terça-feira, 29 de novembro de 2016

LARES: OS FILHOS QUE HOJE AMAS...VÃO-TE AMAR AMANHÃ?



Tu tiveste todo o tempo do mundo para mim. Alteras-te a tua vida, subiste montanhas, andas-te sozinha por cantos e recantos carregando o amor por essa criança em dias tenebrosos de sol ou chuva. Enfrentas-te limbos carregada de coragem contra todo o tipo de monstros. Limpaste lágrimas, ativaste sorrisos. Foste a muralha impenetrável, mesmo quando te humilhavam com todos os cortes ou feridas. Protegeste dos males do mundo a tua preciosidade. Deste de ti, retiraste de ti, enfrentaste, combateste, reagiste, nunca fugiste! Tu que perdeste horas de sono, horas de sonhos, objetivos que ficaram para trás, tu que só tinhas uma vida para sonhar, preferiste que eu mesmo a sonhasse em prol de ti. Tu foste criada, foste amiga, foste confidente, foste motorista das minhas emoções.

Tu...que agora jazes aí sozinha, perdida nos teus atos de amor que outrora tiveste e que agora nada mais te resta, senão a companhia da solidão. Perguntas tu: Porque nos abandonam? Porque nos deixam à margem numa casa isolada? Porque nos votam à desconfiança de nos tornarmos um peso pesado na vida de quem pusemos cá fora? Que merecimento este que me calha? Que amor te resta então, de ti meu filho, para mim? Porque me deixas aqui? Porque não cuidas de mim? Porque me isolas num mundo para que o teu brilhe sem mim? Porque carrego eu esta cruz...e no final...no final...diz-me minha criança....que mal te fiz?

É isto que resta de mim? Foi isto que fizeste de mim? Eu que te amei...que te tive junto ao meu peito em todas as horas. Eu que te limpei de todas as sujidades do corpo e da alma. Eu...que era tão feliz....ao ver-te feliz! Que voto mereci eu, que da espada da tua injustiça não sobrasse um pingo de amor por...mim....e por ti? Não vês como sofro? Sofro em cada dia que passa que não escuto a tua voz. Em cada lágrima que por ti ainda derramo. Que saudades de ti meu filho. Porque não sinto o teu amor por mim? Tu que cuidas agora de novos amores, de novas vidas, que me dotas ao teu esquecimento...quem sou eu para ti? Ainda te lembras de mim? Eu mãe? Eu Pai? Eu amiga? Eu destemida e corajosa? Eu lutadora e benovelente?

Eu que dei tudo de mim...em prol de ti? Não pretendo o teu retorno a todas as horas. Não meu filho!  Não quero que te percas na canseira de me poder visitar. Não pretendo o teu retorno, não pretendo parar a tua vida, ser um problema a mais pelo qual tenhas que cuidar. Não meu filho! Lembra-te...tudo o que dei de mim, dei-o com todo o amor. O que necessito de ti é que me respondas se o filho que foste ontem é ainda o filho que és hoje?

Não pretendo o teu retorno a todas as horas. Não meu filho! Peço-te perdão se ainda sou ou posso ser um obstáculo na tua vida! Quero-te bem até ao meu último suspiro. Ahh....meu filho...quem me dera a mim ver-te todos os dias, pegar-te, ainda no teu colo, encher-te com todo o meu amor. Que saudades! Que vazio imenso!  Não te preocupes meu bom filho. Não pretendo o teu retorno, porque não quero que pares os teus sonhos. Nunca o quis! Não pretendo que te percas na minha agonia. Só preciso que me digas,  que te lembras de mim...pois ainda que não o faças...eu lembro-me sempre de ti...

domingo, 27 de novembro de 2016

MULHER - O ENCANTO DA CORAGEM




Ela queria correr mundo, queria ser mãe, queria ser professora na arte de amar, arquitecta de paixões, médica de corações, mecânica de emoções. Ela queria ser amada, queria ser grande, queria ser construída, constituída pelos seus valores. Queria ser engrandecida, lembrada, adormecida no leito, amada no conceito. Ela queria ser diferente, queria ser a mudança no mundo. Ela queria ser o grito da emoção, queria manter o olhar da paixão, queria ser o fogo que rega de emoção os sentidos. Queria ser a alteração de valores, a concepção de identidade que marcasse na pele a diferença. Ela queria ser valorizada, queria ser destemida, queria ser entendida. Ela queria ser o desígnio da verdade, a letra que indicasse o caminho para o conceito da sua verdadeira liberdade.

Mas, ela foi espoliada, ela é violentada, ela é humilhada. Ela é traída, ela é trocada,  ela é destituída do seus amores, das suas paixões, enfrenta os limbos das suas razões. Ela é céu, ela é inferno. Ela é infernizada, denominada como objecto de fraqueza de intensa. Ela é a puta, a insensível, a dramática, a instável. Ela é a consumista, a desvairada, a doida, a perdida. Ela é a gorda, ela é a magra. Ela é a feia, ela é a bonita.  Ela é a inconsequente, a burra, a interesseira, a desmedida nas palavras. Ela é a ilusão e desilusão. Ela é a fraqueza, a insensatez a benevolência a humildade. Ela é Marte e ela é Júpiter. Ela é Adão e ela é Eva. Ela suporta, ela consome, ela destrói e constrói. Ela é tudo e ela é nada. Ela está onde ninguém está, ela cuida, onde ninguém ousa cuidar. 

Ela chora na solidão, perde-se na intensa multidão. Ela ri, ela desliza na pista de dança, conserva a sua esperança. Ela é o grito do desejo, a força do seu fogo e a arma do seu encanto. Ela é tudo...que o homem não suporta ser.




quarta-feira, 23 de novembro de 2016

HOMENS E NAMORADAS - CONCESSÕES E LIBERDADES....



Não me lembro de em alguma ocasião,  ter olhado para alguma ex namorada e ter tido a ousadia de a chamar a atenção fosse pela indumentária, fosse até porque em algum momento me pudesse dizer: "Vou ter com um amigo". Para as homens as luzes acendem-se automaticamente quando a sua denominada amada decide que usar da sua própria liberdade é fazer uso de uma necessidade que a ela pertence e para o qual a mesma trabalhou em si.

Dizem que os homens são os verdadeiro machos porque são senhores do seu nariz, verdadeiros chefes de família, da segurança, da estabilidade. São os garanhões, os salvadores das donzelas que em apuros necessitam do seu lado da segurança intensa que os mesmos proporcionam. Ora...tretas! Bullshit! Desculpem a ousadia mas mulheres incapazes criam machos medrosos. Na verdade a maioria dos homens são um bando de maricas que do alto da sua coragem, cegos pela covardia que os assola transformam os seus medos em sinais preocupantes de homossexualismo enrustido.

Ora...repara...tu que estás aí desse lado. Tens namorado, marido, ou possivelmente vives em união de fato e deduzes que para ti, que o respeito se centra naquilo que ofereces ao mesmo. Na tentativa de expressar que esse mesmo respeito pelos receios dele, são validados pela falta da tua liberdade. É uma balança em que o nome mais ouvido não se digna a ser chamado de justiça ( porque essa não existe), mas sim de concessão. Moralmente achas até correto que sair com amigos, sair de saia curta, falar com alguém, pode ser visto como uma falha do teu carácter ou desvio de personalidade.

Deves respeito, és uma senhora, uma lady com namorado, dentro de um casamento, ou em  união de fato e por isso mesmo a ousadia que tens em usar dessa liberdade que é tua pertença,  pode ser usada contra ti como uma arma de arremesso. Porque ao usares dessa tua liberdade, da tua vontade, não retiras a liberdade do outro...retirar protagonismo. E o grande problema é que os homens amam protagonismo. Eles tem de ser o teu mais que tudo. Em primeiro lugar eles, o amor deles, a vontade deles, os direitos deles, o prato na mesa é para eles, a roupa passada a ferro é para eles, a roupa estendida no varal é para eles, a confraternização com amigos é para eles. Tudo...em prol...da liberdade deles...não da tua! Quem pensas que és tu na verdade? Tu não tens direito a nada pobre mulher!

