bons e tão evoluídos que necessitamos de ordem. Precisamos de tribunais, de policia , de exército, de sinais de trânsito, de regras no trabalho, em casa, pais, professores e afins. Não se trata de sermos evoluídos, trata-se de estarmos desconectados.

Exatamente porque debatemos rótulos. Somos maus, porcos, nojentos, assassinos, ladrões, mentirosos, omissos, desconcentrados, desnivelados, teimosos, destituídos da graça de Deus...caso fosse ele assim para muitos o senhor dos Céus.

E o mesmo se poderia aplicar a uma evolução hipócrita e insensata que não tenha como base nenhum tipo de religiosidade ou Deus. Há séculos que assassinamos, que matamos, que roubamos, que causamos mal ao mundo. Há séculos que violamos, transgredimos, fazemos guerras, inventamos batalhas, defendemos linhas de pensamento que só causam a nossa própria vergonha e podridão.

E claro...clamamos à vezes bem alto " Porquê meu Deus?" , "Porque isto acontece"? Porque é que a pergunta é feita a Deus? Porque é tão simples apontar o dedo? Porque não é feita a nós mesmos? O que temos a aprender? O que temos ainda para evoluir? Somos quem pensamos? Ou nada somos do que deduzimos?

Feitas as contas temos estado em evolução desde há 200 a 300 milhões de anos atrás. E evoluímos tanto para os dias de hoje que ainda não largamos os rótulos das gordas, pretas, putas, paneleiros, vagabundos e afins.

Apontamos os dedos em riste em diversas situações. É a critica sem lei, sem rei nem roque. É a crítica destituída de humanismo.

Gritamos: " Pretos de merda", mas vamos para casa e batemos na mulher, repreendemos os filhos supondo nós que os fazemos com isso "evoluir".

Gritamos " Gordas, suadas, porcas ou nojentas" e vamos para a rua à procura da menina que se vende por dinheiro, porque em casa, temos alguém que não nos satisfaz.

Gritamos "Vagabundo, não tem onde cair morto!", mas somos incapazes de dar a mão para o levantar. Ao invés preferimos gastar o nosso dinheiro, num bom smartfhone, porque servirá para procurar garotas em algum app de relações.

Gritamos: " Empresários gananciosos!! Queremos um aumento!", mas fazemos em surdina, pois precisamos do trabalho para garantir a nossa sobrevivência.

Gritamos: " Olha que putas, vão com todos!" mas deleitamo-nos com todas a cada esquina.

Neste nosso cinismo latente onde reproduzimos esperanças vãs em tantos momentos alguém questiona:

Se para a evolução é necessário rótulos que a minha aprendizagem se prenda no conteúdo.


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

DETESTO A HIPOCRISIA...MAS AMO A ARTE DE SER HIPÓCRITA



Sempre detestei hipocrisias e ainda assim em tantos momentos temos de lidar e fazer o papel de hipócritas em vários momentos. Não engula sapos, diga o que tem a dizer, faça o que tem a fazer, seja você mesmo. Seja confiante, seja alegre, seja verdadeiro, seja coerente, esteja predisposto, mantenha o sorriso, etc, etc. Sempre detestei hipocrisias. Falinhas mansas,adornar verdades, ser cúmplices de mentiras, fingir soluções, encetar lutas de falsas esperanças, adornar os sentimentos com gotas de veneno.
E ainda assim, muitos de nós prolongamos a estadia desta máscara de durabilidade. Porque gostamos? Não! Pelo menos...digno-me a responder por uns quantos. Essencialmente porque precisamos de ser hipócritas. A hipocrisia na verdade existe para o equilíbrio das sociedades. Falhas de carácter? Sem dúvida! Seria inconcebível ser-se hipócrita num estado onde sentimentos negativos não existissem. Depois da maça de Adão, tudo é possível e necessário no percurso da vida. O percurso exigente que a vida te oferece assim te obriga. Nesta selva quem não se faz de predador...morre presa.

Quantas vezes não temos de fingir sorrisos com quem não nos sentimos bem? Ir a um almoço ou jantar que seja impreterível a tua presença, mas que sabes que não irás gostar? Quantas vezes não é necessário ter jogo de cintura com um patrão? Um colega de trabalho? Quantas vezes para evitar situações melindrosas até numa relação se é hipócrita? Quantas vezes não são as vezes que nos adornamos desta máscara para evitarmos cair numa espécie de limbo ou esquecimento? De uma salvação? De um entendimento? Como diria Fernando Pessoa, dizemos tudo pela metade. Ou pelo menos...adornamos verdades com palmadas nas costas, beijinhos, sorrisos amarelados. Não deveria ser! Mas é necessário para o equilíbrio, para a tu manutenção!

Não me venhas com palavras mansas de que tu és "bonzinho", que o amor tudo salva, que a plenitude de sentimentos positivos agraciam-te em todos os momentos! Somos uns merdas na verdade! Não há um único justo no mundo que se digne a dizer que não erra. Não induzas em erro quem errático já anda. Porque todos os somos! A verdade apenas nos salva de momentos onde a necessidade dela se reagrupa com o sentido de necessidade da tua manutenção. Somos uns hipócritas e deleitamo-nos com a sensação de que o estado de simpatia momentânea é a verdade mais pura e gratificante que temos.

Ainda assim detesto essa hipocrisia. Esse estado letárgico onde nos corroemos de sorrisos que não passam de gritos silenciosos que apenas ecoam em ti. Adoro a hipocrisia, as frases por metade, a irresponsabilidade que carregamos ao dar votos à nossa própria desumanização.  Adoro ver que a boca que se abre em consolação  por ti é a mão que eleva o punhal da tua desgraça.  Detesto hipocrisias, mas amo a arte de ser hipócrita. Do "está tudo bem" quando não está. Do " Não faz mal" quando faz exatamente mal. Adoro a arte do fingimento no conforto, quando o desconforto é por demais evidente. Mas adoro essencialmente a mentira porque todos nós somos adornados, o fingimento latente, a preocupação inócua, vazia, desprovida de sentimento verdadeiro.

