sábado, 11 de fevereiro de 2017

NOS ANDARES DO "EU"...VIVEMOS TODOS "NÓS"



(...)Chegar a casa, colocar a chave na porta e perceber a efémera alegria, que advém desse silêncio que percorrem todos os cantos da casa, é algo sublime e de uma falsa paz que se instala. Até ao momento, que na cama em que te deitas, enrolado em ti mesmo, confessas em silêncio a tremenda mentira que ninguém ouve, a tristeza que ninguém vê e as frases que soltas que ninguém atinge.(...)
(...)Lembras-te? Pois se ainda te lembras….recorda!Não eras apenas tu! Nunca foste apenas tu. Enfim…recorda, para que na memória de uma solidão atroz…percebas…afinal…sempre fomos nós…(...)

É uma utopia a consideração que temos, pelo ato que carrega a ideia de que: “Estamos bem é sozinhos!” ou “Estamos bem é solteiros!”. Chegar a casa, colocar a chave na porta e perceber a efémera alegria que advém desse silêncio, que percorrem todos os cantos da casa, é algo sublime de uma falsa paz que se instala. Até ao momento, que na cama em que te deitas, enrolado em ti mesmo, confessas no silêncio a tremenda mentira que ninguém ouve, a tristeza que ninguém vê e as frases que soltas que ninguém atinge.
Ganhamos a coragem de produzir neste efeito que carregamos de consideração, por nós mesmos a fútil premissa, de que sozinhos conseguiremos! Conseguiremos pela força da ideia, pela força da razão ou teimosia. Conseguiremos pelas feridas, pelo sofrimento, pelas lutas que tivemos, pelo que ganhamos e até, pelo que perdemos. Conseguiremos pela consagração da própria frustração, que habilmente transformamos a nosso favor, como uma força de energia que nos cega de inverdades e presunções, de que nada precisamos, que ninguém queremos.
É o sentido máximo de proteção que nos acompanha desde a saída do útero da nossa mãe, que nos transforma ainda em crianças desejosas de segurança. Desejosas por um abraço, por uma companhia, por alguém que se faça ouvir e nos possa sentir. Que demagogia desinteressante, inconstante, de demência tal, subentender-se que sozinhos tudo conseguimos, tudo alcançamos, tudo podemos!
A velha máxima da suposta autodeterminação solitária, reafirmada pelos gurus como expoente máximo da consagração da vida! Recordo-te na lembrança do nós, pela manutenção da vida. E esqueço-me do eu pela presunção, que não desejo ter, de que vivo na inverdade, sem a memória do “nós”.
Lembras-te? Do andares em que viveste? Das campainhas que tocaste? Das vezes que o eu foi trocado pelo nós? O que é o eu sem um abraço dado? O que foi o eu sem a quantidade de toques, de sorrisos, de almas, de vozes, de esperanças, de memórias, de melodias? Lembras-te? Da necessidade dum beijo? Da busca por um amigo? Do reencontro de um sorriso? Lembras-te do eu sem nós? Como te poderias lembrar se nunca na realidade viveste de ti? Lembras-te da turbulência sentida nas paixões? Como te poderias lembras da unicidade quando te perdias na pluralidade? Dos amores tidos, vividos, perdidos? Lembras-te? O que é o eu…sem nós?
Lembras-te do toque? Da forma que contemplavas na complementaridade? Do sentido que se dava à vida? Do barco carregado de sonhos? Dos desejos? Das esperanças? Lembras-te? Lembras-te do “eu” ou do “nós”? Lembras-te do que te fazia correr? Por quem tu lutavas? Porque quem, prazerosamente ajudavas? Por quem, em noites frias escolhia estar ao teu lado? Lembras-te do telefone tocar? Da voz que se ouvia e que nada se omitia? Lembras-te das mentiras tidas? Das traições geradas, mantidas? Das falsas companhias? Das lágrimas que por outros verteste? Lembras-te do eu…ou do nós?
Lembras-te das palavras de uma mãe? De um afago de um pai? Lembras-te dos andares com vida, recheados de tempo dado, consentido, desejado, pernoitado, oferecido? Lembras-te do caminho efetuado? Das mãos que te seguraram, das vozes que se alarmaram, das trompetes que tocaram à tua passagem? Das vidas que se perderam? Dos conselhos que ficaram? E aqueles? Aqueles que sobraram? Lembras-te? Lembras-te do “eu” ou de “nós”?
Lembras-te desses andares deduzidos como melodias tidas, de vidas feitas, de emoções desfeitas, de frases contidas? Esses andares que cantam vida, que produzem histórias, que refletem ideias, que ecoam romances?
Lembras-te? Pois se ainda te lembras….recorda! Não eras apenas tu! Nunca foste apenas tu. Enfim…recorda, para que na memória de uma solidão atroz…percebas…afinal…sempre fomos nós…