Tu não podes usar uma saia curta que o menino fica aborrecido, não podes pintar mais os olhos ou lábios que ele entre em curto-circuito. Não podes sair com algum amigo. Que amigo? Mulher que é pertença de homem não sai sozinha com amigos! Quem pensas que és tu? Eu tenho o pessoal do futebol! Mas tu? Ahh....tu tens roupa para estender! Mas é amor...são as concessões! É a liberdade de um em prol de outro!

Produzes e crias machos amaricados, porque o alimento do lobo necessita que vergues a tua condição de mulher liberta de amarras em prol dos receios do homem de barba rija. Sim...aquele que te encosta à parede, que te pega por trás, que te segura no cabelo, que te pergunta ao ouvido se gostas do jeito que ele faz...é o mesmo que se mija de medo que a tua liberdade afete a sua virilidade.
Perdido na ideia de que a sua virilidade pode estar a ser colocada em causa. E logo...perante esse fato, o fato da ideia da perda, da traição, dos olhares que se desviam, criam naquele homem de barba rija que não tem mais do que fraldas recheadas e húmidas de medos incessantes de que o mesmo pode ficar só. É uma nova verdade que se abre perante a ousadia da tua liberdade.

Em prol de um namoro ou de um casamento, fazem-se promessas de concessões e ideias estapafúrdias em nome do amor. A minha liberdade, pela tua liberdade e felizes para sempre...excepto quando se percebe que os machos outrora amaricados se transformam em monstros e é quando surge a pergunta delas: " Se eu soubesse o que sei hoje....dei tanto de mim..."

Em conversas que fui tendo ao longo dos anos com amigos entre outras pessoas, sempre notei esta ideia nas conversas, de que, a minha "posse", a minha mulher, a minha namorada, a minha mais que tudo, não deve, não pode, não aceito, não permito, não consigo. Porquê? Porque fico nervoso, fico aborrecido, não tolero, não partilho, não aceito. Parto a cara a um, parto a cara a outro, desfaço A, B ou C.
-Sou macho!!! - Diriam eles!!
-No...you are a fucking bicth...but you don t know yet...



terça-feira, 22 de novembro de 2016

OS HOMENS SÃO UMA SIMPATIA....



Sabem quando os pássaros cantam os cantares dos deuses entre momentos que num pluralismo romantizado é praticado entre os mesmos? É o momento em que deduzes que crescem borboletas na tua barriga e dizes: " I m in love for that Man" Ai...os homens são uma simpatia! Sempre prontos, disponíveis, acessíveis, respondem de forma praticamente automática aos sorrisos e formas de entrega que a carência da inércia que vitimiza a  pobre mulher que se deduz apaixonada, não poupa esforços e em surdina lhe diz " É desta vez!" E o que cai na rede é peixe....os homens são uma simpatia...

São uma simpatia de testosterona elevada. Inicialmente sempre prontos a ouvir, disponíveis para agradar eloquentemente corações. Que os mesmos acham que merecem por momentos, apenas o abrilhantar da ilusão para o seu ataque final.

O foco não produz o nome do desejo da salvação por aquela, que por momentos anseia que o seu amor seja finalmente alimentado. O seu foco por entre risos malandros e formas de estabelecer ligação resume-se na conquista do objeto a ser conquistado e apenas isso na sua maioria das vezes. Objeto esse que produzem cinematograficamente falando, na sua tela interior a reprodução do seu desejo mais recôndito entre gritos interiores de força moral : " Give power to the dick!" O desejo de possuir incessantemente a musa do seu momento! Os homens são tão simpáticos...

Não existe um amor contextualizado e definido a não ser o amor que tem ao seu órgão sexual e reprodutor, como forma de marcar a sua posição perante as princesas, que desgraçadamente se encontram perante o penhasco da carência e necessitadas de amor. E elas, destituídas da sua verdade, agarradas às ilusões das mentiras, aceitam de braços abertos a oportunidade que se apresenta perante si. Eles, felizes pela fraqueza das lágrimas, pela desgraça iminente do seu mundo, pela carência demonstrada da sua presa, redobram-se em esforços para conseguir mais ativamente chegarem a bom porto e dessa mesma forma acalentarem receberem os louros, como os salvadores da pátria. Os homens são tão simpáticos...

É a lei do pensamento mais bruto que intensifica a campanha do " Quanto mais depressa abrires as pernas, mais depressa me amas". Os homens são uma simpatia...

Perante a triste ideia da enganação, omissão de mentiras e meias verdades, produzimos afetos desprovidos da intensidade e proporção à ideia, que as mesmas retém e desejam para si. Sempre prontos, disponíveis, de sorriso largo vão afagando ligeiramente entre frases bonitas de se ouvir e mãos disponíveis para os afagos a teia assassina que designa naquele momento o " Já estás apanhada". Os homens...são uma simpatia...

As desprovidas de amor, as necessitadas com ardor de alguém que lhes possa sussurrar eternamente ao ouvido " Estou aqui para sempre" recriam-se entre uma e outra relação no seu próprio santuário de simpatias, que ao longo do tempo se transformam no seu pesadelo mais profundo. Alteram a visão do amor, ganham defesas onde a a cor branca que outrora significava pureza em si, funde-se hoje com vermelho de sangue de dor e preto da eterna lamentação, onde o conceito de acreditar não passa hoje do descrédito que os mesmos as dotaram. Os homens são uma simpatia...

Fortes, destemidos, passeamos de mão dada com a pila, olhando para ela e deduzindo assim, que amor é um conceito eterno entre a verdade que penso e a mentira que prego...


domingo, 20 de novembro de 2016

HELP ME ...TO HELP YOU - AUTO AJUDA



Há uns anos atrás decidi ler o livro mundialmente conhecido como o  "O Segredo" da escritora Rhonda Byrne. Assim como vi também o filme. Um livro de auto-ajuda, que vendeu cerca de 3.5 milhões de exemplares no mundo. 

Há quem não perca tempo a ler este tipo de livros, porque acha uma pérfida palhaçada e outros existem que pretendem a todo o custo beber das energias e formas de melhorar a sua vida e atitude através das histórias de outros. Coisa que sempre detestei é fazer pré-julgamentos de atitudes ou necessidades de outros. Uns acham que a nada leva, outros que a tudo leva e eleva. 

Quanto a mim deduzo, tanto quanto sei nestas minhas humilde opiniões,  que há realmente pessoas, a quem chamamos de iluminadas. Isso nunca tive a mínima dúvida. E que simplesmente é dizer, que a percepção das mesmas, a sua inteligência emocional está tão desenvolvida, num patamar tão superior ao nosso que recorrer a uma visão que não é a nossa momentaneamente, não é mais do que tentar atribuir a nós mesmos a capacidade de querer mudar. 



Agora neste ponto temos visões diferenciadas. Eis vários segredos com os quais eu já lidei e poderia se assim o quisesse denominar-me como um ser "iluminado". Que não o sou, com toda a certeza. Mas sei, invariavelmente que para entender a vida é necessário que o sofrimento exista. Que a tristeza exista. Que o caos se instale. Ao contrário do que se possa querer afirmar que uma vida sem sofrimento, sem tristezas, mágoas ou caos é sentida e entendida....não é verdade! 

Os livros denominados de auto ajuda tem por força o de conseguir desviar a pessoa de si mesma. Este desviar é tão só a ideia de que as pessoas na realidade não procuram olhar realmente para si, mas formas pelas quais podem atenuar o seu sofrimento. Dizem que é uma espécie de ajuda, direi antes que é uma espécie de fuga. Nós temos sempre uma tentativa de fuga à justiça do nosso próprio eu. 