Amo a arte de ser hipócrita porque te eleva ao desequilíbrio, ao desconsolo, à desumanidade, à descrença, à destituição de nunca seres verdadeiramente quem és. Amo a arte de ser hipócrita pela criminalização e constatação do pior que podemos ter. 

E ainda assim quando me vejo distante de mim, forçado pela mentira, preso pela omissão, resguardado no equilibro que a sociedade tantas vezes obriga...é quando me lembro: Que bom seria que a hipocrisia...não fosse uma cortesia...





quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A FLECHA E O BOOMERANG - A IMPÁVIDA SERENIDADE DOS ERROS



Juscelino Kubitschek dizia: " Costumo voltar atrás sim. Não tenho compromisso com o erro.

Quantas vezes não se ouve: " Se soubesse o que sei hoje!" ou " Se eu pudesse voltar atrás faria tudo diferente" ou ainda " Que pena ter cometido tantos erros...soubesse eu o que sei hoje, tudo seria diferente!!"

Há sempre uma sensação seja em que momento for, em que etapa estivermos, seja ela, emprego, relações, amizades e afins, onde em vários momentos, nos debruçamos sobre a forma e modo como nos comportamos. Como tu te comportas comigo, como eu me comporto contigo é a busca pelo erro. 

Sempre vi a vida como um conjunto de peças de xadrez, onde tão depressa ganhas, como de repente perdes. O que muda na realidade é a forma como estendes ao longo do tabuleiro as tuas peças, sempre de forma a vir a minimizar possíveis erros. Mas será que erros são passiveis de serem minimizados?

Entende o tabuleiro como o mundo. As peças como relações, sejam elas profissionais, amorosas, amizades ou outras. E os movimentos que dás às mesmas peças a tua aprendizagem, a tua sabedoria, o teu crescimento, a tua maturidade. O resultado final será sempre ou a tua vitória ou a tua derrota. O erro está sempre presente. Ele não é, não foi, não está ou não será. Ele vive, ele existe, ele persegue-te, ele imortaliza-se exatamente pelo que é e por tudo aquilo que te define.

Há duas formas de errar. Os erros meramente sob a condição que nos assiste como humanos. E os erros meramente sob a condição que nos assiste como estúpidos. E acreditem existem ainda mais estúpidos do que humanos. A principal razão desta existência é que a sobrevalorização do ego imposta pelos humanos, eleva-os a estúpidos que estupidamente estão estupificados em erros atrás de erros. Loopings de erros onde plateias vazias os aplaudem sob a sua passagem em tapetes de sangue e lágrimas.

Há clarificações que tem de ser feitas. Existe uma noção de erro para o humano e outra para o estúpido. O estúpido é parecido com um boomerang, comete o erro, pede desculpa, torna a cometer, torna a pedir desculpa, pensando que para ele a desculpa contorna o erro sem atingir a sua capacidade santificada de errar.

O humano inteligente é como uma flecha. Comete o erro, entende o erro, traça um plano de defesa em relação a esse mesmo erro, valoriza o erro que comete, porque é necessário sofrer com o erro e dá o próximo passo. E o próximo passo funciona como a constatação do crescimento, da maturidade, de subir mais um degrau, de jogar melhor no tabuleiro do mundo.

Juscelino Kubitschek não tinha razão quando dizia que não tinha compromisso com o erro e que por isso mesmo podia voltar atrás na tentativa de melhorar, desculpabilizar, perdoar, seja o que for. Compreendo-o, mas não estar comprometido com o erro é como não estar comprometido com a vida. Tu não podes manter o teu relógio com 30 minutos de atraso. Tens de o acertar, não vás tu chegar tarde a uma entrevista, a um encontro. Tu calças uma meia diferente da outra, tens de a mudar, não vás tu ser acusado de ser alguma espécie de palhaço de circo. Os acertos existem para se modificar os erros.

Tu tens de ser a flecha que acerta em cheio no erro. Não podes estupidificar-te constantemente no erro. És a peça chave da mudança, da alteração. Não faz sentido olhar para trás quando o presente vira uma página nova de oportunidade. Se a oportunidade se reflete naquilo que sempre foste o que és, se a oportunidade se reflete na validação constante do erro, da memória, do quadro gasto de tantas cores...a tua obra de arte será sempre roubada por todos os outros e estarás sempre em constante luta contigo. Serás sempre alvo de novas cópias.

Perguntaram a um serial killer:

-Porque matou tanta gente?
-Porque adorava matar! Não me consegui conter! Tinha sede de morte!
-Faz hoje 35 anos que está preso, sente-se pronto para sair e ter uma vida nova?
-Não! A sede de morte mantém-se!
-Mas passou tanto tempo e ainda assim, tem vontade de matar?
-A morte é a beleza do amor que carrego em mim.

Isto, para te dizer que enquanto não transformares o boomerang em flecha um erro será sempre uma imensidão de erros, no tabuleiro que estendes para o mundo.

E o mundo é sedento da bênção de acertos...e não da bênção de erros....

Be Proud...Be Strong...Be Human...










terça-feira, 11 de outubro de 2016

SOCIEDADE DE ESCRAVOS...



Hoje ao contrário de outros dias decidi na entrada para o comboio, percorrer todas as carruagens. Pensei que fazer um pouco de jogging em passo de caracol pela manhã entre carruagens, não faria mal a ninguém. Em passo lento fui percebendo nas centenas de pessoas sentadas e em pé qual o seu entretenimento pela manhã. Como não podia deixar de ser 70% das pessoas estavam agarradas aos seus smartphones.