TERRA DO NUNCA







(...) E QUE NESTA NOSSA VIAGEM EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA, POR IMAGENS, MEMÓRIAS SONHADAS EM SEREM NAVEGADAS, CONQUISTADAS, QUE ENTREM POR BEM, OS SONHADORES, OS CONQUISTADORES, OS VISIONÁRIOS, OS SEDENTOS DE AMOR, OS DESCLASSIFICADOS, OS ABANDONADOS, OS ULTRAJADOS, OS HUMILHADOS, OS DESCONECTADOS DA VIDA. (...)
Andamos sempre em busca de algo. O trabalho que sempre sonhamos. A casa que nunca tivemos. O carro que mais desejamos. Os amores que tardiamente ousam em não aparecer. Andamos em busca de companhia. Companhia na arte de escutar. Companhia na arte de nos saber ler.Companhia na arte de dar e saber receber. Andamos em busca dos desejos que tivemos e não alcançamos. Dos objectivos perdidos, das melodias de vida que outrora sonhamos e ainda requeremos. Andamos em busca da fada madrinha, da vida tantas vezes perdida, que a nossa sombra essa infeliz, consequência de companhia maldizente, nos teima em retirar, dos caminhos dos sonhos que tivemos.
Andamos em busca das diferenças, que compensem as fraquezas, que vibrem nos sorrisos, que acudam nas tempestades, que te aconcheguem num abraço de vida e se despeçam com nobreza e orgulho na morte. É uma caminho incessante em busca da terra do nunca. Do nunca, esse, que sonhamos que chegará sempre.
Do nunca que ousamos persistir não existir, pela esperança que carregamos. Do nunca entendido como vida, como forma que carregamos ainda na ideia de que nada afinal é ainda tudo. E que nesta nossa viagem em busca da terra do nunca, por imagens, memórias sonhadas em serem navegadas, conquistadas, que entrem por bem, os sonhadores, os conquistadores, os visionários, os sedentos de amor, os desclassificados, os abandonados, os ultrajados, os humilhados, os desconectados da vida. Entrem por bem, pois no barco da terra do nunca o caminho marcado tem o nome de terra de esperança.

VIDAS DESAJUSTADAS



(...)VIDAS VIVIDAS, DESAJUSTADAS. VIDAS VIVIDAS AINDA DO DESEJO DE SER, DA IDEIA DE TER O QUE A JUSTIÇA REQUER E TARDA EM APARECER. ESTA IMAGEM DE SER, O QUE NUNCA QUIS SER, REFLETE-SE NUM MUNDO SONHADO, NESSE OLHAR SUBLIME, DE QUE A MORTE REALMENTE SENTIDA…É A IMAGEM DA VIDA MANTIDA.(...)

Vidas existem que pelas circunstâncias validadas, sem terem sido alguma vez pedidas e que forçosamente tidas como acreditadas pela força da ilusão, se privaram da liberdade e consequentemente da ideia, que aos poucos cai por terra, de um tempo que ainda dê tempo a uma altura do dia em que a vida enfim…sorria.
São vidas sufocadas pela acreditação de outrora de um compromisso tido como abençoado. A bênção tida, desejada, numa verdade de vida recheada de alegria, esbate-se com o tempo na imagem da amargura, da falha na liberdade e num novo nascer que se valida pelo acordar para o vislumbre de um intenso pesadelo.
O amor tido como capacitado, trabalhado, nutrido, desejado na imagem de um sonho sonhado, perde-se na falha intensa dessa mentira criada. Vidas aprisionadas, privadas de liberdade, jamais resgatadas. Vidas aprisionadas pelas circunstâncias financeiras, pelo receio de mudanças timidamente ainda sonhadas. A nutrição desse amor em tempos desejada com intensidade, perde-se na sistemática proliferação de dissabores, memórias vividas em cenários de vidas de horrores.
Vidas que passam, que se perdem e se esquecem por entre sorrisos de felicidade alheia. Porque não eu? Porque não nós? Vidas falhas de preenchimento de dias vazios, de noites perdidas, de desgraças sentidas, em faces esquecidas. Vidas que passam a vidas distantes, a memórias de conquistas perdida. Vidas desconhecidas, não desejadas, mal amadas e para sempre marcadas.
Vidas vividas, desajustadas. Vidas vividas ainda do desejo de ser, da ideia de ter o que a justiça requer e tarda em aparecer. Esta imagem de ser, o que nunca quis ser, reflete-se num mundo sonhado, nesse olhar sublime de que a morte realmente sentida…é a imagem da vida mantida. E o desejo de um sopro de vida que se quer alterada. E ainda que morta em mim, que morta em nós, será sempre sonhada.
Ainda que o sonho, não seja por mim, ainda que não seja por eles…por Deus…que esse sonho de vida...viva para sempre em ti e que o deixes sem mágoa...morrer em mim.