Quando eu li o livro do segredo e o fechei bem lá no final, sabia-o de cor de uma ponta a outra. Não porque me estivesse a achar a última bolacha do pacote, mas porque essencialmente aquele livro não tinha sido escrito para mim. Eu já tinha escrito o meu livro faz tempo. Todos nós passamos melhor ou pior cada um à sua maneira por autênticos desertos em busca dos oásis que raramente aparecem.

Quando o li, já tinha crescido só com a ajuda de uma mãe, já tinha passado por tentativas de suicido na família, já tinha morado em pensões, barracas em bairros de lata. Já tinha passado por estar desempregado, sem dinheiro para pagar contas. Já tinha vivido em casa sem luz, sem água. Já tinha passado fins de semana onde a única comida que tinha eram tostas secas. Já tinha passado por não saber quem era o meu pai, por saber que tinha 6 irmãos que nem os conheço. Já tinha passado por namoros em terras longínquas, de ter vivido sozinho. Já tinha passado por ter vivido com amigos, mulheres, homossexuais. Já tinha pegado nos braços pessoas entre a suplica de estar viva num momento e morta no momento seguinte.

Já tinha aprendido a viver de perto com mentiras, omissões, trabalhos humilhantes, patrões de egos inflamados. Já tinha viajado de continente em continente em busca de uma vida melhor. Já tinha deixado uma filha em prantos por não me ter, já tinha ido e vindo ao inferno de sorriso nos lábios e sempre com um "Está tudo bem".

E fi-lo sempre mas sempre olhando de frente a minha incapacidade como capacidade de altera o meu mundo. O que me rodeia. Deixei inúmeros amigos por todo o lado, apesar de em tantos momentos ter sido apontado como a pessoa que não tem amigos, que não tem família, que não tem consolo ou abrigo. Como diria o outro: Fode-te! Sabes lá tu o que é sofrer, tu que finges saber viver!

Encontrei na desgraça, no caos, em desertos de desnorte sempre amor no sofrimento. E fi-lo porque sabia que o meu livro, as minhas páginas, o que tinha de encarar seria sempre aquilo que a vida me oferecia naquele momento. Era o encarar de mim em mim e o encarnar em mim, a possibilidade mais negra,  que me fez sentir vivo para mudar. Eu.

Eu entendo que as pessoas procurem ajuda de variadas formas. Seja através de livros, psicólogos, guias espirituais, Deus, padres ou afins. Mas no que toca a mim sempre optei pela frase que tenho para mim de: Ajuda-me a mim, para te ajudar a ti.

E este ajuda-me a mim significa encarar a minha problemática, o meu caos, despir-me de receios, medos, afrontamentos e encarar os mesmos com um sorriso nos lábios dizendo:

Venham...porque não sou o que vocês desejam que eu seja! Sou...o que resta da força que tenho em mim!






sexta-feira, 18 de novembro de 2016

QUEM VIVE NA IMPOSIÇÃO DOS LIMITES....LIMITA A ARTE DE SER AMADO



O amor deve ou não ter limites impostos? Devemos nós em desfavorecimento do que somos e construímos, colocar barreiras, limitar passos, em nome do amor? E em favorecimento de quem se ama, para que com isso se estabeleça equilíbrios? Criando expectativas de felicidade cria-se amor? Limitando-se os passos não se limita a liberdade do ser?

Somos monogâmicos ou somos poligâmicos? Vivemos num mundo desde os primórdios já por si condenado a uma exigência de regras morais e éticas que a sociedade intensifica burocraticamente a cada década que passa. Liberdade essa não passa de uma fantasia, onde nos prendemos e desprendemos como presos com direito apenas a 1 hora de sol.

Gritamos sistematicamente a uns e outros " Eu sou livre!". Pobres coitados que nos dignamos ainda a achar presunçosamente que somos comandantes destas prisões invisíveis. Desde que acordamos até ao momento em que colocamos a chave na porta de casa pertencemos a eles. Não pertencemos a nós. Somos deles, não somos nossos.

Somos do capitalismo, da força trabalhista, somos das compras, das necessidades, somos das contas da luz, da água, da tv a cabo, das gasolinas nos carros, dos passes, dos transportes públicos. Somos dos filhos, somos dos pais e avós. Somos dos netos, dos tios. Somos dos amigos e companheiros. Somos das noites loucas, das festas intensas. Dos olhares trocamos, das bocas beijadas. Somos da namorada que teme ficar privada de nós, da mulher que corre em ânsia de chegar a casa cedo, para tratar do jantar. Somos tudo...tudo...menos liberdade! Somos de todos, mas não somos de nós.

Sou de ti, mas não sou de mim. Sou o colega de trabalho, sou o submisso do chefe, sou o filho da mãe, sou o solitário, sou o festivo, sou o amigo, companheiro, amante e deambulante de mão em mão. Sou da necessidade, sou do apontar do dedo, sou da xenofobia, sou da idolatria. Sou da obsessão, sou do puritanismo. Sou da religião, sou da espada da justiça e rebolo na injustiça. Sou o ladrão, sou o omisso, sou o traído, sou o traidor. Sou o fala barato, sou o gostosão. Sou o feio sem esperança, sou o medo sem coragem, sou da raça da indignação. Sou de todos! Mas não sou de mim! Sou tudo e não sou nada.

Não me perguntes sobre amor. Não me questiones sobre o esse valor. Valor que entendes que deves roubar para satisfazer a tua necessidade de ser. Que equilíbrios pretendes de uma liberdade já por si condicionada de vida? Que erros mereces dos erros que a mim  não me culpabilizam? Que feridas tomaste para que te definas como merecedora de amor intenso e ainda assim limitado?

Por quem me tomas tu? Que liberdade é essa  que desejas para ti e recrias no teu jardim esquadrões de soldados que se prostram a ti? Que liberdade no amor entendes oferecer quando o que procuras é apenas alimento do teu ser? Eu já me traí à minha própria liberdade. Já me doei, já me dei, já me esqueci de quem sou para adornar quem o é.

Não me falas de amor, de equilíbrios, concessões. Que treta mais ordinária requisitar em pedidos mudanças na arte de ser. Que fraqueza latente prender-se na alma as músicas que nos dão liberdade de dança. Tudo para os outros, nada para nós. Alimentamos os medos dos outros, tornando real o medo de dois. Oferecemos  a liberdade a um reduzindo a escombros a alegria do outro e chamamos de amor! Tolos! Insanos!

Só vivem de barreiras de medo. Medo de perder, medo de sentir, medo de ouvir, medo de trair, medo de querer e não ter. Medo do infortúnio, receio que o amor se embeleze da finitude e se arrasta para um buraco sem volta.

Somos de todos e que demência...não sermos de nós.






quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O QUE TE DIZ A GUERRA CRIANÇA?



"Não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que nada justifica tal sofrimento." - Albert Camus

Quem me salva do transtorno da guerra? Quem irá cuidar de mim quando todos se forem? Que maldição, que terrível maldição se apoderou de mim, de nós e de ti? Eu que nada fiz para merecer isto? Quem me ouve no meu lamento? Quem se preocupa com a minha fome? Quem sabe da minha existência e quem faz ecoar o meu lamento? Que maldição esta que não pedi? Pai? Mãe? Por onde andam vocês? Que morte me espera quando eu só queria viver só desejava viver? Onde paira a memória da minha casa? O meu grito devorador e incessante busca por ouvidos que me salvem, por olhos que se compadeçam da minha desgraça, por lábios que transgridam revoluções e corações que produzam rebeliões! Pai?? Mãe?? Onde estão vocês?