Os smartphones já há muito que são os novos amantes tão desejados por esse infindável mundo. Já ninguém os larga, porque todos o amam. Foram poucas e poucos aqueles que percebi estarem agarrados a um livro ou simplesmente tranquilos com os seus pensamentos. Se a doença Parkinson fosse uma acção do mercado de Wall Street, nós éramos a maior empresa do mundo.

Esta nova forma de liberdade tecnológica não passa de um embuste carregado de escravidão por uns e outros. As pessoas estão completamente entregues à sociedade. Sim, tu que lês isto e possas dizer: " Ahhh...não sou escravo de nada! Tenho toda a liberdade do mundo! " Como alguém tem liberdade se está dependente de algo? É o mesmo que dizer: " Tenho uma namorada que amo totalmente, mas não a deixo sair com amigos!" . Podes dizer-me que a tua vida não é isto! Eu tenho tempo, eu faço de tudo, eu distribuo o meu tempo. Contigo? É o teu tempo contigo? Ou é o tempo dos outros?

A sociedade consegue na sua grande maioria sempre o que quer. A sociedade adora escravos. Essa é a premissa da sociedade. Esqueçam a liberdade, a democracia, as revoluções,  o poder que muitos acham que tem e atingem. Estamos todos dependentes de saber quem somos e no fundo somos todos e desculpem a minha frontalidade...uns autênticos camelos. 

Não sabemos confrontar o nosso eu, desculpar erros, perdoar ofensas, alterar conceitos, modificar defeitos, procurar melhoramentos, trabalhar o nosso eu, mas regozijamo-nos com novos apps, novos avanços tecnológicos, presos na escravidão de uma liberdade globalizada mas totalmente inerte e dependente. A nossa liberdade é "para"? Ou a nossa liberdade é "de"?

Encetamos conversas com desconhecidos, produzimos ofensas virtuais, postamos, reagrupamos, inventamos, deduzimos, criamos, fazemos pré-julgamentos, encetamos tribunais virtuais, acusamos, defendemos e condenamos! Traímos, desistimos, omitimos...despachamos! A globalização, a teia imensa de estarmos conectados todos uns com os outros, criou sociedades de camelos. Não produzimos amores, liquidificamos sentimentos, despachamos lágrimas, apressamos vidas.

Queres alterar o mundo? Coloca um like! Queres perceber o que o livro te diz? Coloca um like! Queres entender quem és? Coloca um like! Rimos, encetamos conversas, deambulamos horas e horas na tentativa de criar vida onde não existe vida!

A sociedade é a o autoritarismo. Mas tu és a autoridade de ti mesmo. Para Jean-Jacques Rousseau, importante filósofo, escritor, teórico político e compositor suíço, notável influenciador dos ideais iluministas, o homem encontra-se preso. É dele a frase: “o homem nasce livre, e, em toda parte, encontra-se acorrentado”.

"O homem nasce livre mas em toda a parte encontra-se acorrentado." É a mais pura visão de uma verdade indesmentível. Somos camelos, porque não nos sabemos rebelar. Encontramos na sociedade a forma de vida mais escrava que existe. Porque onde existe escravidão...atenta...não existe amor.

Portanto...nestas idas e vindas, nesta visão inerente ao consumo intenso de tecnologia, de aceitar a escravatura que te torna dependente e inconsequente pergunta:

A tua liberdade é "para"? Ou a tua liberdade é "de"?






domingo, 9 de outubro de 2016

NO ANSEIO DA MORTE...ENTENDE QUE HÁ VIDA



Vida - Que tens tu, que te baloiças sozinho sem a alegria que a mim me corroí?

Morte - Trago em mim todas as dores, para que no teu baloiço possas sorrir.
Vida - Porque não partilhamos os dois, daquilo que a vida nos deu? Porque não vives em mim, aquilo que eu não vivo em ti?
Morte - Terminou em mim tudo aquilo que vivia em ti. Morreu em mim, para enfim...viver apenas e só para ti.

Vida - Não fiques assim! Onde me baloiço ainda existe vida que chegue para os dois! Vem...não tenhas medo...agarra-te a mim, vive comigo esta nova vida!
Morte - Não me tortures por favor! Não notas tu que no meu baloiço não existe mais vida! Afasta-te de mim! Deixa-me só, porque de mim não resta mais nada, senão mesmo a alegria de me sentir assim!
Vida - Que alegria é essa que não te permite baloiçar neste encanto que é a vida?
Morte - É a alegria de quem já viveu! E é a dor de quem sabe que já morreu...
Vida - Já baloiças-te da mesma forma que eu?

Morte - Tantas vezes, que me perdi na conta dos acertos e das falhas que tive!
Vida - Mas porque me corroí esta alegria que em ti...vejo que dói?
Morte- Afasta-te de mim!! Não podes carregar as minhas tristezas, não podes limpar as minhas lágrimas! Deixa-me aqui!! Não vês tu? Em tudo o que toco eu provoco morte!!
Vida - Sossega...pois em tudo o que abraço...eu dou vida...



NÃO BRINQUES COM OS ASTROS...



A arte da adivinhação é milenar tal como sabemos. Milhões e milhões recorrem a esta arte milenar para perceber como foi o seu passado, presente e naturalmente como será o seu futuro. Crentes e descrentes alimentam a ideia de que o melhoramento da sua vida depende de certa forma da conjugação dos astros.  Temos todo o tipo de "bruxas" e "bruxinhas" que aqui e ali vão tentando com maior ou menor sucesso ( maioritariamente com um pagamento à vista) descortinar o nosso presente e futuro.

Os...humanos ansiosos, muitos dependentes dos dados astrológicos para definirem as nossas escolhas e encetarmos outros tipos de caminho vão recorrendo à arte da adivinhação como forma de ver a sua vida melhorada. Terei um amor? Terei dinheiro? Um trabalho melhor? Serei mais feliz? Pagarei as dívidas? Aparecerá alguém? 