Está tudo tão escuro, tão vazio. Balas de morte, conceitos esquecidos, gentes perdidas. Pai? Mãe? Onde estão vocês? O que faço agora senão mesmo, que me permita a morrer no limbo que estou? Quem cuidará de mim? Quem me ouvirá? Quem são eles, esses homens maus que nasceram puros? O que é feito deles? E o que farão comigo? Quem são esses que me roubaram da luz e me entregam às trevas? Que fome tenho! Pai? Mãe? Onde estão vocês? Que guerra é esta? Que vida a minha? Estou tão sozinha, tão perdida, tão desesperada...tão incapacitada. O que fiz eu para merecer tal maldição? Onde está Deus? Onde estão vocês? Quem prendeu a liberdade? 

Pai? Mãe? Não vos escuto! Que medo! Medo da morte que vem e da vida...essa que se vai! Não me deixem! Não me abandonem! Não se desliguem, não me desliguem! Peço-vos! Por onde andam vocês que não vos escuto? Não vos sinto. Pai? Mãe? Que guerra é esta que nos despe de vida para nos cobrir de morte? Suplico-vos! Voltem meus pais! Voltem para mim! Voltem com o amor, voltem com os sorrisos, voltem com os abraços! Por favor....por onde andam vocês? Estou tão fraca...tão sozinha...

Que revolta a minha que não posso lutar! Que fome a minha que não me deixa rebelar! O meu sonho vê-se perdido, numa vida já de si distante. O ficará de mim? O que sobrará em mim? Pedaços de guerra? Que coragem terei? Que montanha subirei? Pai? Mãe? 

Vou crescer em silêncio, um silêncio interno! Era suposto crescer com gritos de alegria ao invés de gritos silenciosos que me rasgam a alma! São esses gritos que dão cabo de mim mamã e papá. Os gritos internos, feridos, que sucumbem a cada som.
Os gritos que  todos temem, o grito da fome , o grito da guerra , o grito deles de alegria ao matarem a nossa...a nossa pouca alegria! A alegria de viver, aquela alegria que deveríamos  cultivar dentro de nós.
Eles são tudo menos gente, eles são tudo menos pessoas! E eu papá? Como posso acreditar na bondade do ser humano se só sei ouvir gritos? Se só escuto dor? Se não vejo qualquer tipo de amor? Não vejo sangue por me ter esfolado papá! Eu vejo sangue porque me esfolaram! Esfolaram-me a mim , a ti , e a todos os outros! Esfolaram-nos a alma, porque o ódio deles é superior à bondade! Bondade? Desculpa papá...que bondade na verdade?

Se neste jogo, ao que chamam vida eles ganham, como podes tu dizer-me que ganharei o céu?  Então e eles papá o que ganham eles? E nós? Eu sei  que ao contrário de ti, da mamã, e de todos os outros, recuso-me a entregar a um ódio silencioso. É um mistério de humilhação intensa que não entendo! Não era suposto rebelarem-se contra tudo e todos? Não quero ser aquilo que fizeram de vocês, não quero ódio e com isso nem que me rasgue toda a apanhar migalhas de coragem! Eu rebelo-me!

Não quero raiva, quero apenas um cobertor onde possa curar a ferida que eles em mim deixaram. Algo que me afague, algo que possa deixar dormir por uns momentos. É tanto ruído! Curam-se com pouco as minhas feridas, sabias papá? Elas não são como as vossas. As minhas feridas são puras, porque eu me rebelo...em águas calmas e elas entendem a minha dor. É de paz a minha vida, mas é de coragem o mundo que anseio.
 
São puras porque não me calei num silêncio que não consegues escutar. É meu...exclusivamente meu. E sou tão gigante lá, que as minhas lágrimas viram oceanos onde o respeito impera. Sou apenas o curativo para a ferida, eu sou o curativo para o vazio, porque o vazio é o recomeço.  Não ligo nenhuma às vossas guerras.  

Vocês destroem-se, vocês dão-se por vencedores tantas vezes. Vencedores de guerras de pó. Eis ao que vieram e eis ao que voltarão e nada mais merecem do que isso mesmo.
E como posso desistir, só porque piquei o meu pequeno dedo no espinho da rosa? Vocês não dão luta, porque sucumbem ao medo. Percebam...a luta do coração só a pureza entende.

Mamã e papá aquilo que nos une será sempre mais forte do que nos separa. Olhem para mim, para os meus olhos. Olhos estes que tanto viram, tanto choraram ! Mamã e papá , eu acredito no amor, não acredito no ódio. Eu acredito no céu, não na terra. Mas mais do que desejar acreditar em tudo isso, como o quero, anseio ser muito melhor do que tudo isto. 

Mamã e papá , eu acredito nas pessoas boas, não nas más. Existem as boas e existem as gentes que não são gentes, os corpos sem almas, sem morada, sem poiso. Quando  eu chorei  não chorei de ódio não chorei de medo, eu chorei por pena.
Chorei por eles que desde novos desconhecem o amor. Papá e mamã, não chorem por mim e não chorem por nós. Chorem por eles, porque eles, esses sim são merecedores de pena. Que pena se tem de um assassino? A pena de não ter alma onde caiba coração.

Se algum dia me perguntarem o que sei eu da vida...posso responder com toda a certeza, que aquilo que eu sei jamais será aquilo que algum dia saberás....por uma única razão.

Sou criança coragem...


domingo, 13 de novembro de 2016

O QUE AS MULHERES QUEREM DE UM HOMEM?



A grande questão tanto do que as mulheres procuram num homem, como o que um homem procura numa mulher, sempre passou pela cabeça de todos nós em algum momento. E tanto um como outra pensam sempre: O que preciso? O que desejo? O que procuro? Com quem me identifico e que identificações são essas que tanto busco? Será o horóscopo? Uma música? Um livro? Um filme? Serão passeios? Viagens? Quero alguém que saia à noite? Ou quero alguém mais recatada (o) que fique por casa? Procuro quem partilhar as minhas pipocas? Quero alguém aventureira (o), menos ou mais atrevida? Prefiro alguém que me sussurre ao ouvido " Faz amor comigo! ", ou alguém que me diga sem papas na língua: " ? " Fode-me toda?"
Querem alguém que ame arte e literatura? Quero a gótica? Quero a católica? A muçulmana ou a cristã? Quero uma crente ou descrente? Quero a branca ou a negra? Quero a portuguesa ou a estrangeira? Uma de sagitário ou uma de escorpião, uma mais velha? Uma mais nova? Uma que já tenha sofrido ou uma menos sofrida na vida? Uma cheia de vida? Ou uma mais contida?

Quem pode ser a namorada certa? A analfabeta? A mulher de status? A arquiteta? A médica? A administrativa? A recepcionista? A lojista? A barmaid?  O mecânico? O advogado? O sensível ou insensível? Um mais ativo? Um mais passivo? Quero um magro? Um gordo? Uma boazona? Um avião? Ou simplesmente aquela que passamos na rua onde trocamos um rápido olhar que se desvanece por entre o nevoeira da vida, como D. Sebastião? Quero a indecisa? A certeira? A inteligente? A incapaz? A pobre? A rica? Quero um amor e uma cabana? Ou quero um banco? Quero a interesseira? A insensata? A louca desvairada ou a tímida?

Nós queremos tudo e na verdade não queremos nada. Porque o tudo que se deseja nem sempre é transformado na imagem que deduzimos uns dos outros.

Dizem que o que elas procuram resume-se particularmente e resumidamente a um TOP 10 de necessidades que as mesmas procuram para si, sendo elas as seguintes num homem:
Independência financeira, positividade, atenção, socialização, aventura, inteligência, paixão, sentido de humor, ambição e confiança.

Dentro destes quadros existe em cada um deles teias que se dispersam entre várias variantes. Elas são tão simpáticas como nós. E é
 necessário para nós,  ser muitas vezes simpáticos, porque a base da conquista passa também pelo cavalheirismo ( não exacerbado) e pela simpatia, que infelizmente e muitas vezes morre apenas na fase inicial. Uns e outros, homens e mulheres, tentamos à nossa maneira mostrar todas as qualidades que se vão evidenciando e desejamos que se evidenciem. E com isso surgem maioritariamente as paixões, os desejos  de ter, possuir aquela pessoa que tanto se evidencia para nós e dá mostras de ser a "certa". Será o momento de " Eis que é esta ou aquela?" Mas muitas vezes muitos de nós tocam no andar errado do amor e tantas vezes dizemos: " Ops...foi engano..."

Nem sempre corresponde à verdade a imagem que temos uns dos outros. Vejo inúmeras vezes e principalmente nesta onda das redes sociais, mulheres que tendencialmente vão colocando postagens do que desejam, do que sonham para si, de serem correspondidas infinitamente por um amor que lhes possa suprir as suas necessidades. Eu sempre fui muito astuto ou pelo menos tento ser no que me diz respeito a isto. E por isso mesmo a tentativa de ser cuidadoso e em muitos momentos sabendo naturalmente a minha valia e as qualidades que possuo, fui atrás de quem se deduz ser apaixonada por sentimentos e qualidades interiores num homem.

Mas muitas vezes deparei-me com falsas verdades. Querendo ou não uma grande maioria, uma percentagem enorme daquelas que se fazem passar por "viúvas emocionais" relativizam indiretamente o interior, dando como foco principal o exterior. Ninguém percebe isso, porque não está à vista, mas vive bem lá no interior.  Há uns tempos atrás, fiz uma experiência de criar um outro perfil, onde eu era o homem lindo exteriormente, com várias fotos a apresentar, mantendo exatamente as mesmas qualidades que eu tenho interiormente.
E fui ter exatamente com as mesmas pessoas que explanavam as suas súplicas de um homem verdadeiramente integro e com todas as qualidades possíveis interiores, para tapar as suas feridas. Não foi como forme de fazer pouco das duas intenções e muito menos com isso ganhar um protagonismo maior. Mas certo será dizer que ganhei. Não demoraram muito a aceitar os pedidos de amizade e a conversa essa foi num ápice. Tinha um amigo que me dizia que se fosse bonitão mantendo a forma que tenho, teria o mundo aos pés. Respondia sempre: Já o tenho, não pelos outros, mas acima de tudo por mim.

A percentagem de sucesso enquanto Bruno foi abaixo do esperado. A percentagem de sucesso enquanto um belo espécimen foi perto dos 100%. A quantidade de mensagens, as conversas, o " É de onde?", " Namoras?", " O que fazes?", " És lindo, como é possível estares solteiro"....etc, etc...deixou-me com um sorriso nos lábios, tanto o interesse, as mentes que brilham repentinamente com a visão de uma face ou corpo. o Marketing promocional, realmente faz um sucesso estrondoso!

E a maioria teimosamente nega veemente que o menos importante é a beleza.  Tretas...

E a pergunta voltou: O que as mulheres querem de um homem?

Respondes tu? Ou Respondo eu?




sábado, 12 de novembro de 2016

QUEM NÃO OUVE O AMOR DESCLASSIFICA A DOR



Quantos e quantas não se questionam com a mesma pergunta: "Porque não deu certo?" O que aconteceu para que aquela brisa da manhã que chegou de rompante possa hoje ser um quadro negro, indesejado, onde levantamos as mãos ao alto seja para a consagração do milagre de não ter mais ou seja para a injustiça sofrida de ter perdido sem nada ter feito para que tal acontecesse? 

Em que momento erra o amor? Em nenhuma momento! O amor não é validado com erros, não é apontado como a causa da monstruosidade sofrida. O amor nada tem a ver com erros humanos. O amor está como esteve e sempre estará firme no seu propósito de amar. Na verdade não sabemos quantificar e qualificar o amor como arte suprema e consagrar o mesmo da melhor forma. 

O que não dá certo, o que não corre da forma como pretendíamos não é o amor como forma de canal de utilização. O que falha na tentativa de trabalhar esse amor que temos em mãos é a comunicação. Não sabemos comunicar muitas vezes o amor da melhor forma. O amor nunca veio falar connosco e nos disse: " Senta-te aqui perto de mim, vou te ensinar tudo sobre mim". Nós aprendemos sobre o amor. Ele nada tem a aprender connosco! 

Quem não ouve o amor, quem não se prontifica a escutar cada palavra, cada frase, quem se perde em si mesmo ouvindo apenas o que de si concebe....desintegra o amor. Desclassifica, injúria, mal trata, despreza, desconecta o amor do ser amado. Há que demonstrar o amor. Há que abrir as portas do amor, despirmo-nos da desgraça que tantas vezes somos, da pequenez que carregamos. 

Apontamos dedos, insinuamos, batemos no peito sobre todas as acções que tivemos em nome do amor! E o amor grita contigo: "Nada me digas! Não me julgues, nada me tens a apontar porque a consequência da tua dor não é fruto do que sou!" Nós somos frutos do analfabetismo, da surdez e da cegueira que nos classifica e nos dota da imperfeição que carregamos.

Somos feitos de migalhas que apanhamos no chão. Um pouco de bondade, um pouco de solidariedade, um pouco de amor próprio, um pouco de amizade, um pouco de amor, um pouco de alegria, um pouco de tristeza, um pouco de tudo onde residam partículas que nos levem a colocar os louros e certificado na arte de amar.
Mas também apanhamos migalhas de desprezo, de vinganças, de ódios, de traições, de snobismo, de egos, de insensatez, de invalidez da alma. 

Bebemos da porta do conhecimento do bem assim como bebemos e usufruíamos da porta do conhecimento do mal. Alteramos conceitos, juntamos todas as migalhas e tentamos dar azo a uma comunicação onde pretendemos que sejamos ouvidos e amados exatamente da forma que achamos que devemos e merecemos ser. 

Muitas vezes o que é concebível para na nossa moralidade amorosa, não é concebivel para o outro. Terá o outro apanhado as migalhas certas? Terás tu errado na apanha das migalhas erradas? Quando assim é o amor é surdo, porque o mesmo se faz de surdo. Não lhe diz respeito esta luta de interesses onde os egos nada tem de benéfico na arte de ser amor e de se fazer a ponte construtiva e comunicativa que o amor requer que assim seja feita. 

A surdez do amor vive num intenso vazio de campos de batalha de soldados sem armas. É a guerra da inércia. A batalha solitária onde muitos agarram na espada da sua justiça por se sentirem injustiçados. A comunicação falha, o amor esse, resguarda-se num canto expressando em viva voz: "Essa batalha não me pertence" Os gritos que ecoam tentando dar voz ao amor sentido, ao amor não correspondido, às injustiças que se desdobram em acesas discussões de como e porquê são espelhos apenas do analfabetismo e da insegurança na plenitude de amar. 

As dores essas das migalhas apanhadas onde deduzimos serem as suficientes para definir o amor na sua totalidade. Amamos um conceito nosso, uma ideia nossa de que seguindo esse trajeto do nosso desejo do que queremos para nós, talvez assim consigamos atingir o pico do amor. Conhecemos pessoas que nunca vimos até ao momento que nos aparece à nossa frente. Com cargas emocionais diferentes, gostos e intenções diferenciadas, formas e coneitos de educação muitas vezes díspares. Amamos detalhes que transformamos em ilusões amorosas de que o nosso correto...é o certo do outro. Amamos o nosso conceito, amamos a nossa cegueira, a nossa surdez e desclassificamos a dor dos outros e as nossas. Somos uns seres iludidos principalmente pela falha comunicativa que o amor necessita.

Sempre tive de acordo com Fernando Pessoa que dizia:


"Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor."

Só existe uma forma de amar...só entendida quando esquecida. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

NASCI PARA SER UMA ESTRELA...