Vejamos o seguinte panorama:

Astróloga - O sol em movimento com o decano de Mercúrio face à aproximação de Vénus no meridiano norte, pode no mês de Outubro revelar as inconstâncias de Júpiter em transição com o entroncamento entre Plutão e Saturno.

Cliente - Hein???

Astróloga - O amor chegará até si!

Cliente - Ahhhhhhhh!!! E quem será essa pessoa!?

Astróloga - Deixe-me lançar as cartas! Hummm...saíu a carta do Sol o arcano maior que simboliza poder e amor! Vejo um homem...e uma mulher....

Cliente - Hummm....Hummm...muito bem, muito bem! E o que vê mais!?

Astrologa - Vejo uma aproximação entre os dois...

Cliente - E mais? E mais??

Astrologa - Vejo uma relação que vai ser forte e que irá contra tudo!

Cliente- É isso mesmo!! Contra a parede, no carro, nas escadas! Quero é assim! Forte e contra tudo! Elas adoram!! E mais??

Astróloga - A carta do Sol pode revelar a faceta mais brilhante da sua mais que tudo...

Cliente - A carta do Sol! O meu amor vai ser uma loira! Tenho a certeza! Como se chama?? Já agora...consegue ver nas cartas se é depilada?? É que na última a moto serra não serviu de nada...


Astróloga- Calma...vai entrar na sua vida já depilada! Isso é quase certo! E...é a Rute que costuma vir aqui ao pingo doce!! Contente? É uma amiga! e será muito em breve! Se é loira ou não, não lhe vou dizer já!! Mas...um minuto, vou ligar para a uma amiga...para saber mais pormenores!

Cliente- A Rute?? Mas a Rute não é aquela prostituta que costumava estar na Roulote do Zé Diogo consigo? Vocês não tem filiais para saber mais pormenores?

Astróloga - Menos! Não lhe admito! A Rute foi uma prostituta!! Agora trabalha na Associação " Fui Prostituta, mas agora dou de graça". E sim, caso não saiba, temos várias filiais espalhadas. Deixe-me ligar para Mercúrio que está em transição. Eles andam sempre em transição, depende dos horários das carreiras...é uma loucura isto dos astros!

Mercúrio- Sim, boa tarde!?

Astróloga- Olá, sou eu!!

Mercúrio - Paizinho???


Astróloga- Não colega!! Aqui fala da filial de lisboa! É o seguinte colega...tenho aqui um cliente que quer saber se o próximo amor dele será loira e depilada. É possível dar-me aqui umas luzes? Porque eu sei que é a Rute, que costuma ir ao Pingo Doce, mas não tenho a certeza total se é depilada ou não...e como sabe não quero que os clientes saiam daqui com incertezas!

Mercúrio - Colega gostava de ajudar mas neste momento tenho a extensão de Júpiter ocupada com algumas indefinições e queixas de pessoas que estão a ligar a dizer que a vida não está a correr da forma que foi dito que iria correr. E por sorte a Rute foi uma daquelas que ligou, porque ao que parece queixava-se que tinha um pelo encravado! Talvez tenhamos aqui a resposta nos arquivos! O Pingo Doce não tinha Veet em espuma...

Astróloga - Ahhh colega...consegue saber com toda a certeza essa informação? É um cliente especial, já cá veio várias vezes e paga à vista e quando não pode pagar, sabe como é...induzimos em erro para voltar de novo...

Mercúrio - Qual é o signo que tem aí em mãos?

Astróloga - É Capricórnio.

Mercúrio - Ai que carago!!! Esses capricornianos e os seus moralismos! Esses são complicados! Olhe enviei agora mesmo um email para a Lua que diz que diz que iniciou a fase crescente hoje, precisamente 9 de Outubro.  E com Vénus ocupadíssima com Plutão em vários acordos de estabilidade espiritual é complicado dizer-lhe neste momento algo que agrade ao cliente. Já foi à loja do Areeiro?

Astróloga - Ainda não tentei por lá!

Mercúrio - Pois então, tente! O Anjo Gabriel está no guiché 12, tire uma senha e será melhor ir lá expor o caso.

Astróloga - Muito bem! Obrigado!

Cliente - Então?? Como ficou??

Astróloga - Isto vai dar muito trabalho e só vai baralhar as suas ideias!! Espere....espere....estou a ter um afrontamento...

Cliente - Um quê??

Astróloga - Uma visão!!! Vejo ursinhos a pairar no ar...o peixe entrou dentro de água...o leão comeu a virgem...o escorpião envenenou sagitário...aiii não....não posso...não acredito no que vejo!

Cliente - Que raios!?! O que quê?? O que foi?? O que vê mais???

Astróloga - Vejo que o pêlo da Rute nunca vai desencravar...

Cliente - Fodasse!!! Vocês são sempre a mesma coisa!! Deixam água na boca e depois acontece tudo ao contrário!!

Astróloga - Ainda assim...são 30 euros...

Cliente - Pronto...está bem...e quando posso voltar?


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

DIZ NÃO AOS RELACIONAMENTOS...MAS DIZ SIM AO AMOR!



- A primeira pergunta que te quero fazer é simples. Namoras?

-Namoro...

-Consideras haver amor no teu namoro?


-Claro, amor existe, senão não seria um namoro!

-E liberdade? Existe nesse namoro?

-Bom...liberdade existe óbvio...condicionada digamos assim! Não é livre de fazer tudo o que ele quer assim como eu! Temos respeito um pelo outro e pelo que fazemos ou não!

-Então é um amor condicionado pelos atos que um e outro possam praticar?


-Sim...de certa forma! Não direi condicionado, mas mais numa linha de respeitabilidade!


-Como defines o amor?


-Não sei até que ponto posso ter uma definição de amor. É algo que surge que nos arrebata! Mas entendo o amor como o mais alto nível de purificação, de transformação. O amor liberta-te!