Tem sido cada vez mais recorrente o acesso a selfies mais ousadas de muitas mulheres, como forma a garantir que o sucesso de likes e comentários acentuem ainda mais uma legião de fãs através do culto do corpo.  Deduzo que possam elas pensa que: "Será que se mostrar o rabo, encontro a minha alma gémea?"

Como Sigmund Freud dizia: "Tudo na verdade se resume a sexo!" Reflete assim,  que o interesse que move mais de 75% das pessoas é sexo...

Não é um livro, não é um blog, não é o amigo que dá o ombro, não é uma página, um conceito de culinária, não são os balõezinhos enviados para o céu a favor de vitimas de atentados, de guerras ou sofrimentos. Não são os preços que aumentam, a globalização, os efeitos de gases de estufa. Não são os órfãos, os sem abrigo, os desiludidos, os bonzinhos, os desfavorecidos.  Não é a salvação das baleias, do  " Free Willy" (Well..."Fuck Willy") , golfinhos, animais em sofrimento que prendem a atenção.

São as bundas, os seios, a beleza, a putaria, a luxúria, as provocações, os olhares, as posições, os kamasutra e afins. O gosto pela provocação faz o deleite dos homens, assim como de muitas mulheres e ambos o sabem e ambos o querem. Faz parte...não há como fugir.

JC dizia: " Amem-se uns aos outros". Esta conotação de nos amarmos uns aos outros é simplesmente: Façam o bem uns pelos outros. JC não dizia: " Take a Selfie of your ass and you will enter in paradise!" -  O povo até entendeu tudo certo...mas decidiu fazer tudo errado. Well...fuck the paradise...

Na verdade o conceito de globalização também acentuou e arrastou consigo um novo conceito de liberdade tecnológica a que chamo de: Fodalização virtual nesta aldeia global de santas e santos que se transformam e crescem a olhos vistos. A proliferação da liberdade, de sociedades de consumismo, de beleza, de status do corpo, liberdade sexual, de correr pela venda mais fácil como forma de ter ganhos mais rápidos, transformou o corpo num jogo de marketing onde ninguém deseja que se vá à falência. 

Os homens esses tentam por todos os meios tentar manter esses impérios em pé, com palavras de força, dedicação, atenção, instituem e fornecem doses de auto estima. Os likes proliferam, os comentários arrastam-se uns atrás os outros. Venham mais rabos, mais seios. E o que mais se ouve: " Sell it, Sell it, Sell it!"

O corpo passou a ser uma instituição de renome, de facilidade de venda e de consumismo intenso.  A consciência essa...abriu leilões onde nem a preços de Low Cost a mesma consegue ser vendida.

Deixou de haver na verdade uma consciência de responsabilidade e passamos a ver a consciência como um sub-produto. Como me posso "vender" melhor? Que atributos, potencial, talento possam garantir um retorno mais facilitado? Tirar as calças e a blusa...pode ser uma vantagem para virar uma estrela...

Mas há sempre algum tipo de escolha! E na estrela que os outros se dedicam a ser através do culto do corpo, eu dedico-me a dar o corpo à arte do culto da escrita.

Por enquanto...os likes dos corpos vão tendo mais likes que a escrita. Resume-se apenas consciências diferentes de produtos distintos...

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

NA AMIZADE SÓ CABEM OS BONS...



"A amizade perfeita apenas pode existir entre os bons." - Aristóteles
Quantos de nós já não nos questionamos sobre as amizades que temos? Que tipo de amizades temos? Que conceito de amizade gera os equilíbrios necessários? Quem são os prevaricadores de amizades falsas? Quem se contenta com as nossas vitórias como se fosse deles? E quem se agoniza com os nossos sorrisos?

Quem são realmente os tipos de amizades que temos à nossa volta, que desejamos tanto para nós? São baluartes também da nossa existência? Ou são meras cópias procurando a todo o custo a nossa desgraça? Quem são os criadores de intrigas, incitadores de más línguas? Quem são os cínicos? Os sarcásticos, as caras metades? Quem são os que te apunhalam pelas costas? Os que tocam as trompetes da ajuda, para que no seu reino sejam agraciados com os louros do que fizeram? Quem ousa fazer-se mascarar-se de amigo?

Aristóteles, filósofo grego, dizia que a amizade perfeita apenas existe entre os bons. É preciso ter amor na amizade, é preciso atuar com verdade. A utilidade que um amigo encerra em si é um produto de liberdade de amor e ato de amar o outro. É preciso ser bom, porque são necessários sentimentos desprovidos de ataques, de insinuações, de falsidades, de pressões na amizade, de ganhos, de desejos, de vontades, de necessidades de fraqueza do outro, para força vital do mesmo. É preciso ser bom, porque é preciso ser gente.

Gente que sabe amar, que sabe cuidar, gente que se preocupa, que intensifica o amor, que adorna as dores, que limpa as lágrimas, que partilha sorrisos. É preciso ser gente que saiba definir a arte de se doar, de pegar nas dores dos outros, que se digne a carregar também o mundo do outro! Gente que valorize, que instigue, que fabrique sonhos, que se realize com as vitórias e mais importante que nos levante nas derrotas.

Ninguém precisa de amigos de batidas nas costas e cafés corriqueiros, de fossos intensos, de hipocrisias fingidas, de mentiras ultrajantes, de migalhas constantes. Ninguém precisa de interesses de quem dá mais e de quem recebe menos. As amizades dos bons não possuem  
portefólios de ouro. É preciso ser gente, gente que se ri com prazer, que chora com sentido, que abraça sem punhais, que entende gritos que ecoam.

É preciso ser gente que se abraçe na cumplicidade, que se ama na critica, que se reveja na força, que se deite com o outro num sofrimento em conjunto. É preciso ser gente, gente de estirpe, gente que sabe quem é, que sabe quem foi, que sabe que é gente!

Quantos são os que sabem de profundidade? Que entendem o real valor da amizade? Detesto os amigos do "Pois..." O "Pois." encerra em si o "Fode-te". Destesto amizades do : "É chato..lamento...", amizades dúbias, medrosas, sem sentido, sem alento. Detesto as amizades do faz de conta, que nada trazem , que nada oferecem, desprovidas de sentido. Detesto as amizades indecisas, indefinidas, sem sal, incoerentes, criticas em surdina, com risos de malvadez pelo que não acontece a si mesmo.

Adoro as amizades sem sentido, sem serem forçadas, que nada esperam, mas que paciente tudo aguardam. Adoro as amizades profundas, sentidas, que se abraçam numa só. Amizades que existem na terra dos bons, na loucura dos insanos que vivem a amizade tocando as notas da liberdade. Não posso com gente que força, que ataca, que se perde no apego deficitário e se joga num limbo de insensatez profunda.

É necessário gente, que saiba ser gente, que entenda que a liberdade, não tem tempo, não tem voz, não tem credo, não tem quem se desespere. É necessário gente que saiba ser gente e que se digne a morrer por quem quer viver...









segunda-feira, 7 de novembro de 2016

COMEÇAS POR DIZER NÃO E ACABAS POR DIZER SIM



Não sei se tu que estás desse lado, tanto como eu, já passas-te por aquelas alturas em que querias na verdade dizer "NÃO!", mas terminas sempre por dizer..."SIM". 


Eu não devo e nem posso aglomerar aqui na escrita todas as situações possíveis. Porque são realmente muitas. Mas a titulo de exemplo....

Imagina que hoje, estando tu no teu trabalho , a escassos minutos de saíres pensas:

"Nunca mais chegam as 6 horas, hoje não posso deixar passar aquele assunto importante que tenho de resolver! "
Mas eis que alguém no trabalho se aproxima:

-Bruno, posso pedir um favor?
-Sim, claro, diz!
-Preciso que trates destas contas, porque é necessário entregar sem falta isso no final do dia.