- Mas como te pode libertar se o usas como condicionante? Como o defines como livre se te privas a ti e ao outro? Um relacionamento condicionado é um relacionamento de ódio. 

-Ódio? Mas eu amo o meu namorado!

-Como amas, se privas a liberdade? Como amas se te utilizas do amor como arma de autoritarismo? Como podes amar, condicionando os passos da pessoa amada?

-Mas, isso é respeito! Respeito pela condição que cada um carrega na sua individualidade e que num relacionamento carece de concessões! Não posso andar a fazer o que fazia ou sair como saía, ou ir ter com amigos e ele ficar em casa ou o contrário! Amor é respeito também! E é isso que usamos para a manutenção dele.

-Mais uma vez relacionamentos baseados em regras e definições aumentam exponencialmente um instinto de ódio acerca do objeto amado. Quando crias regras no amor, quando o destituis da sua pureza na tentativa de resguardares o que entendes ser o mais importante, já perdeste esse amor. Aliás nunca o tiveste! Já reparaste que a maior parte das pessoas deduz o amor como um negócio empresarial? Cheio de regras rígidas, ciumes, invejas, o que se deve fazer e o que não se deve fazer? Como me podes dizer que no teu relacionamento se vive amor se os dois se condicionam à própria individualidade? Traçares o amor com teias e enredos de necessidades para fazeres dele uma caixa forte impenetrável é nojento! É inconcebível respirares amor, viveres de amor e dares amor!Porque nas tuas condições e exigências no amor de relação que tens, já tu mesma estás a privar o amor de ser feliz.

-Mas Bruno...amor também é isso! É luta, desejo, vontade, intensidade, capacidade de entendermos o que nos rodeia e como podemos ou não ir fazendo alterações.

-Entende...estás a falar de segmentos e traços de personalidade que se podem ou não agrupar definir ou indifinir numa relação. O que estás a fazer não é nada mais nada menos do que impor leis no amor. O amor é carente de leis? Leis para amar? Leis para voar? Leis para te sentires viva? Quando colocas o coletivo acima do amor, que é o caso num relacionamento já estás a votar o amor à prostituição. O amor só pode ser delineado como verdadeiro quando não interfere na individualidade do outro! E ainda assim, repara, há milhões e milhões de pessoas que vêem o amor como um contrato de necessidades para elas mesmas!

-Bruno...talvez possas ter razão aqui e ali, mas maioritariamente ninguém se baseia nesses pressupostos, porque na verdade a sociedade assim o obriga. Vivemos num mundo louco, de devaneios, de mentiras e omissões a cada canto, de pessoas necessitadas de amor, ávidas de amor.

-Mas quando essas necessidades não são satisfeitas o que acontece? O amor transforma-se em ódio! E simplesmente porque as pessoas criam demasiadas expectativas e frustram-se liminarmente!

-Já vi que és contra o amor!!

-Nada disso! Amor para todos!! Amor com todos! Eu estou e sempre estive contra a ideia da forma como as pessoas tanto se arrumam, como se encaixam e se desorientam na arte de amar. Ninguém se ama profundamente a si mesmo como foco para atingir patamares que os preparem para os relacionamentos. E por isso muitos ficam escravos do amor andando em loopings desenfreados em busca do conceito primordial do amor. E sempre esteve lá! O problema é que as pessoas buscam essas curas no coletivo e esquecem-se do seu eu....

-Já que sabes tanto...como defines o amor!?

-Não o defino...ele é...



BELEZA NÃO SE PÕE NA MESA...



Trabalhamos numa fábrica em que chamamos de sociedade e onde na mesma a beleza querendo ou não é um salvo conduto para portas que se possam abrir.  Se eu fosse realmente de uma beleza masculina estonteante estaria onde estou? Óbvio que não! 

Mas ainda assim não querendo descurar a beleza que é importante aos olhos de quem a dita como tal, convém dizer que beleza tanto pode ser acompanhada de talento como o contrário acontece também!

Nunca me considerei bonito ou como diria uma amiga minha: " Bruno nem estás num poço escuro, nem atingiste a luz ao fundo do túnel...estás numa espécie de limbo". ( So sweet!!)

Mas confesso que a beleza e esse impacto que cria nas outras pessoas está no ADN de todos. Ninguém consegue ficar indiferente sejam homens ou mulheres. Terias mais likes no facebook mais mensagens, mais pedidos de amizade se fosse dono de uma beleza estonteante? Talvez! Bom, não quero parecer demasiado humilde na apreciação  que estou a fazer e troco o "talvez" por uma certeza absoluta!

A beleza não reforma o teu intelecto e muito menos te coloca à margem se não tiveres talento. Quando a beleza existe por muito burrinho ou burrinha que possas ser há sempre tipos de trabalho que podes fazer sem que necessites de abrir a boca. Por exemplo: Modelo fotográfico...entre outros....

Mas quando me perguntam: "Gostavas de ser mais bonitinho não é? Bichinho...é tão feinho!" - A resposta que pronta é sempre não!

Primeiro porque o que eu escrevo poderia em vez de 10 likes ter 1000, em vez de 4 comentários ter 40  e em vez de uma mensagem privada de 6 em 6 meses, teria média de 6 por hora, verdade? Verdade! Mas apreciando bem o desenrolar de tudo e este ataque massivo de pessoas ou pedidos de amizade, apenas se reportariam não ao que escrevo, mas sim ao que aparento ser. A beleza tem o dom de transformar diabos em anjos e gente ávida de sonhos e fantasias.

Para muitos o consumar da felicidade está na beleza. E a velha história de que por muito que grites ao mundo: "Sou um Deus grego interiormente" isso cairá em ouvidos moucos. O impacto não é o que está dentro...é o que se vê por fora. Isso é o que causa impacto.

Tenho imensas histórias engraçadas de pessoas que leram o que escrevia, de gostarem da forma de ser e estar na vida e desenrolar de pensamento, amigas denominadas virtuais que forçavam praticamente um encontro no sentido de: "Tenho de conhecer esta pessoa!"