O  primeiro pensamento? Simples: " Fónix...já me lixou!"

E tu ficas entre a espada e a parede. Entre o sim e o não! Por um lado o que apetece dizer é a verdade. Por outro é esconder a verdade com um sorriso amarelo de orelha a orelha.

Por norma e supostamente a valorização do nosso eu, da nossa qualidade de vida, do tempo que deixamos de dar a uns e mais importantes e passamos a dar a outros de menos importância deveria resumir-se a uma breve resposta, tal como:

-Escuta e para que fique bem claro. Eu não começo a trabalhar às 9:00 da manhã efetivamente! Eu começo a trabalhar no momento em que me levanto! Exatamente às 6:30 da manhã. Falo rapidamente com a filha (o), despeço-me rapidamente da mulher ( para quem a tenha), desço a rua rapidamente, tento apanhar o comboio à hora marcada rapidamente, bebo o café rapidamente antes de entrar e ainda assim muitas vezes , 2|3 minutos depois das 9, ainda tenho o patrão rapidamente a perguntar: Então atrasado? O trabalho esse, tem de estar sempre pronto rapidamente, os atrasos tem de ser rapidamente solucionados. Entre as 6:30 da manhã, até às 18 horas da tarde,sem contar com o tempo que levo a chegar a casa, extenuado, mas rapidamente, para jantar, estar com as pessoas que gosto, continuo a trabalhar para ter rapidamente um momento de alguma qualidade de vida, alguma! E perguntas tu...se te posso ajudar? Fizeste mal a pergunta! Eu é que pergunto...em que me podes tu ajudar? Como é que tu podes valorizar o meu esforço,  enaltecer a minha qualidade de vida, desvalorizando o teu pedido?

Mas é exatamente aqui que ligas a sirene da "Mariquice emocional". Pensas uns milésimos de segundos e rapidamente respondes:

-Claro que sim, tudo bem!

O tudo bem é sinónimo da ligação ao " Que se foda...", ajuda-se aqui, ajuda-se ali, acata-se um sim aqui, um sim ali. Pode ser que tenha mais um aumento, pode ser que o patrão veja o meu esforço,  pode ser que perca mais um amigo mas que se lixe, pode ser que perca uma oportunidade de conhecer alguém, mas que se lixe, de estar com alguém que amo, mas que se lixe, de fazer algo que gosto, mas que se lixe.

Como é que assumimos ser donos da liberdade, da própria vida, se passamos a vida a dizer sim, quando queremos dizer não? Como ajeitamos o tempo de dar tempo a quem suplica por tempo? O sim como forma de padrão de equilíbrio de forças, de ajuste de tempo é um sim fruto da auto-análise num todo, que não deixa ninguém deficitário. É um sim que sabe viver o tempo da vida. Mas um "não", transformado num sim é uma vertente submissa, ilógica,  que combate a tua verdade, a tua liberdade, a tua necessidade de voar, de viver e de intensificar a tua vida. Abandonas-te a ti e aos outros quando na presunção do Não, derrotas o mesmo com um Sim.

A tua responsabilidade deixa de ter valor quando desvirtuas a tua verdade e passas então a ser não só irresponsável por ti, como pelos outros.

Há uma certa conotação ao "Sim, sempre" como se fossemos alguma espécie de super heróis que com isso pudéssemos salvar o momento. E é por isso mesmo neste gracejar intenso de nos sentirmos impelidos a fazer o bem, porque não sabemos dizer não, que muitas vezes dizemos em surdina: " Fiz tanto por ele (a) e agora olha o pontapé que levei".

Esse desejo de reconhecimento pelo "SIM", de fazer chegar a bom porto a mensagem do "bonzinho", do salvador, do tapete por baixo dos pés dos outros, que faz de nós, não reconhecidos como salvadores, mas sim, reconhecidos, como submissos, fracos, carne para canhão, exatamente por olharem para nós como os "Construtores e reconstrutores do SIM". É que o nosso prédio do "SIM" nunca vem abaixo aos olhos dos outros. E habituam-se tanto ao sim, às batidas nas costas do "Gajo ou gaja" fixe que somos, que quando abrimos a boca para dizer um sonoro não, passamos a "Filhos da Puta...". Os maus, os vilões, os sacanas. Os destruidores dos sonhos, dos momentos, das necessidades, dos famosos construtores que agora nada valem momentaneamente.

Reparem...a questão principal quando queres dizer não e dizes sim, não tem a ver com o tamanho da tua bondade, tem a ver com a sonoridade do teu caráter. Quando habituas as pessoas ao SIM as pessoas habituam-se a uma não existência do NÃO e passam a ter como produto efetivo e sistemático na sua vida o SIM.

A sonoridade do teu carater expressa a musica que os outros desejam ouvir para si mesmos. São os "Lambe Feridas", os necessitados, os deficitários, os apressados, os preguiçosos, os dominadores, os capacitados, os egocêntricos, os fazedores de sucessos, os pró ativos. Eles alimentam-se do sim. Do sim que ofereces para o polimento e desvanecimento do seu próprio não. Muito cuidado com o SIM de quem realmente precisa e com o NÃO de quem se aproveita.

Tu educas os outros a serem mais fortes, astutos, sacanas, aproveitadores. Dás armas para a insensibilidade e desvalorização e ofereces-te como mártir para o seu alimento. Tornas-te uma presa fácil quando deixa de existir um intermédio entre o sim e o não. Porque ainda que deduzas que o talvez seja uma mera hipótese a ter em conta, o mesmo não passa de um oásis, onde são raros os que param para beber do equilíbrio que faz da sabedoria "mundana" uma paragem necessária de equilíbrios entre necessidades adequadas a cada momento. Uma tentativa falhada de colocares um STOP exatamente nessa paragem, quando te perdes na tentativa de ser uma heroína ou super herói do SIM. O mesmo se passa nas relações, nas denúncias que proliferam nos ataques do quer e não quer, pode e não pode, no sim quando não quer e no não quando na verdade ostenta a necessidade de ouvir o contrário.
Carlos Drummond de Andrade dizia e aplica-se na perfeição ao "NÃO" e acabas por dizer SIM: "A minha vontade é forte, porém minha disposição de obedecer-lhe é fraca.

E acrescento mais...que a tua disposição seja forte, de forma que a tua vontade reconheça a força que a liberdade que em ti vive, seja merecedora da tua verdade.

See you...





domingo, 6 de novembro de 2016

GIVE ME MONEY...AND I WILL SHOW YOU MY LOVE



Alimentar a ideia daquilo que se espera, que se aguarda, que se deseja,  que uma pessoa nos possa dar, sempre foi de certa forma consensual entre muitos, como uma absoluta normalidade. Ora se eu dou...de certo, terei de ter algo em troca. Dizem pelo menos as más línguas. Muitos...mas nem todos o dizem.

É natural que em várias situações, seja na luta de uns pais pelo melhor dos seus filhos ( estuda muito para teres uma boa profissão, para nos fazeres orgulhosos!) , seja a aposta em alguém numa empresa ( Se continuares assim, espero muito de ti no próximo cargo que tenho para te oferecer!), seja o inicio de um namoro (Aiii...ele é tão querido! O outro não me levava a sair? Será que este leva? Talvez tenha algum dinheiro também...), seja até o desejo de ter alguém por uma noite ( Que lábios ela tem...será que aqueles lábios se desdobram juntamente com os meus?), seja nas amizades ou em qualquer tipo de relação, há sempre uma ideia de alguma necessidade de retorno. E o retorno  esse, muitas vezes a qualquer custo, sem olhar a quem.

As mulheres muitas delas ( não todas!), são eximias nisto! Nesta lei descabida que muitas entendem ser a solução dos Machos Alfa para a resolução dos seus problemas. Umas falam em "equilíbrio financeiro" necessário à sua preservação, outras falam um palavreado à "Wall Street", como "Soluções de gestão financeira amorosa".  A minha mãe dizia: "Vai trabalhar preguiçosa, faz-te mulher!".