A escrita muitas vezes carrega consigo uma beleza indescritível que maioritariamente muitos e muitas transformam no seguimento de belezas totais que qualificam um no seu todo. Ou seja, transportam frases, letras e contextos para o mundo real, classificando assim o autor como dono e senhor de todas as suas necessidades.

Tive no mínimo uma mão cheia de agentes literárias sedentas de conhecer o autor, onde as mesmas comentavam , colocavam likes como se não houvesse amanhã. Que "maravilha" diziam! Que forma de sentir, de ver, de entender o outro lado! Chegados ao confronto real de quem é quem percebe-se que existe uma desilusão na arte com que os olhos são enganados. Não por mim, nunca por mim, mas pela ilógica fantasiosa que carregam consigo.

Isso sempre me irritou ligeiramente, porque esta busca a todo o custo por alguém que possa embelezar o nosso mundo às vezes é muito trivial e subjetiva. É certo que tenho o outro lado da moeda, onde tenho gente fantástica que conheço e reconhece o sentido real de toda a beleza constante tanto nas páginas escritas como no transporte para a pessoa. E essas sim, guardo e tenho para mim como verdadeiras pessoas que sabem dar o devido sentido a obras de arte. São as denominadas apreciadoras de coração, de sentimento, de humildade, de graciosidade que carregam em si pela forma como auscultam a beleza e dão sentido no seu todo à mesma.

O padrão de beleza que cada um define para si, apenas a si pertence. A beleza não é sinónimo de liberdade. Liberdade de ter, possuir, fazer uso e fruto de um corpo ou uma cara para se proporcionar denominações de felicidade. Muito pelo contrário. A beleza carrega em si uma prisão muitas vezes cruel e sedentária. Porque ficas preso à ideia que quanto mais bonito fores, mais depressa eternizas a felicidade. Acabas por te prender aos toques e retoques, embelezamentos exteriores que te denominam e classificam como um produto de venda fácil e acesso sistemático a qualquer altura.

Bonitos ou feios se arrancássemos a pele uns dos outros e nos apresentássemos quase como sub-humanos à vista desarmada tentando a conquista mediante o olhar nú e cru do que todos somos...ninguém aguentaria ver ninguém. Porque na verdade é o que somos e quem somos que define escolhas. E escolhas essas que carregam muitas vezes verdades indesmentíveis. 

É a olho nú, crente na ideia que o sentido da felicidade está no conhecimento e não no reconhecimento que alcanças patamares emocionais que te transformam.

Bom...quanto aqueles e aquelas que ainda fantasiam sobre a ideia de que um belo homem ou bela mulher é o reflexo de felicidade...keep on working....


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O AMOR NÃO TEM CULPA DAS FALHAS


Já todos passamos pela constatação de nos perdermos por paixões e amores. Já todos vivenciamos sonhos, auscultamos ideias e pronunciamos para nós mesmos deduções de amores eternos, que como cristais jamais se poderiam quebrar no sonho da manutenção eterna. E ainda assim relação vai, relação vem, acreditamos no mesmo destino, com a mesma necessidade de sempre, mas sem a convicção necessária para carregar o amor onde ele necessita de estar.


Amores da treta e desengonçados, amores disformes e incaracterísticos. Adoramos a eternização que facultamos ao amor como semente que irá crescer sempre à margem de qualquer tipo de problemas. É o engano nas peças de engrenagem, é o engano nas pessoas, nos vínculos, nas constatações idealizadas pelas nossas necessidades que A ou B serve e servirá os nossos intentos. Será desta? É desta que posso ser finalmente feliz? 


E quem me fará feliz? E quem eu farei feliz? E que conceito de felicidade suponho eu que poderei dar? O que se pode oferecer para eternizar amores? Com que medida podemos acalentar a esperança? O que é necessário? O que o outro precisa? E do que eu necessito?


Porque nos enganamos tanto neste vai e vem de relações? Porque uns sofrem? Outros sorriem? Porque uns brincam aos sentimentos e outros brincam às mentiras? Porque uns amam e outros prostituem sentimentos? Porque uns se eternizam e outros não? Porque uns saltam do barco e outros acalentam chegar a bom porto? Porquê as promessas falsas? Porquê as omissões? Porquê a manutenção da dor? Porquê a pouca compreensão? Porquê o ciume exagerado? Porquê da obsessão? Porquê as dúvidas? As incoerências? As ideias pré concebidas? Porquê da falta de confiança? Porquê de nada e o porquê de tudo?


Na verdade ninguém se conhece a ninguém, mas todos nos subjugamos a todos na tentativa de experimentar o que ainda não foi experimentado. Em nome do amor todos desejamos a manutenção de sorrisos, mas maioritariamente produzimos lágrimas. A inconstância que cada um carrega consigo nada tem a ver com amor. Pessoas reclamam, pessoas magoam, pessoas cometem atos hediondos em nome do amor, pessoas duvidam, pessoas reclamam guerras insensatas, pessoas....desiludem!

A falha dada ao amor é completamente insensata. O amor não falha...progride. O amor não mata...eterniza! O amor não subjuga...liberta! Pessoas...ahhhh...pessoas, essas, já são de outra estirpe...são humanas! E como humanas acalentam a ideia de que o amor é a salvação da conjunção de dores tidas.


 É o ópio da cura, para novas histórias onde se reescreve novos nomes e onde se busca a verdadeira lenda de amor jamais contada.

Andamos sempre em busca da velha esperança " Será desta? É agora?" e rapidamente acordamos e voltamos à mesma questão nestes loopings cansativos de relacionamentos: "Mas porquê? Porque mais uma vez não deu certo!"

Deixem que vos diga que o que falha não é o amor. São as falhas! São o levantar do dedo, são as dúvidas, são os insensatos e na prática o desenrolar de defeitos que vão sobressaindo à medida que o amor vai ganhando créditos. Estão redondamente enganados se procurarem falhas no amor. 


O amor não carece de falhas, não exige falhas, tempos, mentiras ou omissões. Falhas não se eternizam, amores sim. Falhas destituem o amor da sua verdadeira concepção. São as falhas humanas, são os olhares de descrédito, são a faltas de atitude, de melhoramento. São as falhas que encobrem o amor numa nuvem negra.


É este gigante de defeitos que permite que o amor seja conotado como impróprio para consumo. É este gigante de defeitos que nos corrói de suposições, de ideias concebidas de que não servimos ou não servem para nós.


Gritamos a meio mundo: " Já sofremos tanto por amor!" Errado!! Não sofremos porque não cuidados de amores! Sofremos porque não cuidamos de falhas! Umas atrás de outras vamos deixando prescrever as falhas, como se as mesmas não tivessem ainda obtido o medicamento certo para a sua cura. Que ousadia a nossa, tantas vezes cegos da eternização do amor quando na verdade...eternizamos falhas.

Pessoas transformam relações em hospitais de amor, de curas instantâneas. Medos, receios, desconfianças carecem da necessidade de curas para melhoramento da visão do amor.


Da mesma forma que Deus não tem culpa daquilo que em nome dele é feito...o amor não tem culpa das falhas que em nome do mesmo...é praticado...


Cultivas o amor em nome das falhas? Ou cultivas as falhas em nome do amor?

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

QUERES CASAR COMIGO TODOS OS DIAS? SE DISSER QUE NÃO CASO LEVO NA TROMBA?


Pedro chagas de Freitas em " Queres casar comigo todos os dias?"

«Ela chegou, pousou a mala. Ele, no sofá, olhou-a. Sorriram. Ela aproximou-se dele. Passou-lhe a mão pelo rosto. Sorriram. Ele abriu os braços, aconchegou-a como se aconchega a vida. E viveram.» -
Bruno Fernandes em “ Se disser que não caso levo na tromba?”

«Ele chegou, pousou a garrafa. Ela meio vesga, perguntou: “Fodasse…outra vez bêbado?”. Sorriram. Ela aproximou-se dele. Passou-lhe o nariz pela boca e disse: “Tresandas a aguardente!” Ele mijou-se a rir. Ela ergueu os braços e questionou: “ De quem é o baton dessa cabra no colarinho??” Ele inventou uma desculpa. E viveram...cada um na sua casa»
Pedro Chagas de Freitas em : "Queres casar comigo todos os dias?"

Sei-o sempre que por minutos parece que vou perder-te, numa discussão das que vamos tendo. Discutir é abrir a válvula do amor, deixá-lo respirar, sangrá-lo para poder regressar à estrada. Nenhum amor aguenta sem sangrar.

Bruno Fernandes em : "Se disser que não caso levo na tromba?"

Sei-o sempre que por minutos parece que és uma doida varrida, feita galinha aos gritos pela casa, nestas discussões ilógicas que vamos tendo. Ora é alguma gaja que ando metido, ora são os ciúmes, ora são os filmes inventados. Abrimos a válvula do amor numa tentativa vã de diabolizarmos e exorcizarmos! Chega!! Eu amo-te amor!! Amo-te!! Amo-te intensamente!! Amo-te como....

-Olha lá Carlos…queres parar com a conversa da treta…?
-Tá bem amor…desculpa…
-Que lamechas...

Pedro chagas de Freitas em: “ Queres casar comigo todos os dias?”
Escraviza-me completamente e faz-te escravo de mim, ordeno-te. Não seguimos os manuais. Os manuais que ensinam o amor em part-time, o amor saudavelzinho. O amor em doses. O amor dividido em rações. O amor como uma empresa. Que tristeza.

Bruno Fernandes em “Se disser que não caso levo na tromba?”

-Escraviza-me completamente e faz-te escravo de mim, ordeno-te!!!
-Hã? Vê lá se baixas é a bolinha…que não estás a falar com um dos teus colegas! Isto aqui não é as meninas da ribeira do sado é que é!  Aqui não há ordenações e nem contra-ordenações!
-Amor, vamos nos deixar de cores e sabores e amores saudáveis!! Rasga-me toda!!! Não quero amor em doses!! Possui-me de todas as formas como o Fonseca fez o ano passado comigo!!!
-O Fonseca??? Bárbara…tu traíste-me com o Fonseca? Aquele que fala tipo à “sopinha de massas”???
-Hummmm....ahhh…amor...vais dizer que não tinhas notado que eu estava mais flácida vaginalmente? Ohhh  god….

Pedro Chagas de Freitas em "Queres casar comigo todos os dias?"

«Ela disse: às vezes acredito na eternidade. Eu e tu como aquilo que nunca acaba. 
Ele disse: deito-me todos os dias com essa fé na cabeça. Mas depois adormeço. 
Ela disse: não nos consigo situar no tempo. Não sei quando começamos. Nem sei mesmo se alguma vez começámos. Quando começámos já estávamos a meio. Como se nunca tivesse havido um começo. E é isso que me faz acreditar que talvez não tenhamos fim. Ele disse: faz sentido.»
Bruno Fernandes em “ Se disser que não caso levo na tromba?”

Ela  - Às vezes penso que tens fibromialgia na pila! Eu e tu sempre como aquilo que nunca acaba! É cansativo!

Ele-Deito-me todos os dias com fé que melhores dias virão! Não tenho culpa se tenho espasmos na pila!!!  Sabes porquê??? Vejo-te nua…e é quando começam as insónias….e talvez por isso a pila não funcione contigo!

Ela – Não estou a perceber! Nem sei mesmo se algum dia poderei perceber o que dizes.! Entre nós não há começos ou fins Carlos! Nem a bomba do teu pai de enchimento funciona mais contigo!! É hilariante! E é isso que me faz acreditar que talvez os dois angolanos aqui do andar de baixo me possam ajudar…já que tu não podes…

Ele- Faz sentido amor…posso assistir?