Mas na verdade o retorno, o que se espera, o desejo de ter segurança para si, garantir a preservação da sua própria sobrevivência, o seu equilíbrio sem recorrer a grandes esforços próprios, muitas delas colocam o dinheiro como principal factor e depois...naturalmente...o que o dinheiro poder pagar, para aumentar a sua...satisfação amorosa.  No money...no satisfaction!  No satisfacton...no funny!


Há um interesse latente em que os que se desejem Machos Alfa ou Deuses adorados do Olimpo, possam ter um estatuto que envergonhe as suas amigas e as levem ao céu como seus protetores financeiros. E o amor? Bom...o amor logo se vê, conforme a manutenção do equilíbrio da felicidade das mesmas. 

As mulheres tem medo de perder mas não tem vergonha de se perderem. Compram-se por muito e vendem-se por pouco ( Easy...not all the ladies!).  E esse é o grande medo da sociedade em geral, mulheres muitas delas, que se batem pela igualdade e emancipação financeira e ainda vivem da necessidade do valor de um cartão de crédito e de alguém que possa tornar realidade os seus sonhos e objetivos. Com isso mais amor, mais tesão,  mais vontade, mais interesse capitalizado.

Tem pavor de que o seu amor, o seu talento (ou ausência dele), a sua visão, as suas necessidades, as suas vontades, as suas apostas não tenham um retorno que seja válido, consensual, necessário para o que deduzem ser o caminho. E o medo instala-se e que fiquem deficitárias do esforço que fazem. E daí muitas vezes, escolher-se o caminho menos doloroso e mais fácil, mais desonrado para umas e mais honrado para outras.

-Que mal tem querer um gajo com dinheiro e estatuto??  - Perguntou um dia uma amiga.
-Nenhum...para ele...todo para ti! Se é que me entendes....
-Alguns de vocês, são uns fracos, porque se baseiam na vossa frustração de não ter, apontando o dedo às nossas escolhas. A minha escolha é simples! Se aquele tem mais do que o outro, aquele...tem mais possibilidades de me fazer feliz...que o anterior!
-E se ele não conseguir mais o teu sustento? Para onde caminhas? A quem te entregas depois? Por quem correrás tu para a tua salvação?

O engano é sem dúvida o mais prático. O engano no amor, o engano de si mesmas, o desequilibro pérfido que vive da mentira em redor de amores por todos, mas que na prática é apenas de amores resumidos.

Todos no geral, c
ompram e vendem ilusões e ainda assim...nunca estão satisfeitos, porque se vive numa eterna luta onde se leiloa as nossas fraquezas, as nossas preguiças, as nossas inverdades. Leiloa-se a nossa alma em troca de alimento do nosso ego. Ego que para umas é válido pela sua salvação de vida, para outras é desnecessário pela sua própria emancipação e valorização como mulheres de combate, livres, dedicadas à preservação do seu próprio estatuto como mulher. As fortes dedicam-se à vida que dê vida, as fracas a suplementos de vida, a balões de oxigénio que comprove as suas lutas vazias.

A incompetência  muitas vezes é a arma dos astustos. Não carece de honra, não necessita de moral ou ética. E a astúcia é rica em povoar a verdade com penosas doses de mentiras, transformando o incompetente, num brilhante estratega.

Dinheiro é necessário? Claro! Dinheiro faz falta? Claro! Paga viagens, manutenção de carros, casas, filhos, alimentação, transportes, amantes, saídas, concertos, escapadelas, roupa e afins.

O problema não é o dinheiro em si. O dinheiro necessita apenas de um ponto essencial. Equilíbrio! Que nem sempre é conseguido, que nem sempre é mantido, por variações, alterações da vida. Mas isso gera luta, necessidade de correr pela sobrevivência, ganhar calo, saber valorizar o que não se tem muitas vezes. A ganância eleva-te à ignorância. E a ignorância ao estatuto de ser preenchido pelas luxurias do mundo. Sabe bem? Claro que sabe! Mas se vivo de amor, como posso hierarquizar a minha prioridade como sendo o dinheiro?

O medo que muitas se rodeiam na presunção de que a vida está entregue ao ópio que o dinheiro compra não é escravo do mesmo. É escrava de si e apenas si...

Como diria alguém: Prestigio só dá dinheiro às grandes marcas...o resto é pó. 


sábado, 5 de novembro de 2016

A ALMA É PINTADA DE TODAS AS CORES.



Sempre fui um acérrimo crítico da conotação que é feita às pessoas de cor. Só a frase em si já denota uma instrumentalização que se baseia na diferença. Que cor é a nossa e qual a cor dos outros? O preconceito e a discriminação existente no mundo e que tantos carregam e muitos em surdina, mediante a cor da pele, sempre foi historicamente o fio condutor de guerras intermináveis.

Ora não se gosta de pretos, ora de ciganos, ora de brancos, ora de chineses. Os brancos, os pretos, os amarelos, os mulatos, os pele vermelhas, os gajos com cara de sabor a caril, sempre e entre si granjearam de títulos honoríficos na tentativa de concretizar a constatação de quem é e merece ser o melhor na sua espécie. E pressupostamente quem carrega a bandeira de que a " Minha casa é sempre melhor do que a casa do vizinho".

Ou melhor dizendo e perdoem-me a insensatez tão cruelmente verdadeira. Na verdade o conceito de guerra de cores, não é mais do que um conceito idealizado e reduzido a uma de lutas homens, uma luta incessante de pilas, na tentativa de perceber quem terá a pila maior. Não são guerras comuns de verdadeiros homens que lutam em prol de alguma justiça digna de nome. São guerras de crianças amedrontadas, receosas de perder o seu posto, a sua luta de "patriotismo" pela cor, a continuidade da sua espécie mediante a sua pele. 



É uma luta da testosterona, da incapacidade vigente no homem em decifrar a cor da alma e o conceito de humanidade tão distante do seu próprio conhecimento, assim como da sua verdade.

Artthur Gobineau tinha uma frase em que dizia: "Não creio que viemos dos macacos mas creio que vamos nessa direção."
Não poderia concordar mais com esta frase e o sentido que a mesma carrega em si.

Os meu melhore amigo é negro. Ou é potencialmente ofensivo chamar e denominar de negro? Poderei dizer pretos? Ou ser politicamente mais correto e dizer: " De cor"? De todas as formas onde a possibilidade de ser cuidadoso no ato de diferenciação, nunca deixarei ao fazê-lo, de estabelecer sempre algum tipo de diferença entre ele e eu, eu e os outros...assim como dos outros também para mim.

A única potência mundial, digna de não ser xenófoba e discriminatória em relação à cor da pele é o mundo animal. Lá...onde dizem que não existe alma...proliferam todas as cores...




quarta-feira, 2 de novembro de 2016

PÁGINAS PERDIDAS



-Vem...sou tua...volta para mim...
-Não te vendas assim...não vês como estás destruída? Destituída de amor? Porque te humilhas?
-Vem...sou tua...volta para mim...
-Não ouves o que te digo? O que te sopro ao ouvido? Não posso amar quem não se ama! Ergue-te!
-Vem...sou tua...volta para  mim...
-Porque te repetes? Porque não me escutas? Porque não te escutas a ti mesma!? Porque te destróis nesses amores líquidos, sem sabor, sem sentido, sem valor, sem razão, sem a mínima noção?
-Vem...sou tua...volta para mim...
-Não te vendas, não te dês...não sucumbas a essa morte em ti!
-Não clamo pela morte...essa já vive em mim...
-Por quem clamas tu?
-Pela minha página...
-Que página?
-Aquela que não escrevi e que alguém ousou rasgar em mim...