ARROGÂNCIA - O REINO SEM COROA...



O mundo realmente é um lugar às vezes insípido no que toca a sentimentos e formas de ser de muita gente. Tenho tentado falar com o mundo da melhor forma e com isso também equilibrar o sentido lógico de mim para os outros e dos outros naturalmente para mim. 

Era necessário ao mundo ser regulado por tanta insensatez? É uma luta desumana neste encontro de almas que às vezes temos uns com os outros. Em cada 10 filhos da mamã e bonzinhos que nascem, 7 irão tornar-se autênticos filhos da puta. Não há que ter medo de o dizer. Gente ávida de sucesso, de nariz empinado, que se acha melhor do que os outros debaixo de capas de humildade forjadas em lutas vazias e que ainda assim contam histórias de luta, batem no peito como gente honrada, esforçada e dedicada ao "sofrimento", quando na verdade nem sabem o que isso significa verdadeiramente. 

Detesto se sempre detestei este tipo de gente que nada mais é do que gentinha que na sua graciosidade e eloquência pensa que um punhado de amigos riquinhos, família de brasão de ouro, de status garantido na vida, estudiosos da sociedade nos seus belos carros, casas ou empregos se denominam como verdadeiros lideres de sociedades que se escravizam a seus pés.

Gritam , revoltam-se, criticam, mandam e desmandam a seu pelo prazer, esquecendo-se tantas vezes ou não...que no final deste ciclo da vida o seu corpo ficará misturado entre lama e a podridão, que não é mais na verdade do que o verdadeiro sinal daquilo que todos merecem pelos seus atos.

Detesto gente mesquinha, mas adoro aprender e beber da sua própria ignorância. E para isso visto sempre a capa do cordeiro e humilde na tentativa de me subjugar ao seu reino, fazendo parecer ao outro que a sua força é inimaginável. É o retrato de uma luta onde a falsidade ganha contornos de batalha contra a arrogância. É necessário e é fundamental que mesmo na luta pela verdade o papel de falsário seja implementado como uma cura de nós mesmos. Poderás dizer: " Mas amigo, ser falso vai contra a essência do que é ser bom e verdadeiro!" Não!! Para lutares contra a arrogância, tens de estudar bem o teu "inimigo", perceber os seus passos, as suas formas. Observar o seu crescimento.

Os tempos mudaram, já não podemos ser David contra Golias. Hoje com a panóplia de sofrimentos, de espezinhamentos, de criticas, de arrogâncias exacerbadas...deixamos de ser David contra Golias. Essa observação requer um planeamento ao estilo de 007! E só vences a arrogância dos outros quando a tua capa de falsidade estiver perfeitamente oleada.

Porque a única forma da arrogância não penetrar em ti em que tu não mais te subjugas ao que ela possa ter impacto em ti,  é quando a vires como uma doença digna de cura. Quando a perceberes como algo que não te pertence, quando mesmo subjugado a olhas nos olhos e dizes: " Estou imune a ti". E isso só acontece com um trabalho interior que te capacita para não seres um dos muitos milhões de filhos da puta  que existem. Porque...os há!

Adoro sinceramente fazer o outro de estúpido numa tentativa vã muitas vezes de que ele se entenda a si mesmo e perceba o verdadeiro significado no espelho do seu espelho daquilo que realmente é.

Adoro entrar em contato com gente de nariz empinado que muitas vezes por entre os seus sorrisos de lamento falso de um olhar compadecido connosco, não é mais do que a sua própria arrogância a falar mais alto. Percebo sempre nas entrelinhas por entre os altos da compadecida a frase sublimar que passa em rodapé: " Coitado...".

Durante a minha vida tanto eu como talvez vocês desse lado passaram por situações inúmeras, seja com chefes, amigos, namoradas e namorados, que de certa forma e invariavelmente aquele toque emocional de grandeza soou naturalmente aos vossos ouvidos.

Gosto de perceber estas assimetrias existentes na alma humana. Esta classificação dadas a uns e desclassificando outros como sub-seres de um mundo invisível. Sempre gostei de me sentar no meu humilde trono talhado a madeira e espinhos e perceber que no sangue que verte do meu corpo a cor não classifica ninguém na hora da morte.

Queremos ou desejaríamos tanto mudar o mundo, alterar conceitos, vivenciar tipos de sentimentos que fossem unânimes a todos. As pessoas vivem na verdade de classificações sustentadas por aquilo que a sociedade fornece. O status, a grandeza, as hierarquias, as fugas ao sofrimento de todas as formas e feitios. As pessoas vivem para reinos sem coroas. Vivem do toque de trompetes sem sinfonia, de aplausos em circos vazios.

Adoro gente arrogante, falsa, que se fundamentam em mundos e opções fora das emoções necessárias para o complemento da vida. Não gosto e nunca gostei de gente que se quer fazer parecer mais esperta que o outro. Não gosto de gente que entre   mansos, conversas de santo onde o pecado é apenas uma simbologia dos tropeços da vida. Gente que se faz de santa ou santo na tentativa de tapar os seus buracos mais profundos, mostrando a sua grandeza através de falsidades e lutas incrivelmente ultrapassadas.


Gente vaidosa, fiel à sua teimosia que teimosamente as deixa inertes na sua própria embulia cerebral. Adoro perceber nesta onda de cartazes espalhados pelo mundo onde a mensagem sublimar entre olhos ternos e sorrisos lindos não passa apenas de um: " Eu acho-me melhor do que tu".

Simplesmente acho genial perceber nos outros e beber dos outros toda esta informação onde me saboreio com intensidade daquilo que mais necessito na vida.

E o que mais necessito? Os aplausos...ou os abraços sentidos?

Diz-me tu...